sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Sobre Dependências (ou A Subordinação às Máquinas)







E o assunto do momento foi o tal bloqueio do WhatsApp. Se já não bastassem tantas outras efemeridades, temos que lidar com as redes sociais em polvorosa porque seus usuários não podem acessar o bendito aplicativo. Mas espere, é para tanto?

Vivemos num mundo completamente dependente de tecnologia, o futuro imaginado por tantos escritores é bem diferente do real, mas Isaac Asimov acertou quando retratou um mundo dominado por máquinas. Quem já não percebeu que numa simples reunião de amigos as pessoas estão mais presas aos celulares do que às conversas ao redor? Esta é uma constatação, somos dependentes destas máquinas. 

E eu me encaixo neste tipo de dependência, confesso. Viver sem internet para mim não funciona, preciso dela para estudar, me comunicar com meus amigos e trabalhar também. Além disso, a internet me oferece distração e, assim como eu, a tantos outros milhares, mas chega um momento que me pergunto: dar um tempo disso tudo não é necessário?

Chegamos ao ponto de não entender como alguém pode não fazer parte de determinada rede social, como pode viver sem tal aplicativo, como pode não ter um smartphone e sobreviver ao mundo de hoje. Não nos perguntamos se tal pessoa precisa de todos estes recursos realmente. E pior, não nos perguntamos se de fato realmente precisamos estar em todos os lugares absorvendo determinadas informações desnecessárias para nossas vida.

O mundo está completamente saturado de informações. São anúncios pipocando em todos os lugares, fatos corriqueiros como, por exemplo, pessoas indo à praia ou tomando um simples café, ganhando relevância em nossas vidas. Como eu disse anteriormente, a internet também serve para distração, mas será que estamos nos distraindo demais?

Não quero ser eu aqui o tal senhor da razão ou fazer juízo de valor. A internet oferece todo o tipo de informação, divertimento e afins, cabe a cada um escolher o que realmente tem vontade de ver ou fazer. Assim como preciso lembrar, somos também produtores de conteúdo, vide essa coluna aqui no Barba Feita, mas chegamos mesmo ao ponto de parar a nossa vida ou criar tanto alvoroço e zaragata porque um aplicativo ficou bloqueado por algumas horas? 

Será que não é chegado o momento de refletir como estamos usando a internet? Será que vamos deixar que as máquinas vençam no final? Elas estão aqui para nos aproximar e não nos separar do convívio com as pessoas ao redor. Vamos tomar um café e conversar bobagens também, o velho olho no olho ainda é muito bacana. E, quem sabe, conversar sobre as bobagens que vemos na internet, mas deixando o celular no silencioso por alguns minutos e apreciando estar com as pessoas. E, por que não, tirar fotos e postar nas redes depois de um bom momento com quem gostamos. 

Afinal, a internet é ótima para isso, não é mesmo?

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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Um comentário:

Romano Feed disse...

Sob o bloqueio do WhatsApp só digo uma coisa, não me afetou pois não tenho, porque seria apenas mais um, se existe o messenger do Facebook pra que raios eu quero mais um aplicativo, só por que todo mundo tem, não, não é pra mim..
Abraços...