domingo, 31 de janeiro de 2016

Planos





Os planos. 

Inicialmente geometria espacial, dinâmica, ocupando um lugar no espaço e tentando uma vaga no tempo que, inversamente proporcional, acabou pondo-o na geometria plana, onde existem menos arestas. Agora derradeiro que o segundo anunciou-se, essa geometria de plana ficou chata. 

Que fazer? 

Uma lista é algo útil, que serve a um propósito organizacional mas toma tempo, esse artigo não mais escasso mas inexistente, apenas pensar já consumia nacos preciosos. Talvez sair a esmo, observando pequenos detalhes que desvia na velocidade cotidiana, quem sabe em frenesi executar todas as besteiras que desejava e nunca cometera ou aproveitar o que restava revendo amados e amigos, relembrando momentos e criando novos que jamais poderiam lhe servir de memória. 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Eu Nasci Assim?





Eu tenho sim, certa dificuldade em compreender gays enrustidos e/ou que sofrem com a ideia de assumirem-se, criando uma série de dissimulações para esconder o latente desejo sexual, seja pra família, colegas de trabalho ou para a sociedade em geral. Até escrevi sobre isso, há três semanas atrás, aqui mesmo. No entanto, respeito tal comportamento, apesar de não achar nada legal.

Minha dificuldade em compreender, certamente está ligada ao fato de nunca ter feito a linha "discreto" em toda a minha vida, considerando "discreto", nesse contexto, a capacidade natural ou não de não "dar pinta", através de trejeitos, voz, jeito de andar, etc. Sempre fui muito pintosa, desde que me entendo por gente, sendo assim, impossibilitado de entrar em qualquer armário, o que também já comentei por aqui em outras ocasiões.
Mas como assim, Esdras? Não houve um momento em que você se assumiu? Com que idade você se descobriu? 
Sinceramente, não houve esse momento de saída do armário, simplesmente porque nunca entrei em nenhum. Talvez meu único armário, o qual fiquei protegido das maldades do mundo por um curto período de tempo, tenha sido o útero de mamãe. Depois desse, não houve esconderijo que me salvasse da especulação e crueldade de línguas, olhos e corações maldosos.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Sobre Angélica, Eri Johnson e Outros Pintosos





Quando jovem, percebia que a pinta da Angélica chamava a atenção. Não era como a pinta do Eri Johnson, bem na cara, afrontando a sociedade. A da Angélica agradava mais o público, porque ficava na perna e ela podia esconder se quisesse. Mas ela gostava de exibir e até sua boneca tinha pinta (e mais pinta dava eu dançando seus sucessos).

Angélica deu muita pinta no fim dos anos 80 e continuou dando até casar com o Luciano Huck e formarem uma tradicional família brasileira, diferente das suas maiores concorrentes. Xuxa teve uma filha sem casar; e Mara Maravilho se casou várias vezes, mas nunca teve filho e ainda virou cristã pregando ódio contra os gays (até dizer recentemente que deixou a igreja e pediu perdão à comunidade).

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Não Dar Pinta Não Te Faz Mais Homem Que Ninguém




Ser macho e “fora do meio” não é um privilégio, mas basicamente um fetiche. Se você não está entendendo nada, deixa que eu explico. Vira e mexe leio nas minhas redes sociais pessoas desconstruindo padrões que são intrínsecos na nossa sociedade. Por exemplo, para muitos gays ou opinadores da vida alheia, “dar pinta” (de que se é gay) é algo vergonhoso. É como se envolver com pessoas assim fosse uma mancha em sua reputação. Algo que iria depor consequentemente contra você. Mas os questionadores de plantão decidiram encorajar as pessoas (ou os gays que vivem o mundo hétero e buscam sua aceitação por lá) a baterem o pé contra essa “regra” tão estabelecida na nossa sociedade.

Nós mudamos (graças a deus) e hoje todo mundo pode ser como quiser, quem quiser e da maneira que estiver com vontade de ser. Dar pinta, em brincadeiras com os amigos ou entre colegas de trabalho, é algo que vejo de maneira bastante complicada. Veja bem. Quem brinca com o “dar pinta” ou a maneira de dar a pinta, só está reproduzindo o pensamento preconceituoso de outra pessoa. Consciente disso ou não. É uma visão limitada de uma geração que a cada dia se choca mais com as novidades e sentimentalidades do mundo novo. Claro que não é só a old generation, mas esse povo novinho, que cresce a cada dia, também vê ao seu redor todo tipo de preconceito e acaba absorvendo e reproduzindo ele por aí. Sem se dar conta do quanto prejudicial ele é.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

As Pintosas de um Brasil Varonil




Segundo o dicionário Michaelis, “conhecer pela pinta” é “deduzir, pela aparência, que espécie de indivíduo é”. No dicionário informal, pinta tem diversos significados; no da sexualidade, há duas vertentes: pintoso – o cara que tem lá o seu charme; e pintosa – o popular afeminado (como sempre, o mesmo adjetivo, no feminino, em tom depreciativo). Por esses dias, o assunto ficou em voga devido aos trejeitos do tal novo BBB Renan, que levantaram suspeitas sobre sua sexualidade e renderam até defesas veementes em público de que o cara seria espada.

Nosso amigo e idealizador desse Barba Feita, Leandro Faria, publicou aqui em sua coluna na segunda a respeito do assunto, questionando o debate em torno da orientação sexual do belo modelo – talvez se não fosse belo, não teríamos sequer essa discussão pública; afinal, é um senso comum, das antigas, de que os mais bonitos têm garantido seu sucesso com as mulheres e não precisam “optar” por serem gays (e, acreditem, ouvi isso novamente há bem pouco tempo). A mim, não me importa se ele é hétero, homo, bi ou pansexual. A real discussão aqui é em torno da pinta. Aquela que, como o Michaelis, fala sobre que espécie de indivíduo é: nesse caso, o afeminado. A pintosa. Qual o verdadeiro incômodo que a pinta traz para tanta gente? Inclusive para os próprios gays.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Precisamos Falar Sobre Liniker





Turbante, brinco, saia. Colar, pulseira e bigode. Criatura doce, de cantar sorrindo, esse é Liniker, surpresa tão deliciosa que a música brasileira nos trouxe. Na semana passada falei também sobre música, sobre amor (tudo nos leva até ele, não é mesmo?) e sobre Gal. Era tão sentimental falar sobre ela que não precisei pesquisar nada, já estava tudo ali explícito pra mim. Mas com Liniker eu não era o bastante. Tão pouco minha sensibilidade, que se mostra ainda maior e frágil nesses últimos dias. Eu precisava saber quem era Liniker de verdade. Além das letras poéticas e da figura embelezada que mais parece uma pintura dançante.  

Vasculhei tudo o que podia e li tudo que achei. E pessoas falam com muita propriedade sobre a questão de gênero em relação a ele – ou, na verdade, sobre a não-questão de gênero. Ele afirma que talvez não seja trans, que seu gênero é a própria liberdade. Li mais. Li do mesmo. Estamos ainda tão atrasados no que diz respeito à livre escolha do outro que, quando alguém como Liniker aparece, sacudindo a árvore da família para caírem os frutos podres (os sacro-tradicionais, por assim dizer) e sem precisar se impor como um transgressor, só conseguimos falar disso. Claro que é preciso. Mais do que necessário, é lindo poder exaltar essa criatura enigmática e ao mesmo tempo tão fácil de enxergar. Depois de bater nessa tecla do “é homem ou mulher?”, fala-se da pele negra que brilha em contraste com as roupas de tom escuro que ele usa. Liniker é negro, é talentoso, é fora do comum e é um corpo transbordando em poesia. Um negro que não virou estatística, apesar de estarmos num país onde se ainda permite que isso aconteça com tanta frequência. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Será Que Ele É? (ou BBB 16: A Polêmica Sobre a Sexualidade de Renan)





O Big Brother Brasil está em sua 16ª edição. E, apesar de controverso (e basta uma nova edição começar a ser exibida para que nasça uma nova batalha virtual entre os fãs e os depreciadores do reality) e com uma audiência não tão expressiva quanto já teve um dia, o programa continua dando o que falar, criando polêmicas e, claro, mantendo-se na crista da onda durante sua exibição. Agora, se ele é relevante ou não, isso vai da opinião de cada um, dono de seu próprio controle remoto, que decide se verá o BBB ou simplesmente trocará de canal (ou desligará a televisão).

Mas é um fato inegável: é quase impossível fugir das polêmicas do programa. Seja nos sites da internet, nas manchetes dos jornais ou nas conversas do escritório, as pessoas simplesmente falam sobre "a casa mais vigiada do Brasil" e seus participantes da edição em exibição. Amando ou odiando, é fato que o programa gera paixões e discussões acaloradas no início de cada ano. 

domingo, 24 de janeiro de 2016

A Geração da Rapidinha





É hora de puxar o gatilho, vamos lá. Visualizar os perfis, ver quem é interessante, bonito, tem corpão, boa pinta, presença e, de preferência, carro. Fotos nas melhores praias? Usa roupa de marca? Tem um emprego? Ok, é esse!

Aceitou, hora de puxar assunto.

- Oi, tudo bem?...

... Se conhecem e depois de 10 frases, é hora de passar para o WhatsApp:

- Por aqui é bem melhor.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Alguma Coisa Acontece no Meu Coração...




Na próxima segunda, 25 de janeiro, é o aniversário de uma velha senhora. Uma quatrocentona refinada e popular, altiva e humilde, simples e complexa, imensa e acolhedora, boêmia e workaholic, verdejante e acinzentada, linda e horrorosa. A grandiosa São Paulo completa 462 anos. A minha, a sua, a nossa "pauliceia desvairada" sopra mais uma velinha e, por ser essa mãezona hospitaleira e indiscriminada, é a minha homenageada de hoje no Barba Feita. Por tudo o que representa pra mim e pra milhares de cidadãos brasileiros e estrangeiros que nela residem, ou já residiram, ou ainda, apenas visitaram e se encantaram pela "terra da garoa", ela merece não só essas simples linhas, mas todas as homenagens possíveis. Como a parte que me cabe nesse latifúndio é "apenas" escrever, aí vão minhas mal traçadas e amorosas linhas.

Minha relação com São Paulo é relativamente recente. Começou com uma paixão fulminante, e vem se consolidando a cada dia como uma serena relação de amor. O início de tudo foi em 2009, após seis anos morando em Porto Alegre sozinho, desde que saí da casa dos meus pais aos 21 anos. Depois de tentar me estabilizar na capital gaúcha e esgotar todas as possibilidades, precisava desesperadamente de uma rota de fuga, mas a maior cidade do País nunca havia me ocorrido, apesar de me considerar cosmopolita e amar os grandes centros urbanos. São Paulo sempre me pareceu imensa demais, caótica e opressora, nunca me passou pela cabeça viver nela. O mais engraçado é que eu nem sequer conhecia São Paulo, a não ser pelas novelas de Sílvio de Abreu e Walcyr Carrasco. Mesmo meu pai sendo paulista de Santos, litoral norte, bem como toda a família dele; boa parte da família da minha mãe, que é nordestina, vivendo em Santos; e eu passando praticamente todas as férias da minha vida em Santos, São Paulo nunca me despertou interesse algum. Até 2009...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Sobre Se Assumir e Estar de Bem Com a Vida




Oi, amigos, como vocês sabem, eu sou gay. E sou muito feliz sendo gay, entretanto, nem todo mundo é e muitas vezes se vê obrigado a viver escondido, no armário, porque assumir traz consigo responsabilidades que essas pessoas não conseguem arcar. Medo da família, de perder amigos e o emprego são alguns exemplos. Ora, quem sou eu para achar que todo mundo é igual e que todo mundo tem que se assumir. Se assume quem pode, mas garanto, viver uma vida escondido é muito ruim. Venho de uma cidade que não vê com bons olhos pessoas que não se assumem. Pelo menos por aqui, se você não diz a que veio corre sérios riscos. A dúvida não é bem-vinda no Recife.

E essa dúvida gera o que todo mundo ADORA. Fofoca, claro. E o mundinho vive disso, quer seja sobre uma mega celebridade hollywoodiana, quer seja sobre o vizinho da esquina, todo mundo no fundo (ui) quer saber quem está dando para quem. A necessidade de saber o que se passa na cama dos outros é imensa. Como se o que se faz na cama fosse realmente algo de outro mundo. Se bem que na verdade é, quem não gosta de um bom sexo, mas todo mundo sabe disso, então, qual o problema? Recalque?

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

E Se Fôssemos Deixados Para Trás?





O meu primeiro livro de 2016 foi The Leftovers. Acredite, você conhece esse termo. A primeira vez que foi lançado por aqui no Brasil o livro possuía outro nome: Os Deixados Para Trás. E não. Esse livro não tem ligação alguma com aquela outra série de livros. Embora a ideia ou a "filosofia" seja praticamente a mesma.

O termo “deixado para trás” é, na verdade, uma referência aos livros que são abandonados, após sua leitura, pelas pessoas em transportes ou locais de grande concentração de pessoas, como uma rodoviária, por exemplo.

Mas, desde que iniciei minha leitura, a questão principal nunca saiu de foco. Afinal, o que aconteceria se fôssemos deixamos para trás? A princípio, pensei que se algo similar se passasse por aqui e comigo, tentaria seguir com minha vida. Perdendo ou não alguém, tentaria seguir com os meus afazeres. Seja lá o que isso poderia significar em um mundo depois de tal evento.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

As Provações de 2016




Hoje meu texto será breve. Por um motivo bem razoável: fui operado na última segunda-feira, depois de diagnosticado com uma apendicite. É meio chocante você procurar um serviço de emergência por causa de uma febre e uma dor no corpo (em especial na barriga) e achar que é uma virose tipo zika, e receber a notícia de que você terá que ser operado naquele dia mesmo. Logo eu, que sempre falava que apêndice só serve pra causar apendicite e mais nada. Ao menos, descobri agora que se eu fizer a operação dos sisos, já posso ir para a Antártida (são as únicas cirurgias que não se fazem por lá).

2016 apresentou um cartão de visita nessas suas três primeiras semanas bem do indigesto. Logo no primeiro dia útil do ano, fomos surpreendidos pela notícia de um grande amigo que mora em São Paulo que ficou desaparecido por dias no Rio de Janeiro. Quando já quase não restava esperanças, o encontramos, vítima de um golpe, internado em uma UPA. No dia seguinte, outro grande amigo, de infância, sofreu um acidente com sua moto, que acabou com a morte de uma pessoa e a fratura do seu fêmur. No mesmo dia, minha avó foi operada com glaucoma nos dois olhos. Amigos se separaram de forma traumática nessas semanas... E na mesma segunda-feira em que operei, recebi a notícia da morte de uma prima, que deixa seus dois filhos pequenos e meu primo, seu marido. Ainda de forma difícil de entender.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Quanto de Mim Há em Você?





Acordei pensando no quanto uma música pode dizer tanto sobre nossas vidas. Ainda que não saibamos nada (ou quase nada) sobre a vida daqueles que a compuseram ou cantam. A gente só assume que ela encaixaria em algum frame do nosso passado, ou mesmo que parece ser perfeita para tocar no nosso casamento, que não sabemos quando vai ser nem com quem. 

Com músicas também podemos ir além: sentir pena, raiva ou o que quer que seja por conta da história que está sendo cantada, ainda que seja puramente ficcional. Nos tornamos psicólogos do dó-ré-mi e juízes sedentos por vereditos em sustenidos ou bemóis. Metáforas a parte, eu só cheguei a conclusão disso porque percebi que amadureci um pouco hoje quando entendi o exagero da nossa limitação em ser de carne e osso. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Existem Segredos Para Um Relacionamento Dar Certo?





Listas são comuns e, algumas delas, até divertidas. Mas, em tempos em que o imperativo manda (como tão bem alertou a Fernanda Prates nesse ótimo texto), não tenho muita paciência para quem me diz o que eu devo ou não fazer. Sério, desculpae, mas a vida é minha e sou eu quem decido como vou vivê-la. E essa introdução se faz necessária, devido a um texto que vi compartilhado nas redes sociais na última semana e que um amigo enviou para um grupo do qual faço parte, com a pergunta: o que vocês acham disso? 

O referido texto era uma lista contendo sete erros comuns em relacionamentos gays, sendo uma tradução de uma publicação da Revolutinary Gay Magazine. Confesso que cheguei ao texto até mesmo interessado com o que ele poderia me dizer, mas meu tesão nessas ~dicas~ se perderam depois de duas linhas. Porque, vou te falar, que texto preconceituoso e repleto de clichês. Mais que isso, achei uma lista apenas preguiçosa e que visava cliques de curiosos atrás de algo interessante para ler.

domingo, 17 de janeiro de 2016

O Mundo Sem Bowie





Em outubro de 1997 encontrei David Bowie no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Na época, eu era estagiário da Infraero e estava cheio de dúvidas sobre que caminho seguir em minha vida. Acredito que aquele inusitado encontro foi um recomeço, uma espécie de reset na minha existência. 

Bowie estava voltando ao Brasil pela segunda vez e estava em sua turnê Earthling, com shows marcados em Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro. Enquanto eu devorava um saco de jujubas, ele veio em minha direção, tirou os óculos escuros e, sem cerimônia, me encarou com seus olhos anisocóricos, que congelaram minha alma. Foram cerca de três minutos com o camaleão, que elegantemente fumava um cigarro enquanto falava da ansiedade em fazer o show em Curitiba, naquela mesma noite. Ao tentar apagar o cigarro em um cinzeiro, pedi o cigarro, o único que traguei em vida, vindo dos lábios de Bowie. Em troca, ele roubou três jujubas que eu nervosamente retirava da embalagem. Uma guimba por três jujubas. Bem justo. 

sábado, 16 de janeiro de 2016

A Beleza dos Balões




Dia desses, vi uma senhora no metrô carregando alguns balões (ou bexigas, como preferem alguns). Eram três, exatamente: um vermelho, em formato de coração, e os outros dois, diferentes de todos que eu já tinha visto, eram brancos, quase transparentes, com outro, amarelo, dentro. Um balão dentro de outro balão. Achei bonito e curioso. Muitos já devem conhecer, mas pra mim era novidade.

Como adoro balões, comecei a divagar sobre eles. Pensei em como um simples pedaço de borracha colorida, em alguns instantes, com apenas alguns sopros, pode tornar-se um objeto de decoração tão atraente para festas e eventos. Como pode tornar tudo mais vivo, vibrante e alegre.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Sobre Trens Descarrilhados





Há um pouco mais de um ano vocês estão me conhecendo; alguns já me conheciam, mas não sei se tanto quanto agora, já deixei que todos entrassem em minha vida, vivendo assim um reality show sem câmeras. Mas nunca me apresentei como deveria, nunca me apresentei mais do que está na aba “quem somos”, mas chegou a hora de mudar isso. 

Como sabem, meu nome é Sergio, podem me chamar de Serginho se assim preferirem, sou blogueiro, formado em publicidade e estou à procura de um novo lugar, de um novo momento, estou saindo da zona de conforto; e eu tenho medo, mas apenas o medo pode me trazer coragem. Eu amo escrever e, por fim, eu tenho amigos, os melhores, eles me apoiam, me amam, entretanto, hoje eu preciso vociferar outros assuntos, assuntos que já ando prenunciando aqui nos últimos textos. 

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O Texto Que Bowie Me Ajudou a Escrever




Meu texto essa semana seria sobre Bowie. Iria falar e refletir sobre toda importância de sua música, obra e arte na minha vida. Iria elogiar suas letras, refletir sobre seus momentos e suas fases, afinal, todos nós somos (admitindo ou não) pessoas de fases. É toda aquela história que já falamos por aqui sobre ser diferente e se reinventar.  Mas ninguém conseguiu fazer isso e não perder sua essência como David Bowie.

Depois de muito pensar, notei o quanto estava sendo pretensioso. Minha ínfima vida, se comparada com a obra de Bowie, não é nada. NADICA! E isso, no lugar de me deixar mais triste, me fez perceber o quanto ainda tenho que lutar pelos meus sonhos, me realizar como pessoa e me dedicar para atingir os meus objetivos. É preciso seguir em frente e conseguir construir algo para o qual possa olhar mais pra frente e me sentir bem. Notar que fiz algo pelo que serei lembrado. Mas isso não deve acontecer. Não que não seja bom o suficiente em algo ou que não possua meus talentos. A questão é valorizar o que faço. Eu dar o devido valor ao meu tempo (perdido) e nas coisas que executo e mostro para o mundo.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O Mundo em Cor de Rosa (e Azul)







– Já descobriu o sexo da criança?
– Já sim, é menino! João.
– Ah, que bom, parabéns! É bom que já dá pra montar o enxoval na cor certa.

Foi um diálogo hipotético. Mas quem nunca ouviu algo familiar, com Joões, Josés, Antônios e Pedros? Quantas vezes, ao descobrirmos o sexo de um bebê, já não se espera um quarto com decoração ou presentes em tons de azul pra um menino ou de rosa para uma menina?

Isso não se restringe aos filhotes de humanos... Semanas atrás tive que comprar uma coleira rosa para a minha cachorra (ela antes usava uma azul, pois era a única que tinha do seu tamanho na pet shop) porque, na rua, todos achavam que ela era macho. E isso se tornava um problema quando ela queria se aproximar de algum outro cachorro para interagir e os seus donos, prevendo algum tipo de briga por ser macho, evitavam. Ou mesmo quando alguém vinha apenas fazer um carinho e a chamava de “ele” – isso quando não chamava o meu cachorro de “ela” também, por ele ter uma coleira predominantemente vermelha.

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Call Me Crazy



“Those with mental illness fight battles everyday”. Com essa frase eu decidi que deveria escrever sobre um filme maravilhoso que vi. Não só pela qualidade dele, mas pelo dever de cidadania de compartilhar uma mensagem importante no mérito da saúde mental. 

Call Me Crazy: A Five Film é um filme com cinco histórias, todas sobre a luta contra doenças mentais. O filme, de 2013, foi premiado algumas vezes, incluindo com o Voice Awards e o Health Awards. Cada um dos cinco contos foi escrito e dirigido por pessoas diferentes, entre elas Ashley Judd, Bonnie Hunt e a esplendorosa Laura Dern. A produção executiva é assinada por Marta Kauffman (que também concebeu a ideia do filme, e é conhecida por produzir Friends) e Jennifer Aniston. 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Sarcasmo e Ironia: Uma Arte de Poucos e Bons





Dia desses, verificando as atualizações de status dos meus ~amigos~ do Facebook, me deparei com um comentário aleatório que me fez rir. Porque Facebook é assim, né? Você reúne numa mesma rede social pessoas distintas e diversas com quem teve alguma interação em algum momento dessa vida e, pronto, a pessoa fica lá. E, exatamente por isso, essa rede é uma verdadeira colcha de retalhos, formada por pessoas de ideias tão díspares e interessantes, que fazem muito da graça dela.

A atualização a que me refiro é a abaixo, que transcrevo na íntegra, mas sem expor o seu autor:
"Pessoas inteligentes não usam sarcasmo. Sarcasmo e sua irmã, ironia, são armas inferiores. Pessoas inteligentes usam a verdade. Somente a verdade. Apenas a verdade."
Parei, li, pensei e o que fiz? Gargalhei, né? Porque, assim, deus me livre viver num mundo sem ironia e sarcasmo, tendo de aguentar gente chata e literal vinte e quatro horas por dia. Amém

domingo, 10 de janeiro de 2016

Você Pode Substituir a Sua "Motivação" Por Respeito, Por Exemplo




É muito fácil se deixar levar por mensagens inspiradoras escritas em caligrafia elegante. Eu certamente não sou imune a elas, e, de certa forma, acho bonito que, em meio a tanto ceticismo, ainda consigamos ser tocados por um aglomerado de palavras encontradas por acidente em algum canto na internet. Se alguém entende o poder transformador das palavras, essa pessoa sou eu. Se alguém sabe o que significa estar passando por um momento difícil e se sentir compreendido por alguém que você nunca conheceu, essa pessoa sou eu. Ler, absorver e manipular palavras foi o que salvou minha vida. Elas me fizeram companhia nos momentos mais solitários. Elas me ajudaram nas piores horas e me representaram nas melhores. Eu jamais ousaria subestimar o poder da linguagem na hora de inspirar. Se ver representado num post, numa imagem, num pin. Tudo isso tem poder. Palavras têm poder. Mas isso vai para os dois lados. Palavras também podem sufocar, limitar, e ajudar a reforçar estereótipos e preconceitos. Até as mensagens mais bem-intencionadas podem vir carregadas de ideias pré-concebidas de como a felicidade deve ser. Ou, mais importante que isso, de como a nossa felicidade deve parecer para ser aceita e validada pelos outros.

Entendo que a ideia por trás de algumas frases categoricamente imperativas seja inspirar. Peguemos, por exemplo, uma bastante comum: "viaje mais, compre menos". A premissa é bonita - a pessoa, como a maioria das outras pessoas, gosta de viajar e, por isso, deve imaginar que seus amigos também. Afinal, a ideia geral é de que viajar é lindo, maravilhoso, uma das poucas coisas universalmente adoradas e que consumo é ruim, feio, etc. Entendemos. Mas e se - considere essa possibilidade louca por um minuto - o seu amigo não QUEIRA viajar? Seja porque ele está sem dinheiro, ou porque não gosta de viajar sozinho, ou simplesmente porque lida com problemas de ansiedade que são acionados com o inevitável desgaste que acompanha o planejamento de uma viagem? Ou às vezes - e eu sei que isso parece particularmente bizarro em nossas existências de trabalho medíocre realizado quase que exclusivamente pensando nas férias - seu amigo gosta de estar onde está. E não tem curiosidade de conhecer Paris, ou Roma, ou Bangkok. Olha que louco. Essa ideia nem passa pela nossa cabeça, porque recebemos com tanta frequência o despejo da mensagem de que viajar é maravilhoso, é necessário, é a mais realizadora das experiências, que não paramos para lembrar que NADA é unânime. Que nem todo mundo tem a mesma ideia de realização que a gente. E que botando uma roupagem meiga numa mensagem essencialmente autoritária (vide os verbos no imperativo), não estamos estabelecendo apenas como uma pessoa deve viver, mas também o que ela deve, dentro dela, querer. E, pra pessoas que têm problemas para se encaixar e pertencer, isso não é inspiração. É cobrança. É pressão. É mais alienação.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Senhor, Dai-me Paciência Para Suportar os Enrustidos!




O garoto tem 19 anos e a primeira vez que ouvi sua voz, antes mesmo de saber de quem se tratava, pensei: "Quem é essa bicha?". Depois conheci o rapaz, que já tinha visto antes; imaginava que fosse gay, mas ainda não havia escutado a voz dele e, assim que a escutei, se restava alguma dúvida sobre a orientação sexual dele, esta foi dissipada imediatamente. Não que uma voz menos grave e menos empostada seja sinônimo de homossexualidade, mas sabe como é né, o bom e velho gaydar quase nunca falha.

Dias depois, a surpresa, ao ouvir uma conversa entre ele e outros dois colegas (até então, eu ainda não havia trocado palavra com ele, apenas observava), onde ele contava que havia sido assediado pela mãe de uma garota que estava a fim. Minha reação mental: "OI?". Fiquei matutando: "Tá na cara que é viado, pra que ficar tentando disfarçar, especialmente num lugar onde majoritariamente as pessoas são gays?". Não me contive e perguntei a outro colega qual era a do guri. Respondeu-me que todos achavam que ele era gay sim, mas ainda não tinha se descoberto. Ah, faça-me o favor né, com 19 anos nas costas?

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Sobre as Dificuldades Que Surgem em Nossas Vidas





Então eles disseram que seria fácil, mas não é. E tolo seria acreditar que é fácil; a vida não é fácil e este texto também não. Hão de achar indigesto até. Fotos e imagens de pessoas felizes, nenhuma delas parece ter problemas, todas possuem, mas ninguém quer ficar mostrando isso, não gera nenhum feedback positivo. Uma lástima.

Às vezes, seria melhor viver num reality show, muitas vidas são mais interessantes que aquelas das donas de casa de Nova York. E as perguntas são sempre inevitáveis. “Quem é você? Onde está? Para onde irá?”. As dúvidas que permeiam minha vida também são tantas, que durante um tempo estive protegido pela redoma que a faculdade me oferecia, entretanto, agora me sinto perdido e com medo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

APPs de Relacionamento: Um Mundo de Possibilidades ou Apenas Mais do Mesmo?





Recentemente – mais precisamente no meu último texto de 2015 – contei para vocês que havia levado um pé na bunda, correto? Então, depois que isso aconteceu fiz o movimento clássico. Bem, acho que é o que todos fazem nos dias de hoje quando levam um pé na bunda: baixei todos os aplicativos de “relacionamento” disponíveis. Tinder (que alias está bem diferente da época em que usava), Scruff e GROWLr. Tá. Admito. Também baixei o Badoo (no judgment here, guys). Eita! Eu estava quase esquecendo de colocar o Happn nesse balaio todo.

Bem, baixei e me joguei! Dei match, visitei perfis, recebi woofs. Foi uma boa primeira semana com eles em meu celular. Percebi que estava sendo visto e vendo também. Troquei ideia com algumas pessoas, até recebi nudes de outras, mas estava fazendo o que queria: conversando e conhecendo gente nova. Mas será que estava mesmo conhecendo novas pessoas?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Sexo e Companheirismo




Passados os fogos, as puladas de ondinha e as listas de resoluções, aterrissamos na segunda metade da segunda década do século XXI. Muito diferente do quanto imaginávamos que estaríamos, talvez voando em carros sem roda e tendo robôs como empregados domésticos, como num episódio dos Jetsons. Mas, ainda assim, não aptos a promovermos, dentro de nós mesmos, tantas mudanças que podem soar ridículas, mas creio que tão necessárias para uma humanidade melhor.

Tive a oportunidade, perto do fim de ano, de conversar bastante com um jovem casal que se encontrava em uma crise por questões sexuais, cujos detalhes manterei em sigilo. Após muito debate, ouvi de um deles que acreditava que eles eram muito diferentes naquilo que mais une um casal: o sexo.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Um Ciclo Termina, Outro Ciclo Começa





Só uma dica: O texto fica melhor se lido enquanto essa música toca, ok?


Dois números que formam um. Dois e nove. Vinte e nove. É, hoje é o meu aniversário, parabéns pra mim.

Desde pequetucho eu tenho essa coisa com heróis e super-heróis. Os poderes, suas identidades secretas, as tramas que os envolviam, as pessoas que faziam parte das identidades secretas desses heróis. De Power Rangers a Sakura Card Captors; de Batman a Ethan Hunt (Missão Impossível); de Homem-Aranha aos Gladiadores da Olivia Pope. Ajudando pessoas, salvando o mundo, anonimamente ou não, eu tenho essa coisa com atos heróicos. E, assim como a maioria das crianças, eu queria ser um, queria fazer parte de algo grande, importante, bom.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Das Coisas Que Não Tem Preço




2016 na área, com um mês de janeiro que, pelo menos para mim, já começou inspirado. E, exatamente por isso, motivado a compartilhar em forma de texto, algumas coisas belas e singelas dessa vida que, apesar de não terem preço, valem tanto.

- Dizer “É assim!” e ouvir em resposta “Não, não é assim, é do outro jeito.”. Assentir com um “Tudo bem, vai lá!” com direito a tapinha no ombro e tudo. Só pra ver que era exatamente do jeito que você falou que era e poder falar no final: “Eu não disse?” 

 - Ouvir aquela música viciante, só pegar um trechinho dela, ficar o dia inteiro repetindo-a na cabeça, chegar em casa, jogar no Google o trechinho e descobrir o nome da dita cuja só pra conseguir encontrá-la inteira e ouvir até enjoar!

domingo, 3 de janeiro de 2016

Afinal, Sexo é Igual Pizza?





Existem pessoas assexuais – por mais complexo que possa ser o entendimento disso – e sexo simplesmente não tem importância para elas. Mas, falando com quem gosta e necessita de atividade sexual em sua vida, eu lanço a pergunta: vale a máxima de que sexo é que nem pizza (até quando é ruim, é bom)?

Há quem diga que sim, e há quem insista que não, jamais seria. Concordo que isso banaliza um pouco, como se pudéssemos separar “sexo com amor” de “sexo com tesão”. Podemos. Mas um não é melhor que o outro, e ambos podem ser o mesmo. Ao mesmo tempo. Se todo sexo fosse que nem pizza, talvez tivéssemos um pouco de dificuldade em explicar traições que acontecem porque o sexo dentro da relação não é mais satisfatório. Creio eu que o sexo ora é muito banalizado, ora é muito sacro. Deixemos de lado os preceitos religiosos, não quero ditar regras de que é certo transar antes ou depois do casamento. Minha questão aqui é na hora H, entre quatro paredes, o que pensamos realmente sobre o sexo. Por que, nos dias atuais, ainda temos mulheres sendo chamadas de ‘piranhas’ porque transaram no primeiro encontro ou porque gostam de sexo anal? Humanidade: melhore! 

sábado, 2 de janeiro de 2016

Ufa, Acabou!




Já estamos no segundo dia de 2016. Passa rápido, né? Significa que 2015 finalmente acabou. E foi ruim? Foi complicado. Como já explanado aqui pelos colegas ao longo da semana, parece um consenso que o ano encerrado há dois dias foi bem difícil pra geral. Pra mim não foi diferente, mas não cansarei a beleza dos valorosos leitores chorando minhas pitangas. Quero apenas fazer um apanhado geral, uma mini retrospectiva, pra deixar registrada e, ao final desse ano, comparar e afirmar satisfeito como 2016 foi muito melhor, e que assim seja!

A vida começou com um primeiro semestre delicioso, o ano prometia. Após uma virada com as melhores pessoas, nada podia dar errado. Passaram-se janeiro e fevereiro em céu de brigadeiro, o trabalho andava agradável, os amigos sempre queridos e companheiros, a faculdade se aproximando da reta final, e então veio março e, com ele, suas águas levaram meu emprego. Recém desempregado, ainda me mantive tranquilo, pois abril me acenava com momentos deslumbrantes. E o mês da mentira foi tão lindo que nem parecia verdade. Dentre as boas coisas que me aconteceram no quarto mês do ano, uma delas foi conhecer o Rio de Janeiro e um de seus muitos habitantes, nosso querido editor e colunista das segundas, Leandro Faria.

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Sobre o Novo





Um novo ano se inicia e com ele 366 novas possibilidades para ser feliz. Viver o novo a cada dia que passa, compreender mais, tolerar mais, aprender mais, buscar mais, amar mais. A cada novo ano almejamos esperança de que tudo possa ser alcançado, traçamos metas, idealizamos objetivos, sonhamos. Sonhamos que sempre será melhor que o ano que passou. Tentamos fazer nossa parte.

A possibilidade de vivenciar o novo é única, a vida nos proporciona isso, a surpresa que nos aguarda do outro lado da porta, o que pode estar no fim do arco-íris, a sensação de não saber o que irá acontecer, são sentimentos únicos como sentir borboletas no estômago ao se apaixonar.

E, quem sabe, poder se apaixonar tantas e tantas vezes, quer seja pela mesma pessoa, ou pelo filho, pelo amigo, pelo irmão, pelo pai ou pela mãe. O amor deve ser regado todos os dias porque também pode morrer. E, por que não aproveitar o novo ano para distribuir tanto amor?