quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

APPs de Relacionamento: Um Mundo de Possibilidades ou Apenas Mais do Mesmo?





Recentemente – mais precisamente no meu último texto de 2015 – contei para vocês que havia levado um pé na bunda, correto? Então, depois que isso aconteceu fiz o movimento clássico. Bem, acho que é o que todos fazem nos dias de hoje quando levam um pé na bunda: baixei todos os aplicativos de “relacionamento” disponíveis. Tinder (que alias está bem diferente da época em que usava), Scruff e GROWLr. Tá. Admito. Também baixei o Badoo (no judgment here, guys). Eita! Eu estava quase esquecendo de colocar o Happn nesse balaio todo.

Bem, baixei e me joguei! Dei match, visitei perfis, recebi woofs. Foi uma boa primeira semana com eles em meu celular. Percebi que estava sendo visto e vendo também. Troquei ideia com algumas pessoas, até recebi nudes de outras, mas estava fazendo o que queria: conversando e conhecendo gente nova. Mas será que estava mesmo conhecendo novas pessoas?

Essa questão me veio depois que li um texto do Nate Oliveira chamado de “Não te dão tempo de ser interessante”. Basicamente, no texto ele fala sobre como os aplicativos fazem com que a gente tenha por um tempo, limitado, assuntos e afinidades com alguém, até que subitamente somos trocados pelo próximo perfil mais interessante ou que se mostrou mais interessante que a gente. Então comecei minha reflexão interna sobre o assunto. Será mesmo que estava conhecendo e me deixando conhecer por aqueles outros perfis, de verdade?

Toda a questão pode ser pensada da seguinte forma: até onde as pessoas se deixam conhecer através de texto ou mesmo por conversas de áudio no WhatsApp? Até onde a gente se mostra (de verdade) pro outro que quer impressionar, que quer que deseje a gente? Pois é, não sei.  Mas tive nesse tempo com os aplicativos instalados em meu celular conversas bacanas. Eu me abri de verdade com algumas pessoas. Uma das coisas que decidi é que chega (ao menos pra mim) de criar um personagem. Estou na fase em que admito pontos positivos, negativos e encaro cada um deles.  E isso me leva para outro ponto importante. Afinal, se estamos “disponíveis” em apps da vida, estamos disponíveis para quê exatamente?

Pois é. Sempre após o início de um papo com alguém essa pergunta/questionamento aparece: “O que você procura?”. E responder isso acaba sendo complicado. Porque pode ser nada no momento ou alguma coisa além. Então normalmente tinha minha resposta básica: “Tô deixando rolar”. Já que não estou em busca de namoro, mas também não dispenso um convite para um café. Mas foi em uma dessas conversas que descobri que o meu “deixar rolar” pode ser uma mera desculpa para não deixar as coisas realmente “rolarem”. Essa resposta é basicamente um mero filtro entre dizer que quero sexo casual ou que na verdade procuro namoro. Como não sabemos quem está do outro lado (ainda) e nem o que esse outro perfil/pessoa procura, usamos uma resposta genérica para tentar, de alguma maneira, nos proteger. Não criar nenhuma ilusão e nem passar a impressão que estamos desesperados por um relacionamento. E muito obrigado Rodrigo35 pelo papo esclarecedor. Agora penso duas vezes antes de responder o “que procuro”. Será que eu mesmo sei?  

Só que a ideia do texto não é definir o que quero ou não em apps por aí. O lance aqui, ao menos hoje, é totalmente outro. Com uma olhada mais apurada eu percebi certos movimentos. Códigos de comportamento dos usuários de aplicativos para “encontros amorosos” – parte de mim está se divertindo com todo o eufemismo que venho colocando no texto.

Por exemplo, quando dou um like no Tinder ou um match surge em minha tela, eu falo com a pessoa, mando uma mensagem inicial. Afinal, vamos quebrar o gelo, não é mesmo? Meu pensamento é o seguinte: a gente viu fotos um do outro, leu o perfil um do outro. Sentiu vontade de algo... Então um “oi, tudo bem?” é o mínimo que posso escrever e esperar que seja respondido.  E dali, quem sabe, comece algo além. Vai que o cara diga que não está tudo bem e explique o motivo. Vai que temos gostos em comum e ele saiba de algo que não sei. Vai que... tantas possibilidades.

Só que essa, vamos chamar de gentileza inicial, não é compartilhada por todo mundo. Nos meus primeiros dias no Tinder eu li a seguinte mensagem várias vezes: “Se for para dar Match e não puxar assunto, nem me dê like”. Estranhei aquilo, afinal, dar um match, significa que os dois estão disponíveis para conversar, não é mesmo? Não, não é isso que significa. O cara pode ter se interessado por você, mas ele está ali para angariar curtidas e não papo. Só ver o quanto pode ser desejado. Resumindo: pessoas sentem seu ego saciado e isso é tudo o que elas querem e procuram no momento. Ao menos ali, naquele aplicativo.  

E não, esse texto não é sobre isso. Não quero reclamar de quem dá um like e não conversa no Tinder ou em “aplicativos de relacionamento” disponíveis no iOS ou Android. Quero falar daqueles que se permitem conversar e dão o beneficio da dúvida.  Mas o papo, ou seja lá o que começa, não continua por muito tempo. Acaba por morrer após um dia ou dois.

No fim das contas, acredito que estamos (todos) nos descobrindo com esses aplicativos. Percebendo que a fronteira entre o virtual e real está cada vez mais fina. E com a simplicidade que podemos desaparecer ao apagar um perfil em qualquer aplicativo, também podemos perder o contato com alguém que foi presente em um dia ou dois em nosso celular e que, ao vivo, em uma vida “real” poderia fazer toda a diferença... Ou não.
Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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2 comentários:

Homem, Homossexual e Pai disse...

Não sou especialista nestes apps, e nem conheço os mais novos, mas acho que todos eles trazem mil possibilidades de encontros, seja quais forem as finalidades, acho todos válidos, como vc mesmo disse...

LuDantas disse...

Acho que esses APP funcionam de forma diferente pra mulheres (lésbicas).. Ou não.. Sei lá.
Sei que conheci MT gente nesses apps e namorei algumas. E se não fosse por eles não conheceria essas pessoas.
Tentei conhecer pessoas fora do mundo virtual.. No velho e bom amiga da amiga.. E te falar.. Não deu certo.
As pessoas hoje em dia são um grande bolo de mimimi. Gostava MT d APP pq era direto. Simples. E quando a enrolação começava eu já pulava fora. Afinal se eu quisesse ser enrolada continuava c a minha ex ne??��