domingo, 17 de abril de 2016

Você Não É a Gabriela





As pessoas sempre falam que me acham engraçada, espontânea, extrovertida. Que eu sou legal, que gostam de ficar perto de mim. Parece algo bobo, não é? Mas eu fico muito feliz quando falam isso pra mim, pois nem sempre foi assim. Mal sabem quanto tempo da minha vida eu passei me moldando, me policiando, me transformando nessa Bárbara que sou hoje, e que ainda tem tanto pra melhorar.

Eu não queria ser a prima insuportável que ninguém chamava para brincar, e eu era. Nem a menina chata que ninguém queria ser amiga, e eu era. Eu não queria ser eu, eu não queria ter que conviver com essa pessoa, eu não queria acreditar que eu estava fadada a ser desagradável pelo resto da vida. Então comecei a perceber que muita coisa que eu não queria ser, eu podia simplesmente mudar!

Eu não queria ser gordinha, e eu era, então emagreci. Eu não queria ficar enchendo a cara numa balada enquanto minha vida passava, e eu ficava, então parei de beber por 6 longos anos, e quando eu percebi que já estava madura o suficiente pra voltar a beber, voltei. Eu não queria ser acomodada, não queria me sentir inútil, mas eu estava assim, então fui estudar, trabalhar, aprender inglês... Sozinha, ninguém precisou me levar pelo braço. Consequentemente, pude viajar e conhecer lugares que nunca imaginei que um dia seria possível, pude me comunicar com pessoas de diferentes partes do mundo.

Eu não queria morrer sem ter feito um intercâmbio, porém, não tinha dinheiro suficiente para isso, mas não desisti e nunca achei que eu não fosse fazer, só não sabia como ou quando. Então vim trabalhar na França; já que eu não posso pagar hospedagem e alimentação com dinheiro, pago trabalhando!  E posso garantir que tem sido a melhor escola do mundo.
"Mas o que você quer dizer com isso, afinal?"
Quero dizer que tudo isso só foi possível porque EU quis mudar. Mudei meus pensamentos, mudei a forma como eu me enxergava, e a forma como eu enxergava a vida. Passei a confiar em mim, acreditar em mim, a me achar linda, inteligente e capaz. Passei a ser a melhor companhia para mim mesma. Passei a reclamar menos, a ver o lado bom das coisas e, principalmente, parei de me lamentar e comecei a agir.

Eu mudei. E as coisas naturalmente mudaram também.

Não estou escrevendo isso para dizer que minha vida é maravilhosa, até porque nem tudo são flores, mas, estou escrevendo para tentar mostrar que a mudança na nossa vida só depende da gente. Nós sabemos exatamente o que precisamos fazer para melhorar, mas não fazemos. Simplesmente porque somos acomodados demais, egoístas demais,  negativos demais e mais uma tonelada de coisas que nos impedem de dar o primeiro passo.

O que mais me deixa triste em uma pessoa é aquela síndrome de Gabriela:
"eu nasci assim, eu cresci assim, eu sou mesmo assim, vou ser sempre assim..."
Não, por favor! Não faça isso com você.

Reclamar de tudo é hábito e não personalidade; grosseria é hábito e não gênio forte; egoísmo, preguiça, chatice, negativismo, sedentarismo, medo, comodismo, tudo isso são hábitos, você se acostumou a ser assim, mas isso não quer dizer que você precisa ser assim pra sempre, dá pra mudar.

Seja a pessoa que você quer ter por perto, isso não é falsidade, isso é abandonar maus hábitos.

Mude.

Pare de esperar o melhor momento, pois ele acontece agora. Tem tanta coisa que se eu tivesse plantado antes eu já estaria colhendo mas, infelizmente, tive que correr atrás do prejuízo em muitas coisas, e a vida cobra isso. Ela esfrega na nossa cara TUDO que deixamos pra fazer depois, e sempre que você se der conta que está sofrendo as consequências de algo que você deixou de fazer no passado, você vai escutar a vida te falando: eu te avisei.

Seu corpo, sua saúde, suas conquistas, tudo está esperando por você, pela sua atitude. Faça a diferença na sua própria vida, pare de dar desculpas e comece a dar soluções. E, quando olhar para trás, vai receber a maior de todas as recompensas: o orgulho e satisfação de ter aproveitado cada oportunidade de se tornar um ser humano melhor.
Leandro Faria  
Bárbara Cortez, 26 anos, com rostinho de 15 e pique de 70. Virginiana nada organizada, começou a escrever para não perder também a cabeça. Radialista por formação, cantora por paixão e escritora por cara de pau mesmo.
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2 comentários:

Glauco Damasceno disse...

Exatamente o tipo de coisa que eu estava precisando ler! Ótimo texto!

Márcio Lourenço Vital Intercâmbios disse...

Que texto maravilhoso... Eu concordo com cada palavra.
Gostaria de marcar várias pessoas nesse texto mas isso poderia criar uma discórdia muito grande.
Então preferi somente compartilhar para que essas pessoas leiam e tomem atitudes.