segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Cinco Livros - Para Ler ou Presentear





Escrever é uma tarefa difícil. Ter uma coluna semanal então, algumas vezes, pode ser um verdadeiro martírio. Eu não quero escrever sobre qualquer coisa, mas, tantas vezes, eu simplesmente não sei sobre o que escrever. Aqui no Barba Feita pode-se falar sobre tudo. De sexualidade a política, passando sobre as maiores futilidades ou simplesmente expondo o lado contista de cada um de nós. Mas tem dias que parece impossível que "algo que preste" surja em nossas mentes para produzir um texto que consideremos minimamente aceitável.

Hoje é quase como um dia desses. Tenho ideias embrionárias para alguns textos, mas que precisam ser trabalhadas, pensadas e repensadas antes de virarem palavras e formarem uma coluna. Por isso, sentei aqui na frente do computador pensando: o que escreverei para essa segunda-feira? E, olhando à minha volta e pensando em uma conversa com um amigo na última sexta-feira, resolvi dividir com vocês algumas experiências de leitura que tive e que me foram bastante impactantes e importantes, fazendo essa pequena lista de livros que, se eu fosse vocês, daria um pouquinho de atenção em algum momento. 

A lista é simples e formada por cinco livros que me marcaram de alguma forma, ficaram em minha mente e que eu, sempre que posso, recomendo para alguém, dou de presente e sobre os quais gosto de conversar sobre. Porque para mim, um bom livro agrega, e boas histórias merecem ser compartilhadas.

Assim, ficam minhas singelas dicas. Para ler ou para fazer algum feliz, os livros abaixo podem ser bastante úteis.


Eu sou apaixonado pelo David Levithan. E, quando pensei nessa lista, era óbvio para mim que ele estaria aqui representado. E me veio a dúvida: com qual livro? Tenho um carinho mais do que especial por Todo Dia, o primeiro livro do autor que li (e que me pegou de jeito, me deixando impactado por sua história), mas acabei optando por Dois Garotos Se Beijando, por tudo que acho que esse livro pode representar.

Aqui, o narrador é alguém que já não vive e, pelo que ele nos deixa entender, foi um gay que acabou morto devido às complicações decorrentes da Aids. Mas esse narrador nos leva a observar junto com ele diversas pessoas diferentes que tem, em comum, apenas uma singularidade: são gays que vivem momentos extremos.

A narrativa de Levithan é daquelas que nos pegam pela mão e é como um passeio. Você se emociona, chora, vibra e torce por seus personagens. Falo sério: conheça David Levithan e se apaixone por esse autor. Esse livro pode ser um excelente cartão de visitas. 
"Todas as vezes que dois garotos se beijam, o mundo se abre um pouco mais. Seu mundo. O mundo que deixamos. O mundo que deixamos para vocês. Esse é o poder de um beijo: ele não tem o poder de matar você; mas tem o poder de trazer você à vida."
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Livro que inspirou o filme de mesmo nome (e cujo autor, Stephen Chbosky, é também o diretor do longa), As Vantagens de Ser Invisível é uma obra sensível, daquele tipo que nos acompanha mesmo após termos finalizado suas páginas.  E gosto tanto do livro, que ele até mesmo já inspirou uma das minhas colunas aqui no Barba (e se você não leu, o link da coluna está aqui!).

Centrado na vida do jovem Charlie, o livro é uma coletânea de cartas do jovem para alguém que não conseguimos identificar e que, por isso mesmo, parecem destinadas a nós, leitores. Depois de perder um amigo que se suicidou, Charlie tenta se adequar à sua nova vida, entrando no ensino médio e tendo de lidar com as dificuldades que a adolescência nos apresenta. 

De leitura rápida e apaixonante, As Vantagens de Ser Invisível fala por toda uma geração e, certamente, tocará a você com suas páginas.
"Não há nada como a respiração profunda depois de dar uma gargalhada. Nada no mundo se compara à barriga dolorida pelas razões certas..."
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Antes de começar, um alerta: eu conheço pessoalmente e adoro o autor desse livro. E para mim foi um prazer descobrir que o Chico (beijos querido, saudades!) era um autor brilhante, capaz de me fazer vibrar em uma trama familiar e que atravessa mais de uma geração. 

Em O Arroz de Palma acompanhamos 100 anos de história de uma família que poderia ser a nossa, inclusive. E durante esse tempo, vemos o avançar do tempo e da própria sociedade, temperados pelo carinho do autor, que é quase um poeta em diversas passagens do livro. 

O Arroz de Palma é, para mim, o presente perfeito quando quero agradar alguém especial. E uma leitura que amo revisitar sempre que possível.
"Afluentes de um só rio somos todos, acredito. Artérias de uma só veia que deságua no coração. Bela missão esta que nos foi dada: a de nos criarmos e recriarmos pacientemente a cada dia. Sem que o sangue jamais nos suba à cabeça, é o que peço. Família somos todos.”
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Outro autor que eu conheço pessoalmente e cujo livro acabou em minhas mãos por acaso, sem que eu sequer soubesse que o Helder escrevia romance. E ainda bem que isso aconteceu!

Águas Turvas é um romance daqueles que você consegue visualizar o novelão que renderia em uma tela, do cinema ou da televisão. Tendo um médico brasileiro, Gabriel, como protagonista, o livro nos leva para a pequena cidade de Holden, Massachussets, nos EUA, onde ele se apaixona irremediavelmente pelo jovem Justin Thompson. E quando Gabriel passa a fazer parte da família Thompson é que descobrimos os segredos e mentiras dessa tradicional família americana.
"O amor nem sempre navega em águas cristalinas. Na maioria das vezes, ele exige um mergulho em águas turvas..."
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Quando Tudo Volta (John Corey Whaley)

Mais recente livro que li dessa lista, Quando Tudo Volta é daquele tipo de obra que te surpreende, porque você não espera nada dele e, quando vê, já foi irremediavelmente arrebatado por sua história que, de simples, não tem nada.

Protagonizado pelo adolescente Cullen Witter, de 17 anos, o livro acompanha o que acontece com ele depois que seu irmão Gabriel, de 15 anos, desaparece misteriosamente, de uma hora para outra. Ao mesmo tempo, a pequena cidade de Llily, Arkansas, onde Cullen vive, passa a ser o centro das atenções da região, devido à suposição de que o pica-pau Lázaro, considerado extinto há décadas, tenha sido visto no local.

Aparentemente bobo, Quanto Tudo Volta tem uma força tremenda que, certamente, o fará pensar e repensar sua própria vida.
"O Dr. Webb diz que, quando alguém jovem morre, as pessoas mais velhas se sentem culpadas por viver. Como Oslo era dois anos mais velho que eu, senti-me pouco culpado quando ele morreu. O que senti foi desgosto e pena..."
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A lista é bem particular e expressa bastante do meu gosto para livros, mas acho mesmo que pode ser útil para vocês, que se permitirem conhecer essas pequenas obras primas.

Um abraço e boas leituras!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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