domingo, 10 de julho de 2016

Ereções 2016





Assustou com o título? E não é sexo. A foda é outra. O proposital e vil trocadilho foi para ilustrar a situação em que eu e a maioria do povo brasileiro nos encontramos: estamos duros. Tudo sobe: o feijão, a gasolina, a energia elétrica, a mensalidade da faculdade, dentre outras contas numa espécie de viagra econômico-financeiro que parece não ter fim. E quando olhamos as opções que temos neste cardápio político que nos apresentam para resolver a situação, eu sinto sono.

Inevitavelmente chegou a época da campanha eleitoral. Com ela, chega também aquele seu tio esquisitão que nunca conversa com ninguém nos almoços de família te abraçando, beijando seus filhos, pegando no colo e contando com você para votar nele para vereador. Ainda tem o seu professor do ginásio que agora afirma que você era o melhor aluno na época em que estudava com ele. Talvez apareça seu vizinho neurótico que furava a bola dos seus filhos quando esta caía em seu quintal e hoje diz ter você não como um vizinho, mas como um grande amigo do peito dizendo contar com você.

Esses seres, os candidatos ao cargo de vereador, que vivem três anos e meio hibernando em suas cavernas, saem neste período eleitoral como zumbis de A Volta dos Mortos Vivos. Atacam as feiras, as igrejas (qualquer uma delas, nessa hora o ecumenismo é a bandeira), as calçadas das grandes e movimentadas ruas, com sorrisos largos e brilhantes como em um comercial de creme dental, abraços tão apertados quanto forçados, filipetas, botons, jingles irritantes que colam na sua cabeça mais que o Tra Tra Tra, acompanhados de cabos eleitorais entregando aquele papelzinho chamado não sei o motivo de “santinho” - deve ser uma ironia. A foto do candidato no santinho é aquela 3x4 que ele tirou em 1988 e que, geralmente, vai parar na lixeira mais próxima ou no bolso da calça e que só é lembrado na hora de lavar a mesma.

Todos dizem ter a solução para os problemas da cidade, mas não antes de solucionarem os próprios: o carnê vencido das Casas Bahia, a prestação do carro, o colégio das crianças e o agrado mensal da mulata que ele come em Belford Roxo.

Sonho com o dia que a nossa carecida legislação 07x01 inclua em seus escritos a obrigatoriedade do candidato a qualquer cargo público ter pelo menos curso superior e o mínimo de conhecimento de Administração Pública. De gente boa e bem-intencionada o inferno, as câmaras municipais, estaduais e a federal, tanto quanto o senado e, sem falar nos cargos executivos, já estão fartos. 

E, do jeito que a coisa vai, um dia ainda vão dar um golpe em Satanás.

Leandro Faria  
Antonio Campos é Administrador, trabalha viajando pelo estado do Rio de Janeiro, mas isso não significa que usa entorpecentes. Possui visão política centro-direita-esquerdista, dependendo da mão que escreve. Vascaíno sem culpa, é um leitor assíduo do Meia Hora e, nas horas vagas... Ah! Não faz nada mesmo.
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