sexta-feira, 17 de junho de 2016

Dissertação do Papa Seguido de Orgia II





Estamos vivendo em um tempo sombrio. Nebuloso. Sem esperança.

"O assassinato é uma paixão como o jogo, o vinho, os rapazes e as mulheres
e jamais corrigida se a ela nos acostumar-mos. 
 O crime é venerado e posto em uso 
por toda a terra, de um pólo a outro se imolam vidas humanas"*

Dezenove meninas da minoria yazidi foram executadas em praça pública no Iraque. Elas foram queimadas vivas dentro de gaiolas de ferro pois se recusaram a ter relações sexuais com militantes jihadistas. Existem cerca de 3 mil meninas que são mantidas como escravas sexuais naquela localidade.

"Quase todos os selvagens da América 
matam os velhos se os encontram doentes.
É uma obra de caridade por parte dos filhos.
Em Madagascar, todas as crianças nascidas 
às terças, quintas e sextas feiras são 
abandonadas aos animais ferozes".*

A cantora Christina Grimmie, de 22 anos, terceira colocada na sexta edição do programa The Voice EUA, foi morta por um atirador não identificado enquanto concedia autógrafos, após a realização de um concerto. O autor dos disparos se matou logo em seguida.

"Constantino, imperador tão severo e querido dos cristãos, 
assassinou o cunhado, os sobrinhos, a mulher e o filho.
Nos mares do Sul, existe uma ilha em que as mulheres 
são mortas como criaturas  inúteis ao mundo 
quando ultrapassam a idade de procriar".*

Omar Mateen, um americano de origem afegã de 29 anos, armado com uma pistola e um AR-15, matou 49 pessoas e feriu outras 53 em uma boate gay em Orlando. Foi o maior massacre a tiros da história americana e o maior ataque à comunidade LGBTTTI. Frequentadores afirmaram que Mateen (que acabou sendo morto por policiais que invadiram o local) era frequentador regular da boate. O assassino utilizava o aplicativo Grindr para combinar encontros.

"Em Capo Di Monte, se uma mulher dá à luz a duas crianças gêmeas 
o marido logo esmaga uma delas.
Quando Gengis Khan se apoderou da China 
mandou degolar à sua frente dois  milhões de crianças".*

“Cuidado com o HIV na hora de limpar o sangue”, “o cara fez uma limpa, o mundo ficou mais leve”, “menos 50. O mundo amanheceu melhor hoje”, “acho viado a coisa mais nojenta e abominante do mundo... mesmo assim, não dá o direito de ninguém tirar-lhes a vida”, “haja padaria para o kapiroto receber esses queimadores de rosca”. Esses comentários preconceituosos foram postados nas redes sociais brasileiras celebrando o triste assunto. O deputado Marco Feliciano declarou que os grupos LGBT estariam utilizando “esta tragédia para se promover”.

"Os Quóias furam as costas das vítimas a pancadas de azagaia, 
em seguida cortam o  corpo em quartos 
e obrigam a mulher do morto a comê-lo.
Os Hurões penduram um cadáver por cima do paciente, 
de maneira a que possa receber na cara toda a imundice 
que escorre do corpo morto, atormentando assim 
o desgraçado até que ele expire".*

O corpo de dois professores da rede estadual de ensino da Bahia, Edivaldo Silva de Oliveira e Jeovan Bandeira, foram encontrados carbonizados dentro do porta-malas do carro de um deles, às margens da rodovia BA-120. Edivaldo foi reconhecido pela arcada dentária e Jeovan ainda passará por exames de DNA. O delegado que investiga o caso disse que a homofobia é uma das possíveis motivações do crime. No Brasil, um LGBTTTI é assassinado a cada 27 horas.

"Os Irlandeses esmagavam as vítimas. 
Os Noruegueses perfuravam-lhes o crânio.
Os Gauleses partiam-lhes a bacia.
Os Celtas enfiavam-lhes um sabre no esterno".*

Sheila Cristiana Nogueira da Silva, de 45 anos, precisou de ajuda de amigos para poder enterrar o filho, Carlos Eduardo Nogueira da Silva, de 20 anos, que foi atingido por um tiro na cabeça após sair de uma igreja em uma comunidade em Santa Teresa, centro do Rio de Janeiro. No momento do acidente, o rapaz estava sentado em uma escada tomando água de coco. Consternada, Sheila chegou a passar o sangue do filho no próprio rosto, implorando por justiça.

"Apuleio fala do tormento de uma mulher cujo pormenor é bem agradável, 
coseram-na com a cabeça de fora, dentro da barriga 
de um burro ao qual tinham sido arrancadas as entranhas. 
 Desse modo, foi exposta aos animais ferozes".*

Todas essas tenebrosas ações descritas neste texto, aconteceram nos últimos sete dias. Estamos realmente vivendo em um tempo sombrio, nebuloso e sem esperança.




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Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e há mais de uma década à frente da assessoria do Hemorio. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft and Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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4 comentários:

Márcia Marino disse...

É muito triste ler tantas atrocidades todos os dias... Cada dia tenho mais vergonha do ser humano. O dia em que as pessoas perceberem que não existem homens, mulheres, gays, macumbeiros, católicos, entre outros e sim, seres humanos de carne e osso que seguiram suas opções de vida para sobreviveram nesta selva de pedras, no final da história essas diferenças não farão nenhum diferença.... Vamos amar uns aos outros.

André Jacob disse...

A barbárie está tão em evidência que a gumanidade está se acostumando. Lamento.

André Jacob disse...

Aos administradores do blog: ainda não providenciaram um botão para curtir do Facebook.

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