sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Sobre as Dificuldades Que Surgem em Nossas Vidas





Então eles disseram que seria fácil, mas não é. E tolo seria acreditar que é fácil; a vida não é fácil e este texto também não. Hão de achar indigesto até. Fotos e imagens de pessoas felizes, nenhuma delas parece ter problemas, todas possuem, mas ninguém quer ficar mostrando isso, não gera nenhum feedback positivo. Uma lástima.

Às vezes, seria melhor viver num reality show, muitas vidas são mais interessantes que aquelas das donas de casa de Nova York. E as perguntas são sempre inevitáveis. “Quem é você? Onde está? Para onde irá?”. As dúvidas que permeiam minha vida também são tantas, que durante um tempo estive protegido pela redoma que a faculdade me oferecia, entretanto, agora me sinto perdido e com medo.

Medo. E o medo paralisa, nos deixa sem saber para onde ir e como ir, como fazer, o que fazer. Mas onde buscar a coragem? As adversidades da vida nos impulsionam para a luta, mas nos deparamos com situações tão injustas que nos fazem pensar: lutar para quê? Será que o mundo é tão cruel assim? Que a vida é tão complexa? Ou somos nós?

Ah, dirão eles para lutar sempre. E não adianta, não se deve fugir da luta, muito menos nesta guerra ao qual nos vemos metidos, mas desistir ou recuar também são estratégias de guerra. Muito melhor desistir de algo que não dará certo e vislumbrar algo melhor em outro momento. Oportunidades surgem, mas apenas para aqueles que se aventuram.

É o que sempre ouço ou leio, textos prontos, frases clichês, discursos de autoajuda. Enriquecem as pessoas que as proclamam, esperam aquelas que procuram reaver ou reacender seus sonhos. Contudo, talvez não devêssemos confiar tudo em outrem porque a lealdade termina quando a oportunidade se esvai.

Mas não deixa de ser chato e aborrecedor essa luta constante. E me aborrece muitas coisas, mas não quero me tornar uma pessoa ranzinza, quero fugir dos rótulos, mas se aborrecer hoje em dia é quase normal, como não se aborrecer? Como passar por essa vida impune? Talvez os aborrecimentos sirvam para nos impulsionar a buscar o autocontrole, o equilíbrio que tanto se procura.

Quem sabe essa luta constante seja o real motivo que nos faça andar, correr, gritar, voar. Quem sabe essa luta é o que move a roda da vida, e faz toda essa engrenagem funcionar; quem sabe tudo isso é o nosso combustível necessário, a força motriz, o alimento que nos sustenta e todas outras metáforas que não lembro agora; quem sabe... Eu não sei, tenho dúvidas demais, eu sempre estou a perguntar e a me perguntar o que fazer. Então, o que fazer? Se a vida é repleta de fases como num jogo de vídeo game, avança-se ou...

Não, eu não sei qual o sentido da vida, nem sei se alguém sabe, mas independente do que cada um acredita, é nesse espaço de tempo que nos foi designado que talvez vivemos o céu e o inferno. E o que nos espera após isso deve ser uma continuidade, entretanto, não é algo que me preocupa, a vida me preocupa muito mais porque me preocupo em saber que legado deixarei. E se deixarei.

Não me refiro a bens materiais, mas a um nome, algo que possa ser lembrado com um simples afeto. Honras e glórias são bem-vindas, quem não as quer, mas um nome honrado me faz persistir, me faz querer continuar sempre. Eu não odeio nada. Mentira, odeio muitas coisas, mas nunca odeio pessoas, mentira, algumas eu odeio, e necessito de pessoas em minha vida, necessito de atenção, amor, paz, saúde, carinho e fortuna, tudo aquilo que eu desejo.

Eu disse que este texto não seria fácil, não foi, não é. Não pretendeu ser. E minha intenção era ser reflexivo, apenas isso. Eu sou feliz, mas quero mais, por que não posso ter? Por que você não pode também? Por que não podemos sonhar mais? A vida é tão repleta de por ques e poucas respostas, mas no fim, nada é fácil e talvez seja melhor que não seja mesmo.

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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