sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Sobre Racismo (e Outros -ismos)





O texto de hoje é difícil.

O racismo é uma chaga no Brasil, tão pesado que as pessoas nem se dão conta do preconceito que muitas vezes têm e exercem em suas vidas. Já vi gente dizer que não gosta de negros na minha frente e ainda soltar a pérola, "mas você não é negro"... Como assim? 

Quando se chama uma pessoa negra de morena porque não quer constrangê-la, isso é preconceito. Desde quando ser negro é motivo de diminuir alguém? É o mesmo que achar que chamar alguém de gay é ofensa. Não é. Nunca foi. Como também não acho que chamar uma mulher de puta é ofensa; ninguém sabe porque uma mulher se tornou uma prostituta, elas trabalham, sustentam famílias e são mais dignas que muitas donas de casa que passam o dia falando mal da vida alheia, agindo de forma preconceituosa, proibindo seus filhos de serem o que gostariam de ser e propagando que são mulheres de honrosa reputação. Faz-me rir.

Para mim honra não é nada disso. Honra tem a ver com ser digno. E isso não tem a ver com quem a pessoa transa ou deixa de transar, nem tampouco com o fato dela ser negra, branca, amarela, azul, cor de rosa. Conheço pessoas religiosas que se consideram honradas, mas não aceitam seu irmão negro. A igreja mórmon, por exemplo, não aceitava negros em suas fileiras, mas quando precisou expandir para o resto do mundo inventou uma "revelação vinda dos céus pelo próprio Deus" que agora aceitava negros, porém, o preconceito continua. Negros ainda são mal vistos por estes religiosos e isso é apenas um exemplo, porque existem muitas outras seitas assim.

O pior de tudo isso ainda está em usar o nome de Deus nesse papo todo. Se esse Deus existe e criou pessoas tão diferentes, por que gostaria de ter pessoas melhores que outras se ele mesmo diz que é amor? Louco isso e, afinal, que Deus é esse? O problema não está em cima, no céu, e sim aqui embaixo, no inferno que é a Terra e ter que conviver com as idiossincrasias das pessoas. Viver em grupo é complicado, pior quando um grupo se acha superior a outro grupo. Fundamentalistas são extremamente perigosos.

E com tantas searas como é nosso país, ainda temos que lidar com o preconceito da própria pessoa consigo mesma. Negros que preferem ser chamados de pardos ou morenos. Por favor, vocês são negros, está bem? Não fodam com tudo e tenham orgulho de quem são e, caso não consigam, existe terapia. Ou lobotomia. Vocês não imaginam o mal que causam a tanta gente deflagrando esse preconceito absurdo. Se aceitem!

E para os que se aceitam, lá vem a sociedade botar o dedo na cara e dizer que não quer, não precisa, não gosta. Mas não se deve desistir nem agir como aquele que prefere ser pardo do que ser negro para pode ser aceito nesta maldita sociedade. Ser feliz consigo mesmo é um preço que vale a pena ser pago. Muita gente morreu para que hoje possamos andar nas ruas de cabeça erguida; devemos honrar essas pessoas.

E eis que eu volto naquele velho assunto nosso. Educação. O ponto a ser discutido começa aí. Eu recebi educação para saber como tratar o outro, mas hoje em dia educação é palavra rara. Ela começa em casa e deveria ser estendida para as escolas, já falei sobre isso milhões de vezes e nunca cansarei de repetir. Educação é a base para salvar as pessoas e eliminar qualquer tipo de intolerância, racismo (ou qualquer outro -ismo).

Ser negro, gay e nordestino num país com tantas mazelas como o Brasil não é nada fácil. Poderia ser, deveria ser porque vivemos numa terra miscigenada, contudo e infelizmente, não é.

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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