sábado, 16 de janeiro de 2016

A Beleza dos Balões




Dia desses, vi uma senhora no metrô carregando alguns balões (ou bexigas, como preferem alguns). Eram três, exatamente: um vermelho, em formato de coração, e os outros dois, diferentes de todos que eu já tinha visto, eram brancos, quase transparentes, com outro, amarelo, dentro. Um balão dentro de outro balão. Achei bonito e curioso. Muitos já devem conhecer, mas pra mim era novidade.

Como adoro balões, comecei a divagar sobre eles. Pensei em como um simples pedaço de borracha colorida, em alguns instantes, com apenas alguns sopros, pode tornar-se um objeto de decoração tão atraente para festas e eventos. Como pode tornar tudo mais vivo, vibrante e alegre.

Ao longo do tempo, eles foram se sofisticando, passaram de formatos simples e cores primárias para as mais diversas formas e cores: preto, prata, dourado, com bolinhas, florzinhas, estrelinhas, em forma de bicho, bola, lua. E até a borracha deixou de ser matéria-prima exclusiva, dando lugar a outros materiais. São todos muito lindos, mas os clássicos de borracha ainda são os mais charmosos.

Sem contar no símbolo de liberdade que muitas vezes eles representam. Quem nunca devaneou voar com balões? Nem sempre na prática essa é uma feliz ideia. Alguém lembra do Padre que desapareceu em 2008, ao alçar voo, preso à dezenas de balões de gás coloridos? Um hobbie que virou tragédia, infelizmente, pois o Padre era acostumado à essas aventuras. Pois é, devaneios muitas vezes devem ficar apenas no campo das fantasias, nada de realizá-los, melhor não. Mas os balões seguem sempre irresistíveis.

No clipe de Rufus Wainwright para a clássica canção dos Beatles, Across the Universe, Dakota Fanning rouba a cena, mas o balão que a acompanha imprime toda a poeticidade da música ao clipe. Um deleite para os olhos e os ouvidos.

Em contrapartida, é engraçado pensar na efemeridade do belo, comparando-o com balões. Por mais bonitos, coloridos e brilhantes que sejam. Por mais fascinantes e encantadores. Ainda que nos provoquem essa ilusão de liberdade. Basta encostá-los na ponta de um alfinete e boom! Ele estoura, explode, e só o que resta são pedaços murchos de borracha fragmentados pelo chão.

Acho interessante usarmos a beleza dos balões como termos de comparação com pessoas. Sempre amei balões, mas essa reflexão nunca havia me surgido, até me deparar com a senhora no metrô carregando balões. Então achei válido escrever sobre isso, num texto aparentemente bobo. É só uma dica. Se sua beleza física chama a atenção. Se seu corpo, seus olhos e cabelos são estonteantes, atraindo olhares e interesses, aproveita, seja inteligente e cultive também sua alma. Não tenha a beleza dos balões.

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Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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