quarta-feira, 11 de maio de 2016

A Geração dos Sem-Palmada





Crianças... Eu as amo! Já falei aqui anteriormente sobre a minha vontade de ser pai e meus planos para isso. Porém, os desafios de educar esse serzinho se mostram bem maiores do que eu imaginava ao dar uma olhada à nossa volta.

Vemos cada vez mais crianças mimadas e voluntariosas, por vezes até agressivas com pais, avós, professores e outros. Uma geração mal criada por outra geração que ficou no meio do caminho: os educadores sem-palmada.

Não defendo aqui a palmada ou qualquer outra intervenção física. A educação tem que evoluir e utilizar métodos empregados na Idade Média é um tanto quanto inadequado para tempos mais modernos e humanos. Mas encontrar um substituto para a velha surra foi algo na qual grande parte do atual grupo de jovens pais falhou.

Certa vez vi uma analogia dessa geração a respeito da hora da refeição em família. Fomos de uma época em que, quando éramos apenas filhos, o melhor pedaço do bife era para o pai, chefe da casa. Agora em que chegamos à idade da paternidade/maternidade, o melhor pedaço vai para a prole. Logo na nossa vez de comer o bife...

Parece-me que se encontrou no ato de ser pai hoje em dia quase que uma forma de se desculpar e reparar possíveis desagradáveis lembranças quando o lombo esquentava com uma palmada, chinelada ou afins. A título de agradar os filhos de qualquer forma e dar a eles sempre o que de melhor tem a se oferecer, desenvolvemos uma geração que tudo pode. Morder o amiguinho na escolinha pode, porque não foi por mal... Empurrar as pessoas em uma fila pra que ela ande no ritmo que a criança quer, também pode... Responder cheio de propriedade os pais até com tapas, também pode... Afinal, foi fraquinho e até engraçadinho. Não aprendemos até hoje com os que atearam fogo no índio por diversão ou os que mandaram matar os próprios pais para poderem namorar alguém que eles não concordavam...

Pais (grupo esse no qual pretendo estar em breve), vocês são inteiramente responsáveis pelo tipo de ser humano que essas crianças irão se tornar. E, desculpem-me, a coisa não anda dando muito certo... É hora de reavaliar conceitos e procedimentos para não termos um mundo habitado por mal educados.

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Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor do livro Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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Um comentário:

Paulo Adriano Rocha disse...

4° parágrafo: melhor parte do texto. Hahaha!
É bem isso mesmo. Acho que os pais de hoje não sabem colocar as crianças como filhos e, sim, como reizinhos de casa. Não sou professor, mas sou formado na área e tenho muitos amigos atuando, e fico impressionado com os relatos. Embora que não se precisa ir tão longe, podemos ver isso ao nosso redor dia após dia.
Há alguns anos saiu uma pesquisa que as crianças definiam mais de 50% das compras da casa. Imagina hoje?
Que você tenha sucesso quando chegar na sua vez de ser pai e tenha equilíbrio para não ser escravo e ficar sem o bife. Rs.