segunda-feira, 9 de maio de 2016

TOC, Manias e Um Pouquinho de Chatice





Eu sou chato pra caralho. Não tenho problema algum em admitir isso, sem sofrimento e nenhuma crise. Eu sou assim, ponto final; goste de mim com as minhas particularidades ou então, tudo bem, eu posso viver sem a sua aprovação. Escrotice? Nada, eu apenas aprendi a ser do jeito que eu sou e não como esperam que eu seja. E muito da minha ~chatice~ vem das minhas manias que, apesar de tentar controlar, nem sempre tenho êxito. Manias, quem não as tem, não é mesmo?

Organização, controle de tempo e um quê de as coisas terem de ser feitas do jeito certo (no caso, o meu). A pia limpa, sem louça acumulada. O papel higiênico do banheiro, arrumado no recipiente de papel de forma que, quando puxado, o rolo rode em sentido horário. Os livros na prateleira, ordenados em ordem alfabética, primeiro por autor, depois por título. Na minha mesa do trabalho, os documentos que utilizo em sequência, além dos objetos dispostos do jeito que eu arrumei. Os aplicativos do meu celular organizados em pastas, quando convém, e, se na tela, em ordem lógica e nunca acumulando notificações, pois não sei viver com numerozinhos de notificações aparecendo sobre os ícones dos apps. A necessidade absurda de corrigir erros de português em conversas escritas, porque um "simplismente" me agride e um "menas" me broxa rudemente; mas como corrigir de cara é muito feio, me vejo tentado a usar a palavra que foi usada equivocamente escrita da forma certa, meio que para mostrar que teve um errinho ali atrás e que dá pra ser corrigido no futuro. 

Eu já fui pior. Quando solteiro, minhas roupas eram guardadas em sequência de cor. Eu contava meus dedos mentalmente para ver se continuavam ali (tá, vocês devem estar me achando super bizarro, até eu rio disso hoje). Eu não conseguia largar um livro pela metade (mesmo sendo ruim) ou abandonar um filme ou série antes do fim. Mas com um namorado que devia ter "bagunçado" como sobrenome, fui melhorando aos pouquinhos em algumas muitas coisas. Tratamento de choque pro TOC, eu sei, mas hoje consigo relevar muitas algumas coisas que antes simplesmente não me deixariam dormir, apenas por não estarem do jeito que eu achava que elas deveriam estar. Viver a dois exige isso da gente, mas sei que ele sofre comigo, porque, como eu disse, apesar de tentando me controlar, sou chato pra caralho.

O interessante disso tudo é que o que hoje sei que é uma mania minha, muitas vezes eu encarava como a única forma certa de ser feita. Afinal, se eu fazia daquele jeito, me incomodando se estivesse de outra forma, isso só podia ser o correto, né? A gente fica meio cego dentro do nosso universo particular, muitas vezes achando bizarrice aquilo que é feito diferente da nossa maneira. Tolinho eu, que, certamente, devia fazer todo mundo pensar sobre mim: "nossa, que bizarro!".

O fato é que o que muita gente encara como mania, muitas vezes é bem mais sério do que apenas um jeito próprio de fazer as coisas. O TOC é um transtorno mental sério que, muitas vezes não é considerado como tal. Muitas vezes taxado de frescura ou chatice, fico imaginando o que é alguém viver com um TOC em alto grau, já que eu, com as minhas pequenas manias, travava verdadeiras batalhas internas para conseguir assimilar o que eu achava que estava errado, imagina quem tem isso de maneira mais acentuada?

Hoje eu consigo rir de algumas coisas, mas me pergunto seriamente como alguém pode ver as imagens abaixo, que são fortíssimas para quem tem qualquer grau de TOC, e não ter calafrios:


Pois é, controlado ou não, tem coisas que não deveriam nunca acontecer no universo. As imagens acima são apenas um exemplo disso. E tenho dito.

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Anônimo disse...

Então, eu não tenho toc. Tenho poucas manias, e não as considero tocs porque consigo conviver sem isso. Meu companheiro (estamos juntos há 8 anos), também tem algumas manias. Compramos um quadro pra por na nossa sala, e no quadro, que retrata uma cena parisiense, tem algumas arvores, e uma dessas árvores foi pintada sem folhas. Vira e mexe ele olha o quadro e fica inconformado com a arvore, rs. Geralmente eu respondo o seguinte: "existem árvores com folhas, e existem árvores sem folhas, essa árvore está sem folhas por algum motivo, e cada vez que você olhar pra ela exercite a sua tolerância". Daí rimos e tudo fica bem. Acho que lidar com as manias dos outros é isso, um exercício de tolerância. Bjs e obrigado pelos ótimos textos. Robson/SJCampos