domingo, 15 de maio de 2016

Do Desapego ao Amor





Amar nunca foi fácil. Requer uma boa dose de persistência, de compreensão, de força de vontade e, porque não dizer, de sorte. Amar requer muito mais do que simplesmente a palavra amar reflete em nossa sociedade, carregada daquele sentimento lindo e apaixonado que foi nos apresentado em histórias, contos de fadas e romance água com açúcar que pipocam em bancas de jornal nas praças de nossas cidades.

Ao mesmo tempo, amar é o desejo da grande maioria das pessoas, que desejam encontrar um par, seja para viver apenas cenas tórridas de paixão (o que, de fato, não é amor), ou para viver um grande e eterno romance, recheado de paixão, encontros, declarações, momentos de felicidade e, sim, amor eterno. A essa segunda categoria, ainda se encontram algumas pessoas em sã consciência, que não se deixaram tomar pelo sentimento contrário ao amor... o desapego.

Do mesmo jeito que aprendemos a amar (ou pelo menos tentamos aprender), não fomos ensinados a desapegar. Sim, ninguém nunca nos ensinou a exercer esse sentimento, que de início pode parecer péssimo, egoísta ou mesmo pretensioso. Mas, que se analisarmos friamente, pode sim ser algo extremamente útil na busca pelo amor.

Oi? Como assim? Devemos então nos desapegar do amor? Em parte, sim. Em parte, não. Amar é um sentimento que, apesar de todas as dificuldades que apresenta, surge de forma simples, espontânea e divertida, bem ao contrário do desapego, que é duro, triste, exige muita força e é desgastante. Por um lado ele pode parecer cruel, mas, por outro é extremamente útil.

Desapegar abre portas, abre espaço para que outros sentimentos cheguem, alivia dores e cura feridas. Aprender a desapegar, seja de um amor, seja de um trabalho, seja de um objeto, requer força de vontade, requer tempo, requer muito mais de nós mesmo do que do outro (no caso do amor) e, sim, pode ser duro no início, mas recompensador no final.

Ter o desapego como um sentimento dentro de nossas vidas não é nos torna frios, nem egoístas, e muito menos uma pessoa sem amor. Pelo contrário, saber quando e como despegar, exerce em nós uma profunda sensação de plenitude, pois sabemos onde estamos, onde queremos chegar e de que forma, sem nos prendermos a outros, a caminhos já traçados ou a pré-conceitos alheios; e tudo isso, só tende a vir ao encontro  da felicidade do ser.

Amar também é desapegar. E vice-versa...

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Leandro Faria  
Matheus A. Belloto, 40 anos, nascido e criado no interior de SP (Piracicaba), arquiteto de formação que jogou tudo pro alto, se tornou barista e abriu um café, onde passa o dia entre cafés, clientes e paixões erradas ou não correspondidas. Amante da boa literatura, dos filmes e de cafés, espera que algum dia seja despertado com um belo café da manhã na cama.
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