terça-feira, 19 de julho de 2016

Ensaio Sobre o Nada





Aqui estou eu. De bermuda, camiseta, meia, uma coberta sobre as pernas, a terceira caneca de café acabou de acabar, são 21:38h, e no YouTube tá tocando um Help Me, do Joni Mitchel, interpretada lindamente pela Morgan James (qualquer hora eu falo sobre ela aqui). E eu sem ter o que falar. É sério, o texto de hoje é um completo nada.  Meu amigo Miguel me sugeriu falar sobre a Comic Con de San Diego, mas não domino muito bem o assunto, até dei uma olhada, mas não consigo nem indicar uma série pra alguém, quanto mais falar sobre um evento nerd. Imaginem o desastre. Pensei em falar sobre apelidinhos carinhosos de namorados, mas ah, isso ficaria mais legal se feito por um youtuber, com todos aqueles efeitos e tal, então eu não sei sobre o que dizer.

Parece que hoje em dia a gente tem sempre que ter um assunto, já perceberam? E não, não estou reclamando de escrever pro Barba, eu adoro fazer isso, mas no geral, as pessoas estão sempre esperando de nós uma explicação pra qualquer coisa, e vice-versa. Pra nós, os outros sempre têm que ter algo pra contar, uma explicação pra determinado assunto, a resposta pra vida eterna, os números da mega sena ou quanto de farinha vai nesse bolo, whatever. E, às vezes, as pessoas não têm essas respostas. Ou nós. Apenas um belo nada. E tá tudo bem, sério! É bom não ter uma explicação de vez em quando. Faz bem ficar sem palavras, não ter a mente fervilhando de perguntas e respostas, não precisar satisfazer às expectativas de A ou B, ou, no meu caso, trazer um texto decente toda terça-feira. 

Eu morro de medo das pessoas pularem da segunda para a quarta por acharem que sempre vão ler um texto bosta às terças? Claro, eu gosto de escrever, e gosto ainda mais de ser lido, mas tem dias que simplesmente não dá. E não é por conta de problemas, é simplesmente falta de inspiração. Você acorda, faz o que tem que fazer, e não se sente inspirado a falar coisas bonitas, a ouvir música, ver filme, ou escrever. Tá tudo bem. Todos nós temos esses momentos, esses dias de puro vazio (não falo daquele vazio de bad, sabe? Mais da falta de inspiração, etc). Tem dias que nós estamos, simplesmente, desinteressantes, desinteressados, e não quer dizer que amanhã você continuará assim. Talvez sim, talvez não (acabei de pensar aqui que preciso de, ou uma cadeira nova, ou um teclado sem fio pra poder digitar da cama, minhas costas já começaram a doer). Voltando, pode ser que amanhã você acorde bem, inspirado, aventureira(o), apaixonado(a), e tudo voltará ao normal. 

Às vezes, eu penso que esses momentos de nada, de falta de inspiração, é o nosso cérebro dizendo: "Eu venho há dias por um descanso, mas você não prestou atenção, então câmbio, desligo.". Pode ser também que você acorde do mesmo jeito no dia seguinte, e tá tudo bem, é o seu cérebro descansando, te dando um tempo das cobranças malucas desse mundo que parece que tá virado do avesso. Não se cobre tanto, não cobre do seu cérebro algo que ele não quer oferecer naquele momento. Dê um tempo pra sua mente, pra você, pra sua alma, e aprecie seus momentos de nada. 

Talvez seja disso que nós todos estejamos precisando, sabe? De alguns momentos pra curtir o nada, pra sentar no sofá, olhar pela janela e ficar observando o céu, as nuvens sendo levadas pelo vento, fazer um bolo e comer tudo sem que ninguém esteja olhando, entrar nas lojas só pra dar uma olhadinha, andar à toa pelo shopping, de mãos dadas com o nada. Sem cobranças. Sem ansiedade. Sem nada.

Nos vemos na próxima terça?

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Leandro Faria  
Glauco Damasceno, do interior do RJ, é o colunista oficial das terças no Barba Feita. Tem aproveitado a fase de solteiro para viver tórridos casos de amor. Com os personagens dos livros que lê e das séries que assiste, porque lidar com o sofrimento do término com personagens é bem mais fácil do que com pessoas reais.
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2 comentários:

Cleber Eldridge disse...

EXCELENTE TEXTO!
Essa busca possessiva por um assunto, por alguma coisa, pra falar de algo ou de alguém ... sei lá, porque não falar sobre o nada, sobre o dormir, sobre o ficar em casa de pernas para o alto? O nada também é alguma ooisa, não é?

http://almostamericans.blogspot.com.br

Glauco Damasceno disse...

Exatamente, Cleber!