sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Sobre Se Assumir e Estar de Bem Com a Vida




Oi, amigos, como vocês sabem, eu sou gay. E sou muito feliz sendo gay, entretanto, nem todo mundo é e muitas vezes se vê obrigado a viver escondido, no armário, porque assumir traz consigo responsabilidades que essas pessoas não conseguem arcar. Medo da família, de perder amigos e o emprego são alguns exemplos. Ora, quem sou eu para achar que todo mundo é igual e que todo mundo tem que se assumir. Se assume quem pode, mas garanto, viver uma vida escondido é muito ruim. Venho de uma cidade que não vê com bons olhos pessoas que não se assumem. Pelo menos por aqui, se você não diz a que veio corre sérios riscos. A dúvida não é bem-vinda no Recife.

E essa dúvida gera o que todo mundo ADORA. Fofoca, claro. E o mundinho vive disso, quer seja sobre uma mega celebridade hollywoodiana, quer seja sobre o vizinho da esquina, todo mundo no fundo (ui) quer saber quem está dando para quem. A necessidade de saber o que se passa na cama dos outros é imensa. Como se o que se faz na cama fosse realmente algo de outro mundo. Se bem que na verdade é, quem não gosta de um bom sexo, mas todo mundo sabe disso, então, qual o problema? Recalque?

Acredito eu que a pessoa deve primeiro se assumir para si mesma. O resto é consequência porque no fundo (gente, quantas vezes eu vou usar essa palavra aqui?) TODO mundo sabe. As mães são as primeiras, elas nos dão banho e nos alimentam, elas sabem quem é o quê desde o começo. Não se pode escapar do crivo materno. As pessoas que convivem conosco diariamente, nossos colegas de colégio, faculdade, trabalho, também percebem com o tempo e, segundo um amigo meu, o olhar diz tudo.

É a tal lente da verdade, dirão eles, mas ninguém também deve se assumir à força, isso tem que partir de cada um e naturalmente. Tudo que não é feito com amor gera desconforto e o amor precisa surgir de dentro para fora. As pessoas enxergarão a alegria que você transmite sendo quem você é de fato e não vão te julgar. E todo mundo quer ser feliz.

Não estou falando aqui de levantar bandeiras. Levantar uma bandeira, abraçar uma causa é uma coisa completamente diferente. É um ato político e muita gente confunde se assumir a ter que abraçar uma determinada causa. É pessoal também; eu estou aberto à causa gay e com tudo que seja referente a ela e que possa trazer aceitação, paz, justiça e alegria para todos meus irmãos. E para abraçar a causa gay você não precisa ser gay. Entenderam a diferença?

Com esse texto, eu não estou dizendo que você deve sair por aí se assumindo caso ainda não tenha feito isso. Eu estou dizendo que viver fora do armário é legal, mesmo porque eu tenho rinite. Sou feliz e nunca tive problemas com isso, mas eu soube desde o começo a arcar com toda a responsabilidade pertinente à situação. Eu me assumi por inteiro e para mim mesmo, as pessoas que fazem parte da minha vida gostam de mim por ser autêntico, mas se você não pode, não está preparado, então dê tempo ao tempo, contudo, assuma-se primeiro para você e o resto vem depois. Posso garantir, você será mais feliz e mais radiante todos os dias.

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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