segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Amores: Livres, Sinceros e Descomplicados





Eu adoro os programas do GNT. Pra começar, porque sou um viciado em realities culinários dos mais diversos tipos e acompanho todos que tenho possibilidade, estando a maioria deles disponíveis no canal. Mas, além disso, gosto dos programas de debates e comportamento apresentados ali, que me divertem em meus momentos de ócio televisivo, pelos quais anseio e aprecio. E foi em uma conversa durante o carnaval com um casal amigo de um amigo, que me lembrei de uma série documental que assisti no GNT e tive a ideia para esse texto. Falo de Amores Livres, do diretor João Jardim, apresentada no canal.

Apresentando em cada episódio histórias distintas de pessoas que vivem relacionamentos abertos e as combinações possíveis dentro dessa modalidade afetiva, Amores Livres impressiona. Vemos ali casais adeptos de swing, relacionamentos formados por três ou mais pessoas e, acima de tudo, a existência da não exclusividade na vida de tantas pessoas e de como isso as torna, na opinião delas, mais leves. E acho incrível como as pessoas se adaptam a essas circunstâncias e aparentam viver em paz com as suas escolhas.

Antes de mais nada, preciso deixar claro que estou longe de ser algum tipo de pessoa conservadora. Eu mesmo não vejo nenhum problema em viver um relacionamento aberto, se esse for o desejo das pessoas envolvidas. Com regras claras e bem definidas, acho mesmo que o modelo pode ser o ideal para diversos relacionamentos, principalmente os gays. Não acredito em fidelidade sexual masculina e não acho mesmo que você transar com outra pessoa vai mudar em alguma coisa o que você sente pelo seu parceiro ou parceira. Mas, claro, essas é a minha visão da vida, que não considero como verdade absoluta, mas apenas uma das muitas formas possíveis de se viver.

Na terça-feira de carnaval, em uma festa na casa de um amigo, conheci um casal hétero super simpático. Juntos, formam aquele tipo de casal descolado, que você aprecia estar do lado, ouvindo suas vivências e jogando conversa fora. E o que achei mais interessante no relacionamento dos dois, é que eles estavam acompanhados do namorado deles. Haviam conhecido o menino no 3nder, a rede social para aproximação de casais e pessoas interessadas em envolvimentos a 3 ou mais pessoas, e estavam encantados com o menino, que se encaixou muito bem dentro do que eles enxergavam de um relacionamento ideal, tornando-se namorado do casal. E eu ouvi a história da boca dos três e fiquei maravilhado em como eles faziam aquilo funcionar.

Mas enquanto conversava com eles na festa, me lembrei de um sentimento que me tomava sempre que assistia a alguns episódios de Amores Livres. Me peguei pensando: como eu lidaria com isso? Entendam, eu separo muito bem sexo de amor; sou prático pra cacete nessa questão. Mas como dividir sentimento? Não sou uma pessoa das mais fáceis de lidar e, quando se está em um relacionamento, você aprende, diariamente, a abrir mão e a ceder. Em prol de uma vida conjunta, você se torna menos egoísta e vai dividindo espaço, alegrias, tristezas. Mas, é claro, que também briga e se estressa e, administrar isso é, na maioria das vezes, bastante complicado. Agora, imagine administrar um desentendimento entre três pessoas, com cabeças distintas e pensamentos diversos? Piro (e rio) só de me imaginar sentado na frente do computador escrevendo um email malcriado e de lavação de roupa suja para mais de um destinatário.

E fico pensando: será que sou um careta que se faz de moderninho? Se bem que isso é apenas o que penso de mim mesmo dentro de uma relação formada por mais pessoas. Quando sou apenas um observador, como foi o caso da conversa que tive com o casal amigo do meu amigo, ou vendo alguns dos episódios de Amores Livres, eu acho tudo lindo e incrível, até mesmo com uma pequena inveja branca por não me imaginar conseguindo viver uma relação semelhante.

Acredito, entretanto, que estou longe de ser careta. Inclusive, não descarto nenhum tipo de experiência futura, porque uma coisa que já aprendi nessa vida é: se cuspir pra cima pode cair na cara! Assim, vou vivendo, apreendendo, observando. E me maravilhando em como as pessoas podem ser livres e felizes, seja da forma que bem entenderem, vivendo seus amores e curtindo suas vidas.

Resumo da ópera: quer coisa melhor do que isso?

Leia Também:
Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: