segunda-feira, 13 de junho de 2016

A Probabilidade do Tesão





Tudo começou a partir de uma conversa com o Silvestre Mendes, nosso colunista das quintas-feiras aqui no Barba Feita. Falávamos sobre assuntos aleatórios e de alguém que eu afirmei que ele deveria pegar. No que ele foi enfático:
- Leco, não faz sentido que Fulano de Tal tenha tesão em mim.
No que eu prontamente respondi, sem nem pensar: e tesão tem que ter sentido? Porque não, não tem que ter nenhum sentido. Basta termos tesão, não é mesmo? Mas o Sil quis me convencer que o tesão tinha que obedecer a uma série de fatores, passando pela lógica daquela vontade para ter sentido num quadro maior. Quase dei na cara dele, né? Porque, convenhamos, tesão é tesão. Ponto.

Concordo que tenhamos aquele tipo de pessoa que nos interessa, cujas características nos chamem primeiro a atenção. Muitas das vezes são essas características que movem a nossa atração pela pessoa, que nos fazem ficar curiosos para desvendar um pouco mais por trás de alguém, nos excitando e alimentando nosso tesão. Meus amigos sabem (e eu disse isso pro meu namorado quando o conheci) que eu tenho uma queda enorme por gente com cara de idiota. Vejam bem, não um idiota-idiota, mas sim aquela carinha meio de bobo, de que precisa de alguém pra ser um rumo na vida, sabe? Sou estranho, eu sei, mas esse tipo específico me dá tesão. Desde sempre. 

Entretanto, todas as regras são feitas de exceções. E é basicamente aí que reside a graça de ser humano e de poder mudar de ideia ou de topar quebrar os próprios paradigmas quando se tem vontade. Porque não é que o tipo nerd me atraia que eu somente terei tesão por nerds. Pode ser que eu veja alguém que tenha o tipo totalmente oposto, e me sinta atraído e queira ver qual é, até mesmo para ter a certeza de que o tipo com cara de idiota é realmente o que eu efetivamente curto. Faz sentido pra você?

Tenho uma amiga, por exemplo, que não tem nenhum tipo específico e que se define como sapiosexual. Sim, ela tem tesão em cérebros, ou seja, quanto mais inteligente o cara, mais provável que ela se sinta atraída por ele, independente dele ser o príncipe encantado ou o Shrek. E ela já pegou muito homem horroroso por aí. Mas homens horrorosos inteligentíssimos. Tem que ter sentido esse tesão?

O tesão, no fim das contas, é um processo químico no nosso cérebro, assim como a paixão, o amor e todos os nossos sentimentos. Não há explicação lógica-coerente para que o interruptor seja acionado e, pronto, vou sentir tesão por esse, mas não por aquele outro. Quando nos damos conta, já era, o tesão já está ali.

Assim, caro amigo Silvestre Mendes, para que um tesão seja provável, basta que alguém te olhe, deseje e pense que "ok, eu tenho tesão no Silvestre". Não há que ter cálculos, probabilidades improváveis ou fazer sentido. Basta que a pessoa decida te desejar a ponto de ter tesão em você. E cabe a você aceitar esse tesão. E deitar. E rolar. E, enfim, acho que você entendeu.

Moral da história: aceita, dói menos. Fulano de Tal tem tesão em você. E, muito provavelmente, você também tem tesão em Fulano de Tal. Vai na fé, eu garanto que é tiro certeiro! ;-)

Porque eu sou assim: amigo. Muy amigo!

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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Um comentário:

Anônimo disse...

Talvez a solução pra essa questão seja diferenciar um pouco tesão de fetiche. Eu concordo que tesão não se explica, mas acho que fetiche cada um tem por algumas coisas.
Eu por exemplo sinto muita atração por caras que moram em quartinhos no fundo de alguma casa. Agora estou casado há 8 anos, mas na epoca de solteiro se eu conhecesse um cara, e ele me falasse "vamos lá em casa, mas não repare, pq eu moro num quartinho nos fundos" pronto, já era, acendia a luizinha do fetiche e eu ficava atiçado, rs
Talvez seja uma construção pelas boas histórias que tive com carinhas que moravam em "quartinhos nos fundos".
Beijos,

E obrigado pelos textos. Binho/SJC