sexta-feira, 29 de abril de 2016

Sobre Lubrificantes (ou Sobre Jean Wyllys e José de Abreu)





Canalhas. Sim, eu concordo com o Jean Wyllys, são todos uns canalhas escolhidos pelo povo, povo tolo que se deixa enganar esperando um salvador da pátria que nunca existirá. Eu gostaria de ter sido o protagonista do cuspe no Bolsonaro, que merecia ser preso pelas barbaridades que diz. O cuspe de Jean no tal sujeito foi um ato político coberto de glória, um desejo de todos aqueles que se sentem injustiçados, ao contrário do que pensam seus detratores.

Isto porque ainda existem pessoas que defendem o tal Bolsonaro e, defendê-lo não é uma questão de opinião. Nada nele é digno. Homofobia e sexismo não são questões políticas e não devem ser confundidas com liberdade de expressão, porque são mais do que simples ofensas, são posicionamentos criminosos, como também o racismo. Como defender alguém que glorifica um torturador? Liberdade de expressão não dá direito a ninguém fazer apologia ao crime e, quando alguém proclama tais ideias, ela é criminosa. Cuspir é sinal de repulsa, pôr pra fora o que incomoda afastando de vez de seu caminho. Quando Jean cuspiu no sujeito, ele demonstrava o nojo que sente por alguém assim. A atitude foi uma forma de dizer: basta, não aguento mais ouvir suas idiotices, seu discurso coberto de ódio. O cuspe de Jean foi o que eu e muitas outras pessoas queriam ter feito. Porém, sua atitude foi mal compreendida.

Tanto quanto a atitude do ator José de Abreu semana passada, ao ser provocado e xingado por um casal que não aceitava os ideais políticas do ator. A reação de José de Abreu, como ele mesmo disse no programa do Faustão, não foi pensada, foi um atitude de um ser humano ao ver sua esposa ser chamada de vagabunda, e ele ao ser chamado de vagabundo e ladrão. Ele não pensou duas vezes e eu acredito. José de Abreu não é vagabundo, todos sabemos que ele trabalha muito. Se é ladrão, nada nunca foi provado a esse respeito. Se o casal estava incomodado com o fato dele estar num restaurante chique, esse era um problema deles, ele tem todo o direito de ir onde quiser, ele trabalha e pode ir num restaurante chique como qualquer outra pessoa. Os cuspes de Jean Wyllys e José de Abreu foram de indignação.

Estamos vivendo uma sociedade anárquica. Crianças de agora estão cada dia mais alienadas, que futuro teremos? Não sei. Ninguém mais pode pensar de maneira diferente. O respeito já se perdeu há muito tempo. Mas peraí, eles não faltaram com o respeito quando cuspiram nos outros? Isto não foi nojento? Eles foram agredidos, toda ação gera uma reação, eles poderiam ter ignorado tudo isso, mas foi o mínimo que podiam fazer, quando cuspiram estavam dizendo em alto e bom som, CHEGA, NÃO AGUENTO MAIS VOCÊ, e isso pra mim não foi falta de respeito. A homofobia, o sexismo e o racismo, precisam acabar, mas para isso a intolerância precisa ser dizimada já que é a mãe de todos esses crimes. Pedir a volta da ditadura, proteger um torturador é um crime.

E quanto a cuspir? Agora todo mundo vai sair por aí cuspindo nos outros? Bem, eu acho que já deu, não é? Daqui a pouco o cuspe vira um oceano de tanta gente cuspindo com toda essa falta de tolerância.

Todavia, se querem cuspir, tudo bem, mas eu ainda prefiro lubrificantes.

Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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