segunda-feira, 21 de março de 2016

Suricatos na Savana





O carnaval se foi (mentira, ainda estamos tendo focos de carnaval pelo país. Como brinquei no Facebook, tivemos o Carnacoxinha, no domingo passado, e na última sexta o Carnapão com Mortadela; abadás verde e amarelo ou vermelho, à escolha do freguês), mas as boas lembranças da festa de Momo sempre ficam guardadas em nossos corações. Acho que já falei aqui, mas repito: carnaval, pra mim, é o melhor feriado do ano. É amor demais, gente!

Nesse ano em específico, a diversão era garantida. Morar no Rio de Janeiro tem dessas coisas: você só viaja para curtir o carnaval se quiser, já que tem a cidade cartão postal do mundo te oferecendo uma das festas mais insanas, bastando que você saia de casa, sem  nem precisar gastar dinheiro. E, com isso, sua casa acaba virando o destino de amigos de fora, que tem no feriado a desculpa perfeita para aparecer. Foi assim que minha casa se transformou em um semi albergue, recebendo um amigo português, um paulista e alguns agregados de todos, que surgiam de última hora, além de ser o ponto de encontro para a saída pros blocos e festas, o lugar oficial do esquenta. Fazer o que, né? Afinal, a gente ama muito tudo isso.

No fim das contas, éramos um grupo de aproximadamente oito pessoas, todos animados e dispostos a nos divertir com o carnaval. E um grupo organizado, com lista de festas e blocos, horário e toda a organização que me é peculiar. Claro, até o carnaval começar, porque o mais legal de sair em um grupo grande é que qualquer programação vai pro espaço. E o meu TOC grita querendo matar a todos que não cumprem o combinado.

Foram dias intensos. Bebida sem moderação (meu fígado sobreviveu, uhu!), diversão sem fim, um ou outro estresse (porque é de lei) e, é claro, quanta gente bonita, Brasil! Andar pelas ruas do Rio no carnaval sem ter um torcicolo ou ser cegado pela beleza excessiva era praticamente impossível. Além disso, imaginem um bando de homem solteiro e querendo viver o carnaval em seu limite, como se não houvesse amanhã. Imaginaram? Pois eu estava em um grupo lotado deles. 

Eis assim o motivo da analogia que dá título a esse texto. Algum tempo atrás, em uma festa qualquer ou talvez numa boate, um amigo estava encantado e olhando para todos os lados, procurando a próxima vítima para cair em sua teia de sedução. Foi então que outro amigo, sempre muito bem humorado, cunhou o termo:
-Olha ele, gente, parece um suricato na savana!
Convenhamos, tem definição melhor do que essa? Os bichinhos, cujo mais famoso exemplar é o Timão, personagem de O Rei Leão, possuem um comportamento observador e era praticamente igual a eles que meu amigo estava durante sua caça. No carnaval, a família de suricatos se encontrou e foi feliz para sempre, ou pelo menos até a quarta-feira de cinzas. Afinal, suricatos na savana que se unem são mais organizados e possuem um atingimento maior de seus objetivos de caça! :-P

De sexta de carnaval até a quarta-feira de cinzas, foram momentos de muita diversão e alegria. Com uma família inteira de suricatos passeando pelas savanas metafóricas desse Rio de Janeiro alucinado e alucinante. Ao final dos dias de Momo, os amigos de fora se foram, os daqui voltaram para suas rotinas (um até mesmo namorando alguém que ele conheceu na sexta-feira de carnaval!!!), mas a família de suricatos já estava formada. E amigos que suricatearam livremente uma vez na vida nunca mais deixa de ser família. Que venha o próximo carnaval. Ou feriado. Ou fim de semana. 

Quanto a você, cuidado. Os suricatos podem estar te observando! E desejando, fazendo a Christina e querendo apenas o seu corpinho. Sinta-se lisonjeado.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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