sábado, 23 de abril de 2016

Pelo Fim de Uma Amizade







Essa foi uma semana particularmente triste. Colocar pontos finais em relacionamentos, sejam eles de que natureza forem, é sempre complicado e muitas vezes bem triste. Mas certos rompimentos são essenciais. Seja pra que você siga sua vida num caminho oposto ao da outra pessoa ou, nesse caso, porque a relação que antes te deixava feliz passou a te fazer mal.

Esse amigo que hoje sai da minha vida, tiro-o dela com a mais plena e tranquila consciência, depois de pensar durante dois dias entre lágrimas e uma profunda melancolia, apesar de acusado pelo próprio de ser "frio" e "não me importar". E estou aqui pra provar que me importo. Me importo sim e me importo muito. Mas me importo muito mais comigo mesmo, com meu amor próprio e meu orgulho ferido. E não pense quem lê que este foi um primeiro desentendimento entre amigos, e que estou tomando uma decisão precipitada levado pela emoção do momento.

Tivemos alguns anos de amizade, e nesse período ele foi um bom amigo, mas depois de algumas mudanças efetuadas em sua vida, graças a mim, o mocinho passou a ter uma atitude afrontosa em sua relação comigo. Atitude essa que ele justificava como sendo um desabafo a respeito de coisas desagradáveis que ele pensava a meu respeito. Detalhe: esses desabafos, que eu considerava como ataques desnecessários devido ao tom com o qual eram feitos, ele nunca teve a honestidade de fazer pessoalmente, cara a cara, olho no olho, como pessoas maduras e amigos que se admiram e se respeitam fazem. Todos os seus "desabafos" eram feitos pelas redes sociais, de forma fria e impessoal, onde eu tinha que tentar me defender, sem olhar nos olhos, ver a expressão do outro e muito menos ouvir seu timbre de voz.

Todas as vezes que tivemos discussões, onde ele me disse coisas difíceis de aceitar, especialmente por vir de alguém que me conhecia tão bem (ou eu queria acreditar nisso) e não fazer nenhum sentido o motivo pelos quais ele resolvia me atacar, tentei manter a calma, o lado racional da situação e ponderar as ideias. Mas ele sempre achando-se o dono da razão, mesmo referindo-se a MINHA personalidade, não aceitava meus argumentos. Eu, obviamente, dono da minha razão e magoado com palavras e colocações desnecessárias, optava por dar um tempo. No primeiro embate ficamos um mês e meio afastados. Quando voltamos a nos falar, pedi com todo o amor do mundo que ele nunca mais me atacasse ou discutisse relação via in box, porque se rolasse uma segunda vez, nossa amizade poderia ficar fortemente estremecida.

Voltei para aquela amizade de coração aberto, sempre disposto a melhorá-la cada vez mais e evitar confrontos. Ele era o meu menino, meu amigo querido e eu o amava demais. Mas, bem pouco tempo depois, uma crise de ciúmes e mais uma porção de palavras ferinas fizeram-me afastar dele novamente, e dessa vez ficamos 5 meses sem nos falar. O ciúme era por causa de um novo amigo que surgia em minha vida e por quem eu estava fascinado. Era um amigo que eu queria que fosse amigo dele também, porque o legal das amizades é isso, não ser como um namoro. Você pode conhecer vários amigos, que podem ser amigos entre si, e formar uma rede muito especial com um bocado de amigos interessantes. Todos podem se gostar, sair juntos ou separados, e a amizade existir sempre. Mas ele se recusava veementemente em conhecer melhor e travar uma amizade com o outro amigo. Mesmo sabendo que eu gostava demais dele e que eu não queria ser obrigado a estar sempre com os dois separadamente, ele colocou uma barreira intransponível entre si e o outro. Sendo que o outro nunca lhe deu nenhum motivo para tal implicância, era tudo fruto de ciúme e imaturidade.

Quando fizemos as pazes, a amizade já estava muito trincada, eu tinha perdido muito da minha naturalidade para com ele e ficava sempre com um pé atrás, esperando em qual momento ele iria dar um novo ataque, e quando você perde a naturalidade com um amigo e fica apreensivo com suas palavras e comportamentos, a amizade precisa ser seriamente repensada. Ainda assim segui em frente, considerando, respeitando, tendo cuidado e delicadeza com essa amizade. Mas ele continuou metendo os pés pelas mãos, agindo de formas que me desagradavam, se envolvendo com pessoas e situações que eu desaprovava, mas nunca, em nenhum momento, eu fui agressivo e usei de palavras duras para reprová-lo ou dizer que não achava bacana essa ou aquela atitude. Sempre falei com jeito, com carinho, porque amigo é amigo e pronto, você gosta, você ama, e você não magoa, mesmo às vezes tendo que dizer as piores coisas.

Então, chegamos a essa semana, onde depois de anos relevando e tentando manter uma amizade que considerava sólida e muito importante pra mim, cheguei ao meu limite. Os motivos são os mesmos, palavras ferinas, impensadas, repetidas e injustas, mas desta vez parece que calaram mais fundo, e a fina membrana que ainda protegia nossa amizade rompeu-se de vez. Foram muitos sapinhos engolidos enquanto ele destilava seu veneninho disfarçado de conselhos ou desabafos. Não vou dar mais um tempo, porque em nossa relação isso parece ter se tornado um círculo vicioso. Ele destila seus "desabafos", me machuca, eu me afasto na esperança de que quando reatarmos ele estará mais sereno e tolerante, mas quebro a cara, e a amizade que outrora me fez tão bem não me faz mais.

Outra conclusão a que cheguei, lendo essas palavras:
"Pessoas que não reconhecem seus próprios erros, e que por serem assim, por serem frias, encontram muitas dificuldades na vida, mas mesmo assim preferem correr o risco de viver na solidão." 
Escritas por ele, referidas a mim, foi que, às vezes, encontramos dificuldades na vida e certas coisas que almejamos demoram a acontecer e darem certo, porque algumas pessoas que nos cercam sugam silenciosamente a energia positiva que nós temos, e quando pensamos que ela é um bem na nossa vida, descobrimos que talvez estejamos enganados. É preciso nos livrar de algumas coisas e pessoas para que tudo desemperre. É difícil e até cruel tratar pessoas como coisas, mas como disse lá em cima, as vezes é essencial.

Sobre "viver na solidão" nem vou comentar, é apenas mais um equívoco entre tantos, pois a única solidão que tenho é a que desejo.

E aqui me despeço, de vocês leitores por uma semana, e de você, ex-amigo, por tempo indeterminado. Foi bom enquanto durou!

Leandro Faria  
Esdras Bailone, nosso colunista oficial do Barba Feita aos sábados, é leonino, romântico, sonhador, estudante de letras, gaúcho de São Paulo, apaixonado-louco pelas artes e pelas gentes.
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2 comentários:

Jackie Freitas disse...

Olá! Li o seu texto e me identifiquei com boa parte dele, pois também passo por um processo que eu chamo de "faxina emocional". Estou limpando e me libertando de tudo que me impede de seguir adiante, incluindo pessoas e amizades ingratas. Chega um momento que precisamos reconhecer o nosso próprio valor e não ficar esperando que os outros o façam!
Muito bom o texto! Gostei.
Um grande abraço,

Esdras Bailone disse...

Jackie, minha cara, que bom que se identificou, dessa forma tbm me sinto compreendido! Continue nos lendo!

Abçs!