segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Será Que Ele É? (ou BBB 16: A Polêmica Sobre a Sexualidade de Renan)





O Big Brother Brasil está em sua 16ª edição. E, apesar de controverso (e basta uma nova edição começar a ser exibida para que nasça uma nova batalha virtual entre os fãs e os depreciadores do reality) e com uma audiência não tão expressiva quanto já teve um dia, o programa continua dando o que falar, criando polêmicas e, claro, mantendo-se na crista da onda durante sua exibição. Agora, se ele é relevante ou não, isso vai da opinião de cada um, dono de seu próprio controle remoto, que decide se verá o BBB ou simplesmente trocará de canal (ou desligará a televisão).

Mas é um fato inegável: é quase impossível fugir das polêmicas do programa. Seja nos sites da internet, nas manchetes dos jornais ou nas conversas do escritório, as pessoas simplesmente falam sobre "a casa mais vigiada do Brasil" e seus participantes da edição em exibição. Amando ou odiando, é fato que o programa gera paixões e discussões acaloradas no início de cada ano. 

A edição desse ano, por exemplo, já começou com algumas polêmicas, que envolvem desde acusações de racismo (devido a um boneco negro cujo cabelo é uma esponja para lavar  louças) até, claro, o assunto do meu texto: a sexualidade do participante Renan Oliveira, o modelo paulista de 29 anos. Declaradamente heterossexual, o tribunal da internet não perdoa e já deu seu veredito final: ele é um gay enrustido, fingindo-se de hétero no programa.

Com um elenco formado basicamente por pessoas ditas ~normais~, de faixa etária ampla e diversas formações, o BBB 16 aproxima-se do seu público ao fazê-lo se ver na televisão. Por isso mesmo, Renan chama muita atenção, já que é o homem mais bonito do programa, com uma profissão que poderia ser a de qualquer ex-BBB que você pense rapidamente como sendo algum dos belos das edições passadas, modelo. 

Mas bastou que o programa entrasse no ar para que a especulação tomasse conta da internet. Com um discurso de hétero pegador, mas uma postura que foge do estereótipo macho alfa comumente associado ao tipo, Renan fez o gaydar de muita gente explodir, gerando uma série de memes na internet e de postagens diversas acusando-o de ser um gay enrustido, que não tem coragem de se assumir em rede nacional. E, é esse o ponto do meu texto: ele precisa fazer isso?

Não, não sei se ele é hétero ou gay. Ele é bonito e isso é um fato, mas está, de livre e espontânea vontade, participando de um reality show, o de maior visibilidade do país, tendo sua vida exposta e devassada na internet e na imprensa. Ele quis isso, ok, seja pelos seus minutos de fama (que já está tendo), seja pelo prêmio de um milhão e meio de reais para o vencedor do programa. Mas, convenhamos, gay ou não, ele não tem obrigação nenhuma de se assumir apenas para que você se veja representado na televisão.

Sejamos francos: se assumir não é fácil. Aliás, quantos gays você conhece (ou desconfia) que tem o culhão de se assumir para todos em qualquer circunstância? Muito se fala sobre o armário e, especificamente, sair dele, mas isso deveria ser uma decisão individual e não imposta por alguém. Afinal, cada um de nós é responsável pela própria vida e arcamos com as consequências das decisões que tomamos nela, sejam quais forem. Se o armário é confortável e você não tem rinite, por que ser arrancado de lá sem ter vontade? O mundo de Nárnia pode ser bastante acolhedor para muita gente, assim como é uma verdadeira prisão para tantas outras.

Não vou pagar de moralista e dizer que não desconfiei dos trejeitos mais, digamos, afeminados do rapaz. Vi, achei bonito, olhei por dois minutos e pensei: putz, é gay! Mas, é aquilo, né, eu achar que ele é gay não faz dele um gay de fato. Sabemos bem que para ser gay é necessário bem mais do que a suposição alheia. E ele se diz hetero,  sendo que foi até defendido (e isso sim é um absurdo, alguém precisar de defesa por ser considerado gay) por um amigo que garante que ele é macho pegador. Até mesmo brinquei, num grupo de amigos, mandando o gif que está um pouco mais acima nesse texto, perguntando o que eles achavam do cidadão. Todos foram unânimes em achar que ele é gay e a conversa gerou uma discussão sobre a necessidade ou não dele se assumir, o que me deu a ideia de escrever aqui sobre o assunto expondo o meu ponto de vista. 

No fim das contas, o que acho é que cada um é livre para levar a sua vida como bem preferir. Gay ou hetero, covarde ou ativista, cabe a cada um decidir o que quer compartilhar da sua vida particular com o grande público, seja ele as pessoas à sua volta ou, no caso do Renan, o país inteiro. O problema é achar que a nossa opinião é soberana e que por pensarmos de determinado jeito, apenas a nossa verdade é única e inquestionável. 

Moral da história: se Renan for hetero, felizes serão as mulheres; mas, se for gay, o público homossexual masculino se fartará até o fim com mensagens de "eu já sabia!" e muito desejo sobre o corpitcho muito bem trabalhado do rapaz. 

O que fica, no fim das contas, é a pergunta: por que o fato de uma pessoa ser gay ou não, seja ela quem for, nos interessa, se a vida não é nossa e se isso é algo que não nos diz respeito?

Vale o questionamento e a reflexão!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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