sábado, 13 de fevereiro de 2016

Teorias Sobre Monogamia e Relacionamentos Abertos





Nos divertimos com os "errados" até encontrarmos o "certo". Transamos com quem temos vontade e com quem nos é recíproco, sempre que quisermos. Sexo por sexo é bom, é ótimo, mas o que todos almejamos é aquele alguém especial que nos fará ver estrelas, ouvir sinos, e desejarmos que ele seja único na nossa vida pra sempre. Alguém a quem dedicaremos cega e total fidelidade. Porque, como num passe de mágica, o amor da nossa vida, a pessoa certa e especial com quem dividiremos a vida a partir de então, sublima qualquer desejo que possamos ter por outras pessoas. Mesmo que existam mais de 7 bilhões de humanos no mundo, e que amor e atração sexual não estejam necessariamente e intrinsecamente ligados. Certo?

Certo, para muitos. Mas para outros tantos, errado. Desde que o mundo é mundo a monogamia entre casais é via de regra, mas homens sempre foram infiéis à suas esposas. O machismo e a hipocrisia sempre reinaram em todas as sociedades, de todas as Eras. Homens traíam porque era de sua natureza, e as mulheres deviam aceitar caladas. Por isso, tão antigo quanto o mundo e a infidelidade masculina, é a prostituição feminina. 

O tempo passou, o mundo mudou, as mulheres conquistaram direitos e liberdade, tudo se modernizou, vivemos a Era das tecnologias cada vez mais avançadas, mas o tabu da monogamia e da fidelidade ainda permanece. Mesmo em tempos onde fala-se de poliamor, a fidelidade absoluta entre casais ainda é ditada como regra. As mulheres não engolem mais caladas traições de seus maridos/namorados/noivos, mas ainda são mais complacentes com a infidelidade deles, do que eles com as delas. Uma mulher que trai seu parceiro, ainda hoje é absurdamente mal vista, e se o traído em questão perdoa a esposa/namorada/noiva infiel, é rotulado de corno manso pra baixo. Já ela, quando perdoa, é a compreensiva, a mulher apaixonada que entende que um deslize é normal.

Mas isso tudo é no universo dos casais tradicionais, dentro da hétero-normatividade. Como funciona quando se trata de casais do mesmo sexo?

Inconscientemente ou não, em nossas relações homo-afetivas, tendemos a seguir pelo mesmo caminho hétero-normativo. Queremos, desejamos ardentemente uma relação repleta de amor e absolutamente monogâmica, mesmo sendo homens e, exatamente por isso, loucos por sexo. Segundo pesquisas, mulheres são tão loucas por sexo quanto homens, mas todos sabemos que elas exercem um melhor controle sobre sua libido, e tem toda a coisa delas serem mais sentimentais que carnais. Mas continuando, gays masculinos querem manter um relacionamento amoroso, esforçam-se em ser monogâmicos, mas não conseguem, em algum momento sempre fracassam nesse propósito. Não quero aqui generalizar, pois toda a regra tem suas exceções mas, infelizmente ou não, é assim que a banda toca no universo do arco-íris.

O ideal então seria gays permanecerem solteiros, só curtindo as delícias do sexo casual, quando, onde e com quem quisessem, sem enganar e magoar ninguém, não é? Talvez. O problema é que as bicha tudo querem casar. Dormir de conchinha, viajar juntas pra praia no feriado, ter companhia pra assistir seriado, mudar status no Facebook, mas não seguram o rojão de manterem-se fidelíssimas ao parceiro. Resultado: uma profusão de relacionamentos abertos entre casais gays. Prática cada vez mais comum entre eles. É só dar uma zapeada rápida pelos apps da vida e você verá uma quantidade grande de casais procurando um terceiro pra apimentar a relação. Como lidar?

Pra mim, que sou extremamente careta, tradicional, "puritano" e irritantemente romântico, tive os piores pensamentos quando comecei a conviver com pessoas adeptas a esse tipo de relacionamento. Mas como procuro sempre abrir minha mente pro novo e sair da caixinha, passei a analisar friamente as tais relações abertas e repetir interna e sucessivamente o mantra: o que é bom pra mim não é necessariamente bom para o outro e vice-versa.

Dessa forma, consigo encarar com certa leveza essa escolha de tantos conhecidos, e pondero, com base em uma conversa recente que tive com um amigo casado há 7 anos: não é melhor ser honesto consigo mesmo e com o outro, bancar uma relação aberta, admitindo que o outro tem desejos alheios aos seus e viver a paz de um amor tranquilo, do que não abrir mão de um casamento monogâmico, onde ambos traem-se, sabem disso, mas fingem que não?

Meu amigo diz que não suportaria uma relação aberta, prefere se separar e viver sozinho na putaria. Mas, e toda a história que os dois construíram ao longo desses 7 anos juntos, não vale de nada, simplesmente porque tanto um quanto o outro sentem desejo por outros corpos? Cabe aí um bom e longo diálogo.

Não estou aqui defendendo a monogamia, tampouco os relacionamentos abertos. Justo eu, que nunca vivi um relacionamento amoroso, pobre de mim, sou cheio das teorias e, sinceramente, não sei como será quando estiver em uma relação. Sei apenas do que desejo, e podem apostar, desejo um conto de fadas, mas como sei que eles não existem, já me preparo psicologicamente pra proposta que farei ao meu futuro marido: se sentir vontade de transar com outra pessoa, me conte, darei carta branca pra transar com quem quiser, desde que eu não saiba e não veja. Terei o mesmo direito, com as mesmas regras. 

Cair na putaria de cabeça, contar detalhes pro parceiro, transar à 3, fazer suruba, é demais pra mim, ainda não atingi esse nirvana nem na teoria. O que os olhos não veem o coração não sente. E já que não existe fidelidade entre casais do mesmo sexo, quero viver essa ilusão. Não me deixe saber de nada. Não sou ingênuo para acreditar que não há atração por outras pessoas, mas finja que sou o único que você deseja. "Pequenas porções de ilusão, mentiras sinceras me interessam", já decretava Cazuza, que de monogâmico não tinha nada. 

Leia Também:
Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
FacebookTwitter


Nenhum comentário: