terça-feira, 28 de junho de 2016

Marca Indelével






“Correndo o risco de soar sentimental, eu sempre achei que havia pessoas que deixam uma marca indelével na sua alma. Uma marca que nunca pode ser apagada.” - Phillip Broyles (Fringe)

Eu sei. Eu sei muito bem do que eu falei ano passado. Eu sei que o teor de vários dos meus textos foi sobre ex's e sobre pessoas que passam pelas nossas vidas e nos fodem de um jeito que nossa alma fica marcada por muito tempo. Talvez pra sempre. Uma marca indelével. Mas existe uma outra forma de olhar as coisas. 

Ontem, numa conversa antes de dormir, Rafael e eu estávamos discutindo sobre a letra X. Pra ele, o X significa mensagem de erro, vidro cheio de veneno. Pra mim, o X marca no mapa onde o tesouro está escondido. Uma letra, duas formas de vê-la. 

Assim como o X, muitas situações podem (e devem) ser vistas de duas, três ou quantas formas forem possíveis. Eu não vi. Não quis ver. Provavelmente, por viver em um mundo fantasioso, em que ele era o vilão e eu, o mocinho indefeso, injustiçado. E não foi assim. 

Foi lindo. Intenso. Ele arriscou ser exposto na rua por minha causa. Tínhamos conversas banais, conversas interessantes. E acabou. Não deu certo. E eu não vi a lição ali. 

Ficou na minha alma uma marca indelével, a marca dele. O problema é que eu enxerguei a situação como o X sendo o erro, o vidro cheio de veneno, quando, na verdade, eu devia ter exergado o X como marcando o lugar no mapa do tesouro. 

Essa situação, esse affair, me ensinou que eu não posso mais aceitar nada menos do que me foi oferecido ali. Não posso me entregar numa relação onde só eu faça por onde. Esse X me ensinou que, a partir daquele momento, eu devia exigir MAIS. Sim, claro, eu mereço exigir mais, está na minha hora de exigir mais. 

É como disse Olivia Pope: "If you want me, earn me!". E eu precisei de um ano inteiro e uma conversa de travesseiro pra entender isso. Que bom. Que bom que algumas lições tardam, mas não falham.

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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