quarta-feira, 6 de abril de 2016

Pervertendo-me





Há cerca de um ano finalizei o meu segundo livro, chamado Perversão. Foi um feito e tanto pra mim àquela altura: foi com atraso, depois do momento que havia programado, mas saiu quando tinha que sair. Alguns poucos tiveram acesso a todos ou a parte dos 12 contos que compõem a nova coletânea. Optei por leitores críticos. Recebi elogios e um pouco de estranhamento. E tive a certeza de que o tema que permeia toda a antologia poderia causar amores e ódios. E polêmicas.

O livro é inteiramente sobre sexo. Porém, não espere contos eróticos nos moldes dos que se veem nos sites especializados ou revistinhas mais safadinhas. O sexo está presente em Perversão quase que como um personagem. Alguém que provoca os demais a chegarem a seus limites ou a saírem daquilo que convencionamos tratar como "sexo normal". 

Há momentos excitantes, sim, mas há delicados temas como chantagens, abusos e incesto. Há contos curtinhos e outros bem longos. Há heterossexuais, homossexuais e bissexuais. Há septuagenários e há crianças. Senti-me livre para escrever sobre o que desse na telha a partir do momento em que escrevi o primeiro conto, recheado de palavrões e termos chulos próprios do sexo (sempre na boca dos personagens). Vi que, daquele ponto, não haveria mais volta e o melhor seria pensar em todas as pequenas histórias com o sexo como mola mestra. Assim surgiu Perversão, um projeto único, diferentemente do meu primeiro livro, Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades, que tinha diversos temas divididos em três grandes partes.

E por que estou falando isso tudo até aqui? Porque o livro, finalmente, será publicado. Nos próximos meses, será lançado pela editora carioca Autografia, cujo sócio-fundador, Marcelo Pinho, eu conheço e optou por apostar na obra e na minha carreira como escritor. E publicar um segundo livro me levou a acreditar em uma carreira de fato.

Ter esse crédito é tudo o que um autor pouco conhecido precisa. Conversei muito com pessoas do meio editorial nesse ano que se passou. Todos alertam sobre as dificuldades do setor, da falta de investimentos em novos autores em um momento de crise no qual dar tiros certos seria o melhor para os selos. Muitos também alertaram que grande parte do material que chega para avaliação é de qualidade duvidosa, de pouco senso critico do autor. Tudo isso cria um cenário tão difícil para se receber um SIM que, quando ele vem, é necessário celebrar.

Em breve anunciarei a data exata do lançamento e conto com meus fiéis leitores. Espero que se surpreendam mais do que se assombrem. Afinal, a brincadeira do titulo do novo livro é com as nuances tão próximas das palavras "pervertido" e "perverso", não só dos personagens, mas principalmente do autor. Tive que me perverter (ou será que não?) para pensar naquilo tudo. Espero julgamentos, claro. Torço para que minha mãe e minha madrinha nunca leiam (fica a dica, família...). Mas acreditei ser possível colocar a qualidade da literatura acima da sua temática e dei a cara a tapa.

Afinal, como dizia Nelson Rodrigues na frase que abre o livro: "Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante".

Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor do livro Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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