quinta-feira, 21 de abril de 2016

Suicidas, o Thriller Policial de Raphael Montes





Um ano após o suicídio de alguns jovens, moradores da zona sul do Rio de Janeiro, em uma roleta-russa, as mães são convidadas para um encontro. A delegada Diana Guimarães decidiu reunir todas as mães dos suicidas com o objetivo de tentar esclarecer algumas pontas soltas sobre o caso. O guia desse encontro acaba sendo uma espécie de diário, com as anotações dos últimos momentos vividos por aqueles jovens, no porão de uma casa, antes de cada morte. Incluindo do autor das anotações.

No decorrer do encontro (que está sendo gravado), as mães vão descobrindo todos, e até então inéditos para cada uma, acontecimentos da roleta-russa que culminou na morte de cada um de seus filhos.

Toda essa trama pode soar um pouco macabra, admito. Só que Suicidas, primeiro livro de Raphael Montes, também autor do maravilhoso e muito recomendado Dias Perfeitos, é uma viagem instigante a cada virada de página. O enredo é um thriller muito bem construído e que te faz querer desvendar cada um dos mistérios propostos pelo autor. E prepare-se: são muitos.

O primeiro trabalho de Raphael Montes que tive contato foi Dias Perfeitos. E assim como aconteceu com Suicidas, li sem parar. Mas voltando um pouco no tempo, lembro que já havia folheado Suicidas em uma livraria, logo depois de seu lançamento. Lembro, inclusive, de fotografar a capa do livro para comprar pela internet depois (acaba sendo sempre mais barato). Mais do que isso, ainda me recordo, como se fosse hoje, de ficar com a sinopse martelando em minha cabeça. Não deixava de me questionar. Afinal, o que levou nove jovens a se juntar em um jogo mortal como a roleta-russa? E o que levaria uma delegada a reunir as mães desses jovens suicidas e ainda ler o diário daquela noite, com detalhes de cada uma das mortes?

O que tinha era sensação que aquelas mães eram, no fundo, masoquistas. E ouvirem sobre aquilo, descobrirem como tudo aconteceu, também era uma forma de se punirem (de novo). Punição por não terem percebido o que estava para acontecer. Por não terem salvado seus filhos. E pelo modo com que vivem hoje.

Após finalizada essa leitura, tenho a sensação de ter acompanhado uma série policial. A escrita de Raphael Montes acaba sendo muito visual. Impossível não imaginar cada uma das cenas, seus personagens tendo aqueles diálogos ou ações. É tudo muito cénico, o que ajuda a embarcar em sua viagem. 

Torço pelo dia que poderemos assistir, seja em uma série ou minissérie, uma trama policial do autor. Se levar para televisão tudo o que vem mostrando em seus livros, acompanharemos não só um grande enredo policial, mas teremos uma trama que será impossível de não se viciar. 

Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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