segunda-feira, 2 de maio de 2016

Se Você Pudesse Voltar no Tempo, O Que Mudaria na História da Humanidade?





Terminei nos últimos dias a leitura de Novembro de 63 (11/22/63 - A Novel, no original), livro de Stephen King e, com ele ainda na cabeça, cá estou escrevendo esse texto. A trama do livro é intrigante e interessante, que me deixou pensativo e com a pergunta que deu o título para a coluna na cabeça e que compartilho com os leitores: você gostaria de mudar algum fato marcante do passado da humanidade?

Em Novembro de 63, Stephen King contrói sua trama em cima do protagonista Jake Epping. Apenas um professor de Literatura Inglesa em 2011, ele se vê, graças a um portal do tempo, vivendo no ano de 1958 e com uma ideia fixa e uma missão na cabeça: impedir que Lee Oswald assassine John Kennedy no dia 22 de novembro de 1963, durante uma visita do então presidente americano à cidade de Dallas. Para isso, Jake tem em mãos os fatos conhecidos por todos nós, mas também a incerteza, já que o que não faltam são teorias de conspiração sobre a ~verdade~ por trás da morte de Kennedy. Além, é claro, de ter de passar cinco anos no passado até conseguir o seu objetivo - e, claro, atender as necessidades narrativas da ficção criada por Stephen King, um mestre na arte de contar histórias.

Não vou dar mais detalhes do livro porque não quero acabar soltando nenhum spoiler sem querer da trama (mas indico a leitura, porque é realmente muito bom!). Entretanto, ao pensar em tudo que o protagonista vive e em sua necessidade de mudar a história para que, pelo que ele acha, o mundo se torne um lugar melhor, me peguei pensando: e eu, se encontrasse uma fissura no tempo e pudesse mudar a história mundial, o que tentaria "consertar"?

Impediria o assassinato do arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do império Autro-húngaro em 1914, freando o estopim da Primeira Guerra Mundial? Meteria uma bala na cabeça de Adolf Hitler, bem antes dele sequer cogitar tornar-se chanceler alemão e, anos depois, orquestrar a Segunda Guerra e toda a tristeza deflagrada pelo Holocausto? Avisaria as autoridades antecipadamente sobre catástrofes naturais como o furacão Katrina, em 2005, ou o tsunami que varreu a Ásia, em 2004? Ou seria mais egoísta e daria um jeito de entregar ao meu pai, antes mesmo de eu nascer, um caderno com o resultado de apostas milionárias da Mega-Sena, só pra garantir uma vida de príncipe quando eu finalmente nascesse?

Conhecemos, principalmente por causa das obras de ficção, os desdobramentos do Efeito Borboleta que diz, de maneira simplificada, que o bater de asas de uma borboleta poderia, por exemplo, causar um tufão no outro lado do mundo. Assim, mudar algo no passado provocaria mudanças substanciais na história como a conhecemos, para o bem ou para o mal. Estaria você disposto a pagar esse preço? Ou melhor, será que o curso da história estaria preparado para ser alterado desse jeito?

É claro, estou aqui fazendo apenas um pequeno exercício de imaginação e levantando perguntas hipotéticas. Mas sei que, no fundo, se tivéssemos a oportunidade de voltar no tempo seria praticamente impossível resistir à tentação de experimentar essa possibilidade e, com Efeito Borboleta ou não, é óbvio que acabaríamos mudando alguma coisa. Afinal, a ideia da viagem no tempo por si só já é um paradoxo, já que a partir do momento em que tivéssemos essa oportunidade, já estaríamos tendo de tomar uma decisão que alteraria o futuro.

No livro de Stephen King, o protagonista Jake Epping tem uma causa nobre e, apesar disso, acaba se envolvendo em questões particulares e sentimentais, que colocam sua missão em risco. Isso, aliado à máxima de que o passado é obstinado e não quer ser modificado, levam a narrativa até o seu ápice que é, ao mesmo tempo poético e assustador, mas que faz todo sentido para a narrativa de Novembro de 63.

Nós, da mesma maneira, por mais nobres que fôssemos, uma vez que tivéssemos a oportunidade ímpar como mudar o passado, certamente seríamos afetados, principalmente se nos fosse oferecida a possibilidade de mudar o nosso próprio futuro, dando um bom upgrade na vida, como eu, que certamente procuraria um jeito de fazer do meu pai milionário, ajudando a cegonha que, na narrativa real e que estou vivendo, errou rudemente de endereço.

No fim das contas, mudar o passado, pelo menos nos dias de hoje, ainda é impossível, e pensar nisso é apenas mais um exercício de ficção, como tão bem Stephen King orquestrou em sua obra. Ainda estamos aqui e continuaremos colhendo os frutos de nossas ações e daqueles que nos precederam no planeta, tendo de aprender a lidar com o que a vida (e o tempo, sempre ele) nos oferece.

Dessa forma, acho que a pergunta que fica é bem mais pertinente para cada um de nós, cidadãos de um presente que foi desenhado pelo passado obstinado: o  que estamos fazendo, individualmente e como sociedade, para mudar o futuro? Think about it.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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