terça-feira, 24 de maio de 2016

Sete Passos Para Superar o Fim de um Namoro. Oi?





De bobagem e louco, toda internet tem um pouco, não é mesmo? Mas, apesar de tão óbvia constatação, ainda fico assustada quando leio certas coisas. Não porque são dotadas de uma ignorância magnânima, mas porque pessoas assinam e recomendam que utilizem seus serviços depois de um breve "gostinho" do potencial que elas têm. 

Foi numa dessas que vi alguém compartilhando um artigo com o título 7 Passos Para Lidar Com a Solidão do Fim de um Namoro. Interessante. Antes de abrir o link, fiz um pedido semi-inconsciente para que fosse algo completamente diferente. Que podia ter 6 itens mandando tomar sorvete, se divertir, conhecer novas pessoas, gostar de você e outros clichês, mas que o sétimo fosse inédito. Fosse uma coisa que ninguém pensou e que ajudasse os corações partidos desse mundão. 

Não teve nada disso. Mas, pior do que se manter na mesmice de sempre, me assustou que o texto era escrito por uma pessoa que se dizia coach de relacionamento e auto-estima. Dentre os absurdos que são ditos a respeito de términos, as ordens e os métodos que as pessoas cismam em te mostrar são assustadoramente frias, egoístas e vazias. É claro que seus amigos vão te aconselhar para que você não procure mais a pessoa com quem estava, porque ver pode te manter parado no mesmo lugar - onde você gostaria de estar, mas seja por qual for o motivo, não está mais. Mas daí a você ditar como primeiro passo que, por mais que seu dedo fique congelado, imóvel e sem coragem, sua outra mão precisa segurá-lo e forçá-lo a deletar a pessoa da sua vida, das redes sociais, das fotografias e inclusive da cama. Sim. Ocupar a metade da cama que a pessoa dormia com colcha, computador, água, livros e sei lá mais o quê.

Se métodos assim funcionassem para todos, algum cientista já teria inventado uma pílula tão radical quanto, e todo aquele passado - breve ou longo - seria rapidamente esquecido. As pessoas (e eu sei que tá cada dia mais difícil de acreditar) têm sentimentos, e seus sentimentos têm intensidades distintas. Pode ser que eu consiga facilmente me afastar, enquanto você precise daquela pessoa de alguma forma, por algum tempo que seja. Não tem certo e errado. Não tem obrigação e dever.

O que precisa existir é, sobretudo, empatia. Com você mesmo, com o ex-parceiro(a), com os amigos, com o novo, com o escondido, com o velho, também. Com tudo aquilo que faz parte do seu ciclo, da sua existência, que são raiz e nuvem. 

Não adianta você assinar como coach e pedir que a pessoa que passa por essa ruptura tão difícil baixe músicas animadas e dance sem parar. Isso é de uma frieza tão grande, tão injusta e tão desonesta que parece mais uma conspiração de crueldade. 

Se você quer ouvir e dançar as músicas da Beyoncé, ótimo. Mas se não quiser, se não tiver forças pra isso, tudo bem. Não é um incentivo para você colocar Adele no repeat e pensar que jamais será feliz novamente, mas também não pode ser um empurrãozinho para sua auto-estima se suicidar quando não conseguir atingir os padrões de felicidade da sociedade.

Tudo, no seu tempo, se encaixa. E não é que o tempo apague ou cure, porque tempo também é Deus. E Deus nada mais é do que sua grande força. Então, use o tempo, sim. Use para acordar e pra dormir, pra chorar e pra sorrir. Use pra cair. Pra fraquejar. E esse mesmo tempo vai estar aí inteiro para você superar, também.

Os 7 passos para lidar com a solidão se resumem em 1: não aceite a solidão como prêmio de consolação, mas a acolha como companheira para que você possa ir a outros lugares. O novo é um conjunto de 7 passos e você só vai descobrir quais são eles quando voltar a caminhar.

Abaixo a ditadura da felicidade constante, sejamos mais humanos.

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Leandro Faria  
Patricia Janiques, 30 anos, produtora cultural, escritora, roteirista e publicitária somente nas horas vagas. Tem medo de cachorros e egoísmo, não curte chocolate mas é adicta a goiabada e acha que arte e meditação podem mudar o mundo.
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Um comentário:

Luíza Motta disse...

a melhor coisa para se superar o término de uma relação é ter um cachorro, o meu jack me animou muito quando eu terminei além de fazer companhia, ainda mais agora com o www.loscaninos.com que fica fácil de pesquisar e agendar com veterinárias e pet shops. acho que gatos ajudam também, mas cachorros são mais animados, nos primeiros dias não vai ter jeito, mas com o tempo você percebe que um cachorro ao seu lado faz toda a diferença na superação