quarta-feira, 18 de maio de 2016

Viajar é Preciso





Retornei ontem das minhas férias (ausência programada, no termo mais correto, mas digo férias pra ser compreendido melhor). E mais uma vez constatei o que parece tão óbvio em cada uma delas: viajar é preciso. Não porque é uma obrigação (toda vez que anuncio que sairei de férias, todo mundo pergunta: "vai pra onde?" - e se eu quisesse ficar em casa?), mas porque renova energias, refaz os ânimos e promove encontros e descobertas que são fundamentais para a memória de nossa vida.

Compartilhei aqui no Barba Feita o relato da longa viagem das minhas últimas férias, pelo Peru e pela Bolívia. Recheada de imprevistos e situações bastante ruins. Dessa vez optei por algo mais doméstico: ficamos na Bahia, estado do qual só guardo boas lembranças. A escolha foi pela Chapada Diamantina, pedaço que ainda não conhecíamos, com uma esticada para Salvador.

A Chapada é um lugar fantástico. Já tinha estado na Chapada dos Guimarães (MT), por duas vezes. Mas a Diamantina guarda paisagens fora de série. Reserva ao viajante situações pelas quais dificilmente passará de novo com tamanha intensidade, como conhecer grutas recheadas de formações: poços cavernosos inundados por águas cristalinas de lençóis freáticos, nas quais se refratam raios de sol em tons de azul; flutuação com leves momentos de mergulho; rios que permitem banhos revigorantes e até escorregas naturais; vista de morros e vales esculpidos por milhares de anos pela natureza; a segunda maior cachoeira do Brasil em queda livre. Tudo incrivelmente perto e acessível (claro, alguns em níveis mais difíceis que outros).

E o povo... Fomos bem recebidos em todos os lugares. Conhecer pessoas novas é algo fundamental numa viagem. E a vida te apresenta desde o mais interiorano e simples nativo até o assessor de uma cantora famosa. Tudo num espaço de tempo de uma semana. 

Salvador, para mim, é um espetáculo à parte. Já me questionaram por que eu venho tanto a Salvador nos últimos anos. Sabe aquela cidade que não é sua, que até parece diametralmente oposta ao seu estilo, mas que faz você se sentir em casa? Sabe aquele lugar onde toda vez em que você vai faz novas amizades e fortalece as que fez antes? Sabe aquele local de praia mas que, mesmo quando chove, te dá um monte de opção de coisa por descobrir? Por isso amo Salvador. Parto já pensando em quando poderei voltar. 

Pode ser uma simples semana a alguma pequena distância de sua casa. Viajar é preciso. É o combustível e o renovador de uma alma livre, jogada em um mundo tão enorme que não temos a dimensão. 

Volto agora à rotina, sem sofrimentos. Com a certeza de que em breve terei a oportunidade novamente de sair por aí afora.

Leandro Faria  
Paulo Henrique Brazão, nosso colunista oficial das quartas-feiras, é niteroiense, jornalista e autor do livro Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Recém chegado à casa dos 30 anos, não abre mão de uma boa conversa e da companhia dos bons amigos.
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Um comentário:

Homem, Homossexual e Pai disse...

viajar é mais do que preciso! é f u n d a m e n t a l!