sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Sobre Rihanna





Rihanna costuma se jogar de cabeça em seus trabalhos, ela não está nem aí para o que pensam dela. Aparece fumando o cigarro do demo, aloprando tudo o que tem direito no carnaval de Barbados e, quando apanhou do namorado Chris Brown, sua imagem com o rosto desfigurado correu as redes sociais. O cantor foi preso, mas ela gravou um dueto com ele, o que enfureceu o movimento feminista que não gostou nadinha disso. Ela manda o bom senso às favas, gerando controvérsia.

Em seu novo clipe, aliás clipes, porque ela fez dois com dois diretores diferentes — Director X e Tim Erem — mais uma vez está lá a Rihanna controversa. Em Work, a garota usa e abusa do bate coxa, rebola o popozão, segura o tchan e desce até o chão. Se esfrega o quanto pode no Drake, seu parceiro na música, que mais uma vez dividiu opiniões, mas o que interessa aqui são os clipes. 

No primeiro vídeo ela parece estar numa pocilga à beira de estrada com todo mundo endoidecido e suas amigas rebolando como ela, os homens ficam lá passivos, apreciando tudo e incentivando. Drake é o mais passivão de todos, uma pena, já que um bofe como aquele tinha mais era que se exibir no clipe, mas como a estrela é Rihanna é ela quem comanda a situação. Enquanto no segundo vídeo ela está junto com Drake numa sala cafonérrima rosa.


O forte apelo sexual está presente nos dois vídeos; um é mais explícito que o outro, mas a mensagem é a mesma. Ela quer festejar com seu homem, quer fazer com que ele trabalhe bem, que mande ver. É o empoderamento feminino; a mulher diz o que quer e como quer. Vivemos numa sociedade machista, sexista, racista. São muitos -istas com que temos que conviver. Muitas opiniões e informações que nos saturam todos os dias. Nunca houve, nem acredito que haverá algum dia, uma verdade absoluta. Devemos compreender que determinadas manifestações artísticas são pontos de vista. E ninguém deve viver preso a estes pontos, muito menos o próprio artista. 

Claro que sempre vão existir os detratores, isso faz parte, unanimidades não existem,  principalmente neste mundo tão conectado onde o público participa integralmente da vida do seu artista preferido. Acompanham tanto o que fazem como o que não fazem, suas vidas se tornam literalmente públicas. Rihanna usa e abusa dessa interatividade, sua música está aliada à sua imagem, prova que seguiu os ensinamentos dos reis do pop Madonna e Michael Jackson.



E Rihanna sabe que como artista precisa estar atenta à sua essência, sabe que é assim que o seu público gosta de vê-la, sendo ela mesma, autêntica. Rihanna é uma trabalhadora incansável: em onze anos lançou oito álbuns e, para alguns, talvez seja a hora de umas merecidas férias. Work não tem nada de novo e o(s) clipe(s) é(são) inferior(es) a muitos trabalhos da cantora, mas Rihanna não liga pra isso já que o vídeo bateu a impressionante marca de doze milhões de acessos em apenas um dia. Ela não está preocupada em se reinventar como Madonna ou mostrar que é uma grande cantora como Beyoncé. O que fica claro em seu trabalho é que ela tem consciência do seu talento e quer se divertir. E talvez seja apenas isso que importa, não é mesmo? Se divertir fazendo o que gosta e quem não gosta de um bom sexo?
OBS: Estou saindo de férias. Voltarei em abril, mas deixarei vocês com alguns dos meus queridos amigos que irão desfrutar das próximas sextas e eu gostaria que eles fossem recebidos aqui neste cantinho que tanto prezo com o mesmo carinho que eu sou recebido sempre. Beijos e até logo.
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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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