segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

Meias Coloridas Masculinas: Como Usar?





Para quem não sabe, no meu dia a dia sou empregado de uma empresa pública. Concursado, trabalho na área de vendas da empresa, atendendo uma carteira de grandes clientes que possuem contrato de prestação de serviços com a gente. E, por isso, trabalho normalmente de roupa social, eventualmente arriscando um estilo casual mais formal, se é que isso existe. O básico é que, no calor do Rio de Janeiro, estou normalmente vestido de camisa, calça e sapatos sociais. Se eu gosto disso? Claro que não, porque amo jeans, tênis e camiseta. By the way, ossos do ofício, né?

E, apesar de óbvio, vestir-se socialmente não é trivial. Lembro-me de um curso de apresentação pessoal que fiz tempos atrás em que o professor dava um dica básica para os homens da turma, no que dizia respeito à vestimenta: o uso da meia. E a dica dele era quase simplória e, mesmo assim, com muita gente não a seguindo - para não errar nunca, a meia deve combinar com o sapato, já que ela é como uma extensão da perna. Pronto, você não chamará atenção demais e estará vestido adequadamente, pelo menos no que diz respeito à meia e ao sapato.

domingo, 28 de fevereiro de 2016

Testagem e Adesão: Ferramentas Importantes Para Se Viver Com o HIV





Vou começar esse post com uma pergunta: você deixaria de tomar antitérmico se tivesse uma febre muito alta? Você deixaria de tomar analgésico se tivesse torcido o tornozelo? Você se recusaria a tomar um antibiótico se tivesse uma grave infecção? Você deixaria de fazer quimioterapia se tivesse algum tipo de câncer? 

Essas perguntas parecem ter uma resposta óbvia na maioria das vezes, mas não é bem assim. Infelizmente, algumas pessoas que têm HIV/Aids se recusam a tomar os medicamentos que são essenciais para mantê-los vivos. E por que isso acontece? Muitas vezes, pelo simples fato de não aceitarem o diagnóstico positivo (reagente). 

Pode parecer estranho, mas o preconceito que ainda toma conta da nossa sociedade é tão grave que faz com que algumas pessoas, quando diagnosticadas, neguem a sua sorologia, não falando sobre o assunto, não se tratando e chegando a morrer. Conseguir a adesão, ou aderência, ao tratamento é um dos maiores desafios das equipes de saúde que cuidam de pessoas com HIV. 

sábado, 27 de fevereiro de 2016

O Que a Gente Tinha





Das poucas coisas que foram realmente nossas. Daqueles momentos que nada nem ninguém pode nos tirar. Tenho sua primeira imagem, todo de negro, na esquina daquela empresa, onde faríamos a mesma entrevista de emprego. Seu olhar sorrateiro e disfarçado. O impacto de ouvir sua voz pela primeira vez.

O sabor das media-lunas argentinas. O filme Minha Vida Sem Mim. A canção de Ney Matogrosso, aquela que você amava, e que eu passei a amar por sua causa. O best-seller de Dan Brown. O Segredo de Brokeback Mountain

Nossa primeira conversa a sós, olhos nos olhos, num final de tarde no Parcão. A corrente elétrica que percorria meu corpo com um simples aperto de mãos. As histórias de suas viagens como comissário de bordo. O dia em que me revelou seu maior segredo. 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Sobre Rihanna





Rihanna costuma se jogar de cabeça em seus trabalhos, ela não está nem aí para o que pensam dela. Aparece fumando o cigarro do demo, aloprando tudo o que tem direito no carnaval de Barbados e, quando apanhou do namorado Chris Brown, sua imagem com o rosto desfigurado correu as redes sociais. O cantor foi preso, mas ela gravou um dueto com ele, o que enfureceu o movimento feminista que não gostou nadinha disso. Ela manda o bom senso às favas, gerando controvérsia.

Em seu novo clipe, aliás clipes, porque ela fez dois com dois diretores diferentes — Director X e Tim Erem — mais uma vez está lá a Rihanna controversa. Em Work, a garota usa e abusa do bate coxa, rebola o popozão, segura o tchan e desce até o chão. Se esfrega o quanto pode no Drake, seu parceiro na música, que mais uma vez dividiu opiniões, mas o que interessa aqui são os clipes. 

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Arrogância





Sim, você é arrogante.  E temos dois caminhos agora para seguir. Ou você para de ler, afinal, já sabe qual é a minha afirmação ao longo de todo esse texto, ou você vem comigo e exercita um pouco de humildade para reconhecer seus defeitos. A escolha é sua e o choro é livre!

Arrogância é a palavra mais usada nas últimas semanas, ao lado de prepotência e logo depois de soberba. No fim, todas essas palavras são usadas para significar a mesma coisa: alguém que despreza outra pessoa por se sentir superior. Mas espere aí, não é isso que vem acontecendo nas redes sociais todos os dias? Textão do Facebook é rebatido com mais textão e ninguém nunca assume que pode ser o “errado” da vez. Cada um tem a sua verdade e usa o livre arbítrio como um grande escudo protetor para destilar preconceitos, incitar brigas e diminuir pessoas. E tudo isso, observe, porque simplesmente alguém só estava dando a sua opinião.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Tava no Fluxo, Avistei o Novinho no Grindr





Não, esse texto não é sobre uma pulada de cerca. Na verdade, nem é exatamente sobre o famoso aplicativo. Embora também seja sobre isso. Esse texto é sobre toda uma geração. Ou gerações. Ou a co-existência delas. E apenas um exemplo tangível de como a tecnologia está segmentando as gerações cada vez mais rapidamente – e isso, definitivamente, não é uma crítica.

Os aplicativos de encontros (ou de pegação, como alguns preferem) sem dúvida revolucionaram as formas de approach e até mesmo de relacionamento. Isso já foi tema aqui por mais de uma vez (lembro-me bem de textos dos amigos Glauco e Silvestre), mas para mim ainda é chocante como, poucos anos atrás, era uma realidade completamente inexistente. E creio que esse caminho sem volta dos aplicativos também ajudou a termos outra questão irreversível: fica a cada dia mais fácil sair do armário no mundo real.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Começar de Novo





Algumas coisas, como amadurecer e se conscientizar do que é ser adulta (coisas diferentes, veja bem), me fazem gastar boas horas de reflexão. A última delas aconteceu nos últimos dias, em meio a um processo emocional intenso na construção de um projeto artístico. No mergulho das minhas emoções, buscava algumas palavras que me ajudassem a dar sentido ao que precisava captar e enquadrar virtualmente numa junção de pixels. Muitas vezes aparecia a palavra "recomeço" em minha cabeça.  

É aí que parei para pensar no que realmente significa o tal recomeço. É zerar e começar de novo? É juntar forças e continuar de onde parou? É morrer pra iniciar? É deixar algo pra trás e começar como se nunca tivesse acontecido esse passado? Qual a real diferença entre recomeçar e continuar?  Fala-se muito sobre maneiras de se curar de traumas ou conseguir segundas chances. Fala-se muito sobre recomeçar. Ninguém, no entanto, parou pra explicar o que isso significa de verdade. 

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Cinco Livros - Para Ler ou Presentear





Escrever é uma tarefa difícil. Ter uma coluna semanal então, algumas vezes, pode ser um verdadeiro martírio. Eu não quero escrever sobre qualquer coisa, mas, tantas vezes, eu simplesmente não sei sobre o que escrever. Aqui no Barba Feita pode-se falar sobre tudo. De sexualidade a política, passando sobre as maiores futilidades ou simplesmente expondo o lado contista de cada um de nós. Mas tem dias que parece impossível que "algo que preste" surja em nossas mentes para produzir um texto que consideremos minimamente aceitável.

Hoje é quase como um dia desses. Tenho ideias embrionárias para alguns textos, mas que precisam ser trabalhadas, pensadas e repensadas antes de virarem palavras e formarem uma coluna. Por isso, sentei aqui na frente do computador pensando: o que escreverei para essa segunda-feira? E, olhando à minha volta e pensando em uma conversa com um amigo na última sexta-feira, resolvi dividir com vocês algumas experiências de leitura que tive e que me foram bastante impactantes e importantes, fazendo essa pequena lista de livros que, se eu fosse vocês, daria um pouquinho de atenção em algum momento. 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Amor e Medo




O que acontece para os relacionamentos irem do “para sempre” ao “nunca mais”? Com a mesma velocidade que nos entregamos e nos permitimos no início de um namoro, vamos nos classificando como completos estranhos, amigos, amantes, entediados, enfurecidos e, num piscar de olhos, estamos de volta para o estado de completos estranhos. 

Amor e medo se conjugam. Ganhamos quando o medo se ausenta e perdemos quanto ele nos domina. O receio de não oferecermos ao outro lado a mesma proporção de energia, gentileza e paixão existe tanto quanto o medo de estarmos, demasiadamente, entregando energia, gentileza e paixão. Como que calculando moedas e esperando o troco. 

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Meu Encontro Com Um Garoto de Programa




Pela foto do Aplicativo, ele não era lindo, mas bem simpático. Impressionado com a descrição um tanto quanto sexualmente agressiva, e o "dote" absurdamente grande, dei oi, com o único intuito de perguntar sobre o tamanho de sua "ferramenta", que me parecia bastante exagerado. Ele respondeu, muito interessado em meu apelido: "Escritor". Perguntou sobre o que eu escrevia e disse que sonhava em ser roteirista de televisão, que tinha várias histórias esboçadas e, a partir dali, nos encontramos, até ele soltar sem querer que tinha algo do tipo "clientes". Voltei correndo à descrição do perfil, e lá estava as duas pequenas letrinhas nas quais não havia reparado: GP.

Disse a ele que não tinha prestado atenção no detalhe das siglas. Ele pediu que eu esquecesse aquilo, e que não parasse de conversar por causa disso. Continuamos o papo até altas horas da madrugada pelo app mesmo, pois ele estava sem WhatsApp, achei que fosse mentira, mas nem liguei. Àquela altura, já tinha até esquecido do verdadeiro motivo pelo qual puxei assunto com Fred, seu dote. E não parávamos de teclar. Quase amanhecendo, nos despedimos com a promessa de encontro muito em breve, pra dali a dois ou três dias no máximo. Ele, muito mais ansioso do que eu, queria me ver no mesmo dia.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Sobre Racismo (e Outros -ismos)





O texto de hoje é difícil.

O racismo é uma chaga no Brasil, tão pesado que as pessoas nem se dão conta do preconceito que muitas vezes têm e exercem em suas vidas. Já vi gente dizer que não gosta de negros na minha frente e ainda soltar a pérola, "mas você não é negro"... Como assim? 

Quando se chama uma pessoa negra de morena porque não quer constrangê-la, isso é preconceito. Desde quando ser negro é motivo de diminuir alguém? É o mesmo que achar que chamar alguém de gay é ofensa. Não é. Nunca foi. Como também não acho que chamar uma mulher de puta é ofensa; ninguém sabe porque uma mulher se tornou uma prostituta, elas trabalham, sustentam famílias e são mais dignas que muitas donas de casa que passam o dia falando mal da vida alheia, agindo de forma preconceituosa, proibindo seus filhos de serem o que gostariam de ser e propagando que são mulheres de honrosa reputação. Faz-me rir.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Eu Preciso Falar Sobre Martha Medeiros




Tudo começou com pequenos encontros descompromissados aos domingos. Ela, com curtas histórias em sua única página na Revista de Domingo, do jornal O Globo, e eu, em algum lugar do Rio de janeiro, odiando o domingo. Sempre odiei o domingo. Depois, descobri crônicas maiores. Contos, passagens da vida, acontecimentos pessoais. Descobri as emoções que podem ser sentidas através de um texto. Descobri, enfim, a existência de Martha Medeiros.

Mas não sabia quem era Martha Medeiros quando assisti ao filme Divã no cinema. Talvez até soubesse, mas não tinha ligado o nome à pessoa. Verdade seja bem dita, vi aquele filme por conta de Lilia Cabral. Mas ao fim, me senti saído de uma sessão de terapia. Não, essa não é nenhuma tentativa de trocadilho. Quem assistiu ao filme sabe bem do que estou falando. Se você não lembra, acho que está na hora de assistir de novo. Ou, se você ainda não assistiu, essa é minha dica para o final de semana.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Na Escuridão




Abri os olhos como faço todos os dias quando acordo. Não sei até hoje o motivo, porque nunca enxerguei, mas sempre abro os olhos. Acho que é mais pela esperança de um dia uma imagem surgir. É difícil ser cego em uma cidade como Nova York. Uma cidade que, apesar de oferecer uma gama de cheiros, vozes e sensações, supervaloriza o visual. Ninguém pode cheirar a Estátua da Liberdade. Ou ouvir o Empire State. Ou sentir os taxis amarelos que, por si só, nos abrigam a saber as cores. Mas naquele dia, no qual abri os olhos despropositadamente, pude ouvir, pude cheirar e sentir aquelas duas torres.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

O Amor, Seja Como For, é o Amor





Salve Carlos Drummond de Andrade e uma das suas melhores obras, O Amor Bate na Aorta. Eu reli há poucos dias esse maravilhoso conjunto de palavras tão bem selecionadas que, juntas, fazem esse carinho na alma. E pode chamar de brega, de cafona, de “não é pra mim”, mas a verdade é: amor, seja como for, é bom. De quem for, pra quem for – ainda que o objeto do texto seja sobre o amor daqueles que a gente celebra quando tem alguém no ultra-comercial dia 12 de junho. 

O poema do mestre Drummond não mente, toca na ferida, mostra o malefício da melancolia, faz poesia com mato e sangue, coloca tudo em perspectiva. E aí a gente vê que quando ele chega, não tem mesmo pra onde fugir. É um bandido perseguido por um policial incansável. É uma via crucis onde a cruz é um peso gostoso de carregar – mas é pesada por demais. 

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Amores: Livres, Sinceros e Descomplicados





Eu adoro os programas do GNT. Pra começar, porque sou um viciado em realities culinários dos mais diversos tipos e acompanho todos que tenho possibilidade, estando a maioria deles disponíveis no canal. Mas, além disso, gosto dos programas de debates e comportamento apresentados ali, que me divertem em meus momentos de ócio televisivo, pelos quais anseio e aprecio. E foi em uma conversa durante o carnaval com um casal amigo de um amigo, que me lembrei de uma série documental que assisti no GNT e tive a ideia para esse texto. Falo de Amores Livres, do diretor João Jardim, apresentada no canal.

Apresentando em cada episódio histórias distintas de pessoas que vivem relacionamentos abertos e as combinações possíveis dentro dessa modalidade afetiva, Amores Livres impressiona. Vemos ali casais adeptos de swing, relacionamentos formados por três ou mais pessoas e, acima de tudo, a existência da não exclusividade na vida de tantas pessoas e de como isso as torna, na opinião delas, mais leves. E acho incrível como as pessoas se adaptam a essas circunstâncias e aparentam viver em paz com as suas escolhas.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Calar a Boca e Escutar Ninguém Quer, Né?




Tem texto que eu preferia não ter que escrever. Porque gostaria de pensar que, a esta altura dos acontecimentos, certas coisas não precisariam mais ser ditas. Mas aparentemente eu sonho demais. Então lá vamos nós. Hoje nós vamos falar sobre sensibilidade, sobre responsabilidade, sobre respeito e sobre nossa persistente dificuldade em abrir mão da vaidade para entender o lugar do próximo. Sobre ouvir. Sobre um tanto de coisa que parece óbvia, mas não é.

A primeira obviedade que eu gostaria de reafirmar: apenas porque algo não te ofende pessoalmente, não significa que esse algo não seja ofensivo. Recentemente estava conversando com um amigo que defendeu uma piada de mau gosto dizendo que ela podia até ser ruim, mas não era ofensiva. Depois de virar meus olhos em suas órbitas num ângulo de 360 graus, claro, pedi pra ele definir de onde tinha tirado essa conclusão. Ele respondeu: "entendo porque alguns grupos ficariam chateados, mas eu não fiquei". É, gente. Porque o cara branco, hetero (e rico, diga-se) não ficou ofendido, a piada não era ofensiva. Bizarro, eu sei, mas lá estava eu, explicando para um homem de seus 30 e tantos anos que a definição de ofensivo não é "algo que ofende a todas as pessoas do mundo da mesma forma". Triste, mas, por incrível que pareça, esse não é um pensamento raro. Quantas vezes, depois que alguma polêmica estoura, não temos que lidar com aquele(s) amigo(s) do grupo falando que é exagero, que as pessoas "tão muito chatas", que a piada "pode até ser ruim, mas não é ofensiva?". Gente, vamos estabelecer algo importante aqui: a gente não pode simplesmente decidir o que um termo significa baseado na nossa percepção. E a gente pode não gostar, a gente pode achar muito chato, mas a gente não pode negar seu significado. Porque não é assim que palavras funcionam.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Teorias Sobre Monogamia e Relacionamentos Abertos





Nos divertimos com os "errados" até encontrarmos o "certo". Transamos com quem temos vontade e com quem nos é recíproco, sempre que quisermos. Sexo por sexo é bom, é ótimo, mas o que todos almejamos é aquele alguém especial que nos fará ver estrelas, ouvir sinos, e desejarmos que ele seja único na nossa vida pra sempre. Alguém a quem dedicaremos cega e total fidelidade. Porque, como num passe de mágica, o amor da nossa vida, a pessoa certa e especial com quem dividiremos a vida a partir de então, sublima qualquer desejo que possamos ter por outras pessoas. Mesmo que existam mais de 7 bilhões de humanos no mundo, e que amor e atração sexual não estejam necessariamente e intrinsecamente ligados. Certo?

Certo, para muitos. Mas para outros tantos, errado. Desde que o mundo é mundo a monogamia entre casais é via de regra, mas homens sempre foram infiéis à suas esposas. O machismo e a hipocrisia sempre reinaram em todas as sociedades, de todas as Eras. Homens traíam porque era de sua natureza, e as mulheres deviam aceitar caladas. Por isso, tão antigo quanto o mundo e a infidelidade masculina, é a prostituição feminina. 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Sobre Carnaval e Algumas Suposições (ou Nem Tudo Se Acaba na Quarta-Feira de Cinzas)




O carnaval acabou e eu não participei da folia de Momo a não ser vendo os desfiles das escolas de samba do Rio, algo que faço todo ano. Não apenas as do grupo especial, mas também as do acesso. Mesmo com a Globo se esforçando, ainda sinto falta das transmissões da extinta Manchete, preocupada em mostrar tudo e todos e onde o verdadeiro folião era o astro da festa. Este ano percebi que a Globo resolveu mudar o jogo e fazer uma transmissão mais dinâmica; a audiência aumentou, talvez porque sua estratégia deu certo ou talvez porque com o país em crise o povo ficou em casa.

Mas isso são suposições, claro.

Cresci vendo os blocos de frevo passarem na minha porta, mas nunca deixei de ver os desfiles, ponto alto do carnaval que esperava com ansiedade. Gostava tanto que não perdia a apuração (hoje não vejo mais porque fico extremamente nervoso) e o desfile das campeãs. Nasci portelense porque minha mãe escutava muito Clara Nunes, e pelo menos isso deve explicar a emoção que sinto quando vejo minha águia na avenida. Não tem explicação, choro só de ver, imagine então se estivesse desfilando.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Quando Descobrimos Que Tempo é Realmente Dinheiro




Se existe uma frase que ouvi por muito tempo em minha vida e nunca consegui fazer uma associação até hoje, com toda certeza é a frase que inspira o título do texto: Tempo é dinheiro. É simples, claro e direto. Mas levei anos para deixar a ficha cair e compreender seu real significado.

Estar trabalhando, ainda mais em um país que não vive seu melhor momento, é um presente. Mas dinheiro não é tudo. É a compra do seu tempo. Trabalhar em algo é ocupar os momentos que são livres com atividades de todos os tipos. Algumas pessoas dão a sorte de trabalhar com algo que são apaixonados ou possuem afinidade. Assim, o trabalho se torna prazer, acima de qualquer obrigação. Mas mesmo assim continua sendo trabalho. E nosso trabalho não pode definir quem somos. É uma parte significativa de nós, mas não é tudo. Não é o “todo”.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Marchinha Fúnebre




“O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, eu quero o teu amor...”
O Teu Cabelo Não Nega

Ouvia os versos enquanto ainda despertava. Parecia que fora tudo o que escutara nas últimas horas, embora não tivesse consciência. À medida que recobrava os sentidos, a reboque vinha uma forte dor na parte traseira da cabeça, que irradiava por todo o crânio e nuca. Tentou levar as mãos ao rosto, mas percebeu que estava amarrada.

Olhou à sua volta e estranhou o local. Parecia um depósito abandonado e empoeirado, com poucos pontos de luz, onde ainda era incapaz de identificar de onde vinha a cantoria baixa e grave:

– Quem tá aí? O que tá acontecendo?! – bradou, com certo desespero na voz. 

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Larissa, José, o Match e Uma Dúvida Existencial





"Olha a cabeleira do Zezé, será que ele é, será que ele é?
Será que ele é bossa nova? Será que ele é Maomé?
Parece que é transviado, mas isso eu não sei se ele é..."
Cabeleira do Zezé

Larissa acordou assustada com a banda passando embaixo da janela da casa onde estava hospedada. Tirou os cabelos suados do rosto e olhou à sua volta. Parecia que o bloco, ou banda, ou seja lá o que fosse, estava lá dentro do quarto.

Se levantou, tomou banho e voltou para a cama pra curtir o restante da preguiça, afinal, tinha sido acordada contra a sua vontade. Pegou o celular e resolveu dar uma zapeada no Tinder, assim, só por curiosidade. Não era obcecada pelo aplicativo, nunca tinha conseguido um Match decente. Os bonitos eram totalmente acéfalos, e os outros... Bem, Larissa não era fã de caras casados, do tipo ostentação, ou dos que eram adeptos ao poliamor. "Custa surgir um cara legal? Não to pedindo muita coisa", pensou ela ao abrir o aplicativo.

Começou a conhecida jornada: Esquerda, esquerda, esquerda, hum... Direita? Não, esquerda, definitivamente.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Sinceramente Livre





"Se fosse sincera, Ô ô ô ô, Aurora 
Veja só que bom que era, Ô ô ô ô , Aurora 
Um lindo apartamento, com porteiro e elevador 
E ar refrigerado para os dias de calor, 
Madame, antes do nome 
Você teria agora, Ôôôô Aurora..."
Aurora


Pegou a calcinha no chão, recolheu suas coisas espalhadas pelo quarto, conferiu a bolsa e ficou puta! Por que diabos não havia separado um dinheiro a mais para o taxi? Olhou para o corpo nu e avantajado do jovem negro sobre a cama, a bermuda amassada no chão e não titubeou: pegou a carteira do jovem rapaz, viu algumas notas, separou 200 reais. Arrumada, retocou o batom no espelho do banheiro e, antes de ir, deixou um beijo marcado no objeto. saindo sorridente daquela espelunca localizada em plena Gomes Freire, bem no centro da Lapa carioca.

Era segunda-feira de carnaval e ela sabia que suas amigas lhe dariam um sermão daqueles quando se encontrassem. O combinado havia sido seguir aquele bloco que se formara no Catete e rumava sentido Lapa e depois pararem para beber sob os Arcos, talvez encarando alguma festa, talvez ficando apenas pela rua mesmo. Não era apenas carnaval, era também a pré-despedida de solteiro de Lúcia, sua amiga, e por isso todas as cinco amigas estavam fantasiadas de noivinhas, lindas e soltas pelos blocos do Rio. E ela havia descoberto: não havia nada que desse mais tesão em um homem do que uma mulher vestida de noiva; desde que ela não fosse a sua.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

A Máscara Negra




“Quanto riso, oh, quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão 
Arlequim está chorando pelo amor da Colombina no meio da multidão 
Foi bom te ver outra vez, tá fazendo um ano, foi no carnaval que passou 
Eu sou aquele Pierrô que te abraçou e te beijou, meu amor 
Na mesma máscara negra que esconde o teu rosto eu quero matar a saudade 
Vou beijar-te agora, não me leve a mal, hoje é carnaval...”
Máscara Negra
2016 - Sábado de carnaval - 06:55 

Num sobressalto, Guilherme desperta com os gritos de Bruno, antes de receber uma toalha encharcada no meio da cara.  "Acorda, rapá, que hoje é carnavaaaaaal".  Ainda se esforçando para abrir os olhos e se acostumar com a claridão que invade o quarto, Guilherme tenta enxergar as horas no despertador.  "Onde estão meus óculos?", pensa, tateando a cabeceira.  Enquanto isso, Bruno escancara as cortinas e a janela, deixando os fortes raios solares penetrarem no local, como um grande flash, anunciando o novo dia. 

- Porra, brother, fecha essa merda!  Não são nem 7 da manhã ainda... Eu tô cansado! 
- Cansado o caralho! Levanta logo que a gente tem que chegar no Centro em 40 minutos pra pegar a concentração da Bola Preta!  E a Mariana tá vindo pra cá, pois ela já tá pronta.  Ela até já me ligou e eu já falei que você tinha levantado e estava tomando banho e que a gente estava quase pronto e nem ia dar tempo de tomar café e... 
- Porra, cala a boca, mané!  Minha cabeça tá explodindo, putaquepariu! 
- Eu falei que não era pra você ter saído ontem e que a gente tinha que acordar cedo hoje... Mas você cismou de ir pra Lapa beber e encher a cara, irmãozim!  Pô, tu chegou às três cambaleando, seu viadinho.  Ainda vomitou no chão da sala, que eu já até tratei de limpar... 

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Traumas, Confete e Serpentina




"Mamãe eu quero mamar, 
Mamãe eu quero mamar
Mamãe eu quero mamar...
Dá chupeta, me dá chupeta, 
Dá chupeta pro nenem não chorar..."
Mamãe Eu Quero

Apaixonada por carnaval desde muito menina, Ana Rita tinha dois traumas na vida: templos Evangélicos e a marchinha Mamãe Eu Quero. Para uma carnavalesca de carteirinha, o trauma por Templos Evangélicos poderia até ser compreensível, afinal, religião e a Festa de Momo são duas coisas pouco compatíveis, mas o trauma por uma marchinha de carnaval tão clássica e divertida como Mamãe Eu Quero, era difícil de entender num primeiro momento. A única que sabia os motivos do trauma de Ana Rita, além de seus causadores, era Duda, a melhor amiga.

Acontecia sempre do mesmo jeito, estivessem as amigas inseparáveis onde quer que fossem, em clubes ou blocos de rua, curtindo o carnaval, era só começar a tocar a marchinha imortalizada por Carmen Miranda, que Ana Rita escapava pra qualquer canto onde não conseguisse escutá-la, tamanha era sua aversão. Mas naquele carnaval, onde a amiga completava seus 30 anos, pois Ana Rita fazia aniversário em fevereiro, Duda decidiu dar um basta em seus traumas, pelo menos no que se referia a marchinha da qual ambas tanto amavam antes de tudo acontecer.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Sobre Desejos e Reparações





"Chiquita bacana lá da Martinica 
Se veste com uma casca de banana nanica 
 Não usa vestido, não usa calção 
Inverno pra ela é pleno verão 
Existencialista com toda razão 
Só faz o que manda o seu coração..."
Chiquita Bacana

Nelson, ou melhor, Nelsinho, gostava do reinado de Momo desde criança ou, como diziam todos, parecia gostar desde a barriga da mãe, Dona Lúcia, uma mulher carola e demasiado hesitante. Muito diferente do tio Afonso. A propósito, era com o tio que assistia todos os desfiles do Hotel Glória e Monte Líbano, onde Clóvis Bornay, Evandro de Castro Lima e Mauro Rosas brilhavam ano após ano. Pensara que um dia poderia ser ele também. A mãe jamais deixaria, mas encontrava apoio no tio solteirão. Não entendia porque um homem como ele passava a vida sozinho. "Solteiro sim, sozinho nunca", dizia Afonso. Certa vez, talvez cansado de ouvir os protestos do sobrinho acerca da mãe, o tio lhe dissera que Lúcia não havia sido sempre daquela maneira irritadiça; houvera ali, um dia, uma mulher muito feliz. Houve Chiquita. E aquela mulher nunca saiu da cabeça de Afonso.

E tudo aconteceu mais ou menos assim.

Os carnavais costumavam ser na praia, Para quem vivia no interior, a viagem para o litoral era o grande acontecimento. O avô de Nelson alugava a mesma casa todos os anos e levava a família para o veraneio. A praia era muito concorrida naquela época, sempre repleta de turistas vindos dos mais variados lugares. Principalmente argentinos. Afonso gostava de contar as placas pelo caminho, Lúcia acompanhava os sucessos do momento pelo rádio. Entre uma coisa e outra chegavam já ansiosos por um banho de mar, Entretanto, aquele ano, aquele carnaval os marcaria para sempre. Nenhum deles voltaria para casa como antes, principalmente Lúcia.

A casa era sempre a mesma. Uma imensa varada, uma grande sala, cozinha, dois quartos e um banheiro. Havia um chuveirão no quintal que a avó de Nelsinho insistia para que só entrassem na casa após o banho de mar, depois de terem tirado toda a areia. Algo que nem sempre as crianças faziam. O quintal tinha um muro bem baixo que dava para o quintal do outro vizinho e, como as casas eram sempre alugadas para veraneio, os vizinhos nunca eram os mesmos. Num desses banhos no chuveirão, Lúcia ouviu alguém assobiar uma canção que ela achava muito engraçada; era uma marchinha de carnaval que dizia que a tal Chiquita era da Martinica e se vestia como uma casca de banana nanica. Não demorou e começou a cantar junto; distraída, não percebeu que o tal parceiro no assobio havia parado e que ela cantava sozinha. De repente, parou, olhou em volta e estava sendo espionada. Era um homem alto, loiro, olhos verdes, os fios loiros também emergiam da pele bronzeada. O homem sorria com o canto da boca deixando Lúcia desconcertada, mas não a ponto de sair correndo.

—  Cantas muy bien, Chiquita. 

E foi assim que a vida de Lúcia mudou.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A Turma do APP





Chegou a turma do funil 
Todo mundo bebe, mas ninguém dorme no ponto 
Ai, ai ninguém dorme no ponto 
Nós é que bebemos e eles que ficam tontos...
A Turma do Funil

Matheus nunca esteve tão nervoso. As mãos eram como gelo puro e o olhar nervoso iam dos andares, que ficavam luminosos enquanto o elevador descia, para a porta do mesmo que não se abria. Estar ali era uma das coisas mais aguardadas pelo rapaz. Ele esperava por aquele elevador como uma criança espera o desejado presente de aniversário. Não, não de aniversário. Aquele caro presente de Natal.

O barulho anunciando que o elevador finalmente estava no térreo foi mais rápido que as portas metalizadas. O olhar ansioso do rapaz de vinte e cinco anos percorreu toda a fila de espera, que não era nem mesmo longa. A portaria do antigo prédio não possuía tantas pessoas que aguardavam pela caixa de metal. Seria só Matheus, Bruno, amigo de Matheus, e outros dois homens. Quatro pessoas para um único elevador onde cabem oito pessoas. Espaço de sobra para cada um ficar em seu respectivo canto.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

O Maior Desafio de Paulo Barros





Carnaval está chegando e todo mundo já está fazendo a sua listinha de quais blocos vai pular, quais amigos vai encontrar ou mesmo se vai fazer absolutamente nada e aproveitar para descansar. Eu, como já bem alertei um ano atrás aqui no Barba Feita, não sou um folião. Prefiro passar longe de blocos e afins (às vezes dá na telha sair com amigos pra fazer uma graça, mas é algo totalmente atípico). Contudo, gosto muito do carnaval das Escolas de Samba, desde o executado na grandiosa Marquês de Sapucaí até a miúda festa realizada na Rua da Conceição da minha cidade natal, Niterói, passando pelo limbo da Avenida Intendente Magalhães, na divisa entre Subúrbio e Zona Oeste cariocas.

Já acompanhei diversas vezes os carnavais dos Grupos de Acesso, os antigos A e B, agora unificados e chamados de Série A; já assisti às Séries B e C na Intendente. Já fui a barracão ver a montagem da escola do meu coração (da qual meu avô foi um dos fundadores), a Viradouro, quando ela ainda brigava por título do Especial; e já entrei no barracão coletivo das escolas dos Grupos B, C e D para ver como os artesãos e os próprios carnavalescos davam o seu suor para bravamente transformar material desprezível em festa e história contada na avenida. Não sou um rato de escola, nunca desfilei (ainda irei!), mas amo essa atmosfera e adoro acompanhar os desfiles, mesmo às vezes à distância, somente pela editada tela da televisão. Como será esse ano, após o repouso ainda forçado de um pós-operatório.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Minha Primeira Vez





Não, esse não é um texto sobre como eu perdi minha virgindade. Nem é um relato sobre #MeuPrimeiroAssedio. Mas é importante também. Queria contar um pouco sobre qual é a minha primeira lembrança real sobre vulnerabilidade, e como isso me assombrou por tantos anos (e assombra tanta gente, tenho certeza) até que eu descobrisse que ser vulnerável pode ser maravilhoso. 

Eu tinha por volta de 6 ou 7 anos. Sempre fui muito tímida. A mais quietinha da sala, a primeira da fila, a que não incomodava e, por sorte, não era incomodada por ninguém (exceto por uma menina de mesmo nome que o meu, que além de colega de classe, era minha vizinha. Devido à separação dos pais, ela acabou passando por uma fase difícil de chamar atenção, e fazia isso me mordendo todos os dias. Passou. Perdoei.). Nunca tive uma infância rica, mas também nunca me faltou nada. Estudei em colégio particular, fiz curso de inglês, natação, nunca fui à Disney, mas minha mãe sempre fez um esforço enorme pra provar que a singela cidade de Meaípe, no Espírito Santo, era tão legal quanto. Mas algumas coisas na minha casa eram artigos de luxo: refrigerante somente nos finais de semana, TV à cabo chegou bem tarde e internet só depois de meia noite. O aparato tecnológico foi quando fiquei mais velha, claro (mas o refrigerante sempre foi assim). O lanche da escola era sempre de casa, mas uma vez por semana minha mãe dava dinheiro para eu e meu irmão comprarmos algo nada nutritivo na cantina do colégio. 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Os Sonhos, as Lembranças e a Profissão





Quando eu era criança, bem pequeno, eu queria ser astronauta. Lembro de ficar parado durante muito tempo, na parte superior da minha casa lá no interior, olhando para o céu negro e praqueles milhares de pontinhos brilhantes que tanto me fascinavam. Me imaginava viajando pelas estrelas, vendo cometas, conhecendo planetas. E, em minha mente infantil, não precisava sequer de uma nave para fazer isso, já que me imaginava à esmo no espaço, passeando pela Via Láctea e por outras galáxias (e olhando hoje vem perspectiva, acho que muito da minha imaginação e dessa vontade em específico vem de Viagem ao Céu, livro de Monteiro Lobato, que li ainda bem garoto).

Um pouco mais velho, mas ainda criança, talvez na fase pré-adolescente, eu mudei o discurso. Se me perguntavam "e então, Leandro, o que você quer ser quando crescer?", eu respondia de cara "bancário".  E me lembro de uma vez em que minha avó paterna, que eu amava e de quem sinto tanta saudade, me questionou se não seria melhor eu ser banqueiro ao invés de bancário, dizendo que banqueiro era o dono do banco. Mas eu fui incisivo e afirmei que não, que queria ser bancário. Afinal, eu me lembrava de um dia que havia ido até uma agência bancária com o meu pai e ficado encantado com o bancário que o atendeu, abrindo aquela gaveta e pegando tantas e tantas notas de dinheiro, enquanto eu, boquiaberto, achava que aquilo sim era poder e status. Inocente, eu sei hoje, mas era a minha mente de criança fantasiando que mexer em tanto dinheiro fazia da pessoa importante e dona daquilo tudo. Acho que no fim das contas, eu queria era apenas ser rico (e ainda quero, nota mental!).