quinta-feira, 30 de junho de 2016

O Combo do Fetiche





Quinta-feira passada encontrei o pessoal em um café na Rua da Assembleia, esquina com Rodrigo Silva, aqui no Rio de Janeiro. Foi um daqueles encontros para colocar o papo em dia e matar saudades. Tudo bem que cheguei um tempo mais cedo (aproximadamente duas horas antes) no lugar combinado, mas aproveitei para continuar minha leitura de Perversão, segundo livro do Paulo Henrique Brazão, lançado duas semanas atrás. Estava em um ponto do livro em que me deparei com uma leva de contos intrigantes e, admito, permiti que minha imaginação ganhasse vida por um tempo... Um bom tempo!

Quem conhece o centro da cidade, sabe que por si só ela tem uma atmosfera bem própria. Então, depois de finalizar mais uma história, fechei o livro e passei a observar as pessoas ao meu redor. De cara encontrei um solitário na mesa do lado. Ele mexia freneticamente no celular. O café chegou, ele bebeu, sem nem mesmo olhar para outra coisa que não fosse seu smartphone, logo depois levantou, pagou e foi embora.

O lugar não estava completamente lotado, ainda não era nem cinco e meia da tarde. Existiam pequenos grupos de amigos de trabalho em outro canto do ambiente. Um casal, que trocava carícias discretas, em outra mesa próxima (amantes, talvez?) e só. No segundo andar algum movimento acontecia, mas não tinha como ver direito, só foi possível ouvir as vozes animadas conversando. Então coloquei meu fone de ouvido e embarquei em uma viagem bem pessoal, enquanto observava os transeuntes e tentava imaginar histórias para cada um.

Foi um festival de homens de terno passando de um lado para o outro. Mulheres arrumadas e com saltos bem altos atravessando a rua freneticamente. Jovens estagiários correndo para chegar antes do horário marcado para o início das provas finais na faculdade. E senhores, com o andar firme e postura decidida, entrando no café para relaxar após mais um dia daqueles.

Não mais que de repente meus amigos chegaram. E após cada um fazer o seu pedido, o assunto não poderia deixar de ser outro, senão meu texto da semana passada sobre tesão. Todos falaram seu ponto de vista sobre o assunto. Analisaram, palpitaram. Mas não lembro o exato momento em que a chave do tesão virou e começamos a listar nossos fetiches pessoais. Alguém, em algum momento, declarou que não tinha ficado com nenhum homem ruivo até o momento e que se ele ainda fosse massagista, seria quase a realização de um sonho. Outro ressaltou que fazia tempo que não ficava com homens negros e que sentia falta da pegada. Na empolgação, outro alguém relembrou, com um sorriso no rosto, que também sentia tal saudade, depois de sua última ficada, acrescentando ainda que o cara trabalhava como segurança e eles tinham "se pegado" enquanto o musculoso estava fardado.

O assunto não parou por aí. Depois que cada um assumiu o seu fetiche não realizado ainda, analisamos os outros tipos, daqueles que ainda não praticamos, ou que ainda não assumimos aos amigos que já demos uma... experimentadinha. Sadomasoquismo, fetiches com pé, sexo com a outra pessoa amarrada ou presa de alguma forma na cama... Falamos sobre tudo e todos os tipos. 

Mas a grande questão que ficou no ar foi: e os que se vestem de terno e gravata nos sete dias da semana? Eles não produzem nenhum fetiche no nosso imaginário? Posso falar por mim. Durante o tempo em que fiquei sozinho, admito que vi pessoas bonitas e interessantes "desfilando" em minha frente, mas nada que fizesse minha imaginação borbulhar.

Vai ver que nessa brincadeira de "faz de conta", terno e gravata garante o charme, mas não o fetiche nosso de cada dia.

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Leandro Faria  
Silvestre Mendes, o nosso colunista de quinta-feira no Barba Feita, é carioca e formado em Gestão de Produção em Rádio e TV, além de ser, assumidamente, um ex-romântico. Ou, simplesmente, um novo consciente de que um lance é um lance e de que romance é romance.
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