sexta-feira, 22 de julho de 2016

Já Acabei Com Um Show do Guns N´Roses





O Guns N´ Roses está de volta. Pelo menos com três integrantes da formação clássica da banda: Axl, Slash e Duff McKagan. A banda, que reinou no cenário hard rock no fim da década de 1980 e início de 90, vendendo mais de 100 milhões de discos no mundo, fará cinco shows no Brasil em novembro, com apresentações em Porto Alegre, São Paulo, Rio, Curitiba e Brasília.

Que perdoem-me os fãs (muitos, aliás) mas, obviamente, essa é uma reunião caça-níqueis (e bota moeda nisso), cujos ingressos (com preços salgadíssimos que variam de R$ 115 a inacreditáveis R$ 780) começam a ser vendidos na segunda, 25/07, e que certamente serão pulverizados em poucas horas (depois me digam, por favor, onde está essa crise que tanto falam por aí). Esta é a primeira excursão com os três cabeças do GNR desde o fim da milionária tour Use Your Illusion, encerrada em 1993. Depois disso, cada um dos integrantes seguiu em carreira solo, participando de outros projetos e/ou em outras bandas (Snakepit, Velvet Revolver, Load, The Cult...) e Axl continuou com o arremedo do Guns, que parecia estar fazendo um cover do Guns em shows esporádicos (e vergonhosos).

A primeira vez que fui a um show deles foi em 1991, na segunda edição do Rock in Rio, no Maracanã. Fechando a noite do dia 20 de janeiro, feriado de São Sebastião, eles fizeram um show para 179.999 pessoas, já que eu, com sono, fui embora antes do meio do show, depois de Welcome to The Jungle, uma das músicas que eu mais gostava. Lembro perfeitamente da minha solitária figura descendo a rampa do Maraca enquanto o show rolava. Achei chato. Naquele dia eu tinha ido ver o Billy Idol, os Titãs e o Faith no More (que, na minha opinião, fez o melhor show do festival, depois do Prince).

A última vez que os vi também foi em uma edição do Rock in Rio, desta vez já na tradicional Cidade do Rock, com eles fechando a última noite do festival, em 2011. Chovia torrencialmente e eu já estava afundando em lama. Eis que me aparece, com mais de duas horas de atraso, a figura de Axl, vestido em uma capa de chuva amarela, como um Dick Tracy rechonchudo e com um alcance vocal irreconhecível. Novamente, depois de Welcome to The Jungle, eu abandonei o barco, já que estava todo molhado mesmo e querendo minha cama quentinha.

Mas teve um show aí no meio (em 1992), que foi o mais hilário (e tenso), e que ratificou a minha implicância com Axl Rose. Sempre achei ele um porre, apesar de gostar dos integrantes da banda. Slash e Izzy são ótimos guitarristas, Duff tem personalidade no baixo e os dois bateristas (Steven Adler e, depois, Matt Sorum) tem punch, mas a arrogância, prepotência e o estrelismo de Axl sempre me irritavam. E na época eu era uma mistura de gótico com um pós-punk. Estava muito mais para a maquiagem de Siouxsie e Robert Smith do que praqueles vocais agudos de Axl Rose.

Naquele show de 1992 eu só fui porque uma amiga pediu muito para que eu a acompanhasse. A mãe dela só a deixaria ir se eu fosse com ela. Como conheço bem na própria pele esses traumas (se vocês ainda não sabem da história, qualquer dia eu conto pra vocês), eu fui.


O show foi no Autódromo de Jacarepaguá e o lugar estava uma zona. Só pra vocês imaginarem, estávamos literalmente na jungle, com mato quase na altura do joelho, com um monte de mosquito me picando (ainda bem que naquele tempo não tinha Zika) e o show só começou quase três horas depois do programado. Óbvio que eu já estava puto da cara, querendo fuzilar um. Marcos with lasers.

Naquele tempo não existiam celulares, então todo mundo ia para ver o show literalmente (e não ficar com os aparelhos levantados o tempo inteiro, chegando a dar cãibras, por causa da síndrome de cinegrafista). Mas, essa minha amiga levou uma máquina fotográfica...

Era uma maquininha fajutinha, mas ela cismou que precisava fazer umas fotos para guardar de recordação. E ela fingiu que não sabia que a produção não permitia a realização de fotos. Por causa dos ataques de estrela de Axl Rose, que, com TPM masculina, já havia arremessado uma cadeira na direção de jornalistas no Maksoud Plaza, em SP, um fato que chegou até a dar polícia.

Como sou bem mais alto que ela, era euzinho aqui que, escondido, fotografava. Estávamos bem próximos ao palco. No primeiro flash disparado, em Civil War, Axl simplesmente parou a música e disse que alguém estava fotografando o show. E eu caí na gargalhada. E de molecagem, comecei a tirar várias, só pra sacanear.

Na hora de You Could Be Mine ele parou novamente, apontou para mim e, de repente, um troglodita de 2 metros veio em minha direção, mas errou o alvo. Pegou o pobre de um garoto que não tinha nada com isso e quis tirar do show. Ninguém me dedurou, e a gente foi todo mundo contra o Sansão à nossa frente, que voltou atrás e deixou pra lá.

Axl ficou marcando com a nossa cara o tempo todo e vi que rolava essa coisa de amor e ódio entre ele... Literalmente armas e rosas.

Naquele dia ele estava tão babaquinha, parando pra reclamar mais do que Tim Maia, que eu, juntamente com uma galera que já estava “boladona” com ele, começamos a atiçá-lo cada vez mais. Ele implicou com uma menina do nosso lado só por causa de algo que estava escrito na blusa dela (não faço a menor ideia do que estava escrito). Por ter retirado a garota à força, Axl levou uma senhora cusparada que daria inveja a John Lydon e Jean Willys.

E, naquele dia, depois que jogamos um sanduíche de Pão Plus Vita com requeijão no seu cabelo liso, tal qual Torta na Cara do Passa ou Repassa, ele deu piti e não voltou pro bis para tocar Paradise City. #xatiado

Leandro Faria  
Marcos Araújo é formado em Cinema, especialista em Gestão Estratégica de Comunicação e Mestre em Ciências em Saúde. Nas horas vagas é vocalista da banda de rock Soft & Mirabels, um dos membros da Confraria dos Bibliófilos do Brasil, colunista do Papo de Samba e um dos criadores do grupo carnavalesco Me Beija Félix. E também o colunista das sextas-feiras aqui no Barba Feita.
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4 comentários:

Ana Paula Rocha disse...

Essa foi boa, vc é tudo mesmo, pessoas arrogantes merecem isso.

Alice Sales disse...

Kkkkkkkk genteeeeeee... Só de raiva, faria tudo isso é mais um pouco kkkk
É as fotos? Sobreviveram?

VALERY ROSE (PUG) disse...

Você é um baita de mentiroso. Vem com papo de RockinRio depois volta ao autódromo 1992 ... Só onde você estava tinha esse mato todo eu fui fiquei na frente e teve incidente com babaca de plateia sim por fotografia mas não foi tudo isso voltado a você ... Vai se tratar tem síndrome de perseguição e de querer ser alguém. Não chega nem aos pés de AXL ...

Jujubas e Mirabel disse...

hahaha... não precisa ficar nervosa não, Valery! Desta vez eu não vou ao show não. Fique tranquila que eles "tocarão" Paradise City. Ah, e não tenho síndrome de perseguição não. Só tenho medo de pessoas que gostam do Axl. Brrr... essas sim, me assustam.