sexta-feira, 13 de maio de 2016

Sobre Sexo, Cinemas, Banheiros e Saunas





Eu nunca fui a uma sauna, nem em cinema pornô, nem nunca fiz sexo em banheiro público. Oportunidades existiram, mas eu sempre fui muito medroso, sempre preferi a boa e velha cama e, talvez, a minha maior aventura tenha sido alguns pegas num carro e pense no cagaço que isso me deu. Mas eu não tenho nada contra quem faz e conheço muita gente que frequenta estes lugares e gosta muito. Os motivos para frequentarem são os mais variados desde um casamento infeliz, a busca pelo sexo rápido, a necessidade de sexo, carência afetiva, conhecer algo diferente, uma aventura, gostar do ambiente, encontrar amigos que frequentam o mesmo local e bater papo, enfim, eu passaria muito tempo discutindo aqui o que leva uma pessoa a ir num shopping e passar a tarde no banheiro com a piroca pra fora esperando que alguém o masturbe, ou até mesmo pagar para fazer sexo com um travesti sentado na poltrona do cinema enquanto o cara da limpeza passa ao lado ou ser observado fazendo sexo por um bando de gente numa sauna. São fetiches, desejos, todos temos e porque não dar vazão a isso?

Lembro de várias histórias de amigos meus que frequentavam cinemas no centro da cidade. Certa vez, um deles me contou que se deparou com um homem completamente nu na parte reservada aos fumantes do cinema. Outro me relatou que o filme era algo que ele menos via e seria incapaz de dizer o que se passava na telona, já outro adorava os filmes antiquíssimos que possuíam começo, meio e fim, bem diferentes daqueles da geração rew/ff e era justamente isso que lhe atraía. Um deles me relatou um caso que lhe ocorreu em pleno sábado de carnaval e o cinema estava bem cheio: enquanto mantinha relações sexuais com um rapaz, o mesmo conversava amenidades com o amigo ao lado e, em determinados momentos, ele percebeu que ele era a coisa menos interessante ali. Outro dizia ir quase todos os dias ao sair do curso técnico, ia tanto que ficou amigo dos funcionários e travestis que batiam ponto lá; quando o cinema fechou não pisou mais em nenhum. Todos, entretanto, eram unânimes em dizer que de, todos os cinemas que frequentavam, uma coisa era marcante: o cheiro de carpete velho.

Banheirão é algo engraçado. Eu, por exemplo, sempre achei muito estranho e perigoso, porque se tinha receio de ser pego entrando num cinema, imagine ser pego por alguém conhecido dentro de um banheiro dum shopping? Um amigo dizia que havia um banheiro que todos já sabiam que era famoso em determinado estabelecimento comercial, mas a gente vai crescendo e vai ouvindo histórias de banheiros famosos em outros locais. Já vi situações em vários locais, mas coragem nunca foi meu forte pra esse tipo de situação. Manjar rola, como diria o José Loreto, é o máximo que eu ainda me dou ao direito.

Por mais que me convidassem, nunca entrei numa sauna, nem aqui nem em lugar nenhum que morei. Assim como nos outros lugares, as oportunidades apareciam, mas eu sempre deixava passar. Se tive vontade uma vez, deixei de ter. Lembro de vários amigos e conhecidos dizerem que era divertido, limpo, mas mesmo assim nunca me despertou o desejo. Lembro de alguns dizerem que vira e mexe encontravam um ex-BBB, ou ex ator global ou autor de novelas. Eu já encontrei todos estes em boates gays. Pena que estavam todos vestidos.

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Leandro Faria  
Serginho Tavares é um apreciador de cinema (para ele um lugar mágico e sagrado), da TV e da literatura. Adora escrever e é o colunista oficial do Barba Feita às sextas. É de Recife, é do mar: mesmo que não vá com tanta frequência até a praia e mantenha sempre os pés bem firmes na terra.
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Um comentário:

Homem, Homossexual e Pai disse...

nossa, igualzinho... nunca fui... mas acho que eutenho um pouco de "nojinho"... por isso nuncame joguei nestes lugares!