terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Um Ciclo Termina, Outro Ciclo Começa





Só uma dica: O texto fica melhor se lido enquanto essa música toca, ok?


Dois números que formam um. Dois e nove. Vinte e nove. É, hoje é o meu aniversário, parabéns pra mim.

Desde pequetucho eu tenho essa coisa com heróis e super-heróis. Os poderes, suas identidades secretas, as tramas que os envolviam, as pessoas que faziam parte das identidades secretas desses heróis. De Power Rangers a Sakura Card Captors; de Batman a Ethan Hunt (Missão Impossível); de Homem-Aranha aos Gladiadores da Olivia Pope. Ajudando pessoas, salvando o mundo, anonimamente ou não, eu tenho essa coisa com atos heróicos. E, assim como a maioria das crianças, eu queria ser um, queria fazer parte de algo grande, importante, bom.


Então eu me tornei um herói. O mais anônimo dos heróis, aquele que fica acordado a noite inteira se alguém precisa conversar pra se distrair de um problema, ou o que bebe menos pra cuidar dos outros. Também o que oferece ajuda sem ser solicitado, afinal, heróis não veem alguém em perigo e esperam a pessoa pedir ajuda, ele simplesmente vai e ajuda. Por muito tempo eu achei que esse fosse meu propósito no mundo, sabem? Ajudar, ser o ombro amigo, reatar amizades, namoros, auxiliar puladas de cerca, guardar segredos comprometedores, porque quando as pessoas falavam, se expunham, isso as aliviava. As pessoas ficavam mais tranquilas quando me contavam algo, ou quando eu fazia algo pra elas, eu sentia isso. Eu era Glauco, o grande amigo; Glauco, o best; Glauco, o fofo e divertido; Glauco, o bom de b... Bem, deixa isso pra lá!

Hoje eu entendo o que a psicóloga me disse lá em 2009: “Você acaba absorvendo os problemas dos outros e vivendo os problemas deles”, o que me faz querer voltar lá e sacudir o meu eu pelos ombros, gritando: “Não, bocó, isso não é um super-poder!”. É, eu sei, não precisam dizer. E então deu no que deu, eu passei a vida absorvendo problema atrás de problema, e nunca entendia o motivo das coisas nunca se acertarem, o porquê das pessoas virem pra minha vida e irem embora mais rápido do que vieram.

Hoje, parando pra analisar esses vinte e oito anos de vida, eu consigo ver o quadro todo, finalmente. Precisou eu apanhar durante 2015 inteiro pra minha cabeça chegar no lugar. Era a minha empatia que atraía as pessoas, e quando elas viam seus problemas refletidos em mim, se afastavam. Quando eu fazia da vida delas a minha vida, elas não conseguiam ficar perto de mim, porque suas vidas eram complicadas demais e elas queriam alguém que as descomplicasse, ou seja, no final das contas, a minha empatia não ajudava as pessoas totalmente, e aqui eu falo não só de relacionamentos amorosos, mas de amigáveis também. Mas ok, não to dizendo que a culpa é minha, ou de ninguém. Não existem culpados nessa situação, apenas um jovem que sempre tentou ser um herói.

Isso acaba agora. Heróis existem, eu sei, mas eles estão apagando incêndios, combatendo o crime em suas viaturas (alguns, pelo menos), resgatando pessoas acidentadas, salvando animais. Eu nunca fui um herói, hoje, com vinte e nove eu tenho consciência disso, e tá tudo bem! Diferente de Percy Jackson, que lutou bravamente por cinco livros, pra no final, ouvir do Oráculo que ele não era o herói que salvaria a cidade e ficou totalmente arrasado, eu estou totalmente tranquilo com isso. Eu não sou o herói, afinal. Agora eu posso parar, descansar, relaxar. Posso me aposentar dessa tarefa que eu me voluntariei. Posso parar de dizer que não estou com sono, quando na verdade eu estou morrendo de vontade de dormir; posso dizer que não tô a fim de ajudar, ao invés de entrar numa fria. Agora só existe a minha vida.

Eu sei que eu sempre vou ter essa empatia absurdamente maximizada, mas vou usar a meu favor, única e exclusivamente. Os problemas alheios vão continuar como devem ser: alheios. Eu sei que é clichê, mas hoje, cinco de janeiro de 2016, eu renasço. De herói a zero, e não, não estou me depreciando, porque agora a contagem começa desse zero. Já realizei todos os atos heróicos que podia e que não podia. Até mesmo os que não devia.

O jarro de Pandora foi fechado, o botão de reiniciar foi apertado (e eu acabei rimando), e agora ta na hora de um novo começo. Antes tarde do que nunca, certo? Certo!

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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Um comentário:

Maria Tereza disse...

Aêeeeeeeee!!!!!!!!!!!! Yessssss!!!!!!!!!! Bjksssss!!!!!!!!!