quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Quando Descobrimos Que Tempo é Realmente Dinheiro




Se existe uma frase que ouvi por muito tempo em minha vida e nunca consegui fazer uma associação até hoje, com toda certeza é a frase que inspira o título do texto: Tempo é dinheiro. É simples, claro e direto. Mas levei anos para deixar a ficha cair e compreender seu real significado.

Estar trabalhando, ainda mais em um país que não vive seu melhor momento, é um presente. Mas dinheiro não é tudo. É a compra do seu tempo. Trabalhar em algo é ocupar os momentos que são livres com atividades de todos os tipos. Algumas pessoas dão a sorte de trabalhar com algo que são apaixonados ou possuem afinidade. Assim, o trabalho se torna prazer, acima de qualquer obrigação. Mas mesmo assim continua sendo trabalho. E nosso trabalho não pode definir quem somos. É uma parte significativa de nós, mas não é tudo. Não é o “todo”.

São oito horas que vendemos para alguma empresa/função e somos pagos. Levamos mais quatro horas, divididas em duas, para nos locomovermos do trabalho para casa e de casa retornando para o trabalho. No fim, não são 12 horas que não temos para o que gostamos. Seja escrever, ver série, filme, ler um livro ou ouvir sua coleção de CDs. É tempo, o seu tempo, que acaba não sendo mais seu, mas de onde você trabalha.

Mas perder 12 horas não pode/deve ser ruim, afinal, tem dinheiro no final do mês, que é a sua/minha/nossa recompensa. Só que além dessas 12 horas, temos outras 8 horas em média (deveria ser assim) que passamos dormindo. Dormimos ou deveríamos dormir oito fucking hours. Mas é claro que isso é só na teoria. Na pratica acontece tudo diferente. Dormimos de 4 até 5 horas por noite e nos sobram 7 horas. Sete horas para ler, ver filme, série ou só ficar navegando pela internet e fazer textão no Facebook. Mas são sete horas que você tem pra você. Que eu posso me divertir um pouco e que todos nós compartilhamos por aí, juntos ou não.

O seu suado dinheiro vem do seu tempo. Do seu momento. Longe de mim iniciar qualquer questionamento científico ou algo assim. Mas só sei que nunca mais consegui pensar em tempo/no tempo, de uma maneira diferente. O tempo acaba levando nossos melhores anos, dedicação e, às vezes, melhores momentos. E o preço, nem sempre, é cobrado em dinheiro... Mas em solidão, solitude e no ser solitário que podemos acabar virando.

Assunto pesado, né? Aproveite sua quinta-feira e tente não pensar muito sobre o que escrevi. Afinal, carnaval tem mais no sábado e depois só nas Olimpíadas. Ou você pensou que isso não iria acontecer? Vamos lá, somos o país do carnaval (porque do futebol faz tempo que não somos mais). 

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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