sábado, 31 de dezembro de 2016

Seja Intuitivo em 2017





2016 foi um furacão e amanhã começa mais um passeio pelo calendário. Nessa altura, muitas são as dicas, metas e mandingas pra que o novo ano seja apenas uma ressaca e não mais uma bebedeira descontrolada. Por isso, nessa onda “vamos melhorar”, darei o meu conselho para 2017: seja intuitivo.

Talvez por ser regido pelo signo de Peixes - o mais sensível do zodíaco -, sou uma pessoa que preza pela intuição. Se os astros não justificarem essa característica, aposto que o horóscopo xamânico ou o meu terapeuta (se eu tivesse um) apontariam com dados estatísticos e fortuna crítica o quanto uso meu faro e instinto. 

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

Tchau, Querido!





Que anozinho terrível esse, hein...

Dois mil e dezesseis já começou mal quando, logo nos primeiros dias, fomos surpreendidos com a morte de David Bowie, dois dias depois do lançamento do lindo álbum Blackstar. Perdemos um astro e talvez o artista mais completo do século. Durante o ano também perdemos Elke Maravilha, Cauby Peixoto, Leonard Cohen, Prince, Ferreira Gullar, Naná Vasconcelos, Carlos Alberto Torres, Shimon Peres, George Martin, Hector Babenco, Umberto Eco, Muhammad Ali, Fidel Castro, Gene Wilder, Carrie Fischer, George Michael e vivenciamos bizarros acidentes como a tragédia do vôo com o time da Chapecoense, a morte de Domingos Montagner, o protagonista da novela Velho Chico, afogado justamente no rio São Francisco, que dava nome à novela.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

2016 Só Acaba Quando Termina





Falta pouco, mas ainda faltam alguns dias, horas e minutos para o fim de dois mil e dezesseis. Exatamente como aconteceu um ano atrás, não se aguenta mais este “resto” de dias que sobraram. E assim como ocorreu com 2015, os sentimentos sobre o que vivemos neste período de 12 meses não são os melhores. 

Particularmente, não foi tão ruim assim pra mim. Foi um ano ok. Não foi sensacional, tive boas surpresas. Mas foi ok. Foi interessante na medida certa. Ao contrário do que rolou no ano passado, estou mais reflexivo. Tenho menos planos para 2017. Não sei se os planos são menores ou as expectativas estão inexistentes. 

Se tem uma coisa que venho aprendendo com o tempo, ter controle das expectativas que crio sobre todas as coisas é uma delas. Expectativa é uma merda. Ela faz com que coisas medianas se tornem medíocres e coisas boas sejam… só boas. E não sensacionais. Já percebeu que ao assistir um filme, ler um livro ou até escutar uma música nova de alguém que você nem dá tanta bola acaba te surpreendendo? Pois é! A vida é assim: quando menos esperamos ou planejamos, ela nos surpreende e, por não esperarmos nada, tudo o que vem é maravilhoso. Uma grata surpresa. 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

O Ano Em Que Era Pra Eu Ter Morrido





Poucas vezes vi uma unanimidade tão grande na minha vida: 2016 foi um ano terrível no todo. Ok, unanimidade pode soar muito forte; “opinião esmagadora” talvez seja melhor. Essa volta da humanidade em torno do Sol trouxe tantas coisas ruins, tantas más notícias, que até as boas passaram quase despercebidas, diluídas num mar de negatividade coletiva que eu, particularmente, nunca havia visto.

Lembro-me que muita gente reclamava de 2015. No balanço do fim do ano passado aqui no Barba Feita, ressaltei que 2015 havia sido incompreendido. Muitas das reclamações sobre o período eram meramente econômicas: a crise financeira havia batido à porta de casa finalmente. Mas foi em 2016 que ela entrou, sentou no sofá só de cueca e pediu uma cerveja. E houve ainda questões políticas e humanitárias mais graves, que se somaram a esse quadro macro de crise.

Quando 2016 começou, eu tinha muitas esperanças. A expectativa de um ano melhor já começava pela minha simpatia pelos anos pares e também por acreditar que, ao menos no Rio de Janeiro, onde seriam as Olimpíadas, teríamos grandes momentos. Brinquei que um ano em que se tem filme novo de Almodóvar e Tarantino não teria como ser ruim. Tomei uma lambada logo de cara: imediatamente após assistir a Os Oito Odiados, do Tarantino, recebi a notícia de que uma prima da minha idade havia falecido e comecei a sentir as dores daquilo que, em poucas horas, me levaria a uma cirurgia de emergência. Ainda em janeiro, tive uma apendicite. A mesma que provocou o título meio (bastante, tudo bem...) dramático desse texto.

terça-feira, 27 de dezembro de 2016

2016, O Aprendizado Que Você Mais Respeita!





Ah, menina, agora é hora (de alegria, vamos sorrir e cantar, do mundo não se leva nada...) do último texto do ano, gente. É hora de fazer aquele balanço, já morrendo de medo daquele Geraldo da Rede Record aparecer aqui, falando "Balança!", fazendo umas estripulias. Valei-me...

Então, gente, eu poderia dizer o quão péssimo foi meu 2016, ou o quão foda ele foi, mas 2016, assim como todos os anos anteriores e os que virão após ele (momento Leila Lopes), terão altos e baixos, e tudo, tudo, tudo, é um aprendizado.

Eu poderia fazer um texto apenas dizendo o quanto eu odiei esse ano, e como eu sofri com a doença da minha mãe, e como meu pai sentiu a morte dela, e minhas sobrinhas, minha irmã, as sobrinhas dela, as sobrinhas do meu pai. Poderia falar sobre a falta que ela me faz, e que sempre ouço os conselhos dela com a voz dela, ou algo trivial, como se fosse ela dizendo na minha cabeça, mas isso tudo foi (e tem sido) um puta aprendizado.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

2016: Em Livros, Filmes e Séries





Que o ano de 2016 será sempre lembrado como controverso, disso não há dúvidas. Foi o ano da antidemocracia, dos abusos, do medo e das incertezas. O país mergulhou em crise, o mundo se tornou um lugar mais estranho, a intolerância perdeu a vergonha e deu as caras com força total. 

No campo pessoal, 2016 foi um ano duro e difícil, de mudanças inesperadas e de porradas que eu não esperava receber. Na vida amorosa, um revés que me pegou de surpresa e que está sendo trabalhado nas minhas sessões de terapia de mim para comigo mesmo. No trabalho oficial, a insegurança reina. Na vida financeira, atenção redobrada, porque as despesas aumentaram.

Mas nem tudo foi ruim nesse ano danadinho. Foi um ano de boas descobertas literárias e televisivas. Tanto que logo em janeiro passado eu resolvi abrir no meu Facebook uma pastinha para guardar tudo que eu conferisse, para ter, em um lugar de fácil acesso, as minhas lembranças de tudo que acompanhei. E é graças a essa pastinha, inclusive, que consigo escrever hoje esse texto, de maneira mais completa.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Preterido





Era assim que eu me sentia ao lado dele. Altamente preterido na vida de quem era minha prioridade. Achava realmente impressionante como sempre arrumava tempo pra TUDO, pra TODOS, menos pra mim... Sempre tinha tempo de ir à casa de amigos, bares, pra se dedicar às coisas que achava importante, mas quando era pra mim... Aí fudeu! Sempre estava ocupado. Ele simplesmente não se interessava por nada que viesse de mim, não se importava em saber como foi o meu dia, em me ouvir quando ligava para falar alguma coisa que aconteceu comigo. Algumas vezes, cheguei a achar que estava me ouvindo por falta de opção, e SEMPRE no meio da ligação tinha que fazer alguma coisa ou falar com alguém... Tenho quase certeza que era apenas uma desculpa pra desligar. Sempre procurei mostrar interesse por seus assuntos e atividades, até quando era alguma que, a princípio, não me interessava o mínimo, até quando me contava sobre seus amigos idiotas.

Eu sei que dei muita importância para coisas que talvez fossem indiferentes para ele, assim como sei o quão babaca fui pensando sempre no “nós” em primeiro lugar. Abri mão muito pela gente, para que nossa relação desse certo, mas nunca senti o mesmo retorno e, pior, ainda me questionava sobre as vezes em que ele não estava bem. Será que ele nunca notou? Poderia o egoísmo ser tão grande ao ponto dele não enxergar coisas que estavam na cara?

sábado, 24 de dezembro de 2016

Nossa Violência





Penso sobre o quanto estamos vulneráveis à violência. Pode notar que, sofrendo ou produzindo aspereza, os afetos se descontrolam o tempo todo, todo dia. 

Como se não bastasse o cotidiano e sua infinidade de situações tensas, a TV perdeu  o controle  dos decibéis  e  grita  crimes  além  da  conta.  Tentamos  então  os jornais  impressos,  mas  de  cada letra escorre  bile e veneno. E a  internet...  Bom, a internet oferece mais soco do que afago. 

Fechado o cerco lá fora, ainda precisamos lidar com a NOSSA violência. É fato que existe em nós uma propensão ao ódio e aos impulsos mais destemperados (afinal, somos  apenas  animais domesticados). Por  isso,  seja  ponderada  pela  lei,  seja  pela cultura do bom senso, nossa selvageria precisa de um escapamento. Há quem diga que o que vale mesmo é o autocontrole e a busca por uma postura zen. Outros dizem que uma atividade física como o boxe pode ajudar a liberar o stress (ou qualquer outra luta que nos faça desferir socos num joão-bobo e não no vizinho).

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Então é Natal no Ano 3000... E o Que Você Fez?





Uma madrugada dessas, naquele momento em que ficamos deitados fuçando as mensagens do WhatsApp, atualizando o Instagram e dando umas curtidas aleatórias em posts no Facebook até o sono chegar, fui até o calendário do telefone e fiquei checando, ano a ano, em que dias da semana cairiam os próximos Natais. Nesse vai-vem, cheguei até o ano 3000.

Neste ano, dia 25 de dezembro cairá numa quinta-feira. Obviamente, a sexta seria enforcada e teríamos quatro dias de folga, mas nem eu e a minha 10ª geração estariam aqui. Neste ano eu teria 1.031 anos. 

Mesmo sabendo dessa ordem lógica da finitude, é estranho saber que, mesmo depois de nossa partida, o sol continuará ali nascendo e as pessoas continuarão comemorando ao redor de uma árvore cintilante multicolorida. 

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Nem Todo Término é um Fracasso





Jout Jout e Caio terminaram, mas foi essa frase que uso como título que ficou presa na minha cabeça depois que assisti ao vídeo sobre o fim do relacionamento amoroso deles. Sim, o que terminou foi o relacionamento amoroso entre os dois, mas o amor, respeito e, ainda, a relação que eles possuem, continua. Ao menos é isso que o vídeo deixou a entender. 

Relacionamentos acabam, isso todo mundo sabe. Às vezes não queremos acreditar. Mas o fim existe e pode não ser tão penoso ou tenso como se imagina. O vídeo é triste, mas ao mesmo tempo é lindo. Achei de uma sensibilidade ímpar e não me surpreende ter sido feito logo pela Jout Jout. Se o roteiro foi elaborado entre os dois e se Caio foi o diretor desse vídeo, isso torna tudo ainda muito mais poético. Mas se não foi, tudo bem também.

Se 2016 tinha algo para me ensinar, com toda certeza o assunto era esse: término. Quando Leandro e Alexandre terminaram, foi um choque pra mim. Conheço o Leco tem alguns anos. Conheci esse meu amigo solteiro e vivemos tantas noites inesquecíveis que quando Alexandre se juntou na equação, no início, foi estranho. O coitado passou por uma noite de interrogatórios comigo. Hoje acho graça, mas no dia me senti um amigo defendendo o outro e tentando descobrir as “intenções verdadeiras” do novo sujeito. O tempo passou e me vi apegado ao Alexandre e na nova dinâmica que os dois tinham. E saber que aquilo tinha terminado foi horrível de ler. Mas minha preocupação foi em saber como meu amigo estava. Como os dois estavam. E eles estavam bem. 

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Mais Empatia, Por Favor!





Fim de ano chegando e aquela onda de boas coisas invadem as ruas, as televisões e as timelines. É tanta positividade, tanto espírito natalino, que a gente até pergunta: por onde andou tudo isso durante todo o ano? Estava adormecido nas entranhas da humanidade ou não passa de mera figuração para um período em que se cobra um senso de confraternização?

Ontem, ao receber felicitações de fim de ano de uma amiga junto com um presentinho mimoso, recebi dela os sinceros desejos de um 2017 “com mais empatia”. E é exatamente sobre isso a questão.
Empatia é a capacidade psicológica para sentir o que sentiria outra pessoa caso estivesse na mesma situação vivenciada por ela. Consiste em tentar compreender sentimentos e emoções, procurando experimentar de forma objetiva e racional o que sente outro indivíduo. 
É tudo o que falta para boa parte da humanidade durante quase todo o ano...

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

A Fera





Fred estava sentado em posição de lótus em sua cama, os olhos fechados e a expressão de quem estava com uma baita dor de cabeça. E de fato Fred estava com uma baita dor de cabeça. Sentia as pancadas do lado de dentro de sua mente, o que tornava tudo mil vezes pior. 

"Inspirar. Respirar. Inspirar. Respirar.", ele pensava consigo mesmo, no meio de todo aquele caos interno que acontecia ali. Seu colega de apartamento, Yago, havia sido vítima de racismo e, enquanto relatava o caso, Fred ouvia e sentia aquela sensação familiar de algo querendo sair e ir atrás de quem havia feito mal a alguém próximo a ele. "Inspirar. Respirar. Inspirar. Respirar.", pensou mais forte. 

Fred não podia deixar aquilo sair. Não ia adiantar nada, de qualquer forma. Uma gota de suor escorreu da testa e passou bem próxima ao olho direito. Ficava mais difícil de respirar, Fred tentava não pensar nas palavras duras que Yago ouviu, na reação dele, nas lágrimas, na revolta do colega e em sua própria revolta, nas unhas marcando a palma da mão, tamanha foi a força que ele fez ao cerrar os punhos. Ouvia mais esmurros em sua mente. Ela queria sair, queria socar alguém, queria vingança, queria retribuir mal com mal.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Encontros Inusitados e Histórias Surreais





Estou em um grupo do WhatsApp criado pela organização da festa em que passarei o Ano Novo. É um bando de gente aleatória, mas que pretende se divertir muito na virada do ano, o que acho justo e mais do que certo. E nesse grupo rola todo o tipo de papo, dos mais interessantes às mais diversas bobagens. Como em qualquer grupo de WhatsApp.

Mas foi numa conversa do grupo que me lembrei dessa história, de quando eu ainda era um rapaz recém chegado ao Rio de Janeiro e me habituava com a efervescência de possibilidades que essa cidade nos proporciona. E, relembrando hoje ao escrever esse texto, me divirto novamente com toda essa história que aconteceu lá no início de 2010...

Era uma terça-feira. Como eu fazia naquela época, cheguei em casa da natação cansado, liguei o computador, li uns emails, e lembro claramente que assistia ao BBB de então. Mesmo cansado, estava sem sono e depois de assistir a todo o programa, deitado na cama, fiquei rolando para lá e para cá por algum tempo, sem conseguir dormir. No tédio, resolvi fazer algo que era bastante comum na época: entrei numa sala de bate papo.

domingo, 18 de dezembro de 2016

Carta Para Alguém que Nunca Existiu





Eu mudei.
Parei de pensar em Deus
Assisto seriados melosos sabendo que vou chorar
Não me desespero por não estar fazendo nada
E não pensava em você há mais de um ano, eu acho.

Agora estou formada
Mas sem rumo
Acho que mesmo quando as coisas estão em ordem, minha vida não tem rumo
Tenho duas gatas (vivas e saudáveis)
E uma delas quer me matar

sábado, 17 de dezembro de 2016

Elis Regina: Uma Ode à Vida





Ainda estou sob os efeitos da biografia Elis Regina - Nada Será Como Antes (Editora Master Books), do jornalista Júlio Maria. Terminada a leitura, saio sem fôlego da vida de uma artista sensível, inteligente, intensa e, sobretudo, apaixonada por seu ofício.

Elis Regina tinha  gana  de  viver,  por  isso  não  calculava  perdas  e  danos, apostando  sempre  no que  acreditava  e  permitindo-se  mudar  de  opinião  para reinventar-se sempre que sentia necessidade. Uma mulher que não viu da areia nem boiou no raso: Elis mergulhou fundo, como que prevendo a curta vida que teria (morreu aos  36 anos).  Fez  um  disco  a  cada  ano - às  vezes,  dois -, realizou  espetáculos memoráveis a cada temporada e, entre discos e temporadas, três filhos.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

O Pequeno Príncipe Matheus





Há uma semana, eu perdia meu amiguinho Matheus. Um dia antes, enquanto conversava sobre ele, senti uma angústia muito grande e uma vontade de visitá-lo no hospital. Matheus estava internado no Hemorio e realizando um tratamento contra a leucemia fazia uns três anos. 

A primeira vez que o conheci foi na realização de uma matéria para o Globo Comunidade, que estava focando na importância do trabalho voluntário. Meu amigo Pedro Figueiredo estava fazendo sua estreia no programa e eu estava responsável por encontrar um personagem bacana para ilustrar a matéria.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Consumir Menos. Aproveitar Bem Mais!





Quase três horas da manhã e estou rodeado de bagunça em meu quarto. Ganhei de Natal mais uma estante para colocar os meus livros. Só que para caber no espaço que tenho disponível, mudei todos os móveis de lugar. Nesse processo fiquei pensando sobre algumas coisas, e a maior delas foi o meu consumismo desenfreado nos últimos anos. E nos últimos meses. Para vocês terem uma ideia, foram 33 livros comprados só na Black Friday. E se vocês pensam que parei por aí… Não. Não parei. Comprei mais alguns em sebo, da lista de desapego do Leandro Faria, fiz trocas em Facebook e também no Skoob. Se você não sabe, Skoob é um site de livros em que é possível trocar livros, de graça, com outros usuários. Ficando livro por livro.

Mas agora, sentado no chão do meu quarto e em frente ao ar condicionado (afinal, calor no Hell de Janeiro tá insuportável), me pergunto o que me fez comprar tão desenfreadamente. Sim, claro que quero ler cada um desses livros. Tem livro de roteiro (sou roteirista), livros de suspense, romance, autores brasileiros novos e clássicos… Existem livros de todos os tipos aqui. Mas a grande questão é: preciso de todos eles agora? 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Viadagem Tem Limite?





Acabei de ler no Facebook o comentário de um senhor com quem tenho certo convívio: 
“VIADAGEM TEM LIMITE”
Assim mesmo, em caps lock. O assunto em questão era o crescimento na venda de lingeries masculinas, fruto de uma matéria da Rede TV. Minha primeira reação foi pensar no quanto essa pessoa ainda tem que aprender da vida. A segunda foi o bendito botão do Facebook “Deixar de Seguir”. A terceira, vir até aqui para escrever a respeito.

Não sou um adepto de lingeries masculinas; poderia ser e isso seria um problema meu e do meu parceiro. Mas sou adepto das liberdades individuais, contanto que não firam a liberdade do outro. Seja homem ou mulher, alguém usar calcinha, cueca, cinta-liga ou não usar nada, REALMENTE diz respeito a um terceiro que não tem absolutamente nada a ver com ele? Isso realmente ofende alguém que sequer vai interagir sexualmente com ele? Ainda assim, mesmo que ofenda, não é um direito cada um usar o que bem entende, mesmo que seu parceiro discorde (e passar para um parceiro que aceite e goste?).

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

O Que Você Faria Com Duzentos Milhões de Reais?!





Não, não estamos dando prêmios aqui hoje. O que eu realmente quero saber é: 
O que você faria se ganhasse duzentos milhões de reais? 
Veja bem, não são duzentos reais, ou dois mil, ou duzentos mil, mas DUZENTOS MILHÕES! Desde que vi o valor estampado numa loteria, eu não parei de pensar sobre isso, porque, primeiro: eu amo dinheiro, e, segundo: é, é só o primeiro mesmo. Mas é aquela coisa, né, jogar a gente não joga, mas é cada plano que a gente faz com o dinheiro que poderia ganhar se jogasse... 

Aí fiquei pensando: a primeira coisa que eu faria seria voltar pra Barra Mansa e mandar pro inferno todo mundo que me sacaneou. Mentira, mentira, não sou mais vingativo, agora sou uma boa pessoa. A primeira coisa que eu faria (depois de contratar alguém pra me ajudar a administrar tanta grana) seria tirar meu pai daquela casa e colocar ele pra morar perto das sobrinhas, pra ele não ficar se sentindo sozinho, e pra manter ele sempre próximo da família, dar uns passeios e tudo mais, além de dar uma graninha extra pra ele gastar como bem entender. Aí alguém pode perguntar: "Mas Glauco, por que perto das sobrinhas e não perto de você, aí em Florianópolis?", e eu respondo: Bem, meu pai me disse muitas vezes que eu tinha que viver a minha vida antes que fosse tarde demais, e apoiou mais de cem por cento a minha independência, então acho que ele não iria se importar de me ver só de vez em quando, né? 

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

TOP 5: Livros Para Furar Sua Fila de Leitura





Eu acredito que todo mundo tenha a sua lista de livros para serem lidos. E, se vocês forem iguais a mim, devem ter o mesmo problema que eu: essa lista só cresce, enquanto o seu ritmo de leitura não consegue acompanhar o aumento de suas novas e futuras aquisições literárias.

Por isso, organizar-se é preciso. Eu tenho a minha listinha de livros a serem lidos, um verdadeiro cronograma que, normalmente, procuro cumprir. Entretanto, mesmo com essa lista bastante organizada, existem livros (e autores) que acabam ficando acima dela e ganhando a vez mais rapidamente, fazendo algo que toda pessoa educada não deve fazer na sua vida real e cotidiana: furar a fila.

E, como eu sou um cara legal e que gosta de dividir coisas boas com vocês, o TOP 5 do dia é daqueles que só te fará bem. E sim, ignore a sua lista de leitura e pode furar a fila com esses cinco livros. Te garanto, você não vai se arrepender!

domingo, 11 de dezembro de 2016

Mais Um Texto Sobre HIV, Camisinha e Preconceito?





Não faz muito tempo que comecei a estudar sobre HIV/AIDS mas, com certeza, a melhor parte de ser Infectologista é simples, ver o outro melhorar. Estender a mão e oferecer ajuda, despir-se dos próprios preconceitos e aprender a escutar o outro sem máscaras, hipocrisia ou julgamento. Emprestar o ouvido a vozes que ninguém quer ouvir. Enxugar lágrimas que ninguém quer secar. Dar esperança a quem deixou de acreditar no amanhã.

É por isso que há dez anos eu me dedico à medicina. É por isso que não escolheria outra especialidade. A melhor sensação do mundo é deitar-se após um plantão cansativo, com a consciência tranquila e paz de espírito sabendo que pelo menos uma vida foi salva ou que alguém recebeu a saúde de volta. Que aquele paciente que sofreu nas mãos do sistema, iniciou o tratamento e sente-se melhor. Não há dinheiro no mundo que pague um muito obrigado dito pelos olhos, o sorriso no rosto de quem voltou a ganhar peso ou que voltou a sentir o gosto da comida ou que a febre passou.

Nesse curto tempo, pude ver homens e mulheres, cis e transgêneros, travestis e não-binários. Negros, brancos, asiáticos e indígenas. Crianças, adolescentes, adultos e idosos. Homossexuais, heterossexuais, bissexuais, pansexuais e assexuais. Ricos, classe média, pobres e moradores de rua. Pessoas que contraíram o HIV por via sexual, por transfusão sanguínea, por uso de drogas, de forma acidental ou na gestação/parto. Aqueles que tiveram muitos(as) parceiros(as), apenas um(a), ou o(a) viúvo(a) que redescobriu sua sexualidade. Quem nunca usou preservativo ou só usou de vez em quando ou quem não usou apenas uma vez. Católicos, evangélicos, espíritas, agnósticos e ateus. Alguns dizendo que Jesus ia curar, alguns iludidos por promessas de charlatões, outros confiantes que a ciência é o instrumento que Deus usa para melhorar a vida das pessoas e, o mais emocionante, quem orasse com as mãos sobre os remédios, em suplica, para que os mesmos não fizessem mal. Houve quem tomasse o primeiro esquema terapêutico, o segundo, o terceiro e aquele já sem opção.

sábado, 10 de dezembro de 2016

Amor de Mãe - Parte 2 (Final)




Para Paulo Henrique Brazão


Na primeira vez, começaram timidamente. Malena conduziu a ação, como num filme. Mais do que sexo, ela queria uma performance à três. No quarto, fez com que Otávio sentasse em uma poltrona e apenas observasse o filho com ela. Antes, entregou a ele seu iPhone e pediu que filmasse tudo.

Malena simulou uma cena de estupro. Ordenou que Heitor puxasse seu cabelo, batesse em sua cara e a arranhasse, enquanto ela fingia não querer ser possuída. Aos poucos, Heitor foi entrando no clima e quando Malena começou a agredi-lo, repelindo-o, para que ele reagisse, o primeiro tapa veio em um sonoro estalo, derrubando-a na cama. Otávio assustou-se e fez menção de intervir, mas a garota fez sinal para que ele não interrompesse e continuasse filmando.

Malena interpretava seu papel muito bem, resistindo às investidas de Heitor num corpo a corpo que a Otávio pareceu longo demais. Malena chutava Heitor, empurrava-o com os pés a cada investida. Em dado momento, Heitor sussurrou:

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Dezembro Chegou, Finalmente!





O último mês do ano é o que mais gosto, pois tem cheiro de festa e está sempre iluminado pelo sol (ou quase sempre).  Nasci no dia 4 de dezembro, dia de Iansã sincretizada com Santa Bárbara, orixá dos ventos e raios.  Coincidências à parte, sempre chove.  Quando pequeno, ficava torcendo para que a tempestade não prejudicasse a festinha do aniversário.  O temporal desabava e, ao entardecer, formava-se um imenso arco-íris no horizonte, que considerava mágico: nuvens negras, relâmpagos estroboscópicos e tonitruosos trovões que, de repente, eram transmutados em pinceladas expressionistas no meio do céu. 

Este ano, a cena se repetiu: fiquei preso no dilúvio e quase cheguei atrasado na minha própria festa-surpresa-Minion que meus amigos prepararam.  No fim, deu tudo certo.  E o grande arco-íris voltou a emoldurar o firmamento.    

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Você Já Conhece o Jão?




Sou viciado em música. Passo o dia escutando no computador, iPod (celular só no Spotfy, para não ocupar memória. Ah! Só uso quando estou no wi-fi também), no TVZ do Multishow e por aí vai. Não tenho preconceito musical. Escuto de tudo mesmo. 

E foi numa dessas que um amigo me perguntou se já conhecia o Jão. Imediatamente respondi que “ainda não”, mas que estava aberto para ouvir o som dele. Pensei que seria uma música inédita e com uma pegada MPB. Algo meio Cicero encontra Silva. Nada mais maravilhoso do que isso, né? Mas Jão tinha uma outra ideia, outra pegada. Antes mesmo de Tiago Iorc embarcar em um cover de Bang, Jão fez primeiro. E ficou MARAVILHOSO. Sério, não acredita em mim? Escuta só: 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

As Verdes Cinzas de Uma Tragédia





Passou pouco mais de uma semana e eu não dei uma palavra sobre esse assunto nas redes sociais. Foi uma semana, em nível pessoal, de comemorações: completando dois anos de Barba Feita e 12 anos de relacionamento amoroso. Tinha uma série de coisas boas para serem lembradas, mas houve uma trágica em especial que não poderia ter sido esquecida. O Brasil se comoveu com o acidente (acidente?) com o avião da Chapecoense, que matou o time quase inteiro, mais comissão técnica, tripulação e jornalistas.

Quando da morte do ator Domingos Montagner, já falei aqui antes que quando um famoso se vai, ainda mais na plenitude de sua fama, isso nos lembra do quanto somos finitos. Assim foi com Domingos, assim era com a Chapecoense, cujo time estava prestes a enfrentar a partida mais importante das suas vidas. Se até esses caras, no auge da sua forma, com toda a vivacidade e uma expectativa épica sobre eles, sucumbiram ao imponderável e inapelável fim, quem somos nós para resistirmos a ele, reles mortais?

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Definitivamente, Não Seja Essa Pessoa!





Eu sei que eu sou uma pessoa muito chata, tá? Já vou começar assim, porque é bom a gente admitir os nossos defeitos (mas só de vez em quando, que é pra não assustar todo mundo). Mas gente... Tá, tá bom, vou explicar. Eu trabalho com três mulheres, e eu AMO trabalhar com mulher, sempre me dei super bem com a maioria, e a minoria... bem, era indiferente pra mim, mas sempre gostei, mais até do que trabalhar com homem, com quem já tive o mesmo problema que vou comentar aqui, ou seja, não é algo exclusivo das mulheres.

Tá, vamos lá. Eu sou gay, muito bem resolvido com minha sexualidade, amo Rafael, e não tenho problema em dizer pras pessoas que sou gay, que tenho namorado (claro, se me perguntarem, não vou sair comentando num megafone), e acho super natural comentar, quando me perguntam: "Ah, você namora?"

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Status de Relacionamento





Durante quase seis anos eu fui uma pessoa casada. Não no sentido tradicional, com assinatura de papel e testemunhas comprovando o casamento; mas casado dividindo a vida, as contas, o espaço, alegrias e frustrações. Uma vida a dois, com direito a três gatos e, pelo tempo em que tudo durou, uma felicidade serena e acolhedora.

Mas as pessoas e a situação mudam e, depois de uma série de conversas, um pouco de drama e pequenos acertos, a mágica se fez. O status, aquela informaçãozinha irrelevante no nosso perfil do Facebook, mudou: eu estou solteiro. E isso, ao mesmo tempo em que é um pouco assustador, é também maravilhoso.

Primeiro de tudo, se alguém estiver se perguntando, eu estou bem. Mesmo. O que sinto nesse fim de relação é alívio. Uma sensação de paz, dever cumprido e maturidade. Porque tenho certeza que fiz a minha parte, fui honesto e, acima de tudo, leal. Por isso, com o término, apesar daquela tristeza pelo fim da relação que se modifica, veio também um frescor e uma gama de possibilidades. O Leandro solteiro desse finzinho de 2016 é bastante diferente daquele que trocou de status de relacionamento no início de 2011. E isso é uma coisa surpreendentemente boa.

domingo, 4 de dezembro de 2016

Conhecendo Pessoas e Espantando a Solidão



Até alguns (bons) anos atrás, a única forma de conhecer pessoas era saindo, indo a festas, sendo apresentado a alguém. As pessoas ficavam horas se preparando para ahazar no visual, causar aquela boa impressão. Aliás, essas são, ainda hoje, formas usuais de conhecer pessoas, de se relacionar. Mas, em tempos high tech como os nossos, estar antenado no mundo virtual pode ser uma senhora mão na roda, um caminho das pedras, inclusive para os mais tímidos. 

Sou totalmente a favor de que a melhor forma de se conhecer alguém é se divertindo. Eu não abro mão das reuniões sociais, das happy hours depois do trabalho, das festas de fim de semana, dos encontros arranjados. Dançando, rindo, estando ao lado dos amigos, muitas vezes ficamos até mesmo mais bonitos, mais atraentes às pessoas à nossa volta e ahazamos na conquista, melbem. Inclusive sou da teoria que quando estamos ao lado dos nossos amigos somos infinitamente mais verdadeiros e ‘nós mesmos’. E esse ‘brilho’ resplandece para quem nos observa de longe, quase como se fôssemos uma estrela, com luz própria (ahazei na comparação!). 

sábado, 3 de dezembro de 2016

Amor de Mãe - Parte 1





Para Paulo Henrique Brazão

Otávio e Renata eram jovens e inconsequentes quando ela engravidou. Ele tinha 19 anos e ela 17. Garoto de praia, surfista de família abastada, conquistador e lindo como um deus, Renata caiu de amores por Otávio e se deixou levar por seu charme irresistível.

Para Otávio, Renata era só mais uma "peguete" de praia, ele tinha todas as garotas aos seus pés. Mas achou divertido quando soube que seria pai, embora não tivesse a menor noção de toda a responsabilidade que isso acarretaria. O garotão vivia num mundo à parte, com muita praia, surfe, festas, garotas e nenhuma responsabilidade.

Ensaiou um namoro com Renata por conta da gravidez, mas enquanto ela, apaixonada, encarava a gestação e o "relacionamento" com certa seriedade, Otávio continuava levando a mesma vidinha de solteiro convicto, garoto de praia, sem responsabilidades e sempre cercado de garotas.

Renata sabia que Otávio não mudaria tão cedo mas, bem no fundo, alimentava uma ponta de esperança que com o nascimento do filho algo o despertasse para a paternidade e ele desejasse ficar só com ela, casar e constituir uma família. Era um sonho distante, Renata sabia, mas jamais imaginou que Otávio a abandonaria à própria sorte.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O Jantar Secreto Está Servido







Essa semana, quando terminei o epílogo do novo livro do Raphael Montes, fiquei um tempo ali, parado na 360ª página, estupefato. Na verdade, estava tentando me acalmar da taquicardia e apneia provocada pela ansiedade, surpresa e horror.

Fazia três dias que estava lendo seu Jantar Secreto, que me acompanhava no caminho de ida e volta do trabalho e varando a madrugada, deitado na cama. Geralmente leio dois ou três livros ao mesmo tempo. Mas para este, especificamente, precisei de dedicação exclusiva.

Você certamente já ouviu falar deste autor... Raphael Montes é um jovem de 26 anos que é um sucesso literário. Autor de outros três livros, ele usa e abusa do sadismo, terror psicológico, humor negro e violência como ninguém. Seu primeiro livro, Suicidas, revelava os mistérios e o lado obscuro de nove adolescentes que tiraram a própria vida em um porão. Dias Perfeitos (que já foi traduzido para mais de 20 países) é um road-movie sufocante, que conta uma história de amor e obsessão através dos olhos de um psicopata. Já O Vilarejo é um romance fix-up com uma aura gótica, com contos horripilantes sobre uma localidade isolada pela neve e fome na II Guerra, explorando os pecados capitais que provocam a degradação do povoado amaldiçoado. 

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Recomeçar. Recomeçar. Mil Vezes Recomeçar!





Adoramos recomeços. Adoramos quando, depois de um tempo confortáveis, partimos em uma nova jornada. De início, é meio que desconfortável, afinal, temos que deixar um pouco da comodidade de lado e partir rumo ao desconhecido conhecido. O que acontece é que, após um tempo recomeçando, já sabemos um pouco do que podemos esperar pelo caminho. Mas é nessa estrada, que mistura o inexplorado com o toque de familiaridade, que somos jogamos ou nos jogamos quando preciso.

Uma grande verdade também é que ninguém decide recomeçar se não for extremamente necessário. Não que não seja bom, mas não é ruim. Só que recomeçar significa olhar pra você mesmo e admitir coisas que estão bem enterradas e você já não admite tem um bom tempo. Recomeçar exige que você enfrente alguns monstrinhos internos e parta rumo ao que pode ser a regeneração de uma boa parte dos seus traumas de infância, adolescência ou até uma daquelas coisas que já nascem com a gente e que vem como uma grande bagagem da vida mesmo.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Os 10 Mais de Paulo Henrique Brazão





No último sábado, completei dois anos junto à equipe do Barba Feita. Fui o primeiro a entrar com o bonde andando e, nesses dois anos, escrevi sobre tanta coisa, mas tanta coisa por aqui, que resolvi fazer como meu amigo Esdras Bailone fez recentemente: selecionei uma coletânea dos meus textos. Usei como parâmetro aqueles mais lidos, para relembrar junto a você, leitor, o que mais chamou atenção nas minhas singelas palavras. 

Fazendo uma análise rápida, os textos que falam sobre relacionamentos ou sobre a própria existência humana e seus desafios foram os que tiveram mais leituras. Passamos desde temas delicados, como o HIV, morte e terrorismo; até outros mais tocantes, como companheirismo e finitude de relacionamentos; abordando também questões mais ativistas, como orgulho LGBT e feminismo.

Espero que gostem de fazer essa retrospectiva desses dois anos. Para mim, foi uma surpresa ver alguns desses textos aqui listados com os mais lidos, passado algum tempo de suas publicações. Uma coisa para mim é certa: cresci junto com o Barba Feita. Minha audiência é correlatada à de todo o site, o que mostra que, embora cada autor tenha os seus leitores, não somos ilhas isoladas. Fazemos parte de um mesmo projeto, que planta e colhe frutos juntos. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Devaneios da Madrugada





Não é bem madrugada... São 23:51h, mas já já a madrugada chega. Hoje eu estou de roupa, o que é algo inédito, já que em Florianópolis tem feito bastante calor, o que me obriga a ficar só de cueca em casa. Mas essa noite está fresca. Não fresca do tipo "Ai, noite, você é muito fresca", mas com aquela temperatura nem fria, nem quente, sabem? Pois é, essa mesma. 

Rafael dormiu, estava morto de tanto trabalhar. Eu já gosto da noite, então cá estou, sozinho na sala, com uma garrafa de café só pra mim, no escuro, sentindo a brisa entrar. Não aquela brisa do 4:20, mas a brisa que vem de fora. Droga, o que vou fazer pra levar de almoço pro trabalho amanhã? Estrogonofe de carne moída? É uma boa. Ih, esqueci de comprar cebola... Parei pra encher a caneca com mais café. 

Começo a pensar que esse texto tá uma bosta. E tá mesmo. Mas eu tinha que vir, e não podia fazer outro texto sobre não ter nada pra escrever. Tá, tudo bem, vou tentar contar uma história pra quem estiver aí do outro lado, lendo. Espero que não tenham desistido. Provavelmente desistiram, esse texto não tá lá essas coisas. Ando sem criatividade pra criar algo do nada. Tá, tá bom, não no sentido "E no primeiro dia, Deus disse 'Haja luz, e houve luz'", mas vocês também entenderam. 

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Coxas





Na primeira vez que se viram, Rogério apenas reparou em suas coxas. Ele estava sentado no banco do ponto de ônibus quando aquele homem de belas coxas sob a bermuda curta parou em sua frente. Não conseguiu mais prestar atenção no livro que lia. Via apenas aquele belo par de coxas grossas, com pêlos lisos e negros. O ônibus chegou e ambos entraram. Rogério sentou-se no meio do ônibus e o dono das coxas se dirigiu para o fundo. 

Dois dias depois, novo encontro com o dono das coxas. Dessa vez ele estava acompanhado de um outro amigo, também de bermuda e regata. Em pé no ponto de ônibus, Rogério apurou o ouvido e descaradamente prestou atenção na conversa dos dois. O amigo do dono das coxas falava feito uma matraca e, através das palavras dele, descobriu que malhavam numa academia próxima àquele ponto de ônibus e quase gozou ao perceber que agora o dono das coxas tinha um nome: Márcio. 

domingo, 27 de novembro de 2016

Indestrutível





O meu coração está batendo na palma da minha mão,
eu estou indo embora.

Estou olhando a releitura do meu quadrinho preferido colado na parede
ele representa que alguém me amava tanto que não precisava usar a palavra amor
e não era você

Ele representa uma dia em que eu cheguei da faculdade chorando,
assisti Grey’s Anatomy e chorei mais:
porque você ainda tinha algum tipo de poder sobre mim
porque você parecia estar bem com outra pessoa
porque todos vieram falar de você olhando fixamente nos meus olhos
esperando eu voltar a ser uma menina com cara de choro
como eu era, quando estávamos juntos
e porque o O’Malley morreu daquele jeito

sábado, 26 de novembro de 2016

Lembranças do Terceiro Travesseiro





Passando uns dias na casa de um amigo, encontrei em sua estante o primeiro livro de temática LGBT (me recuso a usar mais que essas quatro letras) que li na vida. Ele mesmo, meus caros, O Terceiro Travesseiro, primeiro "livro gay" da vida de 9 entre 10 gays brasileiros. O livro, do escritor Nelson Luiz de Carvalho, lançado em 1998, já teve várias edições com três capas diferentes, e nunca me despertou para uma segunda leitura, até essa semana, quando me deparei com ele em sua capa original, a mesma de quando comprei meu exemplar em 2001, e passei três dias trancado no quarto devorando-o ao som de Adriana Calcanhoto.

A viagem nostálgica que fiz, apenas admirando a capa por um longo tempo, foi tão profunda, que comecei a lê-lo sem sentir, e mesmo detestando algumas passagens da narrativa, tudo me pareceu tão emocionante e dolorido novamente. Há muita diferença em ler uma história aos 19 anos de idade e depois aos 35. Tudo muda, sua sensibilidade, a percepção de mundo; a verdade é que se é duas pessoas completamente diferentes aos 19 e aos 35 anos. Ainda assim, esse novo mergulho em O 3° Travesseiro bateu forte.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Quem Tem Medo de Poltergeist?





Em 1982, Steven Spielberg escreveu e produziu um filme de terror muito bacana chamado Poltergeist, o Fenômeno, que foi dirigido por Tobe Hooper (apesar de eu ter quase certeza de que o próprio Spielberg chegou a finalizar algumas cenas do longa). Todo mundo deve se lembrar bem desse filme, pois rendeu duas continuações, um recente remake e muitos mistérios envolvendo a película, com mortes reais de alguns dos atores e muita coisa sinistra acontecendo nos bastidores.

A história se passa na California, em uma comunidade chamada Cuesta Verde, e mostra a vida do casal Freeling e seus três filhos, Dana, Robbie e Carol Anne, esta última, a menininha que conversa sozinha com fantasminhas na TV sem sinal, faz cadeiras se mexerem sozinhas e entorta talheres.  Todo mundo achava super bonitinho as conversas da lourinha inocente, até que um dia o negócio fica feio e uma força estranha sequestra a menina, que fica perdida em uma espécie de umbral, dividida entre ir ou não para uma luz brilhante. A família entra em desespero. A única forma de contato com Carol Anne é pela transmissão estática de um sinal desligado da televisão, que capta o desespero da menina, cercada de espíritos malignos.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Dicas de Como Gastar Pouco e Comprar Muito na Black Friday





Se tem uma data que gosto tanto quanto o dia do meu aniversário, meus queridos, esse dia é de Black Friday. Não é só o dia, mas as semanas anteriores ao evento. São promoções de livros por todos os lados. Tanto os que venho desejando desde o início do ano, quanto os que foram surgindo nas últimas semanas. 

Antes que você pense que sou novato nessa coisa de comprar nesta época, saiba que faço isso antes mesmo do Brasil embarcar nessa comemoração. Já comprei muito na Amazon americana e inglesa. Seja o box da terceira temporada de One Three Hill, com legenda em português, ou do livro de Veronica Mars, contando seus dias depois que a série saiu do ar (e muito antes de um filme existir). 

Sei que por aqui muitos sites prometem bastante e cumprem pouco. O melhor mesmo foi a Amazon chegar e fazer o Submarino, antes único concorrente no baixo preço dos livros, se mexer e fazer boas promoções. Assumo que fico feliz, afinal, pagar barato em um livro desejado quase não tem “preço” pra mim. Sou do tipo de cara que prefere completar o valor do frete grátis do que pagar por ele. Afinal, entre gastar pela entrega e gastar um pouquinho mais na compra e “ganhar essa entrega”, sou mais essa segunda opção. 

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Fogo na Cama





Fazia tempo que Janete estava insatisfeita com o marido. Acostumara-se a ser mera coadjuvante em sua vida e a ver o esposo nas parcas horas que antecediam o sono na pouco agitada cama do casal.

Pegara pequenas escorregadelas do marido nos últimos anos: uma mensagem na rede social aqui, um recebimento de nude ali, um sorriso a mais para outro espécime feminino na rua... Nada que, a seus olhos, justificasse um divórcio. Contanto, conversava com as amigas, muitas delas experientes no assunto, como forma de desabafo.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

E Que Vença a Melhor Mulher!





Hey, hey, hey, hey! Glauco is in the house! Yeah! (Não vou com a cara da Laganja, mas isso realmente gruda na cabeça da gente). Algo me diz que o Silvestre Mendes vai ficar um tanto feliz com meu texto da semana, então, sem mais delongas, cavalheiros, liguem seus motores, e que vença a melhor... Não, espera, me desculpem. É o vício. 

Depois de muito relutar e chamar de chato o programa sem nem saber do que se tratava, eu me rendi aos encantos de RuPaul's Drag Race! Gente, é ma-ra-vi-lho-so. Eu comecei pela sexta temporada, só pra ver qual era a do show, e quando vi já estava torcendo, vibrando, em desesperos (obrigado, Silvestre). 

É assim, tem as drags, né? São treze Drag Queens, de diferentes lugares, que competem entre si pela coroa e o título de America's Next Drag Superstar, e gente, é absolutely o maior barato. Cada episódio é um tema diferente, e cada tema rende dois desafios: o primeiro, que é o mini-desafio, e o segundo, que é o desafio principal, apresentado na passarela, onde elas desfilam com diversos looks, um mais inusitado que o outro. Vocês não têm noção dos looks que essas drags são capazes de criar, sério, eu fico de boca aberta com a criatividade. E tem umas que você olha e vê uma mulher mesmo, de tão perfeita que fica a produção da Queen

segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Essa Tal Maturidade...





Quando se é jovem (e eu nunca achei que escreveria isso com o distanciamento de alguém que já viveu essa fase e hoje a observa à distância), tudo é 8 ou 80. As emoções são maximizadas ao extremo, tudo ganhando uma intensidade pulsante e cheia de cores. A felicidade é radiante e contagiosa; a dor, avassaladora e fria. O que é normal, já que estamos descobrindo o mundo e a nós mesmos, experimentando e vivendo à exaustão tudo que nos rodeia.

Me lembro da minha primeira grande paixão. Ou melhor, PAIXÃO, em caixa alta. Não paixonite, não um crush bobo, pra usar a palavra da moda. Mas paixão mesmo, daquelas que te tiram do centro, te fazem querer surtar e viver a outra pessoa. E, nossa, relembrando hoje, bem mais de uma década depois, como aquilo tudo me parece despropositado. Eu me levei por uma história que só existiu na minha cabeça e tive os dias mais felizes da minha vida (até então), mas também, os piores da minha existência. Chorei no ônibus olhando para a paisagem e abraçado às minhas pernas, ouvindo uma playlist que incluía All By Myself e Quase Um Segundo. Drama, quem nunca?

domingo, 20 de novembro de 2016

Com a Licença de um Conselho





Tenho um projeto de romance. E um de roteiro para curta-metragem. Além daquele outro projeto de romance e daquele adiado projeto de contos. É verdade que eu tinha um grande projeto de viagem, de casamento, de estudar inglês também. Projeto para mudar de carreira, projeto para enfim ter uma carreira, projeto para ter um projeto.

Aumentar a biblioteca, adotar mais um gato, ganhar dinheiro, ter uma barriga tanquinho: nada melhor do que um bom projeto para não fazer nada disso. No entanto, desistir dos meus projetos não me faz mal, não sinto o elogio da derrota. O fato é que nascemos na geração faça-e-aconteça, na qual a ditadura do alto astral não alivia nossa necessidade de deprê, de reconciliação com a vida que só faz nos cobrar. Também não falo em estagnação, água parada: estamos aí fazendo o que se pode, como dá. Nada daquele discurso de coaching (autoajuda para burro de carga) nem de mito Miguel Falabella (é fácil fazer milhares de coisas quando há recursos para tanto).

sábado, 19 de novembro de 2016

Do Chão Não Passa





Sabe quando à sua frente tem um monte de boas possibilidades e as perspectivas são as melhores possíveis, mas já levou-se tanta rasteira da vida, que custamos a acreditar nesse algo espetacular que está prestes a acontecer?

Incredulidade é a palavra. Não há nada garantido, você apenas sente que seus próximos passos estão indo na direção correta. Que se todas as ações que você tem a fazer nos próximos dias derem certo, a "sorte" começará a lhe sorrir. Mas como gato escaldado, você tem medo de água fria, e por mais que faça pensamento positivo, reze e peça aos deuses que lhe contemple com sua imensa misericórdia, o medo, a insegurança e a incredulidade rondam sua mente. Não que você seja pessimista, é apenas realista, e a realidade nunca lhe foi muito generosa.

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Os Muleque São Sinistro






Sempre tive umas frustrações muito presentes em minha vida. Como já disse por aqui, uma delas é nunca ter aprendido a andar de bicicleta. Apesar de ainda ter um desejo imenso em poder sentir a brisa do vento em meu rosto enquanto pedalo na orla, acho que já estou velho demais. Já passei da idade em ter que fazer aulas escondidas no Aterro do Flamengo em bicicletas com rodinhas. Vou deixar esse desafio para uma próxima encarnação. 

Mas tem uma coisa que eu preciso muito aprender. Inclusive, coloquei isso por escrito nas resoluções para o próximo ano: aprender a dançar.

Não sei dançar nem “atirei-o-pau-no-gato” fazendo rodinha. O único ritmo que me arrisco a sacolejar alguma parte do meu corpo é naquele “radical” estilo shoegaze, quando, repetidamente balançamos a cabeça como se tivéssemos dizendo “sim” e “não”. Ah, também curto “air guitar”. Danço parecendo que sou Jimi Hendrix e sua guitarra imaginária. Me sinto incendiário, malandro!