quinta-feira, 31 de março de 2016

Como Maratonar Séries ou Ser Um Binge-Watching




Quem nunca maratonou uma série levante o braço. A cada dia é raro encontrar alguém que não tenha perdido um final de semana ou o mês de férias viciado em um seriado. Mas caso você se encontre nessa situação, não se preocupe. Decidi ser amigo fiel e irmão camarada. Preparei um guia para quem ainda não se jogou no mundo maravilhoso da maratona de séries.

Não basta sentar sua bundinha no sofá e ligar na Netflix e sair assistindo episódio após episódio. Isso é para amadores. Maratonar uma série ou se iniciar na arte do binge-watching exige bem mais de você. Vem comigo que no caminho te explico!

quarta-feira, 30 de março de 2016

O Amor Fora do Gueto





Noite de segunda-feira, São Cristóvão, Rio de Janeiro. O ônibus da linha 461 faz a sua última parada antes de retomar a rota circular até Ipanema e voltar. A porta se abre e os passageiros começam a descer, contrastando o ar condicionado do coletivo com o quente bafo da calçada próxima à estação de trem do bairro. Entre eles, um rapaz, que foi recebido por outro com um largo sorriso e um caloroso abraço.

O homem, literalmente, o agarrou, o encheu de palavras efusivas de amor e os dois se beijaram. Ambos transbordavam de felicidade. Poderiam não se ver havia tempos. Ou mesmo simplesmente passaram o dia de trabalho longe do outro. Saíram de mãos dadas pela calçada, provavelmente em busca de outro transporte, já que a estação é um famoso ponto de baldeação da capital. 

terça-feira, 29 de março de 2016

Cotidianos Múltiplos - Romance





No penúltimo conto eu retrato duas histórias românticas que teriam sido lindas se tivessem acontecido desse jeito. Duas pessoas feitas uma para a outra e, ainda assim...

segunda-feira, 28 de março de 2016

TOP 05: Músicas Para Amores Pseudo-Superados





Eu sou apaixonado por música. Vivo cantarolando distraído pela vida, me emocionando ou me divertindo com algumas canções. E uma coisa sobre a música (e a literatura, e o cinema) é que ela não existiria sem as dores de cotovelo. Afinal, são as dores de amor que inspiram tantos compositores e artistas mundo afora.

Para a minha coluna de hoje, resolvi fazer um pequeno apanhado com músicas de pseudo-superação. Sabe quando você toma um pé na bunda e precisa provar que está bem, mesmo ainda estando com o coração em frangalhos? Pois esse TOP 5 traz músicas que tentam provar isso para o objeto amado. E falham miseravelmente.

Dessa forma, para a sua diversão (claro, se você não estiver tentando superar alguém e achar essa lista apenas engraçadinha, o que é a intenção), seguem cinco hinos da pseudo-superação afetiva. Vamos cantar junto!

domingo, 27 de março de 2016

PrEP: Você Tomaria um Medicamento, Mesmo Sem Estar Doente?





Você tomaria um medicamento, mesmo que não estivesse doente? E estou falando de medicamentos fortes e que podem ter efeitos colaterais bastante incômodos. Pois saiba que muitas pessoas responderiam SIM sem titubear. Mas, por quê? Porque existem pesquisas, inclusive no Brasil, que têm comprovado que o uso de uma combinação de medicamentos presentes no Truvada protege da infecção pelo HIV em quase 100%! É o que chamamos de PrEP, que é o uso de medicamentos antes de se expor ao vírus. 

Isso já seria um bom motivo para repensar sua resposta, se ela foi NÃO, não é mesmo? Mas, agora, vamos aos pontos positivos e negativos dessa maravilha da ciência: 

sábado, 26 de março de 2016

Azul Escuro





As luzes piscantes. A batida do som, repetida. A fila do bar lotada. Os go-go boys sarados, suados, com micro-sungas brancas em suas performances rebolativas. Bichas batendo cabelo, outras fazendo carão. Gente bêbada. Gente frustrada. Num canto, os bombados discretos, no outro as pintosas afetadas, na eterna e cansativa segregação gay. Meu amigo tinha se enfiado no dark-room. O carinha que eu tinha beijado há uma hora já estava se agarrando com a quarta pessoa depois de mim. Passavam das quatro da manhã. Eu já estava de saco cheio daquele circo. Bebericando uma caipirinha de limão, tudo o que eu pensava era que só queria encontrar alguém legal naquela boate, alguém que eu pudesse enxergar à luz do dia, no dia seguinte, alguém que não fosse apenas mais um rosto e uma boca aleatória na multidão.

O calor estava insuportável e eu morrendo de vontade de tirar a blusa, mas diante de tantos corpos malhados, desisti. Sempre fui meio gordinho, fora de forma e nunca tive coragem de ficar sem blusa na balada. E em meio a esse pensamento sobre corpos e a ditadura da beleza no meio gay, ele surgiu entre nuvens de gelo seco e o brilho dos estroboscópios, lindo feito um deus. Fiquei atônito, com a respiração suspensa por segundos, de repente não consegui pensar em mais nada. Vi-o entrando no banheiro, fui atrás sem pestanejar. Sabia que jamais teria uma chance com aquele homem monumental, mas precisava olhá-lo até que ele sumisse do meu campo de visão pra sempre. Me lembrei de uma canção de Ana Carolina e Seu Jorge que diz "eu não sei parar de te olhar, eu não me canso de olhar, não vou parar de te olhar...". 

sexta-feira, 25 de março de 2016

"A Monogamia e as Religiões São Delírios Coletivos"





Eu inicio esse texto me apropriando do título de um vídeo do Welson Barbato, psicólogo e psicanalista, para o canal Casa do Saber, do YouTube. Esse vídeo discorre sobre um assunto que sempre permeou meus pensamentos e o psicólogo em questão traz o assunto à luz do pensamento de Lacan. Ele faz a introdução do assunto com a seguinte colocação: 
“A monogamia e as religiões são delírios coletivos. Por que delírios? Porque sustentam a existência de um objeto que me satisfaz plenamente.”
Lembro bem quando eu era bastante jovem e me entendi como gay, ainda na transição de minha infância para minha pré-adolescência. Eu, que morava em uma cidade do interior, pensava sempre naquele ideal de casa dos comerciais de margarina, onde eu me casaria com alguém, teria uma casa super legal e, quando economicamente estável, passaria a ter meus dois filhos. Tudo isso permeado, claro, pelo pensamento de fidelidade eterna. Ledo engano. Conheci pessoas, namorei e fui muito desapontado bem como desapontei. Alguns dos relacionamentos seguiram por um bom tempo, outros nem tanto tempo assim, mas uma coisa foi mudando: o meu modo de pensar a respeito de temas como companheirismo, fidelidade e qualquer assunto que siga em torno do relacionamento a dois. 

quinta-feira, 24 de março de 2016

Academia: Mesmo Ambiente e Novas Regras





Academia é o pavor de algumas pessoas, posso falar por minha experiência no assunto. Depois de uns anos, cinco se não me engano, decidi que era hora de retornar. Não lembro bem o motivo que me fez parar, mas não é preciso pensar muito no assunto. Qualquer outra coisa é mais divertida do que ficar em um ambiente que é tudo, menos confortável. Academia é um lugar hostil. Existe a galera que frequenta regularmente, mais do que a própria residência, e existe o povo que tenta gostar daquilo, se animar com aquela rotina, mas não consegue.

Lembro que na minha antiga academia existia certa aposta entre os membros fixos. Sempre que alguém novo chegava, o povo tentava adivinhar quanto tempo aquela pessoa ficaria até desistir. Em alguns casos, todos acertavam. Mas entendia cada um daqueles “desistentes”. Ao chegar a uma academia, sentimos todo aquele ambiente opressor, pessoas mais “fortes” que você por todos os lados, com uma postura de leões disputando o seu reinado em plena selva. Assusta. Tudo isso é como se você fosse o aluno novo da escola e todos os grupinhos já estivessem formados, e você não ter a permissão de fazer parte de nenhum. Talvez isso tenha colaborado pela minha desistência uns anos atrás. Talvez não.

quarta-feira, 23 de março de 2016

À Sua Imagem e Semelhança





Estamos às vésperas da Semana Santa, aquela que culmina na Páscoa. E Páscoa fala de renovação, seja você cristão ou não. Especificamente no caso de Cristo, para quem acredita nos escritos da Bíblia (ou para quem os enxerga em boa parte como metáfora, como eu), simbolizou a vitória da vida sobre a morte, num recado claro de que ideais estão muito acima da matéria. Desde a vinda do nazareno a essa Terra, há mais de 2 mil anos, muita coisa já se passou por essas bandas. Mas o povo, não só o hebreu, parece não ter aprendido exatamente essas mensagens.

As religiões, em sua essência, são também uma grande metáfora da humanidade: acreditamos tanto em um Deus que nos criou à sua imagem a semelhança quando, na verdade, o criamos também a nossa imagem e semelhança no nosso imaginário coletivo. Esse é o motivo de vermos tanto na mesma Bíblia de um Deus que oscila entre momentos impiedosos e irados e outros dóceis e repletos de amor.

terça-feira, 22 de março de 2016

Cotidianos Múltiplos - Escuridão




E aí, gente, tudo certo?! Vou fazer uma introdução rápida aqui, beleza? Eu andei conversando com um grupo de pessoas que estão passando por diversas situações em suas vidas. Luto, depressão, términos de casamento, alcoolismo, enfim e enfim. Foram várias experiências tristes ali compartilhadas, eu ouvia tudo atentamente (estava acompanhando um amigo que está passando pelo processo do luto) e várias histórias me chamaram atenção. A forma como eram contadas, usando analogias, transportando seus problemas para outras dimensões, criando cenários, situações que, em suas mentes, deveriam ter acontecido, mas que não aconteceram. Foi aí que eu resolvi trazer algumas dessas situações para o Barba, sem comprometer a identidade de ninguém e, é claro, com a autorização de cada um.

Foi assim que surgiu o primeiro de três contos isolados: 

segunda-feira, 21 de março de 2016

Suricatos na Savana





O carnaval se foi (mentira, ainda estamos tendo focos de carnaval pelo país. Como brinquei no Facebook, tivemos o Carnacoxinha, no domingo passado, e na última sexta o Carnapão com Mortadela; abadás verde e amarelo ou vermelho, à escolha do freguês), mas as boas lembranças da festa de Momo sempre ficam guardadas em nossos corações. Acho que já falei aqui, mas repito: carnaval, pra mim, é o melhor feriado do ano. É amor demais, gente!

Nesse ano em específico, a diversão era garantida. Morar no Rio de Janeiro tem dessas coisas: você só viaja para curtir o carnaval se quiser, já que tem a cidade cartão postal do mundo te oferecendo uma das festas mais insanas, bastando que você saia de casa, sem  nem precisar gastar dinheiro. E, com isso, sua casa acaba virando o destino de amigos de fora, que tem no feriado a desculpa perfeita para aparecer. Foi assim que minha casa se transformou em um semi albergue, recebendo um amigo português, um paulista e alguns agregados de todos, que surgiam de última hora, além de ser o ponto de encontro para a saída pros blocos e festas, o lugar oficial do esquenta. Fazer o que, né? Afinal, a gente ama muito tudo isso.

domingo, 20 de março de 2016

Daqui a 20 Anos Pode Ser Muito Tarde





Essa foi a semana mais conturbada da nossa história mais recente. Os fatos se atropelaram de uma maneira tão rápida que foi até difícil entender tudo o que estava acontecendo. Tornamo-nos um país tão polarizado que, dependendo da sua opinião você já é encaixado num espectro político que, às vezes, está longe de ser o seu de verdade. Sobre isso todo mundo já falou, e eu peço a permissão pra usar esse espaço plural para compartilhar o meu desafio desses últimos dias. Procurei ler muitas opiniões de todos os lados, li especialistas em Direito e debati pelas mídias sociais com pessoas contra e a favor do governo. Mas o maior trabalho estava onde eu menos esperava: na sala de aula. 

sábado, 19 de março de 2016

Uns Abraços, Uns Sorrisos e Alguns Silêncios Sufocantes






E no meio daquele monte de fotos e perfis, achei que você seria apenas mais um. Tentei a sorte, mandei meu "oi". Você respondeu, como fazem dezenas, "oi". Mais algumas meia dúzia de frases repetidas e cansativas e fiz o que poderia parecer precipitado, pedi seu contato. Surpreendentemente você passou. Alguma coisa em você parecia especial, poderia ser só minha vontade louca de que fosse especial, mas seu olhar e sorriso tão doces num cenário solar me fisgaram de um jeito insistente.

Te mandei uma mensagem privada e esperei. Você demorou pra responder. Insisti. Então veio a esperada resposta. Diálogos curtos, rápidos, você parecia menos interessado. Mas alguma coisa me dizia que você era muito interessante. Uma semana depois, o convite para um primeiro encontro. Mal acreditei. Os outros enrolavam semanas a fio, às vezes, mais de um mês, e quase sempre me deixavam a ver navios. Tenho uma lista de "primeiros encontros frustrados". Mas com você procurei não criar muitas expectativas, até o último momento esperei receber uma mensagem sua desmarcando. Felizmente (acho) não aconteceu.

sexta-feira, 18 de março de 2016

O Caminho dos Ídolos





Não há coisa mais mainstream do que trintões ou quarentões relembrando com passadismo como as coisas eram em sua infância, reavivando as melhores memórias (afetivas) de seu tempo e emendando ainda com jargão já bem desgastado: “Ali sim era infância! Era muito melhor que hoje em dia!”. É certo que cada época tem suas alegrias e dissabores, e uma simples decrescência cronológica não implica superioridade nenhuma, mas vai dizer isso para os tradicionalistas! Passionais como são, te enfiarão numa máquina do tempo na mesma hora, e quando menos perceber, estarás dentro do Pac-Man, correndo dos fantasminhas...

E quem sou eu para, em 2016, ser mais um conservador a reclamar a volta da minha época áurea? Não faria nunca isso, tenham certeza. O caso é que andei pensando muito numa coisa do mundo atual que é totalmente diferente de outrora. Preparado para a maior quantidade de deslikes possíveis, tomei coragem e agora lanço a bomba: 
“VIVEMOS NUMA ÉPOCA SEM ÍDOLOS!”
Como assim? Elucidemos com um breve retrospecto:

quinta-feira, 17 de março de 2016

10 Motivos Para Ouvir e Viciar em ANTI, Novo Álbum de Rihanna




O ano de 2016 nem bem começou e já possui o álbum mais controverso do ano: ANTI, da Rihanna. E como sou completamente apaixonado por música, e fiquei fascinado por esse CD, resolvi listar nada mais nada menos do que 10 motivos para você ouvir e viciar em ANTI.

Vamos à lista? E prepare-se para também amar o novo trabalho da cantora!

quarta-feira, 16 de março de 2016

Vou-me Embora pra Latibom





Vou-me embora pra Latibom. Lá, sou amigo do Rei. Na verdade, lá eu sou o Rei. Latibom só tem dois habitantes. Ou melhor, só habitou a cabeça de duas pessoas: a minha e a de minha irmã. Tem cheiro de infância, gosto de Nescau e biscoito Maizena. Tem casquinha de joelho ralado de quem está aprendendo a andar de bicicleta e livro de caligrafia de quem rabisca o seu primeiro beabá.

No fim da década de 1980, eu e minha irmã éramos duas crianças felizes. Sempre muito grudados, com uma conexão surreal em pensar e falar as mesmas coisas. Entender e errar também. Não à toa, naquele ano de 1988, Angélica fez um sucesso estrondoso com seu Vou de Táxi. Daí surgiu Latibom. Nossos ouvidos e cabeças entendiam, juntos, que a loira cantava: 
“No espelho. A cor do batom. Lembro o beijo. Foi pra Latibom...” (em vez de “lá de bom”).
Logo, se aquela nossa recreadora matinal, segunda loira mais importante em nossas televisões (sorry, Sra. Huck, mas nós sempre fomos mais fãs do Xou da Xuxa), queria pegar o mais famoso táxi da música brasileira para ir pra Latibom, por que nós não quereríamos?

terça-feira, 15 de março de 2016

O Lado Real da Vida Virtual




Essa ideia tava me incomodando desde o ano passado, mas é o tipo de ideia que não dá pra, simplesmente, jogar aqui e pronto. Eu precisava debater com alguém, ouvir opiniões (no caso ler, mas vocês vão entender), então eu resolvi pedir ajuda pra galera do Twitter, aquela rede social maravilhosa e, enfim, o texto surgiu.

Por ter uma visão de como o Twitter seria no mundo real, se ele não existisse, mas se agíssemos na vida real como agimos lá, eu resolvi estender pro restante das redes sociais. Claro, a ideia toda é muito complexa (já falei ideia três vezes, não vou repetir - ops, quatro vezes), mas o objetivo aqui é tentar simplificar a coisa toda, então vamos lá.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Ensaio Sobre a (Falta de) Visão





Na semana que passou eu tive uma pequena crise de estresse com sintomas físicos causados por chateações no trabalho. Um assunto que me envolvia diretamente foi conduzido de uma maneira amadora e eu fiquei tão irritado com a situação, com uma raiva tão acumulada que, quando me dei conta, minha visão ficou turva e eu fiquei durante alguns bons minutos sem conseguir enxergar direito. Acho que minha pressão baixou um pouco e, com a irritação em níveis estratosféricos, o sintoma físico acabou surgindo. Acho que aprendi que, às vezes, você ouve barbaridades e é melhor partir logo para o enfrentamento do que fingir naturalidade; a minha saúde agradece.

Entretanto, foi a sensação de ter a visão minimamente prejudicada que me faz escrever esse texto. Eu não tenho nenhum problema de visão. Não uso óculos, enxergo bem de perto e de longe e, por isso, ver é algo natural, no qual eu não paro pra pensar sobre. Afinal, basta abrir os olhos e o mundo se descortina para mim. Ter esse sentido comprometido, mesmo que por alguns minutos, foi desesperador e me fez pensar: e quem não consegue enxergar?

domingo, 13 de março de 2016

Parem de Culpar a Geração Y





Não há coisa mais irritante e pejorativa do que uma empresa acreditar que está fazendo um favor de te manter empregado. Não, não é um favor. Os empregados produzem (e muito) e por isso continuam empregados. Em tempos de crise econômica, é impressionante como automaticamente surgem experts em finanças e caos. Aparentemente todo mundo consegue prever o futuro e se gabar de ter sobrevivido em meio à falências e portas fechadas pelo país inteiro. A questão é que, vamos combinar, a moeda tem dois lados: se uma empresa sobreviveu, mesmo com a crise, significa que precisou manter seus funcionários. Caso todos resolvessem pedir demissão para tentarem empreender por conta própria, a empresa não produziria nada e, consequentemente, fecharia. Acho que isso deixa bem claro que um precisa do outro, e ninguém tá fazendo favor para ninguém. 

A falta de empatia nas relações profissionais vão levar as empresas para o buraco. Me sinto humilhada quando sou tratada como uma máquina, que você compra numa loja, liga na tomada e ela funciona perfeitamente. Pessoas não são eletrônicos, não são ligadas na tomada e nem continuarão fazendo isso por muito tempo sem desenvolver uma depressão severa ou um surto de estresse. Quando a empresa condiciona seus empregados à condições sub-humanas de trabalho, à pressões psicológicas e ameaças diárias, fatalmente vão gerar um corpo profissional desestimulado, desinteressado e improdutivo. Ainda que a demissão seja uma atitude paliativa – para não dizer desesperada –, o custo de rescisões, admissões e de treinamento de novos funcionários é tão alto que não compensa a pose de chefe-absoluto-majestade-salve-salve. 

sábado, 12 de março de 2016

A Homofobia de Benedito Ruy Barbosa (ou Quem Fala O Que Quer...)





Na última quarta-feira, foi divulgada nas mídias sociais uma declaração do novelista Benedito Ruy Barbosa. Declaração esta que deixou em polvorosa a comunidade LGBT, por tratar-se de uma "opinião" homofóbica. Benedito disparou:
“Odeio história de bicha! Pode existir, pode aceitar, mas não pode transformar isso em aula para as crianças. Tenho dez netos, quatro bisnetos e tenho um puta orgulho porque são tudo macho pra cacete. Não sou contra, não acho errado. O que acho é que quando eu tenho na mão 80 milhões assistindo minha novela, tenho que ter responsabilidade com as pessoas que estão me assistindo. Tenho que saber que tem muito pai que não quer que o filho veja, porque eles não sabem explicar, não sabem como colocar. Muita gente reclama disso para mim. O que não é justo é você transformar: só é normal o cara que é bicha, o que não é bicha não é normal. A mulher que é sapatona é perfeita, a que não é sapatona não é legal. É assim que estamos vivendo.”
O disparate foi dito na festa de lançamento da novela Velho Chico, estreia das 21h da próxima segunda, 14/03, uma ideia original do próprio autor, supervisionada por ele, mas escrita pela filha Edmara Barbosa e o neto Bruno Luperi. Disseram que a filha, aliás, ficou bastante constrangida com a verborragia insensata do pai, enquanto este emitia sua "opinião" à repórter que o entrevistava, tentando fazê-lo parar de dizer tais sandices, mas não adiantou. Benedito disse o que quis e a comoção da bicharada foi geral.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Mídia Democrática: O Que Isso Tem a Ver Comigo?




Olá, pessoal! É com enorme alegria que eu aceito o desafio de substituir por hoje Serginho Tavares, o meu malvado favorito e colunista das sextas-feiras aqui do Barba. E enquanto ele curte suas férias merecidas nas belas praias de Ibiza, a gente vai dando conta do recado por aqui. Pensei muito no que poderia escrever, mas como eu estou quase me formando em jornalismo e só penso no temido e odiado TCC, resolvi trazê-lo para este texto, pois o considero de grande importância social.

Já começo fazendo algumas perguntas que vão facilitar o entendimento sobre o tema. O que você faria se o transporte público de sua cidade deixasse de circular onde você mora? Ou que atitude tomaria se ficasse sem energia na sua casa por dois dias? E o que você faria se determinado programa de televisão desrespeitasse seu direito de escolher que religião seguir? Ou o que fazer se um programa de rádio agir de forma preconceituosa com negros, homossexuais, deficientes físicos, mulheres?

quinta-feira, 10 de março de 2016

Dica do Sil: Séries Finalizadas Que Todos Deveriam Assistir




Muitas pessoas vivem me perguntando sobre séries que recomendaria em uma maratona. Tantas outras me dizem que não conseguem gostar de séries, porque você precisa assistir todos os episódios de uma só vez e não aguenta esperar uma semana pelo próximo. Pensei nisso e decidi trazer para vocês dicas de séries finalizadas. Sim, são seres que já possuem um final e você pode assistir tudo, sem medo de ficar sem resposta para eventuais perguntas.

É apenas programar a sua maratona e se deliciar com essas histórias que marcaram época. Vamos às minhas dicas de hoje?

quarta-feira, 9 de março de 2016

O Mundo é dos Espertos?





Desde sempre eu ouço a máxima: “O mundo é dos espertos”. Admito, ser esperto em determinadas situações é bem bacana. Quando essa esperteza é sinônimo de ser safo, tomar decisões corretas. Mas, infelizmente, ser esperto no Brasil é muito mais (ou menos, dependendo da ordem de grandeza) do que isso. É exaltar o famoso “jeitinho brasileiro”; é aplaudir o tão conhecido “se dar bem em cima de alguém”, muitas das vezes flertando com a desonestidade; é perpetuar essa morrinhenta prática que tanto degrada e ainda continua degradando a nossa sociedade.

O pior nesse processo todo é vermos o quanto já nos acostumamos com essa situação. Quantas vezes já não recebi agradecimentos por ter avisado que a pessoa me deu troco a mais do que deveria (já até ganhei balinha como recompensa). Ou li matérias em que alguém que encontrou uma carteira ou objeto de valor devolveu ao seu dono e virou notícia. Como jornalista, sei que um dos pilares da notícia é o inusitado. Se não fosse inusitada, dificilmente uma matéria como essa seria veiculada. E assusta pensar que se tornou incomum hoje em dia justamente ser honesto! Devolver aquilo que alguém esqueceu, perdeu ou não se tocou. Ser premiado, ainda com um doce, por não subtrair o que não é meu.

terça-feira, 8 de março de 2016

Das Reflexões Que Minha Cadela Me Faz Ter





Eu tenho uma cadela que se chama Honda. Uma vira-lata linda, orelhuda, da língua grande, e um catiço. É sério, Honda é um catiço de cachorra. Lembram do Taz, dos Looney Tunes? Então, é Honda. E assim, o quintal? É dela! Ninguém além da família tem permissão pra entrar, e isso inclui os pardais e demais passarinhos que vêm pra cá por conta das plantas, os beija-flores, lagartixas que ficam na parede da varanda, sapos, gatos, essas coisas. E ela grita mesmo, tá gente? Grita de um jeito que eu acordo e saio desesperado pra ver o que é, isso lá pelas três, quatro horas da madrugada. Outro dia ela estava dentro do quarto dos meus pais, latindo com o vizinho, presta bem atenção. O cara estava na casa dele, subindo a escada pra ir pro terraço, e ela inconformada com aquilo. Eu falei: “Ô Honda, quer fazer o favor de parar?!”, e ela seguiu, inconformada, mas parou de latir, só ficou bufando, porque a movimentação estava incomodando ela. 

Outro dia estava eu deitado tomando café e Honda, num dos raros momentos de paz e quietude, estava deitada do meu lado, olhando pro nada, me fazendo companhia. Fiquei olhando pra ela e comecei a falar com ela (se vocês não fazem isso com os animais de vocês, não sabem o que estão perdendo): “Por que você não é sempre assim? Por que tem que sair gritando, alucinada? Nem tudo você precisa sair no grito não, sabia?”, e ela me olhava como quem diz: “Quê?!”. Mas ela me entende, essa cadela não é normal, o que é bom! 

segunda-feira, 7 de março de 2016

Esse Não Era Para Ser Um Texto Sobre Política...





...Mas parece que é impossível falar sobre outra coisa no atual momento do país. 

E olha, eu adoraria estar escrevendo sobre a eliminação da Ana Paula do BBB (sinceramente, acho ela uma puta jogadora, uma das melhores que já entrou naquele programa, mas, né, ela realmente não precisava do prêmio e acho que se perdeu nas estratégias que criou) ou sendo clichê e falando de amor, mas o país não deixa. E por mais que eu queira, não, não somos todos Glória. Mas também não somos todos cientistas políticos, donos das verdades incontestáveis e plenas, apesar de muitos acharmos que sim.

domingo, 6 de março de 2016

Menos Senso Comum e Mais Bom Senso, Por Favor!





É só abrir qualquer rede social (especialmente Facebook, aquela terra de ninguém cheia de “sabedores” de tudo e donos da verdade) que veremos uma chuva de frases feitas. Qualquer discussão é baseada em senso comum, aquelas justificativas que a pessoa nem pensa o que está falando, apenas repete o que ouve. 

O grande problema deflagrado por essa febre chamada internet é a falta de tolerância das pessoas, que não conseguem sustentar uma conversa sem partir para briga no primeiro momento em que são contrariadas. Não entendo a dificuldade das pessoas compreenderem o quão importante é a diversidade – inclusive de opiniões -, já que ninguém aqui é dono da verdade e podemos, sim, aprender com a experiência do outro. 

Mas o senso comum, esse bichinho que contamina as nossas relações, cega os mais desavisados. Habitar as redes sociais na época das eleições do ano passado, por exemplo, foi uma verdadeira catástrofe. Independente da posição política de quem esteja lendo esse texto (pois não estou aqui para fazer discurso), não dá para negar que os argumentos e discussões mais pareciam briguinha de criança, do tipo “meu candidato é mais legal que o seu e se você não concordar comigo vou falar pra minha mãe”

sábado, 5 de março de 2016

Breve História de Uma Pobre Alma





Alma Clara tinha o coração frágil e, naquele dia quente e cansativo como tantos outros, após mais um exaustivo dia de trabalho, encerrou o expediente e saiu atrasada e apressada para não perder o ônibus das 17 horas. Era um trajeto longo até sua casa, onde sempre chegava por volta das 20 horas e começava uma segunda jornada de trabalho, antes de deitar sua carcaça dolorida na cama de solteiro com colchão fino que dividia com a sobrinha de 10 anos, onde sentia todas as ripas de madeira, uma a uma em suas costas magras.

Morava em um barraco de dois cômodos com a avó acamada que mal se levantava da cama, três sobrinhos e um sobrinho-neto de 2 anos, filho da sobrinha mais velha de 16, grávida de 6 meses do segundo filho.

sexta-feira, 4 de março de 2016

Teatro e Trajes Não Cenográficos





Gente, vamos aprender a viver com todos e deixarmo-nos de atavismos provincianos, tresandando a mofo e naftalina. Essa do traje social é mais bolorenta que mofo em cisterna abandonada.

Vem o comentário a propósito duma regra que o Teatro Santa Isabel, no Recife (“O teatro é um equipamento público pertencente à Prefeitura do Recife” como é referido no site oficial do mesmo), em que “não é permitida a entrada de pessoas trajando bermuda, short, camisa sem manga, e chinelo, bem como portando alimentos e bebidas”. Os alimentos e bebidas deixemos de lado, pois aquilo não é um restaurante ou boteco, muito menos parque florestal para fazer piquenique, mas quanto à indumentária... Aí é que “a porca-torce-o-rabo”.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Dica do Sil: Livros Que Todo Mundo Dever Ler




Sou um apaixonado por livros. Gosto tanto que sempre que posso estou lendo alguma obra. Não me prendo muito ao gênero. Leio best seller, policial, YA (Young Adult), distopias... E pensando nessa variedade de histórias é que venho aqui dar a dica de três livros que vocês devem ler!

Estão novamente no ar, as Dicas do Sil!

quarta-feira, 2 de março de 2016

Rejeição





Começou como uma espinha ou um cabelo encravado. Algo incômodo tão perto de um corte cirúrgico. Depois, veio a dor. E uma inflamação digna dos mais purulentos furúnculos. Na sequência, o mesmo em outro corte. E assim toda a recuperação que corria perfeitamente dentro do esperado foi para as cucuias...

Sim, tá meio escatológico, tá meio baixo astral. Mas tudo isso tem se passado comigo e o motivo: rejeição à linha dos pontos internos. Já xinguei internamente os médicos que me atenderam, ainda mais diante do alerta que eles fizeram de que, a qualquer momento, outra ferida como essa pode eclodir no meu umbigo. Logo eu, que como revelei aqui no Barba Feita, sofro de onfalofobia.

Está sendo bastante doloroso e incômodo esse processo. Como qualquer rejeição. Foi sofrendo com a pequena ferida aberta em meu abdômen que notei como o ato de rejeitar machuca igualmente em sua conotação. Como pode ser dolorido e causar um ferimento tão purulento e infeccioso quanto aquilo que o nosso corpo reconhece que não é parte de si e expele na marra.

terça-feira, 1 de março de 2016

Teoria de Jonas





Gostaria de pedir licença pra contar uma historinha bíblica. 

Ah, não se preocupem, não vou pregar, nem nada, só que essa passagem sempre me chamou a atenção. Jonas era um cara legal, bacana, que servia a Deus. Até aí tudo bem. Certo dia, Deus disse pra Jonas ir até a cidade de Nínive pregar pro povo de lá. Jonas foi? Que nada! Jonas pensou: “O que?! Eu? Ir pra outra cidade pra pregar? Jamais, eu vou é andar de navio!”. E lá foi Jonas, todo feliz, todo contente, passear de navio, afinal, quem não gosta de um bom cruzeiro, né? (Tô falando assim, mas nunca fui, sempre tive vontade). 

Estava todo mundo lá, feliz, tranquilo, andando de navio, quando, de repente, uma tempestade se abateu sobre o navio e pronto, a coisa ficou séria, ninguém sabia o que fazer pra evitar que o navio afundasse. Começaram a jogar as cargas ao mar pra tentar aliviar o peso do navio, correram de um lado pro outro, cada um rezou pro seu deus, mas nada adiantava. Enquanto isso, nosso amigo Jonas, aparentemente alheio a tudo o que estava acontecendo, foi pro porão da embarcação fazer o que? Isso mesmo, tirar um cochilo. Quem nunca, não é mesmo?