domingo, 24 de abril de 2016

Sobre Gatos e Felicidade





Eu deveria jantar shake para emagrecer ontem, mas resolvi comer um lanche. Pedi uma opção com salada para dizer que sou saudável. A pessoa quer enganar quem? O preço é justo e o lanche é gostoso. Queria Heineken, mas só tinha Skol, tudo bem. É o que tem para o sábado à noite.

Estava voltando para casa para ver Zorra, que agora não é mais “Total”, e cruzei com um gatinho preto. Ele deixou que fizesse carinho nele e me seguiu. Deixei que ele entrasse em casa. Estava faminto: comeu ração, bebeu água, usou a areia que separei para ele e está agora no meu colo, ronronando.

Confesso que tinha pensado em falar de diversos assuntos, como política - #ForaCunha, #ForaBolsonaro; religião – sim, eu sou espírita e respeito e admiro a diversidade religiosa; ou até sobre relacionamentos – como perdoar o boy 70 x 7 vezes, Jesus Cristo ensina. Mas o gato preto cruzou meu caminho e não tem como não falar dele – isso se o gato me deixar digitar, risos...

Talvez querer ajudar todos os gatos e pessoas que cruzem meu caminho seja um defeito. Às vezes, até sem poder ajudar eu tento ajudar. Mas enfim, defeito tenho para dar e vender, todos nós temos. Defeitos e vícios fazem parte dessa ciranda de amores e desamores chamada vida.

Lembro de um desenho chamado Eek! The Cat, onde o gato - roxo? - sempre dizia: Ajudar não dói! Pois bem, Sr Eek, ajudar dói sim! Mas acho que esse é o grande barato da vida: mesmo que doa, ver o outro feliz é tão compensador que a nossa dor se torna pequena perto da alegria do outro ser, seja gato, seja gente. Como minha querida professora falava: seja qualquer Criatura de Deus!

Mas voltando ao gato, o preto e não o roxo, ele dormiu. Mais feliz, tendo o que comer, tendo água para beber e um dedo humano para morder. Para o gato, a felicidade parece algo tão simples. Para nós, humanos, dotados do raciocínio, a felicidade pode ser tão complexa e distante.

Houve um tempo que eu achei que felicidade era um beijo na balada. Cada sábado era uma nova esperança de encontrar o príncipe que me beijaria e me faria feliz. Mas no final das contas eu só encontrei balalaica e ressaca. Um dia, encontrei um chupão no pescoço, mas essa é outra história.

Como disseram os poetas, “ontem eu era católico, hoje eu sou um gay”. Depois dos 18 anos, deixei de ser católico e virei agnóstico. Não queria pensar em um deus que me condenava por ser gay. Já não fazia sentido para mim.

E em um período da minha vida me entreguei às coisas materiais. Tentei encontrar felicidade em roupas, lugares e pessoas. Me endividei, conheci pessoas fúteis, fui em lugares só para me exibir. Não quero dizer que as pessoas não possam ser felizes com tudo isso, mas eu queria apenas fingir ser algo que não era. Veja bem, cada um é cada um.

Jesus disse algo sobre não julgar o outro, mas acho que ninguém leu esse trecho. A gente vive julgando demais as pessoas. Mas a felicidade de fato só depende de nós mesmos. Acho que a nossa religião deve ser a nossa consciência. E a nossa felicidade deve ser resultado de como damos valor ao que temos e não de fato sobre o que temos. Está confuso? A culpa é da Skol!

Quando a gente presta atenção na vida, ela nos ensina muito e, ontem à tarde, ouvi um daqueles rapazes que cuidam de carros na rua ajudar uma deficiente e falar para ela: por que esperar do outro quando eu mesmo posso te ajudar?

Quantas vezes esperamos que o outro faça o que a gente pode fazer? Aquele rapaz, com toda sua simplicidade, me ensinou algo. Tudo é questão de ponto de vida.

E o que eu quero dizer, com a nova semana que começa, é que não me arrependo de ajudar quem encontro. Porque, como disse um monge famoso aí: Não existe um caminho para a felicidade. A felicidade é o caminho.

Ajudar o próximo não é defeito. É qualidade. Jesus também disse que o que uma mão faz, a outra não tem que ficar sabendo. Quer dizer: Humildade, viaaaado, não fica se gabando pelo bem que você faz ao próximo; faz de coração e guarda essa língua grande que a senhora tem.

Tenho muitos defeitos e busco, através do autoconhecimento, me melhorar diariamente. No final das contas tudo isso nem é sobre religião, é sobre humanidade. E sobre o gato preto que cruzou meu caminho; quem quiser adotá-lo, entre em contato. 

Beijos, abraços e que alguma dessas coisas lhe façam sentido.


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Leandro Faria  
Daniel H. Garcia é de Campinas e tem quase 30 anos. Ele brinca de escrever, mas é analista de sistemas. É gay, nerd, negro e espírita, lutando contra pré-conceitos e discriminações. Também é pai de gato, cachorro e tamagotchi. É de escorpião, mas só acredita em signos quando interessa. É apaixonado por histórias e acredita que normal é ser diferente.
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2 comentários:

Luccas ou Valmirzinho disse...

Texto de muito bom gosto! Daniel H. Garcia soube passar emoção em cada linha. E, quanto ao gato, sou o menos indicado para falar, pois também amo esses seres lindos e de fácil felicidade. Atualmente cuido de 06 gatos lindos, sendo duas fêmeas e quatro machos, são as minhas crianças. Ambos adoram tomar banho!!!!!!!

Parabéns pelo post ;)

Daniel H. disse...

Obrigado Luccas, fico feliz que tenha gostado do Post!!
E gato é tudo de bom!! Todo dia aprendo mais com eles.
Abraço!!
Daniel H Garcia