quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Não Dar Pinta Não Te Faz Mais Homem Que Ninguém




Ser macho e “fora do meio” não é um privilégio, mas basicamente um fetiche. Se você não está entendendo nada, deixa que eu explico. Vira e mexe leio nas minhas redes sociais pessoas desconstruindo padrões que são intrínsecos na nossa sociedade. Por exemplo, para muitos gays ou opinadores da vida alheia, “dar pinta” (de que se é gay) é algo vergonhoso. É como se envolver com pessoas assim fosse uma mancha em sua reputação. Algo que iria depor consequentemente contra você. Mas os questionadores de plantão decidiram encorajar as pessoas (ou os gays que vivem o mundo hétero e buscam sua aceitação por lá) a baterem o pé contra essa “regra” tão estabelecida na nossa sociedade.

Nós mudamos (graças a deus) e hoje todo mundo pode ser como quiser, quem quiser e da maneira que estiver com vontade de ser. Dar pinta, em brincadeiras com os amigos ou entre colegas de trabalho, é algo que vejo de maneira bastante complicada. Veja bem. Quem brinca com o “dar pinta” ou a maneira de dar a pinta, só está reproduzindo o pensamento preconceituoso de outra pessoa. Consciente disso ou não. É uma visão limitada de uma geração que a cada dia se choca mais com as novidades e sentimentalidades do mundo novo. Claro que não é só a old generation, mas esse povo novinho, que cresce a cada dia, também vê ao seu redor todo tipo de preconceito e acaba absorvendo e reproduzindo ele por aí. Sem se dar conta do quanto prejudicial ele é.

Não podemos, muito menos devemos, classificar as pessoas de acordo com seu jeito de se comportar. Alguém pode gostar de moda, cuidar do visual e do corpo e continuar a existir só como ser humano. Não importando se é gay, bi, lésbica ou trans. É uma pessoa que tem seu comportamento como tal, independente de sua orientação sexual. É um modo de se expressar, uma maneira de ser, de se comunicar, interagir. Bem, de viver.

O que me deixa mais triste é pensar que boa parte do tempo estamos é combatendo fogo amigo. Não importa se damos ou não pinta, sofremos preconceito. Cada um à sua maneira e intensidade, não estou falando sobre isso aqui. O foco não é esse. Meu objetivo é dizer que aos olhos de muitas pessoas (os julgadores de plantão) somos errados. Isso independe da pinta. Independe do cabelo da moda ou do músculo sarado do braço e a barba por fazer. Somos os diferentes, portanto, o que deve ser combatido. Se cada um pensar que dois diferentes fazem uma união e que isso pode combater mentalidades assim, limitadas, acho que agrediriam menos e tentariam aceitar mais.

Acho que hoje o que falta para todo mundo (isso inclui todos de qualquer gênero) é abraçar o seu lado delicado sem medo. Se permitir cuidar de si mesmo, de fazer o que tem vontade, independente do que os outros (sempre os outros) vão pensar e julgar. É se cuidar, se amar, se querer bem. Porque você pode ser um homem que se cuida e não ser gay. Malhar e ser gay, marombeiro mesmo, e daí? Pode ainda andar na moda, e não ser nem gay e nem fashion. Só alguém com o mínimo de gosto. A nomenclatura parece infinita nos possíveis termos que podemos listar. Mas, basicamente, é sempre uma característica da personalidade de alguém que é pega para denegrir. Ferir e fazer com que você seja marcado/tachado de alguma coisa.

Dê pinta, seja afeminado e, mais do que tudo isso: NÃO LIGUE PARA O QUE OS OUTROS PENSAM. 

Spoiler : Nunca será algo positivo sobre você. Sobre ninguém. Nem sobre eles mesmos.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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