quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O Texto Que Bowie Me Ajudou a Escrever




Meu texto essa semana seria sobre Bowie. Iria falar e refletir sobre toda importância de sua música, obra e arte na minha vida. Iria elogiar suas letras, refletir sobre seus momentos e suas fases, afinal, todos nós somos (admitindo ou não) pessoas de fases. É toda aquela história que já falamos por aqui sobre ser diferente e se reinventar.  Mas ninguém conseguiu fazer isso e não perder sua essência como David Bowie.

Depois de muito pensar, notei o quanto estava sendo pretensioso. Minha ínfima vida, se comparada com a obra de Bowie, não é nada. NADICA! E isso, no lugar de me deixar mais triste, me fez perceber o quanto ainda tenho que lutar pelos meus sonhos, me realizar como pessoa e me dedicar para atingir os meus objetivos. É preciso seguir em frente e conseguir construir algo para o qual possa olhar mais pra frente e me sentir bem. Notar que fiz algo pelo que serei lembrado. Mas isso não deve acontecer. Não que não seja bom o suficiente em algo ou que não possua meus talentos. A questão é valorizar o que faço. Eu dar o devido valor ao meu tempo (perdido) e nas coisas que executo e mostro para o mundo.

Todos os textos que escrevi para o Barba Feita foram um reflexo do que sinto. Ou estava sentido na época. Não criei um personagem (não pra cá), não montei meias verdades e muito menos me dei ao trabalho de esculpir belas mentiras. Cada texto foi a junção do meu tempo e do que rolava comigo. Das minhas inquietudes e medos. E também da minha falta de percepção com o mundo. Meu mundo.

Esse texto nasceu quando queria falar de mim, mas usando outra pessoa (ou o legado de outra pessoa como exemplo), mas percebi o quanto falar do artista (Bowie) já torna as coisas meio mágicas e possíveis. É possível que minha vida não seja muito interessante, assim como é possível já estar seguindo a estrada que tanto almejo, mas ainda não tenho essa ideia. Não percebi ou notei isso. Dificilmente David sabia o que estava fazendo ao dar sua cara a tapa, cantar suas músicas e se tornar o que se tornou. A verdade é que nós nunca sabemos o que vamos nos tornar, ao menos quando chegamos lá. Ou não. Talvez, a imagem do que somos para os outros nunca seja perceptível em sua totalidade pra gente. Só que o outro sabe, nota e pode até arranjar forças desses momentos para seguir em frente. Ou se recriar a partir disso.

Obrigado, Bowie, por tudo. Obrigado, inclusive, por me ajudar nesse texto. Você, meu querido leitor, torne-se o herói que você gostaria de ter tido. Assim, quem sabe, vai acabar salvando duas vidas. A sua e de outra pessoa.

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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