sexta-feira, 22 de abril de 2016

Sobre Aquela Falta de Esperança





Me conte uma mentira, eu te contarei outra, e assim vamos vivendo. Mentiras deveriam ser descartadas como cartas de baralho, não tenho pudores, nem você deveria ter, mas as verdades estão sendo todas jogadas para debaixo do tapete. Encobertas, o que fazer? Um cuspe provoca mais comoção do que palavras de ódio. Quanto vale um cuspe? 

Nossa realidade é bem diferente da que vivíamos anos atrás, mas espere, mulheres não tinham voz, negros não tinham voz, gays não tinham voz, e você ainda prefere viver no passado porque era melhor? Tem certeza? O que era melhor? Uma ditadura que cerceava seus direitos? Talvez você prefira ter um filho que te destrata, verás que ele não foge a luta. E se mesmo assim você prefere o toque de recolher, foda-se você, eu não, ainda prefiro meu direito de ir e vir. 

Muitos se mudaram, outros tentaram mudar o país, e muitos destes que levantaram bandeiras contra golpes, facínoras e afins, hoje estão no poder e, pior, muitos estão fazendo tudo aquilo que diziam combater. Eu me pergunto, onde erramos?

Renato Russo se perguntava que país era aquele no fim dos anos oitenta. Ainda estamos fazendo a mesma pergunta e talvez nunca teremos a resposta, ainda não falimos porque nossa terra é muito rica e estamos livres de terremotos ou ataques terroristas, nossos inimigos não vem de fora e sim daqui mesmo e comem da nossa comida, bebem da nossa bebida; à mesa, sentam na ponta, mas não pagam a conta e ainda riem da nossa cara. Somos os verdadeiros palhaços deste circo chamado Brasil, triste país que não chegou a ser nação.

Eu não tenho mais esperança, principalmente depois do último domingo. Já passei da idade de acreditar em contos de fadas e de heróis, ainda prefiro os que vejo nos filmes. Num país que carece de modelos a serem seguidos criamos os nossos reis e rainhas, para uma nação quem tem Xuxa e Pelé como monarcas, eu ainda prefiro o rei Roberto, sempre soberano, que me oferece ao menos um momento de alegria e nostalgia uma vez por ano. Entretanto, nem Roberto pode mais com aqueles que pregam na casa do povo, num Estado, que deveria ser laico. 

Mas se você ainda tem esperança de que isso tudo vai mudar, eu te parabenizo, te saúdo, te encorajo mesmo a sair às ruas, a gritar, a dizer não ou sim para o que você acredita. A dar a cara à tapa, a tentar me fazer mudar de opinião e me fazer voltar a acreditar num país mais justo. Mas eu te digo, não será uma tarefa fácil. Estou cansado. Eu já apaguei as luzes, mas isso não quer dizer que você não possa acender novamente, só tome cuidado com a conta da energia no fim do mês.

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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Um comentário:

jailson madeira disse...

EU TAMBÉM JÁ APAGUEI IRMÃO,DEPOIS DAQUELE BIZARRO DOMINGO.