terça-feira, 3 de maio de 2016

Um Dia De Realismo





Outro dia estava eu no consultório da dentista e ela me perguntou se estava tudo bem. Aí eu, claro, disse que estava tudo muito bem, mas depois eu suspirei e falei que não estava nada bem. Ela prontamente me disse: "Ah, mas a gente tem que falar que tá bem, né? Se bem que... Às vezes, é melhor ser realista...", e eu não podia concordar mais!

A gente tem a mania de:

- Ei, Fulana, tá tudo bem?
- Ei, Ciclana, tá tudo ótimo, e com você?
- Tá tudo bem também.

Mas não tá! Não tá nada bem. Contas atrasadas, salário que não aumenta, desemprego, doença, o frio, etc, e a gente fica dizendo que tá tudo bem, enquanto na nossa cabeça tem uma série de explosões acontecendo, avalanches despencando constantemente e a gente lá, sorrindo, simulando felicidade.
"Ai, Glauco, mas a gente tem que falar que tá feliz pra poder atrair coisas boas!"
Sim, eu sei, eu acredito em energia, mas a gente tende a ficar nessa de tá tudo bem o tempo todo, de que tem que pensar positivo o tempo todo, que acaba esquecendo de se preocupar de fato com determinado problema. Esquece de chorar, de surtar, de gritar, de ter um ataque de pelanca, e muitas vezes é isso que faz a mente da gente dar uma aliviada e a solução aparecer. Um exemplo disso é aquele filme Divertida Mente. Quem viu sabe que a Felicidade encheu o caralho do saco o filme todo porque queria que tudo fosse perfeito, e não admitia que a Nojinho, Medo, Tristeza e Raiva assumissem o comando da situação, e no final, a menina só precisava da Tristeza pra chorar e expor os seus sentimentos.

É um filme infantil? É. Ensina uma lição? E que lição! Não dá pra gente ser felizinho o tempo todo, a gente tem que cair um pouco na real. 
"Ah, Glauco, então vamos ter que falar o tempo todo que tá tudo ruim?"
Não, não vamos confundir Realismo com Pessimismo. É só não viver na fantasia o tempo todo, não ficar simulando felicidade constantemente. Por isso eu convido você, amiguinho leitor, amiguinha leitora, a, pelo menos durante um dia todo, o dia de sua preferência, você assumir pra si e pros outros que não tá tudo bem não. Claro, se estiver tudo bem, bom pra você, vamos tomar um sorvete qualquer dia desses, mas pra você que está passando por certas dificuldades, convido você a responder: "Não, Fulano, não tá tudo bem não, viu? Uns problemas aí, sabe como é." por, pelo menos, um dia. 

Sente debaixo do chuveiro, chore, xingue, esmurre alguma coisa (cuidado com as mãos), coloque seu problema pra fora de algum jeito. Por pelo menos um dia encare a bad que te rodeia. Às vezes, a solução acaba aparecendo. E, se não aparecer, pelo menos você tirou um pouco do peso que carregava.

Não sei se o texto ficou bem claro, eu escrevi na correria enquanto ia pro hospital com meus pais, mas a ideia é basicamente essa. Até terça que vem com um texto melhor planejado. Fui!

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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2 comentários:

Homem, Homossexual e Pai disse...

Muito legal Glauco... do mesmo jeito que os filmes e livros reproduzem os grandes arquétipos da humanidade é muito legal usarmos as novas fábulas modernas - como divertidamente - para fazer nossas reflexões... acho alias que o filme é excelente para ensinar as crianças que temos todos os lados dentro da gente! Fique Bem! ou fique mal! rsrsr
abraços, excelente post!

Glauco Damasceno disse...

Obrigadinho, rapaz!! xD