quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

E Se Fôssemos Deixados Para Trás?





O meu primeiro livro de 2016 foi The Leftovers. Acredite, você conhece esse termo. A primeira vez que foi lançado por aqui no Brasil o livro possuía outro nome: Os Deixados Para Trás. E não. Esse livro não tem ligação alguma com aquela outra série de livros. Embora a ideia ou a "filosofia" seja praticamente a mesma.

O termo “deixado para trás” é, na verdade, uma referência aos livros que são abandonados, após sua leitura, pelas pessoas em transportes ou locais de grande concentração de pessoas, como uma rodoviária, por exemplo.

Mas, desde que iniciei minha leitura, a questão principal nunca saiu de foco. Afinal, o que aconteceria se fôssemos deixamos para trás? A princípio, pensei que se algo similar se passasse por aqui e comigo, tentaria seguir com minha vida. Perdendo ou não alguém, tentaria seguir com os meus afazeres. Seja lá o que isso poderia significar em um mundo depois de tal evento.

E imagine comigo que, em um piscar de olhos, 2% da população da terra some sem deixar rastro. E ninguém tem ideia do que aconteceu com eles. O que faríamos? O que você faria? Obviamente, em primeiro lugar, teríamos um surto coletivo. Mas, e depois? Depois do susto e do sumiço inexplicável e ter a ausência ou não de pessoas próximas, será que retomaríamos (eu, você, o mundo todo) nossas vidas? Não tenho uma resposta concreta pra essa questão.

No livro, Tom Perrotta mostra inúmeras situações. Várias possibilidades de destino, escolhido ou não, por algumas pessoas. E tem de tudo. De quem perdeu toda família até aqueles que não perderam ninguém, além deles mesmos. Me vi envolto em possibilidades, além de questionar qual seria minha posição, de acordo com as decisões que aqueles personagens tomavam no decorrer de páginas. E o que mais me assustou ou mesmo impressionou foi ver conforme avançava pela história e ia descobrindo um pouco de cada um, como eles criaram vida e deixaram de existir só na ficção. Eu mesmo me vi em cada um daqueles personagens. Também vi amigos, membros da minha família que tomariam as mesmas e equivocadas decisões.

Alguns, sem esperança, iriam pelo caminho de devolver a dor que sentem aos outros, por se acharem esquecidos por Deus. Afinal, já que não foram "levados" no suposto arrebatamento, eles seguem com o que resta de suas vidas ou o que poderia ser chamado naquele momento de vida, na missão de denegrir a imagem daqueles que se foram. E que não vão voltar.

Mas existe o grupo daqueles que se isolam e aguardam. Eles podem não ter muita ideia do que estão esperando, mas continuam na espera e esperança de que algo ou alguma coisa aconteça. Esses, algumas vezes, podem acabar ganhando uma segunda chance da vida ou destino... Ou não.

Não posso me esquecer de citar a galera que é mais da “vibe” de viver o amor. Pregar o amor livre e não se apegar ao convencional. Não ter uma ligação com uma só pessoa ou um grupo pequeno. A ideia é fazer parte do todo e deixar que o todo faça parte de quem você é.

Bem, não importa muito ficar criando mil teorias. Na prática, não sabemos como reagiríamos ao sermos abandonados, deixados de lado por um evento sem nome ou precedentes. Não saberíamos, ateus ou não, lidar ao descobrir que Deus pode realmente existir e não querer você. Já imaginou o mundo acordar e descobrir que, metade das pessoas que não acreditavam em nada espiritual sumiu de repente e, você, que crê em alguma coisa continua por aqui? Já imaginou a cabeça de quem não se sentiu escolhido por Deus? 

É. Isso é o tipo de coisa que nem quero imaginar... Ou será que quero?

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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2 comentários:

Anônimo disse...

Pra quê ficar pensando em como se virar após o arrebatamento se nós simplesmente temos a chance de sermos arrebatados também?! O reino que nos espera lá fora é infinitas vezes melhor do que a Terra. Entre para o time de Jesus enquanto é tempo. Basta crer que Jesus morreu e, com isso, nos deu a possibilidade de sermos salvos.

Anônimo disse...

Esqueci um detalhe: Ele morreu mas também ressucitou!