segunda-feira, 7 de março de 2016

Esse Não Era Para Ser Um Texto Sobre Política...





...Mas parece que é impossível falar sobre outra coisa no atual momento do país. 

E olha, eu adoraria estar escrevendo sobre a eliminação da Ana Paula do BBB (sinceramente, acho ela uma puta jogadora, uma das melhores que já entrou naquele programa, mas, né, ela realmente não precisava do prêmio e acho que se perdeu nas estratégias que criou) ou sendo clichê e falando de amor, mas o país não deixa. E por mais que eu queira, não, não somos todos Glória. Mas também não somos todos cientistas políticos, donos das verdades incontestáveis e plenas, apesar de muitos acharmos que sim.

A semana passada foi movimentada. E tudo começou com uma revista semanal, a IstoÉ, antecipando a sua edição em dois dias, devido ao grande furo que apresentava na capa: Delação Premiada: Delcídio Conta Tudo. Uma mídia enlouquecida e, no mesmo dia à tarde, Delcídio do Amaral soltou uma nota em que dizia não confirmar o conteúdo da matéria da revista. Estranho, muito estranho, principalmente porque a matéria era assinada pela amante de José Eduardo Cardozo que, diziam os petistas (não é o meu caso, adianto), aproveitava-se do canal midiático para se vingar, já que Cardozo havia saído do Ministério da Justiça. Como eu disse antes, muito estranho. Vingança, panos quentes, uma forma de desmerecer a denúncia? Nunca saberemos.

Enquanto isso, o STF aceitava por unanimidade a denúncia do PGR contra Eduardo Cunha que, finalmente, passa a ser réu e poderá efetivamente deixar a presidência do Congresso, o que já deveria ter acontecido há tempos, vide o tipo de manobra que o cidadão faz para se manter no poder.

Entretanto, ninguém estava preparado para a última sexta-feira, quando um verdadeiro circo tomou conta do país. Com a Aletheia, a nova (e 24ª) fase da Lava a Jato em ação, o ex-presidente Lula foi o nome da vez, associado a esquemas de corrupção (que ainda não foram provados) e teve de depor coercivamente à Polícia Federal. Claro, a situação era midiática de qualquer forma: um ex-presidente, amado e odiado na mesma proporção, sendo levado a prestar depoimentos na PF, com tudo isso sendo transmitido ao vivo pela televisão.

Nos telejornais, à noite, havia um quê de sadismo. É inegável que Lula desperta ódio e paixão, mas a linha editorial, principalmente a da maior rede de TV do país, se contrapõe explicitamente ao folclórico personagem criado pelo ex-presidente. Mesmo mostrando o discurso de Lula depois do depoimento à PF, parecíamos ver um atestado de culpa, antes mesmo que isso seja provado.

E, vejam bem, eu não acho que Lula seja inocente. Pode não ser o Pai da Facção como muitos o estão pintando, mas duvido que seja um completo inocente que nada sabe, como faz questão de deixar transparecer. O processo político é sujo e para se chegar ao poder (e se manter nele) é necessário se jogar na lama. Em nosso país então, em que política envolve uma série de concessões e trocas de favores, o negócio fica ainda pior. O que penso, porém, é que a nossa mídia escolhe bandidos e mocinhos e os tratam desigualmente, haja vista a forma como o Aécio Neves, também implicado anteriormente pela Lava a Jato e em outros esquemas de corrupção no passado, é tratado pela imprensa como um salvador da pátria. Enfim.

Já nas redes sociais, o caos. Eu brinquei no meu Facebook e até atualizei o meu status na sexta à noite com uma piadinha:
Mas a verdade é que as pessoas escolheram seu lado e ficaram chatas, insuportáveis, cada uma com suas verdades e prontas para proferir seus julgamentos sobre o caso. A pátria amada idolatrada salve salve acordou de vez, com o som de panelaços, de aplausos à operações da PF, de movimentos a favor de um ex-presidente acusado de corrupção (e, talvez, potencialmente culpado), de defesas exageradas a uma presidente que é apenas decorativa e que parece viver em estado de impotência enquanto o país despenca ladeira abaixo.

Saudades de um tempo em que eu discutia Big Brother e isso era o assunto mais importante da semana, com as discussões inflamadas sobre os motivos de Ana Paula ter sido expulsa do programa depois de ter dado um tapa na cara no Renan. 

Saudades. De um tempo em que os tapas na cara estavam na televisão e não em nossas faces diariamente, dadas por nossos políticos e por aqueles que se inflamam. Por amigos que, agora, talvez não sejam mais amigos, apenas rivais em uma rede social...

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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