quinta-feira, 16 de junho de 2016

A Gente Vai Se Reerguer





Os últimos dias foram intensos para mim. Quem me tem no Facebook deve ter percebido isso no meu texto desabafo. Nunca desabafei por lá, por esse motivo tenho esse espaço aqui, mas eu precisava falar, tirar do meu peito aquela coisa agoniante que estava sentindo na noite de domingo. Eu não estava nada bem.

Fazia um bom tempo que não ficava mexido com notícias tristes. A manhã de sábado começou com um sentimento muito esquisito, depois que soube do assassinato da Christina Grimmie, participante da quinta temporada do The Voice americano. Senti uma tristeza tão grande. Um aperto no peito. Fiquei sem saber como lidar com aquilo. Parecia surreal demais ler o que havia acontecido com ela. Não fazia o mínimo sentido um cara qualquer chegar e atirar. Por quê? E tudo ainda ficava mais pesado conforme as informações chegavam. Foi depois de um show feito por ela. Foi durante um momento dela com os fãs, com os admiradores do seu trabalho. Foi enquanto ela estava feliz.

Mas acho que nada tinha me preparado emocionalmente para o que estava por vir. Na manhã seguinte, ao acordar, vejo que existe uma hashtag: #PrayForOrlando. Na mesma hora sabia que algo não estava certo. Cheguei a pensar que poderia ser uma extensão do que ocorreu com Christina no dia anterior, mas, internamente, sabia que não era. Decidi que não queria saber. Não naquele momento. No decorrer do dia informações começaram a chegar pra mim. 50 mortos. Uma boate. Fiquei chocado e pensei que mais uma vez o terrorismo orquestrado havia "atacado" e tirado a vida de inocentes. Mas minha ficha só caiu quando, no fim da noite, abri meu Facebook e vi inúmeras notícias sobre o ocorrido. Era uma boate LGBTTTIS*. 

Meu mundo interno ficou abalado na mesma hora. Sabia o que "aquilo" significava. Não era um ataque terrorista de um grande grupo contra os Estados Unidos ou qualquer outra grande potência mundial. Era um ataque, sim. Terrorista, sim. E homofóbico, sim! 

Mortes de LGBTTTIS acontecem diariamente, eu sei disso. Não só aqui no Brasil, mas no mundo inteiro. Preconceito ainda existe. Ainda é bem forte. Ainda é algo que nos faz lutar diariamente. Mas esse ato acabou atingindo, não importando a nacionalidade, a todos nós. Eu me coloquei no lugar das vítimas, mortas e feridas. Eu me coloquei lá, naquele espaço, naquela boate. A cada novo relato do que havia acontecido ou alguém, de dentro do local contando o que aconteceu, me colocava em seu lugar.

O que me destruiu por completo foi uma mensagem de texto. "Mãe, eu te amo". Ao ler aquilo, gelei. "Estão atirando na boate". Meu corpo todo paralisou. "Chame a policia". "Estou no banheiro feminino". "Ele está aqui". "Vou morrer". Essa poderia ter sido minha mensagem de texto para minha mãe. Eu poderia ter escrito cada uma dessas palavras. Poderia ter sido eu. Após esse momento, não tive como evitar as lágrimas que caíram. Me tranquei no banheiro e chorei. Chorei por todos eles. Por todos nós. Por meus amigos. Por mim. Acho que pela primeira vez na vida me senti completamente desprotegido.

Quero muito que você entenda o significado deste atentado. Nos foi tirado o único lugar que nos sentíamos protegidos. Veja bem. Ataques de violência na rua acontecem a todo momento, dentro da casa de muitos, também. Mas uma boate LGBTTTIS é o nosso espaço seguro. É onde você vai pra ser você e não ter medo. E quando alguém vem e atinge esse espaço, atinge tudo. 

O medo disso se repetir aqui no Brasil existe dentro de mim. Na mesma hora pensei que essa seria a validação que muitos extremistas estavam esperando para "atacar". Senti como se uma guerra, que sempre foi velada, tivesse ganhado permissão para se tornar oficial. O "nosso" Jogos Vorazes, que muitos pensavam que só começaria oficialmente com Bolsonaro no poder, foi oficializado bem antes. AGORA. 

É triste ver o quanto as pessoas que não "se consideram homofóbicas" acham que foi só mais um atentado e até tentam comparar com outros sofridos por outros países. Sim, foi um atentado, disse isso lá em cima. Sim, foi terrorista (independente da nacionalidade do cidadão que disparou a arma), e sim, foi homofóbico. Ele não só escolheu um lugar especifico do público LGBTTTIS, como também a noite especial Latina. Já pensou sobre isso? Pois é.... 

Muitos também agora querem utilizar o fato do atirador ter frequentado o local por anos e ter perfis em aplicativos gays. Bem, os filmes mostram que a pessoa precisa conhecer o local antes de realizar uma ação nele. Mas precisou ir durante três anos? Aí, já não sei. Não sei o tipo de questões internas que ele poderia travar. O tipo de dúvida, dor ou, até mesmo, questionamentos ele estava carregando dentro de si. Só sei que a raiva e o ódio venceram.

Nesse momento estamos perdidos. Não sabemos bem o que pensar ou o que fazer. Cada um, à sua maneira, está vivendo seu luto. Mas isso vai nos dar força. Força para lutar. Seguir em frente e nos reerguer.

OBS: Para você entender melhor o que aconteceu com a sigla GLS, ela se transformou para ser mais inclusiva. O L, de lésbica, foi para frente, uma forma de mostrar a desigualdade do gênero que existia entre homossexuais femininas e masculinos. A sigla ganhou o T, de transexuais. Em alguns casos colocam o * para denominar que o T possui mais significado, mas aqui no meu texto achei melhor citar todos, sem distinção.

*LGBTTTIS - Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais, Travestis, Transgêneros, Intersexuais e Simpatizantes

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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2 comentários:

Anônimo disse...

O que o Bolsonaro tem em comum com os assassinos islâmicos da ISIS, sua biba retardada?? Saiba você, sua "lambisgóia retardada", que o ISIS é apoiado pelas FARCS, que não por acaso são aliados dos esquerdopatas (pogreçistas) latrinos- americanos que você tanto adora (é, sua besta! Tô falando de PT, PSOL, PSTU, PCO, PPL, PSDB, PCdoB e todas suas vertentes "univerçitárias", çoçiais" e "çindicalizadas"). Não vi nenhum bicha retardada acusando o radicalismo islâmico por isso, inclusive nunca vi nenhuma bicha babona condenando o assassinato de seus pares árabes (jogados de prédios ou enforcados) por esses grupos extra radicais islâmicos!! Será que é porque o PT e Jean Willys e seus comparsas apoiam esses grupos contra os malvados capitalistas e judeus?? Vai se informar sua bosta! O cara além de tão bicha quanto você era afiliado das esquerdas americanas e do bosta islâmico Barack Hussein Obama e da corrupta e falsa Hillária Clintoris!! Vai se informar babaca!

Silvestre Mendes disse...

Quando você tiver coragem de usar seu nome e não se esconder atrás de um "anônimo", pode ser que a gente converse, pessoa de "bem".