domingo, 31 de julho de 2016

O Estranho Caso Daquela Vila do Outro Lado do Rio Que Corta a Floresta





Hoje me contaram um história. Não sei se verdadeira, mas já havia ouvido alguns pedaços de outras fontes. Não sou bom de me recordar assim de coisas tão esparsas e dispersas.

Dizem que havia uma vila próxima a uma grande floresta. Curioso como sempre há uma vila próxima a uma floresta. Talvez a floresta seja grande. Dificilmente seria a mesma vila. Pouco importa; nesse caso, o mais importante é a estranha situação que acometia a vila. Ou algumas das pessoas que a habitavam.

Dizem que não havia sinais visíveis externos, mas que algumas das casas dessa vila sofriam de um grande mal. Uma leve descoloração das telhas na parte interior das casas. Mas só em alguns cômodos. Em geral, habitado por uma pessoa específica. Algumas vezes, até por mais pessoas em uma mesma casa. Alguns diziam que a causa era um fungo. Outros poucos, que as casas haviam sido construídas assim. Ainda outros, pouco ou nada diziam.

sábado, 30 de julho de 2016

Um Canal Maravilhoso e Um Vídeo Que Salvou Minha Vida





Ok, o título desse texto pode ter um tantinho de exagero, mas só um tantinho, tá legal? Pois o canal no Youtube desse moço bonito que abre a coluna de hoje é mesmo uma maravilha, e o vídeo que me trouxe a esse texto pode não ter salvado a minha vida literalmente, mas com toda a certeza me fez um bem danado, acalentou meu coração e me fez enxergar o momento atual da minha vida por um outro ângulo, com mais complacência.

Vamos às apresentações: Matheus Faro é um lindo, inteligente e sensível produtor (mas não somente) de 33 anos, nascido no interior do Rio de Janeiro, na pequena São Fidélis, e vivendo atualmente em São Paulo. Multitalentoso, Matheus não só é o produtor de externa do programa Ressoar, da Record News, como também roteiriza e dirige o delicioso Chá dos 5, aquele programa apresentado no Youtube por quatro gostosuras e mais um convidado especial toda semana, e que já foi mencionado antes aqui, em uma de minhas colunas. E, para nossa alegria, que gostamos de conteúdo inteligente, leve e reflexivo, Matheus decidiu "pôr a cara no sol" e apresentar seu próprio canal na Web.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Os Seres Invisíveis (Que Estão ao Nosso Redor)





Na semana passada eu estava caminhando pelo centro do Rio e fui surpreendido pelo som de pessoas cantando, ao longe.  A  música, acompanhada de uma animada batucada, era o inesquecível samba-enredo da Beija-Flor de Nilópolis de 1989, Ratos e urubus, larguem minha fantasia.  Pra quem não sabe ou não se recorda, foi aquele desfile que tinha a emblemática alegoria do Cristo em farrapos cuja execução pública fora vetado pela Arquidiocese do Rio e o carnavalesco Joaosinho Trinta teve a iluminada sacada de cobrir com um plástico preto e colocar a frase "mesmo proibido, olhai por nós", que gerou um estrondoso impacto e se tornou um ícone da folia. 

Naquele ano, incrivelmente, a escola da Baixada Fluminense não ganhou o campeonato, perdendo para a Imperatriz Leopoldinense (que veio com o clássico - e maravilhoso - Liberdade, liberdade, abra as asas sobre nós) no critério de desempate.  Como curiosidade, a perda dos preciosos décimos se deu por causa do samba, que o jurado João Máximo não entendeu e ainda achou ofensivo o refrão com os termos afros "legbara ô, ô ô, ô, ô ebo legbará" (que era uma exaltação aos Exus, entidades espirituais das ruas). 

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Música Boa Não É Só Aquilo Que Você Ouve





Sempre que a música mais tocada do momento ganha algum tipo de notoriedade, ela é severamente massacrada pelos defensores da boa música brasileira. Sempre foi assim: música que se destaca, é música que é desmerecida.

O Brasil, ou os defensores do “selo” de qualidade do que é realmente bom, gosta(m) de exaltar exemplos de cantores e compositores que são, notoriamente, premiados e elogiados mundo afora. Mas boa parte do seu trabalho, quando lançado por aqui, não chega a ser nem muito divulgado.

Bem, o que eu quero dizer com isso? Que Caetano, Chico, Gilberto Gil e tantos outros continuam produzindo música. Continuam ampliando sua obra – não existe só o “bom e velho material” da época da ditadura militar –, mas, infelizmente, só são lembrados quando o país ganha destaque lá fora, para gringo ver e ouvir.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

No Princípio, Era a Página em Branco...





Essa semana começou com uma data quase despercebida, porém importantíssima para mim e tantos outros que almejam a simples e árdua tarefa de fazer as pessoas viajarem nas suas palavras: o Dia do Escritor. Poucas coisas me realizam tanto quanto ver um texto ou livro meu entretendo alguém. Ser escritor, mesmo que por um hobby (já que é uma realidade tão distante viver disso no nosso país) é uma imensa parte de mim. E por isso estou aqui no Barba Feita.

Refletindo sobre isso encontrei minha coluna de estreia como colunista das quartas-feiras nesse singelo site, no já longínquo mês de novembro de 2014. E peço licença aqui para reeditar trechos daquele texto que explica muito da minha relação com as letras, com leves atualizações e adaptações: 

terça-feira, 26 de julho de 2016

Deus e o Diabo (e o Facebook, o Instagram, o Zodíaco, o Snapchat...)




Dia desses eu li um texto que o título era algo como "Relacionamento fora das redes dura mais", ou algo assim. Li metade do texto e fiquei meio assim:


Quais são as coisas que uma pessoa mais ouve quando termina um relacionamento? Você aí do canto, fala pra mim. Você que tá lendo esse texto ao invés de terminar aquela planilha que tá enrolando pra fazer desde que chegou no trabalho, quais são as frases "consoladoras"? 

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Maldito Murphy





Acordou sobressaltado.

Nem mesmo o barulho insistente do despertador fora suficiente para acordá-lo. Mas as batidas incessantes de um martelo na obra de um apartamento vizinho finalmente o trouxeram de volta dos braços de Morfeu.

Levantou-se, vestiu-se às pressas. No espelho do banheiro, enquanto escovava os dentes, contemplou seu rosto: nem novo, nem velho, mas com uma expressão de cansaço presente, nítida; fora as olheiras que insistiam em não lhe abandonar. Não lembrava mais aquele jovem cheio de vida de tempos atrás.

Engoliu rapidamente o café, queimou a língua, quase caiu da cadeira ao se levantar.

Pegou suas chaves e foi para o carro. Virou a chave. Nada. Motor afogado. Xingou alto. Já estava atrasado. Pediu um Uber, o motorista cancelou. Tentou pedir outro e o aplicativo apenas procurava carros disponíveis nas redondezas, mas sem nenhum resultado. "Ok, farei a Angélica e vou de taxi", pensou ele, achando graça da piadinha infame, mas não contava que teria de ouvir, durante todo o trajeto, uma rádio FM que tocava apenas músicas sertanejas em looping infinito intercalados por comerciais sem fim.

domingo, 24 de julho de 2016

Eu Tenho Depressão





Essa não é a primeira vez que eu preciso me afastar do trabalho por causa da minha depressão. Certamente não será a última. Circunstâncias como as de agora já há tanto me acompanham, que existe delas para comigo uma certa familiaridade que costuma gerar, também de forma rotineira, um estranhamento entre aqueles que ao meu redor convivem. O raciocínio das pessoas, em geral, segue um script bem definido: "eu estranho aquilo de que sou alheio; porque é do outro, então é diferente de mim; como é diverso, então me falta repertório para absorver e compreender; o que não compreendo, eu embalo e etiqueto em uma simplificação inteligível a mim; e a simplificação carrega o meu julgamento extrínseco".

A depressão é a doença mais estereotipada, repleta de lendas, mitos e mistificações — características da ignorância. "Depressão é uma tristeza intensa", "depressão é doença de rico", "depressão é uma escolha", "depressão é frescura de quem não tem o que fazer", "depressão é uma doença de países frios, onde não há muito sol", "depressão é consequência de um evento traumático na vida de alguém", "depressão é doença de gente velha", e por aí vai, a lista de estereótipos encheria páginas. E quem são as pessoas que costumam afirmá-los verbalmente, por escrito, e em atitudes abertas ou sutis? Praticamente todo mundo, inclusive pessoas que vivem com a doença.

sábado, 23 de julho de 2016

Como Uma Série Reafirmou Meus Conceitos Sobre Traição/Infidelidade





Após "maratonar" os oito episódios de Stranger Things, a mais recente série lançada pela Netflix, em um dia e meio, deu aquela conhecida sensação de quem é sériemaníaco, de orfandade, mas isso logo passou quando vi a dica de um youtuber sobre Doctor Foster, minissérie em cinco episódios, também disponível pela Netflix.

Bem distante do suspense fantasioso de Stranger ThingsDoctor Foster é uma produção britânica, de 2015, que narra o drama da bem sucedida médica Gemma Foster, ao descobrir que seu marido a está traindo. Sem super-heróis e efeitos especiais, a série é um grande drama psicológico, que pode fazer os fãs de histórias mais aceleradas torcerem o nariz, mas pra quem tiver um pouco de paciência, a trama da Doutora Foster se revelará ótima.

Partindo do tema traição/infidelidade, uma premissa simples, inúmeras vezes utilizada em novelas, filmes e até outras séries, Doctor Foster tem o tema como seu estofo principal, e por ter apenas 5 episódios termina muito bem e de forma redonda, e por seu grande sucesso ganhou a encomenda para uma segunda temporada. O que não dá pra imaginar é como será sua continuação, já que todos os dilemas foram resolvidos a contento nesta única temporada.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Já Acabei Com Um Show do Guns N´Roses





O Guns N´ Roses está de volta. Pelo menos com três integrantes da formação clássica da banda: Axl, Slash e Duff McKagan. A banda, que reinou no cenário hard rock no fim da década de 1980 e início de 90, vendendo mais de 100 milhões de discos no mundo, fará cinco shows no Brasil em novembro, com apresentações em Porto Alegre, São Paulo, Rio, Curitiba e Brasília.

Que perdoem-me os fãs (muitos, aliás) mas, obviamente, essa é uma reunião caça-níqueis (e bota moeda nisso), cujos ingressos (com preços salgadíssimos que variam de R$ 115 a inacreditáveis R$ 780) começam a ser vendidos na segunda, 25/07, e que certamente serão pulverizados em poucas horas (depois me digam, por favor, onde está essa crise que tanto falam por aí). Esta é a primeira excursão com os três cabeças do GNR desde o fim da milionária tour Use Your Illusion, encerrada em 1993. Depois disso, cada um dos integrantes seguiu em carreira solo, participando de outros projetos e/ou em outras bandas (Snakepit, Velvet Revolver, Load, The Cult...) e Axl continuou com o arremedo do Guns, que parecia estar fazendo um cover do Guns em shows esporádicos (e vergonhosos).

A primeira vez que fui a um show deles foi em 1991, na segunda edição do Rock in Rio, no Maracanã. Fechando a noite do dia 20 de janeiro, feriado de São Sebastião, eles fizeram um show para 179.999 pessoas, já que eu, com sono, fui embora antes do meio do show, depois de Welcome to The Jungle, uma das músicas que eu mais gostava. Lembro perfeitamente da minha solitária figura descendo a rampa do Maraca enquanto o show rolava. Achei chato. Naquele dia eu tinha ido ver o Billy Idol, os Titãs e o Faith no More (que, na minha opinião, fez o melhor show do festival, depois do Prince).

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Todas as Crises da Jout Jout





No momento estou lendo Tá Todo Mundo Mal, primeiro livro de crônicas da Jout Jout. O engraçado é que não conseguia entender muito bem seu título até iniciar a leitura. Apesar do nome ser amplo e poder servir até para a situação atual do país, Tá Todo Mundo Mal diz tudo, menos sobre o que é o bendito livro. Para auxiliar um pouco nessa tarefa, bem próximo ao nome da obra, vem um "aviso": O Livro das Crises. Ajudou em alguma coisa para você? Pois é, para mim também não. 

Mas comecei minha leitura e entendi logo sobre o que veria ao longo de suas páginas. Crises. De todos os tipos, tamanhos, épocas e idades apropriadas. Julia (ou Jout Jout, como você deve chamá-la por aí), decidiu abrir seu baú de memórias e compartilhar com a gente alguns momentos nada agradáveis de sua vida. Tá, não vou exagerar também. Existem mais momentos de "iluminação" do que só de crises e dramas, propriamente dito. 

O lado bom dessa obra é poder ver pelo olhar de outra pessoa momentos tão parecidos vividos por mim. Ou até mesmo por você. Crises são universais. Vivemos a crise da puberdade. Crise do ciúme. Crise do ninguém me ama e ninguém me quer... Crises por todos os lados. E já repararam que essas crises só se dão quando a insegurança bate em nossa porta e não temos ideia do que devemos fazer? Pois é... Hoje, aos 30 anos, tio Silvestre sabe disso. Mas vai lá conversar com o Silvestre de 14 anos de idade e que se sente frustrado por estar acima do peso...

quarta-feira, 20 de julho de 2016

Revoada





Lauro olhou o relógio de pulso. Rangeu os dentes como que ruminando aquela hora decifrada nos ponteiros. Agradavam-lhe os ponteiros em vez das versões digitais.

- O que lhe falta, meu caro? - perguntou firme e soturno o outro homem.

Respondeu, com a voz vacilante da garganta seca, sentado à escura cadeira em estilo rococó:

- Tempo.
- Como assim, tempo? - tragou o cigarro o outro.
- Está tudo certo, parece que tudo está no lugar. Mas sinto como se estivesse perdido. Como se eu não conseguisse ser mais eu. Como se não tivesse mais tempo para ser eu mesmo.

O outro homem deu-lhe as costas e projetou-se para fora da grande varanda, que saía no belo gramado verde. A careca reluzia aos raios oblíquos do dia ensolarado. Puxou profundamente a fumaça do cigarro, iluminando igneamente a ponta:

- Você é dono do seu tempo. Como ele lhe falta? - indagou, projetando a voz com ainda mais firmeza.

terça-feira, 19 de julho de 2016

Ensaio Sobre o Nada





Aqui estou eu. De bermuda, camiseta, meia, uma coberta sobre as pernas, a terceira caneca de café acabou de acabar, são 21:38h, e no YouTube tá tocando um Help Me, do Joni Mitchel, interpretada lindamente pela Morgan James (qualquer hora eu falo sobre ela aqui). E eu sem ter o que falar. É sério, o texto de hoje é um completo nada.  Meu amigo Miguel me sugeriu falar sobre a Comic Con de San Diego, mas não domino muito bem o assunto, até dei uma olhada, mas não consigo nem indicar uma série pra alguém, quanto mais falar sobre um evento nerd. Imaginem o desastre. Pensei em falar sobre apelidinhos carinhosos de namorados, mas ah, isso ficaria mais legal se feito por um youtuber, com todos aqueles efeitos e tal, então eu não sei sobre o que dizer.

Parece que hoje em dia a gente tem sempre que ter um assunto, já perceberam? E não, não estou reclamando de escrever pro Barba, eu adoro fazer isso, mas no geral, as pessoas estão sempre esperando de nós uma explicação pra qualquer coisa, e vice-versa. Pra nós, os outros sempre têm que ter algo pra contar, uma explicação pra determinado assunto, a resposta pra vida eterna, os números da mega sena ou quanto de farinha vai nesse bolo, whatever. E, às vezes, as pessoas não têm essas respostas. Ou nós. Apenas um belo nada. E tá tudo bem, sério! É bom não ter uma explicação de vez em quando. Faz bem ficar sem palavras, não ter a mente fervilhando de perguntas e respostas, não precisar satisfazer às expectativas de A ou B, ou, no meu caso, trazer um texto decente toda terça-feira. 

segunda-feira, 18 de julho de 2016

Ao Ser Elogiado, Apenas Respire





Estava de papo com um amigo e, não lembro o contexto, o elogiei por algum motivo. Ele ficou meio sem graça, sorriu, agradeceu, não soube direito o que responder. Não era nada demais, foi apenas um elogio sincero que, a meu ver, cabia no contexto. Não sei se falei do cabelo, ou se o corpo estava legal pelos exercícios físicos, algo do tipo. Mas mesmo isso o deixou inibido. E a situação me lembrou de uma coisa que me falaram certa vez, no passado, e que eu levei para a vida: ao ser elogiado, apenas respire o elogio; não é preciso mais nada.

Particularmente, quando elogio alguém, o faço porque quero e acho legal expor o que penso e sinto para a pessoa. A gente é normalmente tão criticado, se cobra tanto, que elogios são, para mim, revigorantes. Servem para deixar a pessoa feliz e, para quem elogia, não custa nada, apenas dizer a verdade. Mas mesmo assim, a maioria das pessoas não sabe lidar bem com elogios. 
Nossa, como você está bonita(o)! ou Parabéns, você arrasou naquele trabalho! Foi merecidíssimo!
Pronto, a pessoa fica vermelha, sem graça,  não sabe se agradece ou se refuta.

domingo, 17 de julho de 2016

Sobre Pokémons e a Nossa (Nova e Velha) Infância






Há uns dias, um app para smartphones, o Pokémon Go, foi lançado causando comoção mundial além de muita polêmica, claro! Será sobre isso que falarei hoje, afinal de contas, independente de qualquer coisa, eu AMO Pokémon e vou protegê-los! 

Para quem está por fora, o app baseia-se, resumidamente, numa interação entre o virtual e o real, onde os Pokémons (monstrinhos de bolso) podem aparecer no nosso mundo através de realidade aumentada dos smartphones, podendo ser capturados e colecionados. Vários vídeos - clique aqui se quiser ter uma ideia da comoção - têm circulado a internet mostrando pessoas ensandecidas atrás de Pokémons em diversos lugares do mundo. E eis que então começou-se a chuva de críticas por parte dos haters

Concordo muito que caso não se tenha o devido cuidado ao explorar o mundo Pokémon recém liberado, acidentes podem acabar acontecendo e machucando pessoas, mas isso, ao meu ver, não é culpa do app, afinal de contas, seria totalmente ilógico você responsabilizar o WhatsApp, por exemplo, por você sofrer um acidente enquanto digita e caminha ao mesmo tempo. E, ao contrário do que muita gente acha, a maioria das pessoas que jogam Pokémon têm sim louça pra lavar e não estão apenas viajando pelo mundo, tentando encontrar um Pokémon e, com o seu poder, tudo transformar. 

sábado, 16 de julho de 2016

Das Alegrias que o Facebook Traz






Uma simples solicitação de amizade pode melhorar seu dia significativamente. Na última quinta-feira dormi com algumas chateações na cabeça mas, ao acordar e conferir as horas no celular, que é a primeira coisa que faço ao abrir os olhos, havia uma notificação no Facebook: solicitação de amizade. Cansado de receber convites de desconhecidos e pessoas desinteressantes, uma leve irritação despontou no meu peito, para se desfazer imediatamente e dar lugar a uma alegria eufórica ao ver as fotos com mais atenção, e descobrir que a solicitante era uma das mais queridas amigas de adolescência, de quem havia perdido o contato há muito tempo.

Vívian foi uma das figuras mais emblemáticas que passaram pela minha vida ao longo desses meus quase 35 anos. Tínhamos entre 16 e 17 anos, éramos tão cheios de frescor. Estudávamos juntos e aqueles tempos escolares foram os melhores. Vívian era uma loba solitária, mulata de boca carnuda e bunda descomunal, andava rebolando de peito empinado e cabeça sempre erguida pelos corredores do colégio, assediada pelos rapazes e alvo de inveja das recalcadas. Vívian não tinha amigas, se dava bem com todo mundo, da tiazinha da cantina até a diretora da escola, mas não fazia parte de grupinhos.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O Mal é a Hipocrisia





Nesta semana, dois assuntos "bombaram" na imprensa e redes sociais, provando, mais uma vez que a hipocrisia reina em tempos modernos. Esses dois tópicos, que já deveriam ser considerados corriqueiros para a maioria da população, ainda são motivos de discórdia.

O primeiro foi a cena exibida no capítulo da última terça-feira na novela Liberdade, Liberdade, trama fictícia que se passa no período pós-Inconfidência Mineira e protagonizada pelos atores Ricardo Pereira e Caio Blat. Teve beijo, agarra-agarra, uma alisadinha, foco na bunda do ator português, lambida no peito, corpos suados e mãos entrelaçadas pós-sexo, com os dois atores abraçados em conchinha.

A cena, muito bem dirigida e com uma luz impecável, ficou linda. Não havia nada de pornográfico ali, mas obviamente já foi motivo de protestos intermináveis em defesa da família tradicional brasileira. Ora bolas... Essa novela se passa após às 23 horas. Cenas semelhantes (e bem mais ousadas) foram exibidas em Verdades Secretas e não causaram esse estardalhaço todo. E eu sou sempre adepto do estilo "se estou incomodado com a cena, o controle remoto está ao alcance dos meus dedos". Troco de canal. Simples assim.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

O Dia Em Que Conheci Adore Delano





Já falei algumas vezes por aqui do meu carinho pelo mundo Drag. De como meu olhar, antes de pré-conceito, se transformou quando conheci RuPaul's Drag Race. Uma das coisas mais bacanas do programa é que vamos desenvolvendo, ao longo dos episódios, um carinho por algumas Queens. Poderia listar vários nomes de cada temporada exibida até o momento, mas esse texto é sobre uma em especial: Adore Delano.

Na sexta temporada, exibida em 2014 e disponível na Netflix do Brasil, Adore chegou de um jeito meio despojado demais. Falando gírias, palavrões e com um carisma bem singular. Acho que foi assistindo ao primeiro episódio que nasceu todo o carinho que passei a sentir por ela durante toda a competição. Delano era uma drag que não sabia costurar e que no primeiro desafio grudou o seu vestido, feito com cola quente, no manequim. Ao mesmo tempo que isso GRITA "amadorismo", com a personalidade dela, acaba meio que combinando e sendo até um charme. Sério!

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Futebol, Estereótipos e Preconceitos





Há exatos dois anos, eu realizava um dos maiores sonhos da minha vida: assistir a uma final de Copa do Mundo ao vivo. Tive a oportunidade de estar no Maracanã e presenciar o gol na prorrogação de Götze que deu o título à Alemanha sobre a Argentina. Lembro como se fosse ontem o povo comemorando junto aos alemães (os mesmos que haviam nos humilhado dias antes) contra os hermanos.

Sim, era um grande sonho meu. Do tipo de colocar junto com o lance de plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho (a propósito, só não tenho o filho ainda). Sonhei com essa Copa no Brasil, embora o momento para o país possa não ter sido o mais oportuno. Futebolisticamente falando, a Copa foi fantástica, os jogos foram excelentes e cheios de surpresa. Acompanhei coletivas com grandes jogadores, como Ronaldo e Matthäus, e grandes artistas, como Shakira e Ivete Sangalo. Assisti da arquibancada o gol de James Rodriguez, eleito o mais bonito do torneio (tão surpreendente que muita gente soltou um grito de assombro quando viu o replay no telão). Vi uma equipe erguendo a taça que um dia fora nossa.

terça-feira, 12 de julho de 2016

Não Use a Palavra 'Amigo' Em Vão





É. É isso mesmo, o título já diz tudo. Bem, a frase nem minha é, mas sim do meu amigo Bianco. Hoje em dia as pessoas chamam amigo ou amiga a primeira pessoa que aparece na frente com um sorriso bacana e alguns bordões de Inês Brasil ou Nicole Bahls. Não estou falando mal das duas, eu mesmo uso vários bordões e memes de ambas, mas a questão é que na prática, amizade é muito mais que isso.

Sábado passado eu estava dando aula de teclado pra minha sobrinha e, enquanto explicava Melodia e Harmonia, acabei dizendo: "Uma nota sozinha é só uma nota. Não tem Maior ou Menor, ela é apenas uma nota. O que vai determinar o destino dela, se vai ser Maior, Menor, Sustenido, Bemol, etc, são as outras duas que formam o acorde.". Nisso eu parei a aula e disse: "Gente, que profundo...". Ficamos minha irmã, minha sobrinha e eu discutindo a respeito.

Antes de mais nada, vamos esclarecer aqui que não PRECISAMOS de ninguém pra viver, certo? Precisamos de oxigênio. água, comida, Netflix, algumas garrafas de vinho... Desculpem, foi um devaneio. Mas é isso, não nascemos grudados a ninguém. Esclarecido isso, vamos seguir.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Reflexões de Travesseiro





"Pillow talk, my enemy, my ally
Prisoners, then we're free, it's a thriller..."

Deitado naquela cama, relaxado no pós-sexo e inspirado pela companhia do outro, ele pensava na vida. Aqueles momentos de tesão o fizeram viajar e esquecer os problemas e as preocupações por alguns momentos. E ali, ouvindo o outro falar sobre aleatoriedades, ele pensava na própria vida.

Aos 27 anos, ele se lembrou de sua primeira história com alguém do mesmo sexo. Ainda adolescente, aquele envolvimento com um homem doze anos mais velho havia sido sua primeira paixão; a primeira e a mais complicada. Aos 17 anos, o relacionamento com um homem mais velho e casado aconteceu aos poucos e da forma mais complicada possível. Ele conhecia a esposa, ele frequentava a casa, ele era o amigo mais novo daquele homem que se dizia seu mentor. E todas aquelas mentiras acabaram moldando quem ele se tornou.

domingo, 10 de julho de 2016

Ereções 2016





Assustou com o título? E não é sexo. A foda é outra. O proposital e vil trocadilho foi para ilustrar a situação em que eu e a maioria do povo brasileiro nos encontramos: estamos duros. Tudo sobe: o feijão, a gasolina, a energia elétrica, a mensalidade da faculdade, dentre outras contas numa espécie de viagra econômico-financeiro que parece não ter fim. E quando olhamos as opções que temos neste cardápio político que nos apresentam para resolver a situação, eu sinto sono.

Inevitavelmente chegou a época da campanha eleitoral. Com ela, chega também aquele seu tio esquisitão que nunca conversa com ninguém nos almoços de família te abraçando, beijando seus filhos, pegando no colo e contando com você para votar nele para vereador. Ainda tem o seu professor do ginásio que agora afirma que você era o melhor aluno na época em que estudava com ele. Talvez apareça seu vizinho neurótico que furava a bola dos seus filhos quando esta caía em seu quintal e hoje diz ter você não como um vizinho, mas como um grande amigo do peito dizendo contar com você.

sábado, 9 de julho de 2016

Presença de Erick





Era uma amizade bonita a que existia entre Erick e Fabinho. Conheceram-se aos seis anos, ambos tinham a mesma idade. E juntamente com a amizade dos filhos, os pais também estreitavam seus laços. Orlando e Elaine, Felipe e Gilda tornaram-se grandes amigos por conta da aproximação dos filhos.

Gilda fazia o tipo dondoca, sempre cercada de luxos. Detestava cozinhar, mal sabia fritar um ovo e nunca estava satisfeita com as cozinheiras que empregava. Elaine, por sua vez, era cozinheira de mão cheia. De origem mais simples, ajudava no orçamento da casa, cozinhando pra fora. Fazia comida congelada, “quentinhas”, bolos, salgados e tinha uma clientela fiel. 

Ao provar os quitutes de Elaine, Gilda tornou-se quase que cliente exclusiva. Fazia grandes encomendas e, de vez em quando, contratava Elaine como cozinheira particular. Dessa relação comercial floresceu a amizade quando o melancólico e rebelde filho de Gilda, Fabinho, um menino que nasceu com uma tetraplegia, conheceu Erick, o tímido e sagaz filho de Elaine.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Um Sinal do Espaço





Eu sempre achei superinteressante essas teorias interestelares sobre o Big-Bang, buracos negros, outras galáxias e a vida extraterrestre. Até hoje isso me fascina, mas também sempre me deixa meio deprimido saber que um dia, todo o universo vai acabar. Lógico que eu não estarei aqui para ver isso. Nem eu, nem você, nem a nossa bilionésima geração. Mas é exatamente esse sentido da finitude que me sufoca e que me intriga.

Há oito bilhões de anos atrás, beeeem depois de muitos outros bilhões de anos após a grande explosão que deu início a tudo, uma estrela bem medíocre - em se tratando da dimensão de outros astros - nasceu: o Sol. E aí, algumas bolotas surgiram ao seu redor: uma delas, a Terra. 

No início, ela sofreu muito... No seu primeiro bilhão de vida, só recebeu chuvas de meteoros e asteroides. Um desses colossais pedregulhos se chocou tão fortemente certa vez que, somente um estilhaço dele formou a Lua, que conhecemos tão bem.

Hoje, nosso astro-rei Sol tem 5 bilhões de anos. Já é um senhor de meia idade. Daqui a mais 5 bilhões de anos, se tornará tão grande que engolirá Mercúrio, Vênus e se apagará, lentamente. 

quinta-feira, 7 de julho de 2016

Você É O Vilão Na História De Quem?





Lembro da primeira vez que ouvi uma frase: "O inferno são os outros". Na época não tinha entendido muito bem o que aquilo significava, muito menos conhecia seu criador, Sartre. Mas, com o passar dos anos, das experiências que vivi ao lado de outras pessoas, tudo começou a fazer total sentido. Sim, meus queridos, o inferno são os outros, sempre! Nunca, nós mesmos. 

Acho muito engraçado perceber como todo mundo se vê como um ser bonzinho e de luz. Injustiçado quando algo, que acredita ser destinado para si, vai parar em outras mãos. É como se os vilões, os malvados e perversos fossem só os outros... Mas você já parou para pensar que talvez você já tenha ocupado esse mesmo "papel" na vida de outra pessoa? 

É meio louco imaginar que você, um poço de bondade e bons pensamentos, possa ter ferido alguém sem querer. Que talvez, ter tido uma atitude impulsiva e que você julgava correta, fosse acabar prejudicando outro ser que não tinha nada a ver com isso. Mas acontece. Todos os dias inclusive. 

quarta-feira, 6 de julho de 2016

À Garota Que Eu Amo Demais





Hoje a garota mais importante da minha vida faz aniversário. Minha irmã, minha primeira amiga, minha primeira confidente. Agora também esposa e mãe – depois daquela obra-prima que é a Manuela, o segundo já está lá na barriguinha, esperando pra chegar nos próximos meses –, pra mim ainda não faz muito tempo que aprendíamos juntos a andar de bicicleta; ou descíamos abraçados as escadarias do prédio após a aula de natação, pras pernas bambas não nos derrubarem.

Sempre cresci ouvindo a pergunta: “nossa, vocês são gêmeos?”. Tudo porque, dizem, somos muito parecidos (hoje em dia eu já acredito na teoria). Quando éramos crianças, ainda não tínhamos muito como explicar que irmãos de sexos diferentes nunca podem ser univitelinos, mas tinha um certo charme em deixar pensarem que éramos idênticos.

terça-feira, 5 de julho de 2016

Carta Inacabada





Eu precisava sair de Barra Mansa. Precisava do meu tempo. Todos tinham tido seu tempo pra sofrer, pra chorar, pra viver o luto. Eu não. Eu ouvi de todos: "Agora é só você e seu pai, cuida bem dele.", ou "Cuida bem do seu pai, agora você é o cozinheiro da casa.", ou então "Seu pai vai precisar muito de você agora, viu? Você precisa ser forte por ele.", mas eu não consegui. 

Passei quase duas semanas plantado na cama, praticamente sem dormir direito, e quando levantava pra fazer comida, não comia direito, mas meu pai estava bem alimentado, bem cuidado, protegido, enquanto eu estava uma bagunça só. Não tô falando isso pra ganhar elogios, apenas narrando os fatos. Não era apenas pela morte da minha mãe que eu estava mal. Tinha um peso no meu peito (que não era infarto), sabem? Não, a maioria de vocês não deve saber. 

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Os Elevadores - Um Crônica do Cotidiano





Eis uma triste verdade da vida: você precisa de elevadores. A menos que você viva em uma cidade minúscula e de prédios baixos (um beijo para a minha Smallville natal), os elevadores estão aí, prontos para fazerem você subir e descer, te levando de baixo a alto, e vice versa, pelos prédios da cidade.

Eu, por exemplo, uso elevadores regularmente, seja para cruzar os oito andares que separam o meu apartamento do térreo do meu prédio, ou os vinte e cinco entre o hall de entrada e a gerência em que estou lotado no trabalho. E nesse sobe e desce cotidiano, eu fico ali, observando a fauna humana, algumas vezes entretido, outras, irritado em como as pessoas podem ser tão estúpidas. E elas quase sempre são.

domingo, 3 de julho de 2016

Um Brasileiro em Dublin e Algumas Impressões Sobre Relacionamento Amoroso Com Europeus





Após um ano e seis meses morando fora do Brasil, resolvi contar um pouco para vocês sobre as minhas experiências amorosas com homens de outras nacionalidades, diferentes de mim, cidadão brasileiro. Essas experiências vão muito além de uma língua diferente; há muitos conflitos culturais dentro de um relacionamento formando entre pessoas de nacionalidades diferentes.

Primeiramente, para quem não sabe, sou Márcio Lourenço, já escrevi algumas vezes como convidado aqui para o Barba Feita, e moro em Dublin, na Irlanda. E como a Irlanda é um dos poucos países com a língua inglesa como idioma nativo na Europa, esse detalhe faz dessa ilha um país com gente do mundo inteiro, que vem para cá para aprender inglês. Às vezes, parece que estou dentro de um enorme aeroporto, vendo as pessoas falarem as suas línguas maternas pelas ruas.

sábado, 2 de julho de 2016

Histórias de Disque Amizade





Muito antes das redes sociais e de todos esses aplicativos de relacionamentos a que temos acesso hoje, existia o MSN e o bate-papo UOL. Era o início da comunicação virtual como a conhecemos. O bate-papo da UOL funcionava como os aplicativos de hoje: entrávamos para “caçar”, podia ser apenas um encontro sexual sem compromisso ou estávamos interessados em conhecer alguém para namoro e/ou amizade. Se a coisa evoluísse, assim como fazemos atualmente ao trocar WhatsApp e adicionar no Facebook, partíamos para o MSN. 

Mas, antes do MSN e do bate-papo UOL, quando mergulhamos de cabeça na Era Tecnológica, existia uma outra forma de conhecer pessoas antes de vê-las pessoalmente. Era o Disque Amizade 145. Bastava ter um aparelho telefônico em casa, discar os três números, 145, e pronto, você entrava em uma sala de bate-papo com várias pessoas e, se gostasse de alguma em especial, era só discar asterisco (*) ao mesmo tempo que a outra pessoa e ambos iam para o reservado. Na sala privada, dependendo do desenvolvimento da conversa, poderia ou não haver uma troca de telefones. 

sexta-feira, 1 de julho de 2016

As Horas





Semana passada eu levantei um tema de que poucos gostam de falar... Se você não tivesse mais a chance de se emocionar? Se agora fosse o momento mais importante da sua vida e, por algum motivo, você deixasse escapá-lo? 

Se Ela chegasse?

Impressionante como as pessoas vão literalmente perdendo as suas referências quando, inevitavelmente, a morte chega. Nunca gostamos de pensar nisso, mas realmente vai chegando um momento em que todas as pessoas que sempre estiveram ao seu lado, como referências, vão partindo, uma a uma.

Com o passar dos dias, metamorfoseamo-nos: seja pelo amadurecimento, amarguras, ganhos ou perdas. Até que em um átimo, olhamos para os lados e nos encontramos sós, de frente ao espelho com rugas, olheiras e o olhar cansado. Nesse momento, nos tornamos “a” referência para outras pessoas. Até que chega a nossa hora de partir e, assim, fazemos com que essa outra pessoa também vá amadurecendo com a perda de sua referência, até que ela se torne a própria... E assim por diante. Em looping, um eterno F5.