sábado, 20 de fevereiro de 2016

Meu Encontro Com Um Garoto de Programa




Pela foto do Aplicativo, ele não era lindo, mas bem simpático. Impressionado com a descrição um tanto quanto sexualmente agressiva, e o "dote" absurdamente grande, dei oi, com o único intuito de perguntar sobre o tamanho de sua "ferramenta", que me parecia bastante exagerado. Ele respondeu, muito interessado em meu apelido: "Escritor". Perguntou sobre o que eu escrevia e disse que sonhava em ser roteirista de televisão, que tinha várias histórias esboçadas e, a partir dali, nos encontramos, até ele soltar sem querer que tinha algo do tipo "clientes". Voltei correndo à descrição do perfil, e lá estava as duas pequenas letrinhas nas quais não havia reparado: GP.

Disse a ele que não tinha prestado atenção no detalhe das siglas. Ele pediu que eu esquecesse aquilo, e que não parasse de conversar por causa disso. Continuamos o papo até altas horas da madrugada pelo app mesmo, pois ele estava sem WhatsApp, achei que fosse mentira, mas nem liguei. Àquela altura, já tinha até esquecido do verdadeiro motivo pelo qual puxei assunto com Fred, seu dote. E não parávamos de teclar. Quase amanhecendo, nos despedimos com a promessa de encontro muito em breve, pra dali a dois ou três dias no máximo. Ele, muito mais ansioso do que eu, queria me ver no mesmo dia.

Em nenhum momento o papo rolou em torno de sexo ou interesse romântico, era pura e simplesmente sobre a afinidade de escrever. Teclamos mais no dia seguinte, e no seguinte, até que quando chegou o dia do encontro tão esperado, mais por ele que por mim, nos perdemos no emaranhado de rostos e bate-papos do aplicativo em questão. Como não tínhamos trocado WhatsApp, ia ser bem difícil nos acharmos de novo. Eis que uma semana depois, ele me encontrou, passou o contato e marcamos o encontro para o dia seguinte. O tempo todo afirmando sua ansiedade em me conhecer. Se fosse em outros tempos eu já teria devaneado mil coisas surreais, e quebrado a cara, obviamente.

Fomos a uma lanchonete. Ele pediu duas cervejas longnecks, e eu, um suco de laranja, que ele gentilmente fez questão de pagar. Muito simpático, querido e falante, Fred (que não se chama Fred) foge totalmente do estereótipo de garoto de programa, não é sarado, tem até uma barriguinha, o que me fez duvidar de sua "profissão", mas é dono de um abraço reconfortante. Fumando um cigarro atrás do outro, me contou sobre as histórias que já escreveu e as que ainda escreverá. Falou do desejo de roteirizar filmes, séries e novelas, e de como estava feliz de encontrar alguém com os mesmos desejos. Eu falei bastante também, mas estava curioso pra saber sobre a vida dele, o que o levou a se tornar GP, a quanto tempo ele se prostituía, essas coisas que parecem tão transgressoras. Mas ele estava tão empolgado em me encontrar e falar sobre suas ambições artísticas, que embarquei na empolgação dele.

Caminhamos por longo tempo boa parte do viaduto da Amaral Gurgel, onde pessoas andavam de bicicleta, skate e patins; já passava da meia-noite e o papo parecia não ter fim. Logo no fim do encontro, quando decidi ir pra casa, naturalmente Fred falou de forma resumida sobre alguns clientes, de como começou a fazer "programas" e que no final de março voltaria para o Mato Grosso do Sul, sua terra natal, mas antes disso queria ir ao cinema comigo e desenvolver a ideia de um roteiro.

Tudo tão simples e natural, que não sei se acredito muito. Hoje parece ser tão fácil fazer michê, que até pessoas que fogem do padrão o fazem. Mas se tudo for verdade, essa foi minha primeira experiência com um garoto de programa, e se tivesse deixado o preconceito falar mais alto ou enxergado-o apenas como um objeto sexual, teria perdido a oportunidade de conhecer um cara legal e absolutamente comum, com sonhos como os meus.

E se essa amizade perdurar, ainda descubro se o tal dote descomunal é mesmo real.

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Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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2 comentários:

Unknown disse...

Belo texto e incrível experiência.
Nos faz pensar em como os estereótipos nos levam a julgar as pessoas quando elas às vezes só querem uma amizade. Ainda temos muito o que aprender.

Brazilian Escorts disse...

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