quinta-feira, 30 de junho de 2016

O Combo do Fetiche





Quinta-feira passada encontrei o pessoal em um café na Rua da Assembleia, esquina com Rodrigo Silva, aqui no Rio de Janeiro. Foi um daqueles encontros para colocar o papo em dia e matar saudades. Tudo bem que cheguei um tempo mais cedo (aproximadamente duas horas antes) no lugar combinado, mas aproveitei para continuar minha leitura de Perversão, segundo livro do Paulo Henrique Brazão, lançado duas semanas atrás. Estava em um ponto do livro em que me deparei com uma leva de contos intrigantes e, admito, permiti que minha imaginação ganhasse vida por um tempo... Um bom tempo!

Quem conhece o centro da cidade, sabe que por si só ela tem uma atmosfera bem própria. Então, depois de finalizar mais uma história, fechei o livro e passei a observar as pessoas ao meu redor. De cara encontrei um solitário na mesa do lado. Ele mexia freneticamente no celular. O café chegou, ele bebeu, sem nem mesmo olhar para outra coisa que não fosse seu smartphone, logo depois levantou, pagou e foi embora.

quarta-feira, 29 de junho de 2016

LGBT Com Orgulho?





Ontem foi o Dia do Orgulho LGBT. A data pauta uma série de eventos mundo afora, no Brasil, mais notadamente, as Paradas em São Paulo e no Rio de Janeiro. Mas o que significa o tal orgulho LGBT para quem é... LGBT? Não são (somente) os estereótipos de deuses gregos se beijando em público nem das drag queens abrindo seus vaporosos e ruidosos leques cobertas de maquiagem. É algo bem mais íntimo que precisa, sim, ser considerado ao se falar em sermos mais humanos.

A pergunta, para mim, remonta aos tempos de descoberta da minha sexualidade e, consequentemente, de mim mesmo. Foi com 16 anos que percebi que pessoas do mesmo sexo me atraíam e que isso não me tornava pior do que ninguém. O que não me impediu de viver um turbilhão em minha cabeça. "Nunca terei uma família?", "E o meu sonho de ter filhos?", "Como serei aceito?", "Como meus pais vão reagir com o único filho homem não dando uma nora pra eles?", "Deixarei de ser um bom exemplo para a minha irmã mais nova?".

terça-feira, 28 de junho de 2016

Marca Indelével






“Correndo o risco de soar sentimental, eu sempre achei que havia pessoas que deixam uma marca indelével na sua alma. Uma marca que nunca pode ser apagada.” - Phillip Broyles (Fringe)

Eu sei. Eu sei muito bem do que eu falei ano passado. Eu sei que o teor de vários dos meus textos foi sobre ex's e sobre pessoas que passam pelas nossas vidas e nos fodem de um jeito que nossa alma fica marcada por muito tempo. Talvez pra sempre. Uma marca indelével. Mas existe uma outra forma de olhar as coisas. 

Ontem, numa conversa antes de dormir, Rafael e eu estávamos discutindo sobre a letra X. Pra ele, o X significa mensagem de erro, vidro cheio de veneno. Pra mim, o X marca no mapa onde o tesouro está escondido. Uma letra, duas formas de vê-la. 

Assim como o X, muitas situações podem (e devem) ser vistas de duas, três ou quantas formas forem possíveis. Eu não vi. Não quis ver. Provavelmente, por viver em um mundo fantasioso, em que ele era o vilão e eu, o mocinho indefeso, injustiçado. E não foi assim. 

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Confissões Improváveis: Eu Não Assisto (e Nem Gosto de) Game of Thrones





Todo domingo é a mesma coisa: minha timeline no Facebook e no Twitter explodindo em comentários em tempo real sobre a engenhosa trama de Game of Thrones. São mortes, reviravoltas, spoilers diversos. Gente feliz e gente contrariada. E fãs que repercutem os acontecimentos do episódio da semana por dias, meses (fim de temporada, né?), criando teorias diversas sobre o mundo criado na literatura por George R. R. Martin e levado para a televisão pela HBO. E euzinho no meio dessa história? Fazendo o cavalo na marcha de 7 de setembro: cagando e andando solenemente para tudo isso. 

Ganhei de presente, anos atrás, o primeiro livro da coleção As Crônicas de Gelo e Fogo, do autor George R. R. Martin. A série da HBO ainda não havia estreado, mas todo mundo já comentava a maravilhosa história de A Guerra dos Tronos e eu, interessado nessas novidades, fiquei curioso. Entretanto, logo nas primeiras páginas do livro, me deparei com um problema: o livro era chato à beça, chato pra caralho insuportavelmente chato. Eu tentei avançar na trama, mas senti a mesma preguiça mortal que senti ao tentar ler O Senhor dos Anéis e não titubeei; deixei pra lá. 

domingo, 26 de junho de 2016

Virgindade aos 30 e Algumas Questões Existenciais





Vocês pedem, imploram, mandam emails e mensagens diretas para os meninos do Barba Feita e o que acontece? Eu volto, sweet darlings, sempre volto. Ahaza porque eu podendo e não faço a modesta. Aloka!

E fico pensando? Sobre o que escrever, o que falar. E o que faço? Recorro a vocês, claro. Porque algo que tenho são amigos e amigas virtuais, que adoram me contar o que acontece em suas vidas e pedir a minha singela opinião. Que eu, obviamente, dou, porque não me faço de rogado. E assim é que decidi que hoje seria a hora e a vez de uma amiga virtual, A Virgem dos 30 e Poucos Anos, que me enviou a seguinte mensagem:

sábado, 25 de junho de 2016

Última Sessão de Música





Este é o meu texto de despedida. Certo. Soou dramático. Afinal, não é uma carta de suicídio nem um testamento. É apenas um “até logo”, do tipo que se dá em halls de aeroporto ou em guichês de rodoviária. Malas prontas e um pé no embarque. Mas estamos sempre por aí, qualquer dia a gente se vê, don't cry for me

Como em todo final, os músculos, antes de relaxarem, enrijecem. Travamos lindamente. Infantis e antiprofissionais. Sobre o que escrever na derradeira crônica? Todos os possíveis assuntos me pareceram tão obsoletos quanto jornal impresso. Uma bobagem que antes renderia uma observação filosófica, resumiu-se a bobagem que de fato era. Então fui atrás de alguma inspiração. Li alguns livros e artigos, assisti série americana e dinamarquesa, filme belga, provoquei uma briga pra ter argumento. Nada funcionou e saí da empreitada criativa sem coesão e coerência.

sexta-feira, 24 de junho de 2016

"Às Vezes Morremos Para Provar Que Vivemos"





Entre dezembro de 1990 e maio de 1991, eu acompanhei uma graphic novel muito interessante chamada Moonshadow. Originalmente, foi publicada em 1985, nos Estados Unidos, pela Epic Marvel, que já buscava novas histórias com temática adulta que fugisse do estereótipo do “super-herói”. Confesso que me emocionei muito com a história fantasiosa de Moonshadow e seu peculiar universo, com elementos espaciais do Pequeno Príncipe, recheado de criaturas bizarras e sua incessante viagem pelas estradas da vida, em um tom de autoconhecimento e que poderiam, com toda certeza, ser a minha, a sua ou a história de qualquer outra pessoa. 

Mesmo com toda aquela aura mítica e surreal, Moonshadow me atingiu em cheio. Parecia que em muitas páginas, o autor John Marc DeMatteis estava dando um recado para mim, através do jovem protagonista, que tinha a mesma inocência, os mesmos medos, frustrações, desejos e descobertas. O que mais me impressionou em Moonshadow foi que ela não somente poderia ser a história de nossas vidas, mas principalmente, do nosso despertar.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

O Tesão a Toda Prova





Tesão é uma coisa engraçada, né? A gente não explica, sente. Já conversei sobre isso com o Leandro Faria, colunista das segundas aqui no Barba. Desse papo até saiu um belo texto: A Probabilidade do Tesão dele. Se você não leu, corre lá que continuo o assunto aqui. Vai e volta rápido! 

Após o papo e depois de ler o texto do Leco, fiquei pensando bastante sobre isso. Não sou um cara que se encana muito com algumas coisas. Sexo, por exemplo, não é um bicho de sete cabeças pra mim. Gosto tanto do assunto que existe a coluna Sexo Oral (em breve sua segunda edição em vídeo, aguardem e mandem perguntas). Mas o tesão não é algo tão matemático quanto o sexo. Tá, talvez esteja fazendo uma comparação um pouco exagerada. O sexo não é tão matemático assim (só quando se conta os elementos da ação). Podemos dizer que ele é pura química. Com a pessoa certa: explode. Com a pessoa OK... Não decepciona. E com a pessoa errada... Não acontece. Algo pode até sair dessa junção de errado + errado, mas no fim seu resultado não será = sexo, no sentido bom da palavra. 

quarta-feira, 22 de junho de 2016

A Boa Ressaca





Nos últimos dias tenho experimentado uma sensação que só tive quase quatro anos atrás: viver os primeiros momentos pós-lançamento de um livro. Se o dia em si já é uma euforia, cheio de frios na barriga, nervosismo, orelhas quentes e vermelhas, dor de cabeça e afins, os dias que se seguem são repletos daquela aflição do “será que já estão lendo?”, “será que estão gostando?”, “o que estão pensando?”. Em paralelo, é nesse momento que chegam os primeiros WhatsApps, mensagens pelo Facebook e retornos pessoalmente sobre o livro. Até agora, todos elogiosos, diga-se de passagem.

Sei, posso estar sendo repetitivo. Há muito tempo que falo do lançamento do Perversão, meu novo livro (aproveitando o merchan, você pode comprar ele aqui, ó). Mas é porque livros são como filhos. Ver que aquilo tudo saiu de dentro de você para o mundo é algo muito especial. Tão especial que foi preciso lançar outro pra sentir o que passei na minha primeira noite de autógrafos. Exatamente como uma mãe fala da hora do parto.

terça-feira, 21 de junho de 2016

Eu Fico Revoltado Com Isso!





Sinceramente, não dá! É, o texto de hoje já começa assim, com exclamação! Em Cincinnati, um garotinho de quatro anos escala a barreira de proteção de um zoológico e acaba caindo num fosso, onde acabou dando de cara com um puta de um gorila. Na Disney, um garotinho que estava com os pés na água, que por sinal era um lago cheio de jacarés, foi arrastado por um dos animais e, infelizmente, morto. No Chile, um cara que queria se suicidar pula PELADO dentro da jaula dos leões pra se matar. No Brasil, uma onça que, não sei por qual motivo alguém achou que seria legal c colocar para "carregar" a tocha olímpica, escapou.

Em todos esses casos acima, TODOS, os animais morreram. Não, não estou minimizando a morte do garotinho, calma lá, segura as pedras aí que o tio explica.

Em Cincinnati. Onde é que estavam os pais desse garoto? Sim, porque se fosse comigo, minha mãe, que Deus a tenha, não largava de mim nem a pau! Mas não, a criança vai, entra num lugar que não é dela (muito menos do gorila), dá de cara com o bicho e o pessoal do zoológico achou uma ótima ideia matar o animal que já quase não existe mais. Não, sério, só eu que fico revoltado com uma coisa dessas? Graças a Deus, a criança não morreu, mas poderia! E de quem seria a culpa? Dos pais? Não, do gorila. Que tava quieto no canto dele.

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Perversão, de Paulo Henrique Brazão





Sexo. Tem assunto que gere mais interesse do que esse? Na literatura, então, é sempre interessante acompanhar tramas que tenham o sexo como fio narrativo, e temos em nosso rol de autores pelo menos um que se firmou como um grande ícone ao utilizar o sexo como pano de fundo de suas histórias: Nelson Rodrigues. Mas existem outros exemplos que souberam utilizar-se de nosso interesse pela vida sexual alheia e criar grandes sucessos, como João Ubaldo Ribeiro e seu A Casa dos Budas Ditosos, por exemplo.

Por isso, é interessante notar que atualmente o assunto não é muito explorado pelos autores contemporâneos. Dessa forma, é como uma lufada de frescor poder se deliciar com as tramas e personagens desenvolvidas pelo jovem contista Paulo Henrique Brazão (que, por um acaso também é o nosso colunista das quartas-feiras aqui no Barba Feita) em seu novo livro, que possui o singelo nome de Perversão, e que nos leva por um passeio pela psiquê humana, nos provocando e, ao mesmo tempo, excitando. 

domingo, 19 de junho de 2016

Um Convite Para o Luto





Recentemente eu tive a oportunidade de mergulhar num mundo que transbordava amor. Era o livro Our World, da escritora Mary Oliver. O livro reunia seus textos com diversas fotografias feitas há décadas atrás pela impressionante fotógrafa e sua esposa Molly Cook. Molly, 10 anos mais velha, faleceu em 2005. E Mary conseguiu extrair do luto uma força e uma delicadeza extraordinária para dividir com o mundo quem era Molly.

É desnecessário dizer que luto é algo extremamente pessoal, e (deveria ser) livre de julgamentos. Não tem fórmula secreta ou relação com sua capacidade de força interna. Achar que alguém demora muito tempo para superar algo é encarar o luto como uma competição, na qual todos já entram perdendo. Injusto. Luto é uma passagem pela qual ninguém espera passar, mesmo sabendo que de uma forma ou de outra, irá experimentar. E Our World escancara essa verdade de que somente ao chegar no luto entendemos como ele é. 

sábado, 18 de junho de 2016

Sui Generis




Estava vendo um documentário sobre o coreógrafo brasileiro Ismael Ivo. No filme ele fala sobre a sua busca por uma partitura corporal que fosse ao mesmo tempo um mapa de seu método e uma representação de seu estilo. Ivo comentava, portanto, sobre o desejo e os percalços da autoria (que eu defino como a afinidade entre o homem e o que ele produz).

O que nos faz admirar alguém é a capacidade que uma pessoa tem de tornar-se uma potência reconhecível (e isso para o artista criador é uma questão de estar no mundo). Há quem emita essa frequência especial sem maiores esforços e há quem procure, investigue, atire flechas em direção a uma personalíssima voz que só ecoa depois de muito trabalho. Eu, como um cara que escreve há um certo tempo, também exploro as minhas possibilidades para conquistar um jeitinho mais particular de prosear.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Dissertação do Papa Seguido de Orgia II





Estamos vivendo em um tempo sombrio. Nebuloso. Sem esperança.

"O assassinato é uma paixão como o jogo, o vinho, os rapazes e as mulheres
e jamais corrigida se a ela nos acostumar-mos. 
 O crime é venerado e posto em uso 
por toda a terra, de um pólo a outro se imolam vidas humanas"*

Dezenove meninas da minoria yazidi foram executadas em praça pública no Iraque. Elas foram queimadas vivas dentro de gaiolas de ferro pois se recusaram a ter relações sexuais com militantes jihadistas. Existem cerca de 3 mil meninas que são mantidas como escravas sexuais naquela localidade.

quinta-feira, 16 de junho de 2016

A Gente Vai Se Reerguer





Os últimos dias foram intensos para mim. Quem me tem no Facebook deve ter percebido isso no meu texto desabafo. Nunca desabafei por lá, por esse motivo tenho esse espaço aqui, mas eu precisava falar, tirar do meu peito aquela coisa agoniante que estava sentindo na noite de domingo. Eu não estava nada bem.

Fazia um bom tempo que não ficava mexido com notícias tristes. A manhã de sábado começou com um sentimento muito esquisito, depois que soube do assassinato da Christina Grimmie, participante da quinta temporada do The Voice americano. Senti uma tristeza tão grande. Um aperto no peito. Fiquei sem saber como lidar com aquilo. Parecia surreal demais ler o que havia acontecido com ela. Não fazia o mínimo sentido um cara qualquer chegar e atirar. Por quê? E tudo ainda ficava mais pesado conforme as informações chegavam. Foi depois de um show feito por ela. Foi durante um momento dela com os fãs, com os admiradores do seu trabalho. Foi enquanto ela estava feliz.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Chegou a Hora de “Perversão”




Junho sempre foi um mês especial para mim. É nele que comemoro o meu aniversário (no dia 11, guarde aí, galera) que vem com um combo com o Dia dos Namorados. Em 2016, embora em meio a tantas notícias lamentáveis, esse mês tem tudo para se tornar ainda mais memorável para mim: no próximo dia 17 (sexta-feira), lanço o meu segundo livro, Perversão. A realização de mais um sonho pessoal, um projeto que me acompanha há quase 10 anos e que, concluído em 2015, faltava finalmente sair do papel. Ou melhor, ir para as páginas de papel.

Experimentei essa sensação com o lançamento, quase quatro anos atrás, do meu primeiro livro solo, Desilusões, Devaneios e Outras Sentimentalidades. Que, por sinal, será relançado também no dia 17. E foi mágico. Ver aquela fila de formando para receber o seu autógrafo, nas histórias que você bolou durante anos, não tem preço. Gente de todo o lado, que você nem imaginava que se importaria em estar ali. Incrível.

terça-feira, 14 de junho de 2016

Deixe o Seu Ex Em Paz!





Ei, você aí. É, você mesmo, aí no canto. Você que terminou com seu namorado, sua namorada, seu peguetinho, seu rolo, seu tico-tico no fubá, enfim, você aí. Deixa eu te dar uma dica rápida aqui: DEIXE O SEU EX EM PAZ!

É, é isso mesmo que você leu: DEIXE O SEU EX EM PAZ! Nada disso de “Ain, eu terminei, mas ainda gosto tanto, quero muito manter a amizade, sair junto, como amigos, etc...”. Nada disso, nada de ficar feito uma mosca varejeira em volta da pessoa. Não quis acabar? Não quis terminar com tudo? Então segue sua luz, tá bem? Esse recado é pra gay, pra bi, pra hétero, pra trans, pra lésbica, pra pan, pra todo mundo. Se não quer mais nada, não fica pentelhando a pessoa, caramba. 

“Ah, mas eu continuo gostando muito da pessoa, se ela precisar de alguma coisa, qualquer coisa, pode vir falar comigo.”. Nããão, meu querido ser humano, nããão. Se ela precisar de alguma coisa, não é com você que deve falar. Que fale com a ABIN, a CIA, o FBI, até com o Cojaque, mas eu acredito que não é com você que a pessoa vai querer falar, então faz igual a Elsa e let it go, para de ficar zumbizando em volta da pessoa. 

segunda-feira, 13 de junho de 2016

A Probabilidade do Tesão





Tudo começou a partir de uma conversa com o Silvestre Mendes, nosso colunista das quintas-feiras aqui no Barba Feita. Falávamos sobre assuntos aleatórios e de alguém que eu afirmei que ele deveria pegar. No que ele foi enfático:
- Leco, não faz sentido que Fulano de Tal tenha tesão em mim.
No que eu prontamente respondi, sem nem pensar: e tesão tem que ter sentido? Porque não, não tem que ter nenhum sentido. Basta termos tesão, não é mesmo? Mas o Sil quis me convencer que o tesão tinha que obedecer a uma série de fatores, passando pela lógica daquela vontade para ter sentido num quadro maior. Quase dei na cara dele, né? Porque, convenhamos, tesão é tesão. Ponto.

Concordo que tenhamos aquele tipo de pessoa que nos interessa, cujas características nos chamem primeiro a atenção. Muitas das vezes são essas características que movem a nossa atração pela pessoa, que nos fazem ficar curiosos para desvendar um pouco mais por trás de alguém, nos excitando e alimentando nosso tesão. Meus amigos sabem (e eu disse isso pro meu namorado quando o conheci) que eu tenho uma queda enorme por gente com cara de idiota. Vejam bem, não um idiota-idiota, mas sim aquela carinha meio de bobo, de que precisa de alguém pra ser um rumo na vida, sabe? Sou estranho, eu sei, mas esse tipo específico me dá tesão. Desde sempre. 

domingo, 12 de junho de 2016

Eu, os Homens e Umas Verdades Difíceis





“Estou chorando porque tenho 33 anos e não consigo fugir do sentimento de que os homens me veem como o tipo de pessoa para quem fazer a coisa certa não vem naturalmente. É por isso que eles se aproximam de mim nas ruas, ou em bares, ou no Twitter. Eles me veem como a pior versão de mim mesma, a versão que tanto tentei não ser – ou ao menos não demonstrar tanto.” - (Jessica Valenti – Sex Object)
Já dediquei algumas das minhas colunas a reflexões sobre solidão, solitude e suas variáveis. Não sei exatamente porque é um tema tão recorrente na minha escrita, mas imagino que seja porque é um tema recorrente na minha cabeça. A solidão me inspira, me assusta, me completa e me intriga.

Eu já falei sobre o lado inspirador de estar sozinha. Já falei sobre a responsabilidade dos outros – os indivíduos e o coletivo – sobre minhas reservas e minha introspecção. Mas hoje eu quero falar sobre a minha responsabilidade. Sobre a minha culpa. Sobre o que eu fiz para estar sozinha.

sábado, 11 de junho de 2016

Barulho Feio





Semana passada acordei com a notícia do menino de 10 anos morto pela polícia. O garoto, ao que parece, estava armado e fugia da polícia após uma tentativa de assalto. Este drama, quase cotidiano, comoveu muita gente, mas é bom nos prepararmos para as próximas situações semelhantes que não tardam, vão se repetir. Tanto a criança (10 anos, meu Deus!) quanto a PM sanguinolenta provocaram em mim uma série de recordações difíceis de digerir.

Logo lembrei de Mineirinho, o bandido cuja morte indignou e foi tema de celebrada crônica de Clarice Lispector. Baleado 13 vezes, Lispector intercedeu: “Qualquer que tivesse sido o crime dele, uma bala bastava. O resto era vontade de matar. Era prepotência”. Ainda mais: “[...] se adivinhamos o que seria a bondade de Deus é porque adivinhamos em nós a bondade, aquela que vê o homem antes de ele ser um doente do crime”.

sexta-feira, 10 de junho de 2016

Por Um Mundo Mais Chato





“A censura / A censura / única entidade que ninguém censura” (Plebe Rude)

Em quarenta anos, nunca vi o Brasil tão antiquado como agora. Nem na época de Geisel e Figueiredo existia essa caretice. Acho que com todo o "direito do Estado democrático" que nos é servido como um menu, os ingredientes estão vindo estragados ou com prazo de validade vencido. A população está confundindo crítica com ódio, e contradição com imposição. 

É cheio de mimimi, blá-blá-blá, discursos vazios, prejulgamentos, preconceitos... Câmeras, olhos e dedos acusadores. Ainda bem que vivi intensamente os anos 80. Hoje, com toda a tal "liberdade de expressão", certamente eu seria linchado.

Apocalipse enforcando Mística. Um simples cartaz de filme vira motivo de polêmica. A 20th Century Fox teve de se desculpar publicamente pela suposta misoginia. Obviamente, ninguém endossa violência contra as mulheres, mas peraí... eles são os X-Men! A Mística já saiu na porrada com quase todos os personagens! E só lembrando que a personagem, para quem não sabe, ainda pode se tornar homem quando ela bem quiser! E a Jean Grey / Fênix? Tem mais poder do que qualquer marmanjão, é a mulher-telepata mais poderosa do universo Marvel! Aff... Daqui a pouco estarão dizendo que não existe rampa de acesso para o cadeirante Professor Xavier na Escola para Jovens Superdotados.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Um Papo Sobre os X-Men e Suposto #MiMiMi





Na semana passada rolou uma polêmica envolvendo um pôster do filme novo X-Men: Apocalypse. Nele, Mística, interpretada por Jennifer Lawrence, está sendo asfixiada por Apocalipse, o grande vilão deste filme. A atriz Rose McGowan reclamou publicamente sobre a imagem usada na divulgação do novo longa dos heróis mutantes, e assim a nova guerra nas redes sociais teve início. 

Antes disso, um dos assuntos mais comentados das últimas semanas foi o estupro de uma jovem em uma comunidade carioca. Se você que está lendo esse texto acha que não existe uma "fina" ligação entre os fatos... Meu amigo, sente-se e vamos conversar. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

O Grito





Tudo o que Esmeralda precisava era gritar.

Toda a vida no mais perfeito lugar, mesmo os detalhes. O casamento ideal há 15 anos, com o marido bem-sucedido e sadio. Fidelidade acima de qualquer suspeita. Nunca lhe faltava nada, desde o pão até o perfume.

Mas Esmeralda precisava gritar.

Os filhos na escola pontualmente dia após dia. Notas altas, todas acima de 8. Disciplinados, bons moços, exemplos dentro e fora de sala. Inglês, espanhol, capoeira e natação. Ainda a ajudavam nas tarefas de casa em troca de uns beijos e um chocolate.

O grito entalado naquela garganta mais que quarentona.

terça-feira, 7 de junho de 2016

Um Amor Chamado Fringe





Hoje eu vim falar sobre algo diferente: Vim falar sobre séries de TV. Séries não, uma série. Fringe. Vai ficar grandinho o texto, mas vale a pena conhecer essa série! Mas antes, vamos ver a abertura dessa delícia?


No começo do mês, o Banco de Séries, site que muitos seriadores usam pra se manterem organizados, lançou a maratona da série, e eu resolvi assistir (pela quarta vez). Na época eu assistia séries no formato .rmvb (não me julguem), e tinha um site ótimo que disponibilizava as séries já com a legenda embutida. Sempre que eu rolava a página principal eu dava de cara com Fringe, e era todo dia, até que resolvi baixar o piloto pra dar uma conferida (nisso a série estava na segunda temporada), e meus deuses, QUE SÉRIE! Muitos diziam que era uma espécie de X-Files, mas a diferença era bem grande, embora os casos fossem igualmente bizarros. Inclusive X-Files é citada na série como 'A outra divisão X'.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

TOP 3: Receitas Rápidas Para Pessoas Práticas




Uma das coisas que a vida fora da casa dos meus pais me ensinou foi a me virar na cozinha. Na minha casa, minha mãe cozinha absurdamente bem (e eu continuo achando a comida dela a mais gostosa do mundo) e meu pai é daqueles que prepara carnes deliciosas e gosta muito de fazer isso. Já eu, exatamente por isso, nunca precisei cozinhar. 

Mas, aos 25 anos, quando sai da casa dos meus pais, tive de dar meu jeito e aprender a fazer uma coisinha ou outra. Durante muito tempo, congelados e miojo estiveram na ordem do dia. Mas, aos poucos, fui me aventurando em uma receita ou outra e hoje, sem falsa modéstia, eu cozinho bem pra caramba.

E, exibido que sou, vivo colocando minhas ~criações~ no Facebook e alguns amigos sempre me pedem as receitas. Por isso decidi fazer o TOP 3 de hoje, com 3 das minhas especialidades (uma entrada, um prato principal e uma sobremesa) que, de tão práticas, podem ser feitas por qualquer um, até com quem não é lá muito habilidoso na cozinha. Basta seguir a receita ao pé da letra e tudo dá certo no final. Eu juro. 

Vamos cozinhar?

domingo, 5 de junho de 2016

Bissexualidade: as Mentes Jovens e Algumas Dúvidas Pontuais





Ai, darlings, eu atóóóóóron vocês e também amo fazer sucesso. E os meninos aqui do Barba me falaram que eu estou ahazando com meus posts e me convidaram de novo, olha só. Claro que eu sou facinho e, por isso, vocês vão ter que me engolir. Aloka! E olha, eu sou bom, mas nem sou Viagra. Hihihi

E, com o convite, fiquei pensando no que escrever nessa semana. E então lembrei de uma conversa que tive, através da minha página no Facebook (vocês me seguem lá, né? Espero!) com uma menina fofa e linda, cujo nome manterei em segredo, mas que chamarei de Bi Iniciante.

Resumo básico: a Bi Iniciante tem 16 anos e, há 6 meses, depois de uma festa de 15 anos onde era convidada, acabou trocando beijos e carinhos com uma amigA da mesma idade. Sim, mocinhas beijando mocinhas. A experiência foi interessante, ela me disse, mas também estranha, o que a deixou bastante confusa. Mas, com o passar do tempo, elas acabaram conversando e ficando e conversando e ficando e, com tantas ficadas, elas estão namorando a aproximadamente 1 mês. Ahaza! A relação das duas é boa, ela está completamente apaixonada, mas continua com a cabeça confusa, já que, segundo ela, a família a vê como "uma princesinha de rosa dançando ballet" e,  por isso, ela também sempre se viu assim. E ela não sabe ao certo o que quer da vida e se ela deve ser essa princesinha idealizada ou uma moça que namora outra moça. Tenso, né?

sábado, 4 de junho de 2016

Bem-Vinda, Estranha





Tenho um animal de estimação. Um animal fatalmente animal, mas de estima incalculável. Para conhecer nossa história exemplar, basta remontar algum enredo já ouvido, no qual a sequência seja basicamente: um vira-lata ao léu + um humano ao léu + o encontro dos dois + doses de boa vontade = doação efetivada com sucesso.

Pois bem. Tenho um animal de estimação. E ele me traiu. Eu ia serena e cotidianamente trocar a sua água quando ele, impaciente por alguma razão, me mordeu. O ferimento no meu braço direito, hoje cicatrizado, doeu como o Diabo. No entanto, não machucou mais do que a sensação de espanto que senti quando pensei que até mesmo as nossas figuras de maior apreço podem nos surpreender negativamente.

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Nonada





Queria ser um mestre em neologismos. Tal qual um Guimarães Rosa, inventando palavras novas, que ainda não existem em nenhum dicionário ou em nossa linguagem. Queria começar o texto desta coluna com uma palavra bombástica, sucinta... Como nonada, iniciada em sua grande obra-prima, Grande Sertão: Veredas, que fiquei anos e anos tentando decifrar o significado. Ou então traduzir o intraduzível. Um Cocteau Twins, que ouço enquanto escrevo este texto. Dezenas de etéreas camadas de sintetizadores, frases ininteligíveis e a indefectível sonoridade da “voz de Deus”. 

Apesar de nem chegar próximo das técnicas vocais de Liz Frasier, sou um cara comum e sem graça, juro. Nonada.

Mas gostaria que você, leitor, tivesse uma boa impressão. Afinal, estamos aqui, eu e você, nos conhecendo. Já apareci esporadicamente algumas vezes e, a partir de hoje, cultivaremos essa relação de maior proximidade. Estarei aqui todas as sextas, com mais ou com menos inspiração, tentando roubar alguns minutos de seu tempo.

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quem é a Sua Kryptonita?







Pois é! Você pode ser bem resolvido, estar no emprego dos sonhos e cheio de planos. Também pode estar vivendo seu inferno astral e com uma vida bem bosta. Solteiro, namorando, casado. O status de relacionamento não importa. Todos nós temos essa pessoa em nossa vida. A bendita Kryptonita.

Sim, todo mundo tem e não adianta negar, meu amiguinho. A Kryptonita é aquele ser, que quando surge, te faz sentir um pequeno e rápido choque. Bateu o olho, pronto! Tremeu na base. Ou quando você sente o cheiro do perfume tão familiar e fica dois segundos sem reação. Algumas vezes é só o destino rindo um pouco da sua cara, mas, em outras, é a sua Kryptonita que resolveu botar a cara no sol e perturbar sua vida por aí.

Caso você ainda não tenha entendido direito, Kryptonita é alguém que bloqueia todo seu raciocínio lógico e objetivo. Mina todo seu foco. E, o pior de tudo isso, meu querido, é que isso é pra sempre. Diferente do amor que se transforma com o tempo, ou da paixão que, eventualmente, se esgota, o poder de quem é Kryptonita é ETERNO. A intensidade pode sim diminuir, afinal, o tempo tá aí pra isso, mas seus efeitos (mesmo em pequena escala) se farão presentes PRA TODO O SEMPRE.

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Essa Tal Heteronormatividade...





A palavra é HETERONORMATIVIDADE. Tão nova que o autocorretor ainda não a reconhece. Na verdade, novo é o diagnóstico desse fenômeno em nossa sociedade. Diametralmente oposto ao seu conceito, velho e onipresente.

Para quem não sabe, heteronormatividade é a tentativa de se aplicar a relacionamentos homossexuais ou de outras configurações que não o clássico papai-e-mamãe a mesma lógica de um relacionamento heterossexual tradicional. Tem que encontrar o príncipe sobre o cavalo branco, tem que casar, tem que ter filhos, tem que ser monogâmico...

Quantas vezes não ouvi de diversas pessoas, que conquistei o respeito e a admiração de alguns preconceituosos por ter o relacionamento aparentemente perfeito para dois homens, minimamente cabível nos padrões de nossa sociedade? Um relacionamento que não era promíscuo, ou cheio de “afetações” públicas, entre outras coisas condenáveis pela maioria.