sábado, 30 de abril de 2016

O Professor de Educação Física





Estava com 12 anos e todas as suas coleguinhas já haviam começado a se interessar por rapazes. Ela também já estava começando a sentir coisas, mas era diferente. O garoto que invadia seus sonhos já não era mais nenhum garoto.

O nome dele era Miguel, tinha quase 40 anos, casado, pai de três filhos adolescentes e era seu professor de Educação Física. Jéssica não sabia dizer exatamente quando começou, mas sentia que era algo que crescia gradativamente dentro de si.

Nas aulas, observava maliciosamente as pernas grossas e peludas do professor; à distância, mordiscava os lábios de excitação. Os garotos da sua idade não tinham aquelas pernas, nem aquele tórax torneado e os bíceps perfeitamente definidos, sem falar nos charmosos fios grisalhos que lhe cobriam tão sensualmente a cabeça, pensava entre suspiros.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Sobre Lubrificantes (ou Sobre Jean Wyllys e José de Abreu)





Canalhas. Sim, eu concordo com o Jean Wyllys, são todos uns canalhas escolhidos pelo povo, povo tolo que se deixa enganar esperando um salvador da pátria que nunca existirá. Eu gostaria de ter sido o protagonista do cuspe no Bolsonaro, que merecia ser preso pelas barbaridades que diz. O cuspe de Jean no tal sujeito foi um ato político coberto de glória, um desejo de todos aqueles que se sentem injustiçados, ao contrário do que pensam seus detratores.

Isto porque ainda existem pessoas que defendem o tal Bolsonaro e, defendê-lo não é uma questão de opinião. Nada nele é digno. Homofobia e sexismo não são questões políticas e não devem ser confundidas com liberdade de expressão, porque são mais do que simples ofensas, são posicionamentos criminosos, como também o racismo. Como defender alguém que glorifica um torturador? Liberdade de expressão não dá direito a ninguém fazer apologia ao crime e, quando alguém proclama tais ideias, ela é criminosa. Cuspir é sinal de repulsa, pôr pra fora o que incomoda afastando de vez de seu caminho. Quando Jean cuspiu no sujeito, ele demonstrava o nojo que sente por alguém assim. A atitude foi uma forma de dizer: basta, não aguento mais ouvir suas idiotices, seu discurso coberto de ódio. O cuspe de Jean foi o que eu e muitas outras pessoas queriam ter feito. Porém, sua atitude foi mal compreendida.

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Drags Cantoras Brasileiras Que Você PRECISA Conhecer




Drags ganharam o meu coração uns anos atrás, após maratonar as primeiras temporadas de RuPaul’s Drag Race – ainda não tinha nem Netflix no Brasil –, pra você ver quanto tempo isso faz. Mas o fato é que me apaixonei pela arte. Fiquei encantado com o que vi no programa, mas é preciso lembrar, ou melhor, ressaltar, que essa arte não é de exclusividade americana. Temos também ótimas drag queens aqui no Brasil.

Pensando nisso, decidi separar uma lista com algumas drags que não arrasam só no visual babadeiro, mas também mandam muito quando decidem cantar! Sim, não é só Adore Delano que sabe soltar sua voz e nos conquistar. Conheça algumas drags nacionais que também cantam. E encantam!

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Onde Se Esconde o Seu Preconceito?





Cuspes, xingamentos e memes nas redes. Nos últimos dias, presenciamos uma enxurrada de movimentos (pro e contra) causas feministas, homossexuais e políticas. Correntes que tomaram, principalmente, redes como Facebook, Twitter e blogs. As mídias sociais, sem dúvida, democratizaram o acesso à informação e também a sua produção, dando mais voz às mentes brilhantes, mas, também, aos imbecis. Pessoas que se comportam de uma forma no trabalho ou mesmo nos círculos sociais aparecem completamente intolerantes e raivosas nas redes virtuais, trazendo à tona preconceitos que teimamos em acreditar que não existem mais. Puro engano. 

Como um monstro que hibernava, os preconceitos despertam num momento mais favorável a eles; mais famintos do que nunca, ávidos por colocar em dia todo o tempo perdido. Impressionante como um movimento cheio de significado, mas de forma alguma agressivo, como o “Bela, recatada e do lar”, encontrou resistência; inclusive entre as próprias mulheres. Só o fato de uma campanha como essa ter existido já diz muito de nós, enquanto sociedade machista, patriarcal e falocrática. Mas, admito, até eu, que me considero uma pessoa despida de muitos preconceitos, ainda me pego pensando a respeito de suas motivações e refletindo se estou sendo, ou não, um bom cidadão.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Manda Nudes!





Antes de mais nada eu gostaria de dizer que não é pra mandar nudes, tá? É porque eu acho a frase engraçada, não me perguntem o motivo, hahahaha. Mais uma coisa, se você não gosta de textos com palavras de baixo calão, então sai correndo daqui (eu disse com muito carinho), porque hoje vai ter baixaria nisso aqui, tá?

Dia desses, vasculhando as "internetes" da vida eu pensei em dar uma prestigiada no pornô nacional e, por prestigiar eu quis dizer dar uma olhadinha, assim, como quem não quer nada, e se desse uma animada, quem sabe eu não dava uma homenageada, né? Mas... não deu. Puta que pariu, não deu! A verdade é que pornô em geral não me agrada mais como antigamente, talvez seja a idade, afinal tô com vinte e nove anos já, mas PELO MENOS, quando eu tô naqueles dias em que qualquer coisa eu já fico doido pra dar uma sarrada e quando tô com preguiça de imaginar qualquer coisa que seja, o pornô internacional consegue ajudar. Mas o brasileiro não!

Sério, de onde tiram esses atores? Os caras não sabem atuar, gente! Sim, porque eu gosto de pornô com história, com aquele diálogo antes, pra dar um toque a mais de realismo, e não apenas dar play e já tá lá o passivo de boca na vara do ativo, chupando desesperadamente. Tem que, pelo menos, fingir um sentimento ali, uma vontade de estar naquele momento.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

TOP 5: Acessórios Para Homens Modernos





Já faz muito tempo que o termo básico deixou de se referir ao gênero masculino. Os homens modernos estão cada vez mais antenados com o que está ou não na moda, cuidando do próprio visual e pensando em como ficar mais bonitos e, ao mesmo tempo, sem perder o conforto e a praticidade. E, que fique bem claro, isso não tem nada a ver com orientação sexual e com aquele papinho ridículo de "ah, homem de verdade não se preocupa com moda". Sinto informar, mas quem pensa assim ficou no passado e, hoje em dia, homem de verdade é aquele que não precisa se afirmar para ser homem, não importa a sua orientação sexual.

Por isso, como eu sei que a gente, às vezes, precisa de algumas dicas de o que e como usar - e eu que o diga, porque sou mega inseguro e, antes de me decidir por uma roupa ou acessório penso mil vezes depois de fazer pesquisas diversas - resolvi fazer a coluna de hoje, com algumas pequenas dicas sobre o que pode fazer um visual básico passar para um mais moderno, com apenas alguns toques, que são dados nos acessórios que podemos utilizar. Afinal, se eu decidi ousar com meias coloridas tempos atrás (e você pode conferir o meu quase tutorial aqui), por que não aprender também a usar acessórios diversos?

Dessa forma, deixemos de lenga lenga e vamos logo para o meu TOP 5: Acessórios Para Homens Modernos. Prontos para fugir do básico? Let's go!

domingo, 24 de abril de 2016

Sobre Gatos e Felicidade





Eu deveria jantar shake para emagrecer ontem, mas resolvi comer um lanche. Pedi uma opção com salada para dizer que sou saudável. A pessoa quer enganar quem? O preço é justo e o lanche é gostoso. Queria Heineken, mas só tinha Skol, tudo bem. É o que tem para o sábado à noite.

Estava voltando para casa para ver Zorra, que agora não é mais “Total”, e cruzei com um gatinho preto. Ele deixou que fizesse carinho nele e me seguiu. Deixei que ele entrasse em casa. Estava faminto: comeu ração, bebeu água, usou a areia que separei para ele e está agora no meu colo, ronronando.

Confesso que tinha pensado em falar de diversos assuntos, como política - #ForaCunha, #ForaBolsonaro; religião – sim, eu sou espírita e respeito e admiro a diversidade religiosa; ou até sobre relacionamentos – como perdoar o boy 70 x 7 vezes, Jesus Cristo ensina. Mas o gato preto cruzou meu caminho e não tem como não falar dele – isso se o gato me deixar digitar, risos...

sábado, 23 de abril de 2016

Pelo Fim de Uma Amizade







Essa foi uma semana particularmente triste. Colocar pontos finais em relacionamentos, sejam eles de que natureza forem, é sempre complicado e muitas vezes bem triste. Mas certos rompimentos são essenciais. Seja pra que você siga sua vida num caminho oposto ao da outra pessoa ou, nesse caso, porque a relação que antes te deixava feliz passou a te fazer mal.

Esse amigo que hoje sai da minha vida, tiro-o dela com a mais plena e tranquila consciência, depois de pensar durante dois dias entre lágrimas e uma profunda melancolia, apesar de acusado pelo próprio de ser "frio" e "não me importar". E estou aqui pra provar que me importo. Me importo sim e me importo muito. Mas me importo muito mais comigo mesmo, com meu amor próprio e meu orgulho ferido. E não pense quem lê que este foi um primeiro desentendimento entre amigos, e que estou tomando uma decisão precipitada levado pela emoção do momento.

Tivemos alguns anos de amizade, e nesse período ele foi um bom amigo, mas depois de algumas mudanças efetuadas em sua vida, graças a mim, o mocinho passou a ter uma atitude afrontosa em sua relação comigo. Atitude essa que ele justificava como sendo um desabafo a respeito de coisas desagradáveis que ele pensava a meu respeito. Detalhe: esses desabafos, que eu considerava como ataques desnecessários devido ao tom com o qual eram feitos, ele nunca teve a honestidade de fazer pessoalmente, cara a cara, olho no olho, como pessoas maduras e amigos que se admiram e se respeitam fazem. Todos os seus "desabafos" eram feitos pelas redes sociais, de forma fria e impessoal, onde eu tinha que tentar me defender, sem olhar nos olhos, ver a expressão do outro e muito menos ouvir seu timbre de voz.

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Sobre Aquela Falta de Esperança





Me conte uma mentira, eu te contarei outra, e assim vamos vivendo. Mentiras deveriam ser descartadas como cartas de baralho, não tenho pudores, nem você deveria ter, mas as verdades estão sendo todas jogadas para debaixo do tapete. Encobertas, o que fazer? Um cuspe provoca mais comoção do que palavras de ódio. Quanto vale um cuspe? 

Nossa realidade é bem diferente da que vivíamos anos atrás, mas espere, mulheres não tinham voz, negros não tinham voz, gays não tinham voz, e você ainda prefere viver no passado porque era melhor? Tem certeza? O que era melhor? Uma ditadura que cerceava seus direitos? Talvez você prefira ter um filho que te destrata, verás que ele não foge a luta. E se mesmo assim você prefere o toque de recolher, foda-se você, eu não, ainda prefiro meu direito de ir e vir. 

Muitos se mudaram, outros tentaram mudar o país, e muitos destes que levantaram bandeiras contra golpes, facínoras e afins, hoje estão no poder e, pior, muitos estão fazendo tudo aquilo que diziam combater. Eu me pergunto, onde erramos?

quinta-feira, 21 de abril de 2016

Suicidas, o Thriller Policial de Raphael Montes





Um ano após o suicídio de alguns jovens, moradores da zona sul do Rio de Janeiro, em uma roleta-russa, as mães são convidadas para um encontro. A delegada Diana Guimarães decidiu reunir todas as mães dos suicidas com o objetivo de tentar esclarecer algumas pontas soltas sobre o caso. O guia desse encontro acaba sendo uma espécie de diário, com as anotações dos últimos momentos vividos por aqueles jovens, no porão de uma casa, antes de cada morte. Incluindo do autor das anotações.

No decorrer do encontro (que está sendo gravado), as mães vão descobrindo todos, e até então inéditos para cada uma, acontecimentos da roleta-russa que culminou na morte de cada um de seus filhos.

Toda essa trama pode soar um pouco macabra, admito. Só que Suicidas, primeiro livro de Raphael Montes, também autor do maravilhoso e muito recomendado Dias Perfeitos, é uma viagem instigante a cada virada de página. O enredo é um thriller muito bem construído e que te faz querer desvendar cada um dos mistérios propostos pelo autor. E prepare-se: são muitos.

quarta-feira, 20 de abril de 2016

Impedimentos




Esta semana completam três meses desde a minha cirurgia para retirada do apêndice inflamado. Uma operação considerada simples, mas que me trouxe uma série de impedimentos nesses 90 dias que a sucederam. Além das duas primeiras semanas de repouso, coisas simples como carregar uma sacola de mercado, limpar a casa ou passear com os meus cachorros requereram mais alguns dias até poderem voltar à normalidade. A rotina de exercícios, então, essa nem se fala. Talvez isso tenha se potencializado porque, menos de três meses antes, havia passado por outra cirurgia, de septo nasal, que também me obrigou a não fazer esforço por um mês.

Curioso que justamente quando nos sentimos privados de algo é que realmente damos falta dele... Em relação aos exercícios, o que mais senti foi a minha corrida. Alguns sabem, sou corredor nas horas vagas, extremamente amador, mas apaixonado por superar meus limites na esteira e nas ruas. Participo volta e meia dessas corridas coletivas em que a gente se mata às 8h da manhã de um domingo pra ganhar uma medalha, uma banana e um isotônico no final (mas que sempre a gente se pergunta por que está lá e depois já promete se preparar pra próxima). E não pude, nesses três meses, sequer dar um trotezinho. Sonhava, literalmente, que estava correndo; por diversas noites, meu subconsciente me punha correndo durante o sono e eu ouvia a consciência dizendo: Paulo Henrique, você ainda não pode correr!

terça-feira, 19 de abril de 2016

Sincronias Interessantes (e Especiais)





Lá estava eu  no ônibus, pensando na morte da bezerra, voltando do hospital. Enquanto olhava pra rua, o motorista do ônibus deu ré, fazendo soar aquele “Pi Pi Pi”, sabem? Então, esse sonzinho. Do lado do ônibus havia um carro preto dando seta, e a lanterna traseira estava piscando, curiosamente sincronizada com o “Pi Pi Pi” do ônibus. Eu fiquei olhando pra ver se em algum momento a sincronia ia parar, mas não parou. Durante todo o tempo em que o ônibus ia dando sua ré devagarzinho (olha o duplo sentido aí), a lanterna traseira do carro seguia firme em manter a sincronia com o alerta.

Aí eu fiquei pensando na diferença entre o carro e o ônibus. A óbvia diferença de tamanho, também a de formato, e tem também a diferença de potência, montagem, etc, e nisso me veio na mente a sincronia entre as pessoas que moram longe.

O nível das amizades virtuais hoje em dia é completamente diferente das amizades de antes. Graças ao Twitter e ao Facebook, você fala com gente do mundo inteiro, e acaba descobrindo em determinadas pessoas algumas afinidades, e isso, com o passar do tempo, cria uma sincronia bacana de pensamentos, entendem? As pessoas se ligam, se conectam de um jeito tamanho que é como se elas morassem na mesma cidade, fossem vizinhas, amigas de longa data.

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Os 'Politizados' e as Redes Sociais





Vivemos um momento estranho da nossa história recente, em que vamos acompanhando, dia a dia, acontecimentos que se sobrepõem e que mudam como esses fatos serão narrados no futuro. A piadinha de que os professores de História terão bastante trabalho para explicar o que vivemos hoje daqui a 20 anos já deixou de ser brincadeira para se tornar um fato. As nuvens negras que pairavam no horizonte de nossa política hoje estão sobre a cabeça de todos nós.

E, com uma polarização política clara que vem desde as últimas eleições, parecemos viver um clima de final de Copa do Mundo, com torcida pró e contra governo, a favor e contra o impeachment. Mas, o que deveria ser racional, com cada um respeitando a opinião e a orientação política do outro, virou um campo de batalha, com agressões, insultos e até mesmo um muro construído em Brasília para separar coxinhas de mortadelas. Pode rir. A piada é uma notícia do mundo real.

domingo, 17 de abril de 2016

Você Não É a Gabriela





As pessoas sempre falam que me acham engraçada, espontânea, extrovertida. Que eu sou legal, que gostam de ficar perto de mim. Parece algo bobo, não é? Mas eu fico muito feliz quando falam isso pra mim, pois nem sempre foi assim. Mal sabem quanto tempo da minha vida eu passei me moldando, me policiando, me transformando nessa Bárbara que sou hoje, e que ainda tem tanto pra melhorar.

Eu não queria ser a prima insuportável que ninguém chamava para brincar, e eu era. Nem a menina chata que ninguém queria ser amiga, e eu era. Eu não queria ser eu, eu não queria ter que conviver com essa pessoa, eu não queria acreditar que eu estava fadada a ser desagradável pelo resto da vida. Então comecei a perceber que muita coisa que eu não queria ser, eu podia simplesmente mudar!

sábado, 16 de abril de 2016

Thiago Cazado, Gravem Esse Nome!





Hoje é dia de tietagem explícita aqui no Barba Feita. Pra quem ainda não conhece, quero apresentar Thiago Cazado, um ator brasiliense de 30 anos, com cara de adolescente, que me conquistou com seus trabalhos divulgados no Youtube. E como quem me conhece sabe que pra me conquistar tem que ser bom, vou contar como começou minha paixão pelo Thiago. Sim, confesso estar sentindo mais uma paixão platônica, uma parecida com a que senti por Caio Blat, aos 17 anos, quando ele estreou na Globo, em 1999, na minissérie Chiquinha Gonzaga (não é fácil, gente, minha lista de paixões platônicas tanto no real quanto na fantasia é longa).

O primeiro trabalho de Thiago Cazado que assisti foi o curta-metragem Like. Neste filminho de pouco mais de 17 minutos, Thiago não me chamou tanto a atenção, já a temática tão atual sobre os aplicativos de "pegação", conduzido pela direção e roteiro de forma claustrofóbica, melancólica e surpreendente, mexeu comigo. Num tempo relativamente curto, a história conseguiu passar o seu recado utilizando metáforas de maneira impecável.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Sobre Esse Tal de Rock and Roll





O rock tupiniquim surgiu quando a galinha ainda tinha dentes. Era uma coisa bem iê iê iê, normal, já que o rock no mundo todo era  assim mesmo. Enquanto isso, por aqui a galera usava e abusava das versões do rock gringo, pouca criatividade.

E lá chegamos nos anos 60, quando quem mandava mesmo era a Jovem Guarda. Roberto Carlos reinando absoluto ao lado de seus amigos Erasmo, Wanderléa, Martinha e cia bela. Todos estouraram no país inteiro. E eis que veio a psicodelia e muita gente embarcou nessa; até o príncipe Ronnie Von entrou nesse barco. 

quinta-feira, 14 de abril de 2016

Você PRECISA Conhecer The Real O'Neals





Imagine uma família perfeita. O casamento entre Eileen e Pat é impecável. Os três filhos do casal são promissores: Jimmy, o filho mais velho de 17 anos, está na equipe de luta greco-romana do colégio. Kenny, o filho do meio com 16 anos, é inteligente, perspicaz e intuitivo. Shannon é a filha mais nova, de 14 anos; bastante dedicada, irônica e bem intencionada, administra o dinheiro da igreja onde a família O’Neal frequenta. Ou seja, nada de errado acontece na vida dessas pessoas... Até um belo dia em que tudo desmorona.

Sim, vinha um “porém” no meio dessa história de perfeição familiar e você já esperava por ela, pode admitir! O filho mais velho revela ter anorexia, o filho do meio se assume gay e a filha mais nova é cleptomaníaca, além de não acreditar muito em Deus... E se você acha que acabou por aí, pode se preparar! Os pais... Bem, eles estão passando por uma crise e vão se divorciar.  Ah, sim, tudo isso é revelado em frente de toda a igreja na qual a família é tida como perfeita.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Marias Madalenas





Essa semana li a respeito de uma menina argentina de 17 anos, Micaela, que estava denunciando, através de suas redes sociais, os abusos sexuais sofridos por ela desde os seus quatro anos de idade. O autor, como na grande maioria dos casos, era o próprio pai. Hoje, ela divulga, inclusive, as frases que ele usava para que ela se calasse: “Estamos só brincando”, “Tranquila... se você se mexer é pior” e “Quanto mais resistir, mais vai doer”.

No mesmo dia, vi uma brincadeira, que não era tão brincadeira assim, de uma pesquisa entre mulheres nas quais, entre encontrar alguém no meio da rua a noite andando atrás dela, 95% delas preferiam que fosse o capeta a um homem.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Dicona Pra Evitar Problemas e Frustrações!




O texto de hoje vai ser daqueles bem rapidinhos que vocês sabem que eu adoro fazer, até porque não tem motivo pra estender muito o assunto, então vamos lá!

Sabe aqueles momentos de felicidade repentina? Aqueles momentos, poxa, quando a gente tá bebendo com os amigos no final do dia, ou então naquele dia em que o namorado ou a namorada fez um elogio ou algo bacana, ou seu chefe resolveu te dar um aumento de salário, ou então você teve uma ideia maravilhosa e isso te deixou completamente extasiada(o), e também quando você sai de determinada situação psicológica e se dá o valor, etc. É desses momentos que eu tô falando. Sabe? Então, não faça, eu repito, não faça promessa alguma nesses momentos. Sim, porque a gente tende a fazer promessas quando está felizinho, ou felizinha, e isso é complicado, porque o álcool é responsável pela maioria das palavras ditas e, quando não tem álcool envolvido, a atitude nova cumpre esse papel, e você se sente importante, empoderado(a), e tende a prometer mais do que pretende ou pode cumprir.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Os Pretensiosos Com Fé





"...a é a certeza de coisas que se esperam; a convicção de fatos que não se vêem." 
Hebreus 11:01

Eu já disse algumas vezes por aqui e isso não é novidade para mais ninguém. Eu cresci em uma família religiosa, fazendo parte de uma religião formal, com dogmas próprios e crenças peculiares ~baseadas~ na Bíblia e em sua interpretação. Eu acreditava no Juízo Final, no paraíso na Terra, no acerto de contas entre Deus e o Diabo, tendo os humanos como peças fundamentais dessa equação. Eu tinha fé. E eu achei, fiel e verdadeiramente, que apenas aquilo em que eu acreditava era a verdade.

E é aqui que eu preciso citar novamente a Bíblia e a conhecida passagem registrada no livro de João 8:32, que diz "...e conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Entretanto, se a verdade é clara como água cristalina, com tantas religiões e interpretações diferentes para um mesmo livro, que é proclamado como a Palavra de Deus, por que tantas verdades diferentes, que são levadas como únicas por tantas pessoas? 

domingo, 10 de abril de 2016

Antropofobia





Recentemente, um amigo postou em seu Facebook uma notícia sobre um jovem que foi fortemente agredido após dar um "selinho" em seu namorado numa lanchonete. Além da notícia, ele postou a seguinte reflexão: "quando algum casal heterossexual apanhar por dar um selinho, a gente pensa em conversar sobre heterofobia".

Eu, orgulhosa e esperançosa da qualidade e sensibilidade da maioria das pessoas que ainda me cercam, comentei que não entendia ainda porquê alguns acham que podem USAR esse termo "heterofobia", como se ele fizesse algum sentido. Não faz. Concordamos, nos apoiamos, e a vida segui.

Só que fiquei pensando nas definições aurelianas do que seria fobia, e principalmente o que ela representa. Ai pensei cá com meus botões que iria fazer um texto dizendo que a heterofobia existe, sim. Quando a gente pensa no literal significado de fobia, e de como atualmente alguns héteros-bolsofãs-conservadores despertam isso em mim (e em muitos outros): medo.

sábado, 9 de abril de 2016

Depois do Sexo





ANTES...

Bateu uma carência, uma solidão. Saiu da frente do computador, onde já navegava por horas, e se jogou na cama. Rolou de um lado pro outro. A vontade de encontrar alguém, beijar na boca, ficar abraçado só aumentava. Pegou um livro, folheou algumas páginas, tentou ler e nada. Procurou um seriado bacana para assistir online, encontrou, mas aquela vontade não passava. Pegou o celular, e mandou a mensagem curta e direta: "Oi! Podemos nos ver hoje?"

Faltavam dois minutos para as 19h. O outro respondeu imediatamente: "Ainda estou no trabalho, mas se não ficar muito tarde pra você, podemos nos encontrar às 22h30."

Ele não hesitou: "Sem problemas!"

Eram vizinhos, moravam a cinco minutos um do outro, e aquele seria o segundo encontro. O primeiro tinha sido bom, rolou um sexo gostoso, fizeram de tudo, mas faltava a intimidade, o não saber o que o outro gosta; trocaram poucas palavras, longos beijos deliciosamente obscenos e logo partiram pra ação. Ao se despedirem, restou apenas aquela sensação de que não passaria de sexo.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Sobre Rivais (ou Sobre Bette e Joan)





Rivalidades existem em nossas vidas. Quem nunca teve um rival, quer seja tentando passar a perna no trabalho ou tentado roubar seu amor ou amigo? Rivais existem, é fato, mas para os neuróticos de plantão, nós somos os rivais e eles as vítimas. Seria essa a tal necessária oposição que precisamos ter em nossas vidas? Por que perder tanto tempo criando uma situação de confronto? Hoje em dia, essa rivalidade está cada dia mais acentuada nas redes sociais, mas antes isso era visto nos tabloides nas bancas de revista. 

Bette Davis e Joan Crawford foram duas das maiores estrelas do cinema de todos os tempos. Tinham reputação de mulheres fortes, que não levavam desaforo pra casa, sempre com uma resposta na ponta da língua. O motivo de viverem se engalfinhando é repleto das mais diferentes lendas. Ninguém de fato sabe o porquê, talvez uma tenha roubado o homem da outra, talvez o trabalho. Bette era estrela da Warner Bros, Joan da MGM; pode ter sido um exímio golpe de marketing que acabou sendo benéfico para as duas estrelas, mas o fato é que elas acabaram gostando de tudo isso e amavam se odiar.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

American Crime Story: The People v. O.J. Simpson, Uma Série Imperdível





Terminou nessa última semana uma das melhores estreias do ano: American Crime Story. A série, que podemos chamar de um tipo de spin-off de American Horror Story, veio para relembrar casos que chocaram a América. E o primeiro e mais memorável deles foi o julgamento de O.J. Simpson, tipo por muitos como o julgamento do século.

E posso dizer que foi uma aposta bastante acertada de Ryan Murphy e Brad Falchuk, dupla responsável por Glee e American Horror Story, para inaugurar a nova franquia. Além de ter uma cobertura gigantesca por parte da mídia, especializada ou não, os bastidores do julgamento carregavam uma trama digna dos melhores novelões do gênero.

Você pode (e deve) me perguntar: mas Silvestre, seja honesto comigo, se em uma rápida procura no Google vou saber como termina o julgamento, por que vou me dar o trabalho de assistir dez episódios dessa série? E pacientemente te respondo, pequeno gafanhoto. O que importa não é saber se ele será condenado ou não, mas como se deu sua condenação ou absolvição. As provas da promotoria, as teorias dos advogados de defesa, as brigas nos bastidores; isso é delicioso demais e vale cada minuto de todos os episódios exibidos.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

Pervertendo-me





Há cerca de um ano finalizei o meu segundo livro, chamado Perversão. Foi um feito e tanto pra mim àquela altura: foi com atraso, depois do momento que havia programado, mas saiu quando tinha que sair. Alguns poucos tiveram acesso a todos ou a parte dos 12 contos que compõem a nova coletânea. Optei por leitores críticos. Recebi elogios e um pouco de estranhamento. E tive a certeza de que o tema que permeia toda a antologia poderia causar amores e ódios. E polêmicas.

O livro é inteiramente sobre sexo. Porém, não espere contos eróticos nos moldes dos que se veem nos sites especializados ou revistinhas mais safadinhas. O sexo está presente em Perversão quase que como um personagem. Alguém que provoca os demais a chegarem a seus limites ou a saírem daquilo que convencionamos tratar como "sexo normal". 

Há momentos excitantes, sim, mas há delicados temas como chantagens, abusos e incesto. Há contos curtinhos e outros bem longos. Há heterossexuais, homossexuais e bissexuais. Há septuagenários e há crianças. Senti-me livre para escrever sobre o que desse na telha a partir do momento em que escrevi o primeiro conto, recheado de palavrões e termos chulos próprios do sexo (sempre na boca dos personagens). Vi que, daquele ponto, não haveria mais volta e o melhor seria pensar em todas as pequenas histórias com o sexo como mola mestra. Assim surgiu Perversão, um projeto único, diferentemente do meu primeiro livro, Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades, que tinha diversos temas divididos em três grandes partes.

terça-feira, 5 de abril de 2016

Cotidianos Múltiplos - Viver





Quando resolvi escrever os três contos da série Cotidianos Múltiplos, eu queria que os textos fossem como um alerta. Muitas pessoas à nossa volta passam por problemas pesados, e a maioria não se abre, ou porquê não têm com quem se abrir, ou por puro medo, e esses problemas vão crescendo de uma tal forma que chegam no tema desse último conto. Enquanto eu ouvia as histórias trágicas, tristes, e algumas amargamente engraçadas daquele grupo, eu pensei em como existem pessoas realmente solitárias nesse mundo, e que a gente não percebe, ou por elas serem boas em disfarçar isso, ou por simples distração nossa. Do mais leve ao mais pesado, problemas são problemas, e problemas incomodam, como pelinha no cantinho da unha, e alguns até matam. Que possamos ficar mais atentos ao que acontece ao nosso redor, com as pessoas ao nosso redor, e que aprendamos a resolver nossos problemas juntos. Tá no ar o último capítulo, espero que gostem:

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Vou de Uber





O Rio de Janeiro parou na última sexta-feira, dia 1º de abril. Não, e nem foi piada, apesar de parecer. Um "protesto" de taxistas contra o serviço Uber atrapalhou a vida de milhares de pessoas, gerando um total de 125 Km de congestionamento na cidade. Isso mesmo que você está lendo: os taxistas, essa classe de trabalhadores super preparada, protestando contra o nosso direito de utilizar um serviço de qualidade (superior) ao ofertado por eles. Pensando bem, era 1º de abril, devia ser piada.

No interior do Rio, na cidade onde nasci (beijos Paraíba do Sul!), táxi era item de luxo. A cidade é pequena, possui uma boa quantidade de ônibus que levam para os quatro pontos do lugar e usar táxi nunca foi uma realidade. Tirando raras exceções, não me lembro de ter entrado com tamanha frequência dentro de táxis até me mudar para o Rio, onde a utilização desse serviço é trivial. O preço não é barato, mas também não é inacessível, principalmente de e para onde eu normalmente me locomovo. Assim, depois que vim para cá e optei por não ter carro (vagas de garagem custam um absurdo nessa cidade, eu bebo e existem mil leis secas, a gasolina está pela hora da morte - motivos não me faltam para manter a decisão), andar de táxi se tornou uma realidade bastante conveniente para mim. E eu já vivi cada situação dentro de táxis nessa cidade...

domingo, 3 de abril de 2016

Minha Fé é Meu Jogo de Cintura





Eu fui criada cercada de diferentes religiões. Estudei em colégio católico, fui batizada e fiz primeira comunhão ao mesmo tempo em que frequentava o centro kardecista onde minha mãe é médium, mas sem esquecer de saudar todos os orixás e entidades que sempre estiveram presentes na minha família. 

O que mais me move na religião é a caridade. Claro que não é preciso nenhuma doutrina para isso. Podemos (e devemos) fazer o bem sempre, sem trocas com Deus ou lugar no paraíso. Mas pra mim a fé sempre foi importante. Eu, filha de Oxum e Ogum, protegida por Exu e devota de Santa Bárbara, faço da religião uma forma de melhorar como pessoa, desenvolver minha espiritualidade e usar isso para o bem. E uma coisa que eu abomino é maldade. Não exclusivamente o egoísmo, de só pensar em si. Ou o sadismo, de sentir prazer com o sofrimento do outro. Mas a maldade de ser indiferente à dor de alguém. É optar não fazer o bem quando você pode. É fugir do compromisso de ser um ser humano melhor, só porque sempre terão outras opções de ser. 

sábado, 2 de abril de 2016

Pela União do Poder Gay






Eu já contei isso outras vezes, mas sempre há uma nova razão para relembrar. Quando eu era criança, na escola, me agrediam repetidamente. O bullying era uma rotina cruel. O tempo todo as agressões eram verbais, mas as agressões físicas também existiam. Com os xingamentos, as chacotas, as palavras venenosas acostuma-se, criamos um escudo, faz-se ouvidos moucos, e tentamos seguir a vida, magoados, envergonhados, mas fingindo que não é com a gente, que não nos atinge. Pelo menos era assim que eu agia. Não tinha ânimo, coragem e nem repertório para confrontar a turba de moleques que me atacavam gratuitamente. Aos 9, 10, 11 anos, que argumentos você vai usar contra o ódio que sentem pela sua diferença, um ódio alimentado por adultos? Fica-se realmente sem chão e sem defesa, como num salto mortal sem rede de proteção. Tudo o que te resta é fazer de conta que se está em um grande pesadelo, e que logo você vai acordar.

Sim, apesar de ser terrível, é possível sobreviver quando criança e adolescente aos ataques verbais homofóbicos dissimulando, ignorando, fazendo de conta que não é com você, um paliativo que pode funcionar, até que o pesadelo realmente acabe, porque ele acaba um dia, embora pareça eterno enquanto dura. Mas quando a agressão é física, ignorar, fingir que não é com você, é uma opção inviável. Atinge sua integridade física, fere sua dignidade, mais do que o seu corpo, marca sua alma. É uma invasão violenta de um espaço que é só seu e que ninguém tem o direito de se aproximar sem sua permissão. É uma violação imperdoável do seu corpo, do seu templo mais íntimo.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Sobre a Ave Dodô (ou Inocências Perdidas)







A ave dodô era um animal tão inocente que foi facilmente extinta pelo homem. Hoje vivemos numa sociedade que não comporta mais atitudes assim, é necessário ser esperto e quando digo ser esperto, não me refiro a ser velhaco e sim, sagaz, manter os olhos vivos para as crueldades do mundo. Sempre vamos encontrar alguém querendo nos passar a perna e, muitas das vezes, o nosso inimigo mora ao lado e não percebemos. É necessário compreender o tempo. 

E existem momentos em que dar um tempo é essencial, até mesmo nas relações pessoais. Já dizia a mãe de um amigo que “amizade muito fina, quebra”. E eu sei bem como é isso. Eis que o grande segredo é mesmo o equilíbrio em todas as coisas, nem muito, nem pouco. Oferecer-se demais ou de menos dá sinais que podem confundir.