segunda-feira, 20 de junho de 2016

Perversão, de Paulo Henrique Brazão





Sexo. Tem assunto que gere mais interesse do que esse? Na literatura, então, é sempre interessante acompanhar tramas que tenham o sexo como fio narrativo, e temos em nosso rol de autores pelo menos um que se firmou como um grande ícone ao utilizar o sexo como pano de fundo de suas histórias: Nelson Rodrigues. Mas existem outros exemplos que souberam utilizar-se de nosso interesse pela vida sexual alheia e criar grandes sucessos, como João Ubaldo Ribeiro e seu A Casa dos Budas Ditosos, por exemplo.

Por isso, é interessante notar que atualmente o assunto não é muito explorado pelos autores contemporâneos. Dessa forma, é como uma lufada de frescor poder se deliciar com as tramas e personagens desenvolvidas pelo jovem contista Paulo Henrique Brazão (que, por um acaso também é o nosso colunista das quartas-feiras aqui no Barba Feita) em seu novo livro, que possui o singelo nome de Perversão, e que nos leva por um passeio pela psiquê humana, nos provocando e, ao mesmo tempo, excitando. 

Segundo livro de PH Brazão (sendo o primeiro Devaneios, Desilusões e Outras Sentimentalidades), em Perversão observamos um autor mais maduro e coeso, ao trabalhar um único tema em sua nova coletânea. E o sexo aqui, apesar de nos guiar e ser o fio que amarra todos os doze contos de Perversão, é apenas mais um detalhe da vida e do comportamento de tão interessantes personagens.

Mas fiquem avisados: Perversão não é um livro "baunilha". Com a expressão de todos os tipos de sexualidade saltando de suas páginas, o livro poderá chocar e ruborizar os mais puritanos, já que o autor não se priva da utilização de termos chulos (necessários e totalmente cabíveis no contexto do livro) e da descrição de diversas relações sexuais. Entretanto, é inegável que o livro conseguirá excitar a todos os leitores, em maior ou menor grau, o que pode ser um problema e um grande mérito de seu autor. 

E se até mesmo PH Brazão questiona em sua introdução o que as demais pessoas que o rodeiam achariam de seus contos, faço coro e gostaria de ser uma abelhinha e observar a reação de alguns leitores (principalmente a mãe do autor) ao se deparar com as histórias deliciosamente perversas e pervertidas desse livro.

Como é comum em toda coletânea, há momentos inspirados e outros nem tanto, mas é inegável que apesar de formado por doze contos, Perversão é um livro coerente da sua primeira à última página. E dentre os bons momentos do livro, é impossível não citar os excelentes e envolventes contos O abraço do Capeta, Um tango a trêsHaroldoInferno e Em família. São contos densos e, considero, mais empolgantes que os demais, daqueles que nos fazem questionar os personagens e até mesmo as pessoas à nossa volta.

Divertido, polêmico e imperdível, Perversão coloca PH Brazão definitivamente entre os autores contemporâneos que merecem a nossa atenção. Assim como desperta nossa curiosidade sobre novas obras do autor, que deve, por favor, trazer uma continuação para suas tramas e mais uma coletânea sobre o assunto. 

Afinal, é como Nelson Rodrigues tão sabiamente disse e foi parafraseado pelo próprio PH Brazão no início de sua deliciosa Perversão:
"Tarado é toda pessoa normal pega em flagrante."
Perversão
Autor: Paulo Henrique Brazão
Páginas: 216
Editora: Autografia

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Leandro Faria  
Leandro Faria:, do Rio de Janeiro, 30 e poucos anos, viciado em cultura pop em geral. Gosta de um bom papo, fala pelos cotovelos e está sempre disposto a rever seus conceitos, se for apresentado a bons argumentos. Odeia segunda-feira, mas adora o fato de ser o colunista desse dia da semana aqui no Barba Feita.
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